Sakura Biyori

As cerejeiras desabrocharam cinco vezes desde a última vez que se viram e agora por uma brincadeira do destino será que voltariam a se encontrar?

Capítulo Um – A vida dela

Jyuuroku de kimi to ai hyakunen no koi wo shita ne

(Te conheci com dezesseis e por centenas de anos te amei)

hirahira to maiochiru sakura no hanabira no shita de

(Sob o gentil farfalhar de pétalas de cerejeiras.)

(Aitakute kakenuketa hi no ataru kyuu na sakamichi ya)

(Eu queria te encontrar e ir embora, fazendo aquele mesmo caminho daquele dia)

(kouen no sumi futari no kage wa ima mo kawaranu mama)

(Pelos cantos daquele parque, as nossas sombras permanecem imutáveis mesmo agora...)

Miyazawa Yukino caminhava de volta para casa depois de mais um estressante dia de trabalho como presidente da industria de exportação Hatabe Inc., pois é muitos anos haviam se passado desde a época do colégio e hoje a menina atrapalhada e que gostava de atenção era uma mulher feita.

Apesar dos pesares, sua fixação em ser a primeira levou-a a uma rotina de estudos invejável que a colocou em patamar avançado. Com jogo de cintura e esforço, hoje era a presidenta de uma importante indústria de exportação, não se poderia esperar menos daquela garota.

Naquele dia, seu carro havia quebrado, assim estava voltando para casa de metrô. Desceu a algumas quadras de seu prédio e falando ao celular a mulher não notava que estava passando diante de um parque. As calçadas estavam todas cheias e a mulher estava tendo que prestar mais atenção para não dar de cara com ninguém.

Céus, porque em plena quarta-feira à tarde todos resolveram estar ali?? A jovem presidenta já estava ficando irritada, todas as vezes que fazia aquele caminho andando era tão tranqüilo, tanto porque morava em uma área nobre de Quioto e não em qualquer bairro periférico da cidade.

Bem, como não podia deixar de ser se tratando de Yukino, a mulher de vinte quatro anos conseguiu tropeçar em alguma coisa caindo e fazendo seu celular escorregar pelo chão e não seria necessário citar que uma mulher vestindo um caríssimo terninho de marca engatinhando pelo chão era uma cena bizarra.

- Kuso!! – Miyazawa engatinhava a procura de seu celular, não podia perdê-lo, lá estavam todos os seus contatos e ela não tinha tempo de reeconseguir os telefones bem no meio do fechamento de um contrato – Celular, cadê você? Vai filhinho, você não pode sumir... Vamos, vamos...

A jovem executiva olhava apenas para chão quase sendo pisoteada pelas pessoas que caminhavam pelo parque, porque agora ela notou que estava em um parque, afinal, era grama que estava debaixo de seus joelhos.

Muitos olhavam assustados para a cena, outros apenas ignoravam, haviam lindas cerejeiras florindo, para quê prestar atenção a uma mulher louca no meio do parque??

- Celular... Celular... – ela já havia visto seu inseparável companheiro ser chutado para lá e para cá – Vai, não morra, eu preciso fechar esse contrato!!

Mais alguns metros andando de quatro e completamente alheia ao espetáculo que se dava ao seu redor, Yukino avistou seu amigo jogado contra as raízes de uma árvore. E tudo o que ela viu depois disso foi seu precioso aparelho. Parecia até que uma luz sobrenatural incidia sobre o mesmo.

E com um único foco em mente a ruivinha saiu em disparada. Sem se importar com as meias finas que agora deveriam estar destruídas, ou os sapatos italianos que também não deveriam estar em seu melhor estado.

PRECISAVA do celular!

Olho no prêmio! Olho no prêmio!

Olho no prêmio! Olho no prêmio!

PAFT!!

Mas tinha uma árvore também e a cabeça da executiva ali colidiu.

- Itaiiiiiiii!!! – gemeu chamando atenção de todos – Hehehe... Eu estou bem!! Sério, podem voltar fazer o que estavam fazendo...

Eto... Mais uma vez pagara um mico gigantesco em público! Sem contar que só agora a realidade bateu contra a moça, ela estava toda desgrenhada... Yukino queria desaparecer, mas no final seu querido celular ainda funcionava, valeu a pena o preço absurdo que pagara no mesmo.

Ótimo, agora iria embora... Talvez fosse melhor pegar um taxi, não seria de bom tom se algum dos investidores do contrato a visse daquela maneira e com a sorte que tinha era bem provável que os encontrasse faltando uma esquina para sua casa.

Miyazawa ergueu-se e deu uma limpada no terninho escuro, as méis estavam inutilizadas e eram novas!!! Droga!! Bem, pelo menos o celular estava bem! Um suspiro e...

- O que é isso? – o que tinha caído em seu cabelo? Passou a mão para retirar e se deu conta que era uma sakura – Uma flor de cerejeira?

E só então a presidenta se deu conta do motivo de todo aquele movimento, era a semana do desabrochar das Sakuras. Por isso todas aquelas pessoas estavam ali!! Um sorriso não pôde deixar de brotar nos lábios rosados... Andava tão ocupada que se quer tinha se dado conta que já era primavera.

Só ela mesmo para ser tão desligada...

Um parque com Sakuras floridas lhe trazia tantas lembranças...

Seis anos antes em parque florido na cidade de Tókio

Miyazawa não passava de uma estudante do terceiro ano do segundo grau, estava se preparando para as provas do vestibular e naquela tarde de domingo deixara os livros em casa para passear com Arima.

O sol estava ameno e uma brisa gentil acariciava a pele daqueles que caminhavam no parque. A grama verdinha era um convite para sentar-se e fazer um piquenique a sombra das floridas árvores cor-de-rosa. Tudo era tão simples...

- É tudo tão lindo, Arima-kun! Ainda bem que viemos... Eu não agüentava mais ver livros!! – disse a garota abraçada ao namorado –

- É sim, Miyazawa-san... – disse ele sorrindo – Eu sabia que você iria gostar.

Yukino estava tão feliz ali naquele momento que não notou que seu namorado perfeito estava meio tenso, e isso não era de hoje. Arima estava preocupado com uma coisa que seus pais haviam lhe dito poucos meses antes daquela primavera. Uma coisa que poderia mudar todo seu futuro, a escolha que fizesse seria definitiva para seu futuro, mas não queria pensar nisso agora, não nesse momento.

- Está acontecendo alguma coisa, Arima-kun? – disse ela olhando-o ainda perdida em seu abraço –

- Não, não... Estava apenas aproveitando a vista, esses meses têm sido muito cheios. Acho que nunca estudamos tanto.

- É... E depois vem a faculdade, o que não quer dizer que estudaremos menos. Já sabe se vai fazer o exame de admissão para a faculdade de Tokio, Quioto ou Nagoya?

- Eu e meus pais estamos olhando isso, eles querem me ajudar na decisão. E os seus?

- Bem, meu pai está maluco, afinal, serei a primeira da família a chegar a faculdade e com boas chances de uma bolsa integral, e você sabe como isso é importante para mim. Meus pais não poderiam pagar além das despesas que já vou ter uma mensalidade.

- Eu entendo, por isso mesmo que desta vez não vou tentar uma bolsa, meus pais podem e querem muito fazer isso por mim, não poderia tirar uma vaga de alguém que realmente precisasse. – o moreno sorriu deixando a namorada corada –

- Você é tão kawaii, Arima-kun! – ela sorriu e o abraçou –

- O sol já está se pondo, acho melhor irmos para casa, não quero criar problemas com seu pai... Temos que estudar!!

- Hum... – gemeu manhosa a ruiva – Eu não quero ir para casa ainda, estou tão cansada, quero ficar aqui mais um pouco.

- Não, Miyazawa-san, vamos embora, teremos muitas outras primaveras para aproveitar.

A jovem sorriu e levantou-se sentindo até uma vertigem e sendo aparada pelo cavalheiro Arima. Estava estudando demais, tinha que dormir melhor.

- Miyazawa-san, está bem? Aconteceu alguma coisa?

- Estou sim, foi só uma tontura, acho que não ando dormindo tanto quanto deveria. – a garota sorriu sem graça –

- Você não tem jeito mesmo... – ele riu e assim seguiram para casa dela –

Ah se soubesse que aquela seria a última primavera que passariam juntos... Com certeza ela não sabia que aquele ano mudaria toda sua vida e seus planos para o futuro. O caprichoso destino tratou logo de os separar quando os pais de Arima lhe ofereceram pagar seu curso de medicina em Oxford, Inglaterra, foi ali que tudo começou a desandar.

Mas não era hora de pensar nisso, a jovem Yukino tinha que chegar logo em casa, não tinha tempo para ficar perdendo com lembranças bobas de sua adolescência com Arima, foi muito lindo e perfeito enquanto durou, no entanto não era real. Era seu conto de fadas particular e como todos eles um dia teve que terminar e sem um final feliz.

Entrou em taxi e chegou em casa bem rápido sem ser vista naquele estado deplorável por nenhum investidor. Acenou para o gentil porteiro e entrou no elevador social juntamente com uma senhora que morava três andares acima do seu e que lhe olhou de cima abaixo.

Tudo o que pôde fazer foi sorrir complascentemente e fingir que não sabia o motivo dela estar olhando-a daquela maneira. Correu e entrou em seu apartamento onde foi recebida por uma pequena de cinco anos e cabelos negros saltitante.

- Mami, mami!!! – a criança correu até chegar perto o suficiente para pular em si –

- Oyaho, Megumi-chan, estava me esperando chegar? – Yukino ergueu-se juntamente com a filha –

- Hai, hai... Eu quero te mostrar os kanjis que fiz na escola hoje. Todo mundo ficou olhando para mim assustados, parece que mais ninguém na minha turma consegue fazer.

- Jura, meu anjinho? A mamãe quer ver isso sim! Onde está sua babá?

- Na cozinha fazendo o jantar, ela inventou uma tal comida italiana, é macarrão... Mas com um molho diferente.

- Oh, parece bom... Você já tomou banho?

- Já sim, não está vendo meu pijama? – ela abriu um sorriso brilhante – Por que está toda suja e rasgada, mami? O que aconteceu? Quase foi atropelada de novo?

- Não, não, Megumi-chan, mamãe quase perdeu o celular e acabou dando de cara em uma cerejeira!

- Cerejeira? Mamãe, eu quero ver as cerejeiras florindo, me leva, me leva!!

- Acho que sábado não tenho nada para fazer, podemos ir sim ao parque. – Yukino passou pela cozinha – O cheiro está ótimo, Risa-chan, está aprendendo sobre a cozinha italiana na sua faculdade de culinária?

- Boa noite, Yukino-san, é sim, estou aprendendo a cozinhar iguarias italianas.

Risa era uma moça de vinte anos e cabelos escuros que trabalhava para Yukino cuidando de sua filha e mantendo as coisas no apartamento em ordem. Tinha conhecido-a por meio de uma colega de faculdade que também estudava com bolsa e que tinha uma irmã que precisava trabalhar. No inicio, não pôde pagar muito, mas hoje a moça recebia um bom salário e tinha seu total incentivo para estudar.

- Yukino-san, será que eu posso levar a Megumi-chan para a faculdade comigo na terça que vem? Eu tenho que assistir uma palestra e sei que não vai poder desmarcar nenhuma reunião para ficar com ela.

- Oh claro, pode sim, você quer ir com a Risa-chan? – a ruiva olhou para a filha –

- Hai hai, eu quero ir, adoro ir na universidade com a Risa-chan!!

- Ótimo, então está tudo resolvido! – beijou a bochecha da filha e colocou no chão – Vou tomar um banho e já volto para comermos, se comporte, princesa.

O apartamento de Yukino era bem grande espaçoso, talvez grande e espaçoso demais para apenas duas pessoas, mas tinha uma vista maravilhosa e ficava perto de tudo. Não podia se dar ao luxo de morar isolada com uma criança pequena em casa. Tinha comprado-o a pouco mais de um ano, quando assumiu o cargo de presidente da Hatabe Inc.

Os últimos anos haviam sido muito complicados, estudava com bolsa na faculdade, tinha que manter notas altas, estudar, trabalhar – porque o dinheiro que seus pais lhe davam não era suficiente para sustentar a si e a filha e eles também não sabiam que tinham uma neta – e cuidar da pequena. Por sorte, fez bons amigos que a ajudaram muito, Risa ganhava bem mal até poucos meses atrás.

Mas tudo começou a entrar nos eixos quando no terceiro ano da faculdade conseguiu um estágio na empresa na qual era presidente hoje, foram três anos de muito trabalho duro até chegar onde chegou. E todo seu esforço em conseguir notas perfeitas valeu a pena, pois mesmo tão jovem já tinha um emprego tão bom que permitia viver bem e ainda ajudar os pais.

Foram tempos difíceis, mas agora tudo estava bem...

Entrou debaixo do chuveiro com água morna e deixou que essa relaxasse seus músculos. Lembrava-se como foi ontem do dia que descobriu que estava grávida e o dia que descobriu que Arima iria para o outro lado do mundo.

Seis antes, um dia antes da prova do vestibular para universidade de Nagoya.

Yukino estava na sorveteria no centro da cidade esperando que Arima chegasse, tinha que lhe contar uma coisa muito importante. Tinha acabado de pegar um exame de sangue e o que descobriu com ele fez o coração da jovem bater fraquinho, fraquinho.

Aquilo não podia ter acontecido, foi apenas uma vez que havia feito sem se cuidar e tudo aconteceu tão rápido, nem tinha tido tempo de pensarem nas conseqüências daquele ato e logo os dois, os perfeitos alunos, exemplos de filhos, todos queriam que suas proles tivessem metade de seu talento.

Pediu um sorvete de morango enquanto esperava e poucos minutos depois Arima estava ali. Lindo como sempre, sorrindo como sempre, transmitindo aquela paz que só ele podia transmitir.

- Miyazawa-san!! – ele a cumprimentou e ela sorriu –

- Arima-kun!! – fez o melhor que pôde para sorrir – Que bom que chegou! – deixou o exame sobre a mesa e o abraçou –

- Desculpe a demora, é que estava resolvendo umas coisas com meus pais. Queria mesmo falar com você.

Ele sentou-se e pediu uma água com gás, o lugar estava bastante cheio, mas nenhum dos dois estava prestando muita atenção nisso, ambos tinham muito o que dizer um para o outro.

- Você começou, o que quer me dizer?

- Fale você primeiro... – seja o que ele tivesse que falar, não poderia ser mais sério do que tinha para contar para ele –

- Hum... Okay, eu conto. – ele abriu a garrafa e tomou um gole – Miyazawa-san, meus pais me deram um presente muito... Muito... Eu nem sei como descrever.

- Jura? O que é? Um carro? Um apartamento?

- Não, é muito maior do que isso! Muito maior mesmo!

- Nossa!! Não consigo imaginar nada maior do que isso!

O jovem bebeu mais um gole de sua água.

- Eles conseguiram através de alguns contatos uma chance para que eu fizesse a prova de admissão em uma grande universidade Inglesa e eu passei!! Olha, eu não te falei nada para não te deixar nervosa, mas eu passei e fui aceito...

Tais palavras foram como um chute no estômago da jovem Miyazawa, como se alguém lhe empurrasse de um prédio de trinta andares e seu corpo colidisse contra o chão em um impacto perfeito, ele iria embora...

Por isso que ele andava mais atolado que a si própria com coisas para fazer, ele estava estudando para uma prova de uma faculdade do outro lado do mundo, como se tivesse alguma chance dele não ser aceito. Era realmente um grande presente de formatura, irrecusável... Arima tinha mesmo muita sorte.

- Oh... Sério? Minha nossa, Arima-kun, isso é maravilhoso!

- Eu sei, eu sei e não precisa se preocupar, eu já falei com meus pais você só tem que entrar na universidade e entrar para o programa de intercâmbio, um semestre com suas notas e tudo mais não vejo ninguém que possa tirar essa vaga de você. Vão ser seis meses, mas não importa, sempre estaremos nos falando por email e cartas!!

- Oh, isso é maravilhoso, mas eu não posso aceitar. Eu sei que se conseguir a bolsa de intercambio não vou ter que me preocupar com nenhuma despesa, mas não posso deixar minha família aqui, meu pai teria um infarte se eu se quer falasse nisso.

- Seus pais querem o melhor para você, Miyazawa-san, é claro que eles vão ficar meio tristes no inicio, mas é o seu futuro e...

- Não, Arima, obrigada, mas não. Isso é para você e nem pense em pensar em recusar essa vaga, nós vamos ficar bem, vai ser mais que um semestre, mas a gente pode lidar com isso.

Se não tivesse aquele envelope do laboratório em mãos, Yukino não pensaria duas vezes antes de aceitar a proposta, era uma coisa única na vida, mas o que faria lá grávida? Isso atrapalharia não apenas a si, mas também ao seu Arima, um filho não era brincadeira.

Instintivamente escondeu o envelope e o amassou por debaixo da mesa. Não podia quebrar os sonhos de seu amor assim, sabia que ele ficaria se contasse, mas também sabia que isso acabaria com ele. Esse era o deslize que ele sempre teve medo de cometer e agora que a relação com os pais estava tão boa... Não queria dar motivo algum para aquele casal tão gentil se decepcionar com Arima, isso acabaria com ele.

Teria que se virar por cinco anos sem ajuda, mas manteriam contato e quando ele voltasse... Bem, não sabia muito bem o que faria, mas podia lidar com isso pelos dois. Tudo se resolveria depois, mas agora ele tinha que seguir.

- Você não quer ir comigo? – perguntou ele com uma certa mágoa no olhar –

- Eu não posso, o que as pessoas diriam? Que eu te usei para conseguir uma bolsa, que não passo de uma oportunista... Você sabe como são essas coisas, eu não estarei aqui para ver ou ouvir nada, mas minha familia sim e isso pode até afetar minhas irmãs. Eu realmente agradeço muito, mas eu também nunca tive o sonho de estudar fora assim...

- Tudo bem, Miyazawa-san, se é isso que quer, tudo bem. Mas espero que isso não queira dizer que você não gosta de mim.

- Se eu não gostasse, ai que eu iria, afinal, é uma oportunidade de ouro. – a jovem colegial sorriu –

Arima pegou na mão da namorada ternamente.

- Agora o que você tinha para me dizer mesmo?

- Nada, nada demais... – a moça soltou o papel debaixo de sua cadeira – Era só que eu tinha conseguido fechar aquela prova daquela faculdade que eu nunca tinha conseguido fechar.

- Jura?? Que bom! – ele sorriu – Mas era só isso mesmo?

- Hai, hai... O que mais seria?

No outro dia, Yukino fez a prova e passou em primeiro lugar com excelência e conseguiu a bolsa para a universidade de Nagoya. Foi muito difícil sair de casa, principalmente sabendo o que enfrentaria meses depois. Nunca chegou a contar aos pais, não teve coragem, sabia o quão decepcionados eles ficariam com a notícia, com certeza, a apoiariam, mas chorariam em segredo por não te conseguido levá-la a faculdade sem aquilo.

Estou os nove meses da gestação e as amigas da republica a ajudaram muito, ficou apenas uma semana fora da sala de aula, aulas essas que fez questão de já ter recuperado quando voltou. Foram longos meses, as amigas ajudavam muito, cuidavam do bebê, mas no final, a maior responsabilidade era sua.

Poucas vezes voltou a casa dos pais e jamais com a filha, sabia que eles não entendiam bem o motivo do afastamento, mas preferiam achar que era porque tinha uma vida muito cheia, não a julgavam mal. Com Arima, manteve contato por cartas e emais durante quase um ano e meio regularmente, mas os dois estavam cheios de coisa para fazer e no final de três anos já se falavam mais.

Ele nunca voltou nas férias para visitar os pais e jamais foi informado daquela criança. Hoje deveria estar fazendo residência e comprometido, ele falava muito de tal de Jane em suas cartas, ele deveria estar feliz. Não tinha raiva ou mesmo ressentimento, foi uma escolha sua e muitas vezes se perguntou se foi a certa, só que nada disso importava mais, tinha um emprego muito estável e bem remunerado, propostas de emprego em outras empresas e procurava estar sempre se reciclando... Não faltaria nada a Megumi e no futuro podia dizer que fora uma reprodução independente.

Saiu debaixo do chuveiro e se trocou, estava num dia muito nostálgico, tinha que parar com isso. Toda essa história estava no passado, tinha é que viver seu futuro.

Kimi to boku to "sakura biyori" kaze ni yurete maimodoru

(Eu, você e a estação do desabrochar das flores, eu danço, levada pelo vento, e volto de novo...)

Marude nagai yume kara sameta you ni miageta saki wa momoiro no sora

(Como se tivéssemos acabado de acordar de um longo sonho, eu olho para cima e vejo um céu cor de rosa.)

Suki deshita suki deshita egao saki someta kimi ga

(Eu estava apaixonada, eu estava apaixonada por você, como se seu sorriso começasse a florescer)

Boku dake ga shitte ita migigawa yawaraka na ibasho

(Somente eu sabia sobre aquele ponto terno no seu lado direito...)

Continua...

Notas finais
Oie gente, essa é minha primeira fic Karekano, espero que gostem e comentem bastante!!! Já escrevi faz um tempo, mas soh agora tive coragem de postar!!kiss kiss
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.