Saints & Storms - HIATUS
18 Capítulo 16 – No Refunds
Notas iniciais
Terminamos antes de todos o exercício, garantindo assim uma cebola dourada, Edward era muito inteligente e isso era apenas mais um detalhe que me encantava. E mesmo ele sendo perfeito, aqui estávamos nós, sentados no refeitório enquanto ele despejava uma coleção de perguntas para mim.
As perguntas pareciam bobas, mas ele parecia animado com cada detalhe.
— Cor preferida? – Ele pediu.
— Hm... – Eu parei para pensar enquanto dava um gole na minha limonada – Eu não sei, acho que Whisky ou Bronze – Ele levantou uma sobrancelha como se essa informação fosse realmente nova e interessante – Alguma variação de dourado. — Edward pareceu pensar por um momento.
— Eu acho que seus amigos estão bravos comigo por roubar você – Ele disse divertido olhando para um ponto atrás de mim. Eu olhei na direção de nossa mesa comum de sempre e eles se dividiam entre conversar e olhar para nós. Mas desviaram o olhar quando perceberam que eu estava olhando. Bem, nem todos. Logan olhava para mim e fazia caretas, se abraçando e simulando um beijo bizarro. Quando ele começou a fazer gestos obscenos eu desviei o olhar enojada para Edward que sorria com seus dentes perfeitos achando aquilo aparentemente, hilário.
— Eles vão sobreviver sem mim. – Constatei. Observei a expressão de Edward se modificar entre muitas emoções que eu não teria percebido se não estivesse atenta, mesmo assim, foi difícil acompanhar. Mas uma prevalecia: Preocupação. Sombria e dolorosa.
— Pode ser que eu não te devolva, porém. – Ele disse sombrio. Seus olhos pareceram ficar mais escuros. Literalmente mais escuros, como se o ouro liquido estivesse voltando para a cor ocre. Um pouco perdida com seu olhar, me aproximei dele por cima da mesa como se estivesse prestes a confessar um segredo.
— Talvez eu não queira ser devolvida – Eu disse. E eu não queria. E me sentia totalmente perdida nesse fato. Eu conhecia esse garoto a uma semana? E mesmo assim, parecia que fazia uma eternidade que o conhecia. Tudo nele me atraia. Se ele me pedisse em casamento amanhã eu provavelmente aceitaria.
Esse sentimento me assustava. Sentia que era tudo intenso demais, perigoso demais e confuso demais. Ninguém deveria se deixar ser hipnotizado tão fácil. Eu senti que havia algo quase macabro nessa atração e por um momento, meus sentidos resetaram. Meu coração acelerou enquanto um arrepio crescia em minha pele: Eu era uma presa.
— Freya, eu não sou um bom amigo para você – Ele pareceu sofrer – Eu sou egoísta demais para me afastar e eu provavelmente estou totalmente condenado ao inferno, mas você não precisa passar por isso – Eu sentia tontura e um nó se revirava em meu estomago – Você devia se afastar, de verdade. Volte para seus amigos, sua rotina. Não devíamos estar juntos.
Seja lá o que fosse, naquele momento eu sentia que ele entendia a intensidade do desenvolvimento dessa relação e mesmo assim... Ele me queria longe? Eu me sentia na borda de um precipício e a dor de cair para longe dele parecia grande demais. Meus sentidos gritaram em conjunto novamente que algo estava errado.
— Se você está condenado ao inferno mesmo, acho que eu também estou então... – Contra tudo que minha parte mais animalesca gritava, pedindo pela sobrevivência, eu decidi que queria entender todo esse mistério. Sua pele fria, seus olhos mudando de cor, seu humor intenso, sua beleza inumana e principalmente: Essa bizarra atração que eu sentia por ele.
— Eu não posso te culpar — Ele suspirou parecendo derrotado olhando para a mesa
— Então... – Fui para um outro canto que me chamou a atenção nessa conversa, tentando nos tirar de todo o pesado clima que se instaurou entre nós. – Somos amigos, eh?
Então meu sorriso preferido voltou, o sorriso torto, e seus olhos se voltaram para mim, claros como mais cedo.
— Eu acho que é uma classificação adequada para o momento.
— Vou me contentar com isso por enquanto. – Finalizei.
— Por enquanto, é claro – Ele sorriu brilhantemente.
O sinal tocou.
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