Saints & Storms - HIATUS
15 Capítulo 13 - Pizza Ghost
Notas iniciais
P.O.V. Freya
— Você vai pro médico ainda essa semana eu não quero saber! – Madelaine dizia impaciente andando em volta do sofá enquanto pesquisava meus sintomas no celular.
Eu estava deitada no sofá, jogando uma bolinha para cima e pegando antes de cair.
— Maddy eu já disse, foi um mal estar, eu estou ótima já, se fosse algo sério eles teriam me mandado para o hospital.
— Foda-se aquela enfermaria de merda daquela escola de merda, eles não sabem nada, eles são totalmente negligentes! – Ela dizia gesticulando muito. Ao fim de seu protesto ela olhou para o celular e começou a digitar mais alguma coisa, suas sobrancelhas se franziram e ela travou o maxilar. O rosto dela parecia furioso e eu me perguntei como alguém podia ser tão legal e tão... Tão... Não sei, frustrante talvez, ao mesmo tempo. Sentei no sofá para acompanhar a movimentação dela e apoiei meu rosto no encosto do sofá que dava para o espaço onde ela estava andando.
Ponderei sobre Madelaine, considerando que se ela não tinha namorado até agora, era porque ela podia ser intimidadora demais para algum garoto tentar se aproximar, não permitindo que ela se interessasse também.
Ela era uma garota muito bonita e isso era algo muito fácil de ver. Seu rosto era quadrado e ela tinha aquela covinha bonita no queixo. Além disso, seu rosto era cheio de sardinhas, as sobrancelhas retas e seus olhos eram de um tom castanho muito mais bonitos que os meus. O cabelo ruivo estava solto e era uma bagunça ondulada que fechava o quadro.
Logan pareceu interessado por ela no verão, mas ela não estava muito disposta a ceder e daí as piadas sobre ela na verdade ter um caso lésbico comigo começaram, o que eu achava meio babaca da parte dele, só porque uma garota não quer você significa que ela é lésbica? Sinceramente...
Voltei minha atenção para ela e percebi que ela estava corada, me perguntei se ela tinha recebido alguma mensagem, visto algo constrangedor ou... Os olhos dela vieram para mim e voltaram rapidamente para a tela do celular. Ela ficou mais corada e um sorriso começou a aparecer que ela tentou segurar.
Esperei pela piadinha, mas não veio, então me perguntei se ela não estava constrangida por eu estar basicamente encarando ela ou se de novo, ela estava falando com alguém por mensagem. Isso me incomodou, ela me contaria se estivesse, não contaria?
— Eu vou pegar uma água – Ela disse saindo rapidamente da sala.
— Ok... – Deitei de volta e suspirei olhando para o teto.
Ouvi sua movimentação desordenada na cozinha e o barulho de copos e água. Ela voltou então para a sala e parou do meu lado.
— Olha de acordo com as minhas pesquisas – Ela disse em um tom profissional engraçado enquanto olhava para o celular e fingia arrumar óculos imaginários — Ou você teve um AVC, que como você parece viva até agora, eu acho que não é – Eu senti vontade de rir – Ou você está de menopausa, mas dada sua idade, mesmo se fosse precoce, não seria aos 16 anos.
— Eu também não acho que estou com menopausa, os cabelos brancos nem me apareceram ainda – Eu disse arrumando meu corpo para sentar no sofá.
— E a outra opção é gravidez, mas a não ser que você tenha me escondido alguma transa clandestina no verão ou escondeu o sonho com algum anjo que disse que você vai receber o menino Jesus 2.0 – Eu comecei a rir então – Eu acho que você não está. Até porque acho que seu dedo não tem essa capacidade – Ela disse com cara de cética.
Eu puxei ela para sentar do meu lado no sofá e ela voltou a ficar corada, o que me fez ficar confusa, mas ignorei. Joguei minhas pernas por cima das dela e ela pareceu perdida.
— Eu também não acho que estou grávida, porque eu não te escondi nada sobre transas clandestinas e nem sobre sonhos, mas mesmo se tivesse escondido sobre alguma aventura sexual, eu não estaria grávida.
— E como você poderia ter tanta certeza? – Ela apertou os olhos – Porque todo método contraceptivo tem seu risco, a não ser que você... – Ela parou e quando eu ia abrir minha boca para pedir para ela continuar sua tese, Claire chegou em casa gritando.
— Oi meninas! Eai? Eu comprei coisas saudáveis de gente adulta se alimentar – Ela disse fazendo uma voz irônica – A gente podia pedir pizza, mas a saco de batata aí está passando mal hoje – Ela entrou pela cozinha para deixar as sacolas em cima do balcão.
— Querida Claire – Eu disse girando e acabando sentada no colo de Maddy que mais uma vez pareceu corar, acho que hoje era o dia das reações estranhas – Eu posso estar morrendo com colesterol, mas nunca e eu digo: Nunca, eu vou estar passando mal demais para apreciar uma pizza.
— Eu acredito em você, mas eu to falando sério, a gente tem que começar a comer mais saudável – Ela disse aparecendo na porta da cozinha já sem seu casaco e puxando as mangas de seu suéter para cima. Ela parecia preocupada.
— Ela tá certa – Maddy disse baixo.
— Todos estão contra mim? É um complô? Além de doente eu também vou ficar triste e vou morrer com vontade de pizza? – Eu disse fazendo um drama – Oh, as dificuldades de não ser amada o suficiente – Me joguei no chão fingindo que tinha morrido de forma exagerada. As duas riram e senti alguém me puxando, pela força do movimento era Maddy, mas eu ia lutar um pouco mais.
— É claro, nessa casa nós amamos e apreciamos torturar adolescentes com alimentação equilibrada – Claire disse rindo. Maddy seguiu me puxando, mas eu forcei para trás o que acabou por ela cair em cima de mim.
— Olha aqui! Tá me esmagando! – Eu disse com tom acusatório, abrindo os olhos – O seu pé vai ser o primeiro que eu vou puxar para pedir pizza! – Eu disse para Madelaine que estava rindo em cima de mim.
Claire saiu para a cozinha e a ruiva disse:
— Eu não vou reclamar de te ver – Ela se aproximou do meu rosto e disse sussurrando e olhando nos meus olhos – Eu vou poder te zoar sobre como a sua cor de fantasma não faz diferença da sua cor de viva! – Começamos a rir e eu empurrei ela para o lado, levantando e indo até a cozinha.
No fim, nossa refeição foi o meio do caminho entre os dois mundos: Uma lasanha incrível de brócolis.
Após a refeição e lavarmos a louça, conversei mais um pouco com Maddy e ela foi pra casa e eu fui tomar um banho e escovei os dentes lá mesmo, após colocar um pijama e secar meu cabelo, deitei em minha cama e pensei sobre algumas coisas.
1) A conclusão lógica para meu desmaio era uma hipoglicemia, mas tinha a visão estranha que tive (que geralmente só acontece em meus sonhos).
2) Maddy parecia constrangida com frequência hoje e tentei ligar os pontos para os assuntos que falávamos, nossas ações e os momentos que isso acontecia, mas não consegui chegar em nenhuma conclusão.
Enquanto pensava, sentia uma sensação estranha, de estar sendo observada. Olhei em volta e decidi olhar pelas janelas, para ter certeza que nenhum corvo bizarro me olhava a distância.
Em seguida, voltei para a cama, me cobri, vi um vídeo no celular sobre duas pessoas experimentando Cheesecakes diferentes e acabei adormecendo no processo.
P.O.V. Madelaine
Joguei o celular pro lado enquanto esperava meu coração desacelerar. Levantei então e entrei no banheiro que ficava dentro do meu quarto, libertando Salut de lá, que saiu me olhando como se estivesse me julgando.
— Você nunca vai conseguir me julgar mais do que eu mesma me julgo, tá legal? – Eu disse olhando para a forma branca se movendo para debaixo da minha cama.
Me olhei no espelho observando por um momento meu cabelo bagunçado e meu rosto corado. Eu era até que bonita, mas infelizmente não era o que Freya queria, mas isso não impedia ela de em sua inocência, me dar ideias.
Me joguei dentro do chuveiro querendo tirar ela da cabeça junto com o shampoo, mas o vapor só me fez lembrar de novo ela me olhando, me puxando pra perto, sentando no meu colo, eu em cima dela e sobre como antes dela me puxar eu estava pensando sobre ela se... Chega Madelaine.
Balancei a cabeça e joguei a temperatura da água no frio, me arrependendo imediatamente e voltando pro quente, como que alguém consegue tomar banho frio? Que horror. Bem, serviu realmente pra afastar pensamentos indevidos, mas foi cruel.
Logo que terminei o banho, me sequei e joguei uma toalha seca no travesseiro, para impedir que a umidade do meu cabelo molhasse o travesseiro e causasse um ataque de raiva na minha mãe no dia seguinte. Peguei o celular e fechei tudo que estava aberto e abri um aplicativo de podcast, escolhendo um de terror e deixando em segundo plano, enquanto olhava as várias fotos passando pela minha tela em outro aplicativo.
Então uma ponta de curiosidade surgiu: Será que eu conseguiria encontrar algum Cullen?
Procurei e procurei e nada, em nenhuma rede social, isso era estranho, mas talvez o nome de usuário deles fossem coisas diferentes e os perfis fossem privados, afinal eles eram reservados na vida pessoal mesmo, mas não encontrei nem mesmo um perfil profissional do Dr. Carlisle.
Mas tá, era um nome estranho e eu podia estar escrevendo errado. Tentei grafias diferentes e nada.
Acabei desistindo e deixei minha atenção somente o podcast que nesse ponto estava quase no fim e dormi logo em seguida, indo para um mundo de sonhos onde meu dia com Freya acabava de outro jeito.
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