Saints & Storms - HIATUS
13 Capitulo 11 – Scorching fever
Notas iniciais
Após o intervalo, segui para a aula de história, dessa vez, Maddy resolveu não ficar para nosso momento, acho que ela ficou constrangida demais com a piada de Logan. Claro, eu e ela sabíamos que não era verdade, Maddy só era mais reservada no assunto relacionamentos, mas entre nós só existia amizade e ela se importava demais comigo, acho que ela tinha medo que eu me machucasse ou que algum garoto tipo Edward me machucasse.
Eu não tinha dados o suficiente para dizer que ele não faria isso, eu seria louca de confiar em um garoto que eu conhecia a menos de uma semana, então era melhor confiar no instinto de quem não estava mergulhado em sentimentos.
Cheguei na sala rapidamente, ainda mais que meu armário estava próximo a ela. Eu usava pouco o armário da escola, mas ele era útil quando se estava carregando livros pesados demais.
Me sentei no meu lugar de costume no meio da sala e logo entre os alunos de sempre, notei a entrada de um ser baixinho e extremamente branco. Era Alice Cullen.
Ela saltitou até o lugar vazio ao meu lado como o professor indicou e se sentou. Ela parecia... Elétrica? Senti vontade de rir ao perceber que parte da atmosfera vinha do cabelo espetado que me fazia ter uma sensação tanto de choque quanto de Giorgio Tsoukalos.
— Oi! Eu sei que a gente meio que já se apresentou, mas caso você tenha esquecido, meu nome é Alice, prazer! – Ela me tirou de meus pensamentos quase me fazendo rir de novo, mas seu sorriso enorme era quase assustador, apesar de não fazer sentido ter algo de ameaçador nela.
— Oi Alice, caso você tenha esquecido, meu nome é Freya, prazer – Sorri simpática e estiquei a mão para um cumprimento, ela pareceu olhar em dúvida, mas aceitou. A mão dela estava extremamente gelada, mas estamos em Prince Rupert e ela talvez tivesse problemas de pressão assim como seu irmão, não posso julgar ninguém aqui por ter as mãos geladas.
— Eu estava ansiosa para conversar com você confesso – Ela deu uma risadinha e eu fiquei confusa. Eu não sou a esquecida ou a chata, mas isso não significa que eu sou a popular e mais legal daqui para causar algum tipo de reação do tipo. E vendo minha cara de confusão ela completou – Edward falou bem de você.
Oh no, lá vai eu virando um morango de novo. Edward falou de mim? Ele estava pensando em mim? Ah Freya, ele só tava pensando em como você foi simpática com ele e comentou, é isso.
— Que bom que ele não me achou insuportável – Isso continue saindo na tangente de alivio cômico auto depreciativo.
— Ah definitivamente não, ele disse que você parece ser bem legal, o que é um alivio para mim, sabe, a gente se muda muito e nem todo mundo é simpático, até por nossa família ser um pouco... Diferente – A última parte parecia esconder uma informação extra, mas eu não conseguia entender o que.
— Eu imagino, quer dizer, não posso dizer que entendo, mas eu consigo pegar um pouquinho disso da minha experiência do começo do ano... – E melancolia. Eu queria não entender nem um pouco dessa atenção. Os olhares de pena quando eu saia na rua, quando apareci na escola para entregar documentos e buscar os trabalhos que deveria fazer em casa.
— O que aconteceu no começo do ano? Se não for muito intimo para perguntar, desculpa se eu estiver sendo invasiva – Eu olhei melhor para Alice, ela parecia de verdade não querer ser intrometida e eu gostaria de verdade de poder responder ela, mas meus olhos só começaram a se encher e minha garganta travou.
— Eu... Eu ainda gostaria de... De evitar o assunto – Sequei rapidamente uma lágrima teimosa e respirei fundo. Alice me olhou com compaixão e disse:
— Tá tudo bem, desculpa tocar no assunto, um dia quando você se sentir melhor você me conta. Até porque eu acho que nós vamos ser boas amigas. – Ela sorriu por fim.
A professora no fim chamou nossa atenção e começou a aula, algo sobre a europa no século XVIII. Alice trazia uma sensação confortável, ela parecia elétrica demais, mas ainda era uma sensação que podia ser apreciada. Eu não me sentia inebriada e irracional perto dela, apesar de ela ser tão impressionantemente bonita quanto Edward. A beleza deles era muito diferente e muito semelhante, de um jeito macabro até. Algo que me deixava curiosa ao mesmo passo que fazia um arrepio frio passar por minha espinha, como um filme de suspense policial.
Eu tinha a sensação de que conhecia eles de algum lugar e isso estava me deixando um pouco inquieta. Eles tinham sido modelos? Poderiam. Você vê uma pessoa e só sabe que conhece ela, mas da onde? Uma dor de cabeça se iniciou.
Minha mente então começou a rodopiar em outra direção: Bella.
Quem é Bella? Talvez os Cullen estejam se aproximando pela memória dessa amiga falecida, algo que acho provável, como uma simpatia baseada em memória emocional, e é provável que eles nem estejam percebendo que é isso.
Levei um susto ao ouvir algo batendo na janela e percebi que outras pessoas da turma também se sobressaltaram. A origem do barulho causou um arrepio bizarro em minha espinha: Era novamente o corvo.
Corvos não eram algo muito absurdo de serem vistos por aqui, mas uma ansiedade premonitória parecia agitar a visita do pássaro e possivelmente essa seria uma causa de uma ligação agoniada para minha avó mais tarde.
Minha avó alias saberia muitas coisas.
Vovó Alden era uma mulher peculiar e sábia, ela se dizia bruxa e sua casa era uma constante de ervas e cristais dos variados tamanhos e tipos. Ela sempre tinha um chá para fazer você se sentir melhor ou um conselho de oráculos.
Apesar de não ser uma pessoa exatamente cética, havia visto coisas o suficiente durante a vida para acreditar nas forças sobrenaturais de vovó, as vezes me perguntava se ela realmente não estava desperdiçando a vida com coisas imaginárias. No entanto, ela sempre dizia que mesmo que fosse algo supostamente não existente, como meu pai teimava em falar, ela ainda era feliz.
Tinha dias que eu sentia saudade da minha infância, quando eu e minhas irmãs nos sentávamos em sua frente, e ela pacientemente penteava e trançava nossos cabelos, colocando flores no meio, enquanto cantava canções sobre mulheres poderosas enfrentando fogueiras e protegendo a natureza por séculos.
Seus cabelos grisalhos penteados sempre para trás com um prendedor de metal, seus lenços variados sobre os ombros, o cheiro de chá doce e seu olhar de quem parecia saber muito mais do que ousava falar, traziam alguma magia incrível para esses momentos.
Meu coração se agarrou em um detalhe: Poderia voltar para sua casa e ter meu cabelo trançado ao som das canções, mas não poderia ter minha irmã mais nova dançando em volta.
Olhei de novo para Alice e ponderei sobre a sua dor.
Eu não sabia bem quem havia sido Bella, mas eu entendia os olhares de mais cedo. Se eu encontrasse alguém com as mesmas covinhas, sardinhas no rosto e conversas animadas sobre balé, eu também procuraria ficar próxima, como uma forma de tampar os buracos que ficaram para trás.
Tão breve quanto começou, a aula teve seu fim após os exaustivos 45 minutos.
Ainda me sentindo pesada pela carga de ansiedade, nostalgia e dor, recolhi meu material e sai sem estender a conversa com Alice.
Segui o caminho até a próxima aula, mas a dor de cabeça parecia piorar e considerei ser uma crise de enxaqueca começando.
Não prestei atenção em muita coisa na aula seguinte e minha cara não deveria parecer muito boa pois também não fui questionada por ninguém sobre minha distração.
Comecei a sentir então calor. Muito calor. Algo deveria estar errado, ninguém sente tanto calor com apenas 15 graus lá fora. Tentei me manter calma, mas a dor de cabeça seguia piorando.
— Freya? Freya! – Acordei de meu estado de torpor com um Jonathan muito preocupado.
— Oi Jonny, o que foi? – Perguntei confusa.
— A aula já acabou, a sala ta quase vazia e você nem recolheu seu material, você só ficou parada olhando para um canto, ta tudo bem?
— Eu não sei, eu to com enxaqueca e acho que to ficando gripada...
— Você quer ir até a enfermaria? Eu te levo lá. Você ta com uma cara péssima – Ponderei sobre ir ou não para a enfermaria, mas meus pensamentos estavam ficando cada vez mais confusos enquanto a dor de cabeça piorava.
— Eu acho que é uma boa ideia – Disse ao me levantar, mas uma fraqueza e tontura me atingiram e se Jonathan não tivesse me segurado, teria ido ao chão.
— É uma ótima ideia na verdade – Ele disse começando a ficar frenético, ele se abaixou e julgo que tenha sido para pegar meu material, então me segurou ao seu lado e começou a me puxar.
Minha vista estava levemente borrada, as luzes pareciam fortes demais e um enjoo que eu já não entendia a causa se apoderava do meu estomago.
Jonny seguia me puxando pelos corredores o mais rápido que conseguia até que ouvi uma voz diferente por perto, ouvi então Jonny respondendo, mas não entendia mais o que ele havia dito, pois o som estava cada vez mais abafado, como se eu estivesse debaixo d’agua.
O chão se perdeu embaixo de mim enquanto algo extremamente gelado me segurava.
Tudo foi ficando cada vez mais leve, então a escuridão começou a consumir minha visão. Eu não via mais nada e não sentia mais nada.
Então o calor voltou e com ele uma brisa leve.
Eu acordei sentada em um carro, janelas abaixadas e um céu sem nuvens de um azul perfeito que eu nunca tinha visto na vida, olhei em volta e um casal sentado na frente, um homem alto e forte no banco do motorista e uma mulher loira no passageiro. Eu estava no banco de trás e ao olhar para baixo percebi somente uma camisa sem mangas de renda e uma calça jeans.
Eu estava segurando um cacto pequeno em um vaso.
— Eu acho que eles vão me contratar para a próxima temporada sabe? É tudo tentativa e erro até eu conseguir uma liga maior, mas eu não tenho pressa – O homem começou.
— É claro que vão te chamar, eu acompanho seus treinos e sei que você é um máximo.
— Você quer dizer que você acompanha os treinos e me motiva porque você não entende muito de baseball – Ele disse começando a rir e ela riu também.
— Mas eu entendo mais do que a Bella! – Ela respondeu.
— Olha eu ainda to aqui tá? – Eu respondi bem humorada. Ou Bella respondeu, eu não sei bem.
— E podia ficar por mais tempo... Você não precisa fazer isso – A mulher então se virou para o banco de trás e uma leve onda de choque passou por mim.
Ela era basicamente eu, mas mais velha alguns anos, loira com o cabelo curto, olhos claros, mas eu podia me ver em todas as outras partes. Seu rosto era risonho e ela parecia tão mais jovem do que realmente deveria ser.
Sua camisa tinha o que eu julgava ser manchas de tinta e ela tinha muitas sardinhas claras.
Me mantive em silêncio e ela virou para a frente e então chegamos a uma estrutura grande que eu julgava ser um aeroporto.
Descemos do carro e o homem pegou minha mala enquanto a mulher me abraçava. Entramos no aeroporto e fizemos o check-in de apenas uma passagem que supus ser a minha.
E em breve, o homem indicou que o meu embarque estava para começar e apontou para uma fila em formação.
— Bella – A mulher me disse – Você não precisa fazer isso.
— Eu quero ir – eu disse, mas pareceu como mentira.
— Diz “oi” para o Charlie por mim. – E então uma onda de tontura me tocou novamente
— Pode deixar. – Tudo começou a rodopiar enquanto eu pegava a mala e me despedia dos dois e então tudo ficou preto.
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