Saints & Storms - HIATUS
9 Capítulo 7 - Stupid Lamb
Notas iniciais
P.O.V Freya
Novamente Madelaine me deixou na frente de casa e foi embora. Hoje ela parecia emburrada com algo, mas não quis comentar nada. Novamente pensei que algo deveria estar acontecendo com ela em casa, mas resolvi que daria um tempo para ver se o humor dela melhorava ou se ela decidia falar comigo por vontade própria.
Ao entrar em casa, notei que a TV estava ligada.
— Claire? – Perguntei ao tirar os sapatos e colocar minha chave no suporte.
— Cozinha! – Ouvi o grito vindo da conhecida direção. Coloquei minha mochila na poltrona, fui ao banheiro social lavar as mãos e depois caminhei para lá. Encontrei tia Claire olhando pro celular que se encontrava em um suporte, ela mexia uma massa que parecia ser de chocolate.
— O que você ta fazendo ai? – Me aproximei da bancada no centro da cozinha e me estiquei para olhar o celular.
— To tentando fazer Brownies, mas eu to um pouco confusa com as medidas. – Eu ri com sua explicação, Claire como cozinheira era uma ótima médica. Ok, não posso falar que ela é um total desastre, ela sabe sobreviver e ela que dividiu a tarefa com Madelaine e sua mãe, Vivian, de me alimentar nos dois meses depois do acidente, quando eu estava depressiva demais para levantar da cama.
— A massa parece dura demais... – Constatei ao observar que não estava muito parecida com a massa que Vivian fazia. Observei Claire retorcer o nariz.
— Acho então que vou parar de mexer... Ou eu acrescento mais leite? Ou eu coloco em forma de bolinhas e teremos biscoitos de chocolate? – Ela começou a analisar suas opções – Já sei! Os três! – Ela pareceu animada de novo e se virou para pegar leite na geladeira.
Eu apenas ri e peguei um pacote de salgadinho no armário. Não estava muito afim de fazer algo mais elaborado e para janta tinha duas caixinhas de lasanha congelada no freezer.
Fui para meu quarto buscar meu celular e constatei com satisfação que ele estava com 90% de bateria.
"Desculpa minha cara emburrada hoje :/" – A notificação da mensagem de Madelaine piscou na tela.
"Tá tudo bem, eu só to preocupada com você" – Expus minha preocupação – "Como estão as coisas ai na sua casa?"
"Tá tudo normal" – Ela disse – "Meu problema é com a escola" – Mas já no segundo dia?
"Alguém tá te enchendo o saco?" – Sabia que a possibilidade era mínima, já que Maddy era uma boa lutadora.
"Tem alguém que não ta me enchendo o suficiente na verdade" – Opa! Será que ela ta apaixonada?
"ME CONTE TUDO. AGORA." – Exigi
"Uma hora dessas eu te conto... Só deixa baixo pra eu lidar ok?" – Ouch.
"L Poxa, ok então..." – Iria respeitar o tempo dela
A próxima mensagem foi uma foto dela usando só um blusão e entre as pernas dela, Salut, seu furão branco. Notei também que ao lado, quase fora da foto tinha um cinzeiro com uns 4 cigarros apagados. Fiquei preocupada.
"Me manda foto do seu rosto, agora" – Pedi.
"Não sou obrigada" – Mal criada
"Você é sim!"
A próxima foto era seu rosto inchado, os olhos borrados do rímel barato e um sorrisinho triste.
"Maddy L"
"Calma, eu to melhor, Salut é um ótimo terapeuta, lembra?" – Sorri ao lembrar que sempre que uma de nós duas começava a chorar, Salut rapidamente procurava subir em nosso colo e pedir carinho. Ele era muito esperto.
"Ok, mas eu quero saber dos detalhes o quanto antes! De emo já basta eu!"
— Freya! Tá começando aquele programa que você gosta! – Ouvi tia Claire gritando da sala.
"Verdade, você preenche todas as cotas de emo de Rupert" – Maddy disse.
"To indo, aquele programa de aeroporto tá começando" – Avisei – "Eu te amo, até mais"
"Eu também te amo, muito mesmo, até amanhã"
Levantei e fui pra sala carregando o salgadinho e o celular, sentei no sofá e comecei a prestar atenção no programa. Ouveram mais alguns barulhos na cozinha e logo Claire veio e se jogou no sofá.
— Escuta, você não tem nenhuma tarefa de casa pra fazer? – Ela questionou depois de uns 10 minutos.
— Tia, é a primeira semana só, eles não vão passar nada ainda. – Respondi, sem tirar os olhos da tela.
— Escola fácil, aproveita agora – Ela disse rindo
— Eu to aproveitando, mas não se preocupe, não vou ser louca de fazer engenharia que nem você – Ela me tacou uma almofada na cara e eu comecei a rir.
Tia Claire era Engenheira Naval o que garantia horas de trabalhos um pouco inconstantes, mas sempre bem pagas, pois Prince Rupert e Vancouver (sua antiga cidade) tem portos com uma constância de navios e cruzeiros bem considerável.
Na sua adolescência, tia Claire foi inconstante, ela não era bem o exemplo de menina comportada que eu sei que meu avô queria, mas eles não podiam reclamar muito, apesar de ela fugir para festas, ter namorados demais e ter usado algumas drogas, ela tirava notas muito altas, o que acabou lhe gerando a bolsa de estudos em Vancouver para engenharia naval. Minha mãe contava que era engraçado ver as reações das pessoas ao saber que Claire estava em outro lugar para fazer uma faculdade e não que ela tinha fugido de casa.
Assistimos o programa por mais um tempo, depois comemos a lasanha e os brownies-cookies que ficaram em uma textura meio duvidosa, mas ainda estavam bons. Tia Claire foi para seu quarto pois acordaria cedo e tinha que estudar um projeto ainda e eu voltei pra sala por mais um tempo, para jogar algo no meu celular e ver vídeos.
Durante esse tempo, considerei procurar os Cullen pelas redes sociais, mas considerei que seria estranho demais e resolvi evitar. Apesar da vontade. Que era grande, mas eu não seria uma psicopata.
Quando eram já umas 21 horas, resolvi tirar um cochilo, coloquei um alarme para meia hora e dormi.
Era uma clareira linda, novamente.
Eu estava deitada na relva macia, era tudo esverdeado e um sol leve e morno me alcançava, vi que algo brilhava do meu lado, como se fosse um prisma, espalhando suas cores pelo ambiente.
Olhei para o lado e vi... Edward?
Ele olhava para meu rosto, me estudando, como se estivesse esperando uma reação.
Seu rosto brilhava, como se sua pele fosse feita de diamante, era uma visão deslumbrante como se eu estivesse sendo permitida ver um relance do paraíso, como se ele fosse um anjo que tivesse vindo me visitar, seja qual fosse o motivo. Eu também me sentia confusa, como eu tinha vindo parar aqui?
— Eu não te assusto? — Ele perguntou, parecia uma brincadeira com certa curiosidade.
— Por que assustaria? — Eu realmente me sentia confusa sobre isso.
— É a pele de um monstro – Ele parecia sombrio e se fosse possível, eu estava ainda mais confusa, como ele poderia ser um monstro? Ele era um anjo do mal? Porque minha mãe sempre me ensinou que se algo fosse tão lindo que pudesse trazer paz, então era algo bom.
Por algum motivo enquanto considerava as possibilidades, estiquei minha mão para tocar nele, passei a mão por seu braço e sua pele parecia mármore, dura e fria. Trilhei o contorno de seus músculos perfeitos, como delicadeza, como se estivesse tocando um vaso caro demais que poderia se quebrar ao menor toque. Eu sabia que alguém com uma pele como aquela não se machucaria fácil, mas eu me assustava com a ideia dele se desfazer e sumir.
— Me diga o que você está pensando – E antes que pudesse formular uma resposta, ele completou – Ainda é estranho para mim, não saber – Ainda? Ele estava acostumado com isso?
— Você está acostumado a ler o pensamento dos outros? Porque a maioria de nós não faz isso.
— É uma vida injusta. Mas você ainda não me disse.
— Eu estava pensando que não queria que você sumisse, eu queria acreditar que você era real.
Ele se aproximou de mim e eu senti seu cheiro doce, ele fez tudo girar e minha boca encher de água, automaticamente me inclinei em sua direção, eu queria beija-lo.
E então ele sumiu.
— Edward? – Sentei assustada e logo meus olhos focaram e eu percebi que ele estava a uns 3 metros de distância de mim, escondido nas sombras.
— Me dê um momento – Ele pediu e eu apenas me mantive sentada. Então eu comecei a ouvir um apito distante e ponderei se era o celular dele tocando, o alarme foi ficando mais alto e eu comecei a ficar assustada enquanto o sol sumia e tudo escurecia. Eu senti que estava sendo sugada pela grama.
Acordei assustada, em um pulo. Eu estava na minha sala, sentei e puxei o celular de debaixo da almofada e desliguei o alarme. 21:32.
Eu estava sentindo muitas coisas e nenhuma delas era agradável. Abracei meus joelhos e comecei a me balançar, percebi que estava chorando ao sentir o molhado nos meus joelhos, fiquei presa nessa situação, murmurando algo que parecia uma oração, eu não sabia bem o que estava fazendo, mas algo na imagem de Edward indo embora havia me deixando em pânico, como se um buraco abrisse no meu peito.
Fiquei mais um tempo nisso e assim que me senti melhor, levantei e fui a cozinha pegar um copo de água. Fui para meu quarto e apesar do risco de chuva durante a noite, resolvi abrir a janela, eu precisava de ar.
Deixei o copo na cômoda e fui para minha escrivaninha, não conseguiria dormir agora de qualquer jeito, então resolvi pesquisar algumas coisas sobre sonhos estranhos, mas obviamente que era difícil encontrar algo sobre, clareiras, homens rápidos que brilham. Encontrei algumas coisas sobre jogos e histórias de ficção, mas nada que fosse concreto.
Procurei alguns vídeos também, mas acabei me perdendo em uma sequência de vídeos aleatórios das minhas inscrições. O tempo acabou passando rápido e quando voltei meus olhos para o relógio já eram 23.
Fui ao banheiro com um pijama em mãos para tomar um banho rápido e ao voltar para o quarto, tinha a expectativa em mente de que provavelmente teria um certo trabalho para dormir devido ao meu cochilo agitado, mas acabei adormecendo rapidamente.
— E então... O leão se apaixona pelo cordeiro – Edward murmurou, alguma parte de mim entendia o que ele queria dizer, eu só não entendia essa parte, mas sabia quem era o cordeiro.
— Que cordeiro idiota – suspirei por fim
— Que leão doente e masoquista – Ele olhou para a floresta.
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