Às vezes eu quero chorar


Mas o dia nasce e eu esqueço


Meus olhos se escondem onde explodem paixões


Ela pôs as mãos nos pulsos feridos de Hélios.


¾ O que teme?


Ele levantou, perturbado, e ela o abraçou.


Ás vezes eu quero demais


Por um instante Hélios ficou sem reação, mas percebeu que o rosto dela, os lábios dela, buscavam os seus.


Rejeitou-a bruscamente.


¾ Eu matei Poseidon, não sou digno de piedade.


¾ Eu não consigo te odiar, como você tanto tenta me convencer a fazer. Nem tão pouco tenho pena de você. Eu acho... Te amo, Hélios.


Ela esperou que ele dissesse que nunca levaria aquilo à diante, virasse as costas e fosse embora.


Mas ele lhe devolveu a flor e a beijou.


E eu nunca sei se eu mereço


Hélios a prendeu contra a parede, mas ela não se separou dele.


Esmeralda daria qualquer coisa naquele instante e em muitos outros, para estar nos braços daquele rapaz frio e galante, que a traia e a protegia.


Hélios por sua vez estava perdido em suas própria ações. Não entendia o que estava fazendo, nunca se perdera assim por mulher alguma!Também parara de tentar entender.


Agora tinha junto de si alguém que confiava e acreditava nele por quem ele realmente era.


Alguém que protegeria com a vida de bom grado.


Alguém que não merecia.


Repudiava o próprio sangue, imundo e indigno. Não infectaria aquele ser tão puro, por mais que o desejasse.


Os quartos escuros pulsam e pedem por nós


Separou seus lábios dos dela e virou-se, pronto para partir sem maiores despedidas, para sempre.


Mas Esmeralda fechou a porta. Não o perderia sem lutar.


Hélios se ajoelhou.


¾ Deixe-me ir.


¾ Você não irá a lugar algum. –ela se sentou ao lado dele- Não sem mim.


Ele a fitou. Os glóbulos brumosos de seu olhar estavam indignados. Ela aproximou-se e tocou os lábios de Hélios com os seus, sem resposta.


De súbito, ele a deitou no chão e a beijou. Ambos os lábios surpresos, mas satisfeitos.


Eram extremos opostos e se encontravam perfeitamente, como se moldados um para o outro.


Tal encontro era inevitável, uma vez que eram almas prometidas.


E tudo que eu posso te dar é solidão com vista pro mar


Por mais próximos que estivessem, sempre lhes pareceria insuficiente.


Bem, Hélios manteve a lucidez, e, mesmo que com muito custo, separou-se de Esmeralda antes que eles perdessem o controle e cometessem uma loucura.


¾ Que devo fazer? Os outros...


¾ Faça o que quiser, só não se afaste de mim. Esqueça, por algum tempo, os outros.


Outra coisa pra lembrar...


¾ Juro por minha vida que a darei para protegê-la, se necessário. Não temo a morte e já não sou mais um ronin, será minha Senhora.


E ele olhava nos olhos dela.


¾ Não preciso da sua vida. Mas aceitarei sua oferta se aceitar a minha.


¾ E qual é?


¾ Fique com isso, pelo menos por enquanto.


Se você quiser eu, eu posso tentar, mas...


Novamente a pequena flor passava para as mãos do violinista.


Ele se levantou e foi embora, para onde Esmeralda não sabia o certo, só sabia que ele estava próximo.