Saints Future
22 Ronin
Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu esqueço
Meus olhos se escondem onde explodem paixões
Ela pôs as mãos nos pulsos feridos de Hélios.
¾ O que teme?
Ele levantou, perturbado, e ela o abraçou.
Ás vezes eu quero demais
Por um instante Hélios ficou sem reação, mas percebeu que o rosto dela, os lábios dela, buscavam os seus.
Rejeitou-a bruscamente.
¾ Eu matei Poseidon, não sou digno de piedade.
¾ Eu não consigo te odiar, como você tanto tenta me convencer a fazer. Nem tão pouco tenho pena de você. Eu acho... Te amo, Hélios.
Ela esperou que ele dissesse que nunca levaria aquilo à diante, virasse as costas e fosse embora.
Mas ele lhe devolveu a flor e a beijou.
E eu nunca sei se eu mereço
Hélios a prendeu contra a parede, mas ela não se separou dele.
Esmeralda daria qualquer coisa naquele instante e em muitos outros, para estar nos braços daquele rapaz frio e galante, que a traia e a protegia.
Hélios por sua vez estava perdido em suas própria ações. Não entendia o que estava fazendo, nunca se perdera assim por mulher alguma!Também parara de tentar entender.
Agora tinha junto de si alguém que confiava e acreditava nele por quem ele realmente era.
Alguém que protegeria com a vida de bom grado.
Alguém que não merecia.
Repudiava o próprio sangue, imundo e indigno. Não infectaria aquele ser tão puro, por mais que o desejasse.
Os quartos escuros pulsam e pedem por nós
Separou seus lábios dos dela e virou-se, pronto para partir sem maiores despedidas, para sempre.
Mas Esmeralda fechou a porta. Não o perderia sem lutar.
Hélios se ajoelhou.
¾ Deixe-me ir.
¾ Você não irá a lugar algum. –ela se sentou ao lado dele- Não sem mim.
Ele a fitou. Os glóbulos brumosos de seu olhar estavam indignados. Ela aproximou-se e tocou os lábios de Hélios com os seus, sem resposta.
De súbito, ele a deitou no chão e a beijou. Ambos os lábios surpresos, mas satisfeitos.
Eram extremos opostos e se encontravam perfeitamente, como se moldados um para o outro.
Tal encontro era inevitável, uma vez que eram almas prometidas.
E tudo que eu posso te dar é solidão com vista pro mar
Por mais próximos que estivessem, sempre lhes pareceria insuficiente.
Bem, Hélios manteve a lucidez, e, mesmo que com muito custo, separou-se de Esmeralda antes que eles perdessem o controle e cometessem uma loucura.
¾ Que devo fazer? Os outros...
¾ Faça o que quiser, só não se afaste de mim. Esqueça, por algum tempo, os outros.
Outra coisa pra lembrar...
¾ Juro por minha vida que a darei para protegê-la, se necessário. Não temo a morte e já não sou mais um ronin, será minha Senhora.
E ele olhava nos olhos dela.
¾ Não preciso da sua vida. Mas aceitarei sua oferta se aceitar a minha.
¾ E qual é?
¾ Fique com isso, pelo menos por enquanto.
Se você quiser eu, eu posso tentar, mas...
Novamente a pequena flor passava para as mãos do violinista.
Ele se levantou e foi embora, para onde Esmeralda não sabia o certo, só sabia que ele estava próximo.
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