Saints Future

8 A musica em pessoa



Eles dançavam com leveza, ele parecia sem a música em pessoa, tão compassado que era.


Conduzia bem e simplesmente não dizia nada, só ouvia, ouvia a música.


¾ Você dança muito bem! Parece gostar disso, gosta da música?


¾ Muito.


¾ Que bacana! Eu também gosto muito de música. Eu tocava flauta, quando era criança.


¾ Eu também toco.


¾ Flauta?


¾ Violino.


¾ Que lindo.


¾ Quer ouvir?


¾ Claro!


Ele a conduziu até o corredor, longe da outra música e das outras pessoas, onde havia um violino, em madeira, coisa rara.


Sua música era calma e suave, mas muito profunda também. Não era uma música alegre.


Ela observava e pensava. Aquilo era tão bonito, mas ainda assim sentia-se incomodada de não saber com que estava conversando. E ela tinha a sensação de conhecer aquela voz, de algum lugar.


Ele parou.


¾ A propósito, deixou cair alguma coisa?


¾ Não que eu me lembre, por quê?


¾ Então isso – ele lhe mostrou o livro de Ikki- não é seu?


¾ Hélios! Devolva, ou vai se arrepender, agora conheço meus poderes e não pensarei duas vezes se não devolver e sair imediatamente daqui!


Ele tirou a máscara, e a cicatriz ainda era visível em seu rosto.


¾ Devo ter me enganado. A garota que eu conheci era gentil e educada, além de ser muito bonita. Agora só vejo uma alma fria em um corpo belo.


¾ O que está falando? Somos inimigos e você com certeza não quer meu bem!


¾ Você pode ser inimiga de meu mestre, mas eu não sou seu inimigo.


¾ Não confio em você.


¾ Então evoluiu muito... Se sente melhor assim? Me atacando?


¾ Não, mas...


¾ Acalme-se Atena, enquanto formos inimigos, não levantarei um dedo contra você, mas também não deixarei Poseidon, que é meu mestre, a quem devo lealdade.


¾ Por que age assim?


¾ Como?


¾ Não é meu aliado, mas me ajuda, em seguida me põe em alerta, depois me ofende... O que pretende?


¾ Pretendo fazer o certo. –ele voltou a tocar, uma música ainda mais linda, ainda mais triste- Somente isso.


¾ Você só consegue me confundir ainda mais.


¾ Ora, tire essa máscara. Seja você mesma e não uma Amazona ou outra guerreira qualquer. Preste atenção nos que estão ao seu redor. E quanto a isso... –lhe deu o livro- Pode ficar. Não é uma leitura interessante.


¾ Por que o pegou?


¾ Não peguei. Caiu ao seu lado, mas estava tão ocupada pensando mal de mim que não percebeu.


Ela se sentiu muito envergonhada. Ele era estranho, mas muito gentil, e Esmeralda não sentia medo dele. Ele só se ocupava em tocar, enquanto ela conferia o livro, com a cabeça latejando de tanto tentar entender aquele rapaz.


E ele só pretendia, hã, fazer o certo.


Ela se se encostou na parede aonde ele também se apoiava e ficou vendo o tocar. Olhando seus olhos e tentando ver algo além do que ele contava.


Sua música entrava por seus ouvidos e começava a lhe dar vontade de não pensar em mais nada, sua dor de cabeça começou a passar e ela poderia ficar horas daquela forma.


Ele só tocava, e observava, até ela começar a escorregar pela parede, dormindo.


Ele parou de tocar, a segurou e a trancou, somente com o livro, numa sala em outro corredor, bem longe da festa.


Chegava à hora de ser servo de Poseidon, mas Atena não estaria naquele lugar quando a invasão começasse.