Saint Seiya - Águia Dourada
46 Redenção
Notas iniciais
O salão estava silencioso, exceto pelo eco dos passos de Prometheus.
Ele estava cansado. Não fisicamente — sua força parecia inesgotável —, mas em algo mais profundo.
— Marin de Águia… — sua voz ressoou grave. — Você me forçou a enxergar.
Marin manteve-se atenta, asas douradas abertas, cosmo ardendo.
— Não foi por mim — disse ela, sua voz firme. — Foi por todos aqueles que lutaram. Por cada um que acreditou, mesmo quando você disse que o tempo deles tinha acabado.
Prometheus olhou para o cetro em suas mãos. A chama dourada no topo tremeluzia, como se refletisse sua própria hesitação.
— Eu roubei o fogo de Zeus para os homens. Dei a eles ciência, arte, filosofia, poesia… — sua voz ficou mais baixa. — E os vi destruir o que receberam.
Ele ergueu os olhos para Marin.
— Então eu o retirei. E enviei meus guerreiros… Ésquilo, Hesíodo, Jasão… Cada um para julgar os homens.
Marin deu um passo à frente.
— E todos eles caíram. Não porque eram fracos… mas porque os humanos ainda têm valor.
O Titã fechou os olhos por um momento. Quando os abriu, havia algo diferente em seu olhar.
— Talvez… eu tenha esquecido que a chama é feita para queimar… e não para ser guardada.
Ele ergueu o cetro. O cristal brilhou como um sol em miniatura.
— Marin de Águia, Amazona de Athena… hoje devolvo o fogo aos homens.
O cetro liberou uma luz intensa que atravessou o salão, subiu pelo teto e disparou para o céu.
A luz se espalhou pelo mundo.
No Santuário, os Cavaleiros de Ouro reunidos sentiram o cosmo percorrer a terra. Aioria ergueu o rosto, sentindo a energia.
— Marin…
Nas cidades distantes, Misty sentiu o ar mudar. Algol, de onde estava em missão, ergueu o punho, reconhecendo o retorno de algo perdido.
Na Ilha de Andrômeda, Mayura entregava June a Daidalos. Todos sentiram o cosmo os envolver como um vento dourado.
Em locais de batalha esquecidos, os Réquiens mortos repousavam. Ésquilo, Hesíodo, Jasão, Deucalin… seus corpos estavam imóveis, mas a luz pousou sobre cada campo, como um manto de paz.
Em um lugar distante, surgia uma silhueta alada, sentindo a energia de longe.
Na Vila das Amazonas, máscaras quebradas e túmulos silenciosos receberam a luz. As chamas das lamparinas acenderam-se sozinhas, como um tributo àquelas que lutaram.
Em um jardim tranquilo no Japão, Saori criança brincava com flores. Um vento suave tocou seus cabelos, e ela parou, olhando para o céu com um sorriso leve.
Em outro lugar, cinco crianças sentiram o mesmo vento. Vai saber o que o destino dessas cinco crianças reserva...
No salão, Prometheus baixou o cetro.
— Está feito.
Foi então que uma voz fria soou.
— Belo discurso, Titã. Pena que seja tarde demais.
Strella surgiu das sombras.
— Strella…? — Prometheus ergueu as sobrancelhas.
— Ou deveria dizer… Nix. — Ela sorriu.
Antes que ele pudesse reagir, uma lâmina sombria atravessou suas costas. Um golpe preciso, carregado de poder.
Prometheus cambaleou. Marin avançou, mas Nix a afastou com um movimento de mão.
— Você… — o Titã olhou para Nix, incrédulo.
— Você serviu bem, Prometheus. Mas o fogo não será a última dádiva aos homens. O caos virá… e será a minha criação.
Prometheus tombou de joelhos. Olhou para Marin, e havia um respeito silencioso em seus olhos.
— Marin de Águia… leve essa chama adiante.
E então seu corpo brilhou, desfazendo-se em luz.
O salão ficou silencioso. A chama havia voltado aos humanos. Mas Marin não sentiu alívio.
Uma risada suave ecoou pelas colunas.
— Belo espetáculo, não foi? — A voz de Nix (Strella) cortou o ar como seda afiada.
Marin girou o corpo, asas douradas abertas.
— Você…
Nix sorriu, seus olhos brilhando como fendas prateadas na escuridão.
— Adão e Lilith… meus Lúcios do Paraíso. Perfeitos. Belos. Criados com a chama de Zeus que habita a tocha de Héstia. E ainda assim… derrotados.
Ela caminhou lentamente até o trono vazio de Prometheus.
— A perfeição tem uma fraqueza, amazona. Ela é previsível.
Seus dedos tocaram o assento, e uma fissura negra abriu-se no chão diante dela. Um vento gélido e distorcido soprou do interior.
— No Abismo, a perfeição não existe. Lá, só há caos e distorção. E do caos, criarei meus novos guerreiros.
Marin franziu o punho.
— Que guerreiros?
Nix inclinou o rosto, sorrindo.
— Os Lúcios do Abismo. Criados não com a chama dos deuses, mas com o que está além dela… poder puro, imprevisível, impossível de ser medido. Cada golpe, cada passo, cada decisão deles será algo nunca antes visto.
Atrás dela, silhuetas começaram a se formar no ar — quatro figuras distorcidas, cada uma emanando um cosmo instável. As formas pareciam se contorcer, como se a própria realidade rejeitasse sua existência.
— Você os conhecerá muito em breve — disse Nix, desaparecendo junto com as figuras.
O salão ficou vazio, e Marin sentiu o peso de algo muito pior se aproximando.
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