Saint Seiya - Águia Dourada
25 Passado
Notas iniciais
As máscaras que as amazonas usam foram forjadas nas épocas antigas, sob a fisionomia de Nike, a deusa da vitória. Elas não fazem parte da armadura em si, e sequer são forjadas com um material tão resistente. Porém, há algo de místico envolvendo esses artefatos: Apesar de não haver nenhum orifício na área da narina e nem nos olhos, a usuária consegue respirar e enxergar normalmente através do metal. Assim que uma amazona a coloca em seu rosto, ela se esquece de vários aspectos de seu passado. A partir desse feito, a amazona deve proteger sua máscara como sua própria vida: Se alguém conseguir quebrar ou arrancar a máscara de uma amazona, este deve ser punido com o amor eterno ou a morte.
—
O rosto de Marin, por detrás da máscara, consegue sentir uma leve brisa. Um cheiro adocicado paira no ar, e a amazona consegue sentir várias pétalas esvoaçantes tocarem seu corpo. Aos poucos, ela abre os olhos. Era um lugar todo branco, mas com algumas árvores ao fundo. Havia uma névoa calma, e milhares de pétalas cor-de-rosa seguiam uma dançante brisa.
— "Estou no céu?"
Derrubada ao chão, Marin escuta passos se aproximando. Seus olhos, levemente ofuscados pela claridade do local, conseguem enxergar um brilho dourado caminhando em sua direção.

— Então Asaho realmente falhou. — Diz aquele que se aproximava.
— Senhor Asaho... Você se sacrificou por todos nós... — Pensa Marin.
— Não se lamente, amazona.
Marin se vê perdida em seus pensamentos e em seu luto. Tanto, que não reconhece o enorme cosmo emanado pelo homem com quem ela troca palavras. Isso até este homem a pegar no colo:
— Você... você é...
O homem a tira do colo e ajuda a amazona a se manter em pé.
— Você é o cavaleiro que me salvou na vila das amazonas! Aiolia!
— Então você me reconheceu.
— Essa armadura... você é um cavaleiro de ouro?
— Da última vez que nos vimos, não tive tempo de me apresentar direito. Sou Aolia, o cavaleiro de ouro de Leão.
Marin olha o homem com extrema admiração. Era a primeira vez que via uma armadura de ouro, e quem a portava era o mesmo homem forte e gentil que a havia ajudado anteriormente.
— Seu nome é Marin, correto? Asaho me contou de você.
Os dois caminham entre várias árvores de Sakura, e o lugar vai ficando cada vez mais vazio.
— Este é um local criado pelo cosmo de Asaho, minutos antes de sua morte. Com seu último resquício de cosmo, ele conseguiu te transportar para cá. Asaho sabia que nós, cavaleiros de ouro, não poderíamos sair do santuário, e criou essa realidade para que possamos treinar vocês para a batalha que se aproxima.
— Aiolia...
— Este local desaparecerá completamente em uma hora, mas no mundo real, haverá se passado apenas um milésimo de segundo. Marin, eu irei treiná-la aqui... Mas antes você precisa fazer uma coisa...
— O que eu devo fazer?
Aiolia dá um salto e se senta no galho de uma árvore de sakura. Ele cruza os braços enquanto diz:
— Sua armadura não está contente com suas atitudes em batalha. Irei esperar aqui enquanto você resolve esse assunto.
— Minha... armadura?
Marin olha para seu braço, e enxerga sua armadura bastante danificada. O local ao seu redor vai ficando cada vez mais vazio, e as árvores vão sumindo uma a uma, inclusive aquela cujo cavaleiro de ouro estava sentado. Diante de um local infinitamente branco, a armadura de Marin comessa a ressoar.
— O que... o que está acontecendo?
Peça a peça, a armadura de águia deixa o corpo de Marin. As peças se reunem logo a frente, formando novamente o objeto da águia. Por detrás da armadura, um vulto azul passa a tomar forma, revelando-se um esbelto homem, de porte alto e roupas de treinamento. A armadura de águia sente a presença do homem e cobre todo seu corpo.
— Então nos encontramos novamente, jovem.
— Você é... Tyro!?
— Achei que não me reconheceria com meu corpo jovem. Eu sou o cavaleiro de águia das épocas mitológicas. Vesti essa armadura durante muito tempo e me tornei seu guardião. Ela me chamou agora pois não sente mais que você é digna de usá-la, ou seja, vim pegá-la de volta. Boa sorte, minha jovem.
Marin não acredita no que Tyro está dizendo:
— Como assim a armadura não me reconhece? Eu a conquistei com meu próprio mérito após derrotar o centurião. Armadura, volte a mim agora!
— Hahahaha, não é assim que funciona, minha querida. A armadura não pertence mais a você. Se a quer de volta, terá que tomá-la de mim!
Marin não hesita e logo parte para cima de Tyro. Ela começa com um chute, acompanhado de três socos. Tyro se esquiva com facilidade de todos os golpes:
— É só isso que consegue fazer? Agora entendo o porquê da armadura não te aceitar mais. Você é muito fraca!
Tyro também parte para cima de Marin, utilizando um poderoso chute:
— Lampejo da águia!
A amazona é atingida em seu rosto, recebendo o próprio golpe.
— Vamos, levante-se! Não aguenta receber o próprio golpe?
Marin se levanta, enxuga o sangue em seu rosto e avança novamente em direção ao oponente:
— Tudo na minha vida foi retirado de mim... Senhor Ryuku... Meu irmão... Não deixarei mais que ninguém roube as coisas que eu conquistei! Lampejo da águia!
O chute de Marin atinge em cheio o inimigo, fazendo o elmo de águia cair da cabeça de Tyro.
— Ora, então está começando a se lembrar do seu passado? Será que isso vai ajudar a reconquistar sua armadura, amazona?
Marin então se dá conta de que realmente recordou algo de seu passado. As árvores de Sakura, as pétalas... tudo a fazia lembrar de antigos momentos felizes. Ela se lembrou do rosto do velho Ryuku, que a acolhera em sua casa. Ela também se recordou do momento em que ele morrera, nas mãos de um homem misterioso.
— Meu... meu passado...
Enquanto se recordava, Tyro se levanta e a ataca novamente:
— Meteoros!
Uma imensidão de socos atinge Marin, que cai novamente.
— Levante-se novamente, amazona.
Marin rapidamente se levanta:
— Eu irei... irei vingar a morte do Senhor Ryuku... Tome essa! Lampejo da águia!
...
Enquanto isso, no castelo de Prometheus:
— Esplêndido! O plano de Hesíodo deu certo! — Grita uma festiva Strella, ao ver a armadura de Prometheus em suas mãos.
— Muito obrigado pelos créditos, senhora Strella. — Apresenta-se Hesíodo, ajoelhando-se no salão, diante do corpo de Prometheus.
— Não fique se achando, Hesíodo. Também tivemos crédito nas batalhas. — Diz Goethe, saindo de outro canto e posicionando-se ao lado do réquiem.
— Eu ficava me perguntando quem seria o último réquiem a aparecer. Hesíodo, seu plano de se esconder e esperar os cavaleiros reunirem os riscos realmente foi bastante eficaz. — Diz Jasão, que também se posiciona ao lado do réquiem.
Ésquilo também adentra o local, com uma expressão séria.
— O que foi, Ésquilo? Não está feliz que finalmente nosso senhor Prometheus irá renascer? — Pergunta um irônico Jasão.
— Não é isso...
— Ora, ele está triste pois não conseguiu derrotar a amazona, não é mesmo? — Diz Goethe.
— Vocês não tem nada haver com isso. Vamos prosseguir com o ritual. — Responde Ésquilo.
— Ele tem razão, vamos prosseguir com o ritual para que Prometheus esteja aqui o mais rápido possível. — Diz alguém, que chega a largos passos.
— Deucalin. — Diz Strella.
O líder dos réquiens maiores se junta aos outros quatro, e todos fazem um círculo ao redor do corpo de Prometheus.
— Está na hora, réquiens. O eclipse já iniciou, e é uma questão de horas para que a humanidade definhe por completo. Agora vamos trazer nosso senhor à vida!
Strella utiliza a tocha de Héstia para colocar fogo na armadura de Prometheus. A armadura começa a queimar com um intenso fogo verde, que aumenta de tamanho e engole junto o corpo de Prometheus.
Fale com o autor