Saint Seiya: Uma Nova Era

5 O poder do gelo. A história de Dajan.


Notas iniciais
Aqui teremos a continuação da batalha contra Dajan. Boa leitura!

— DESISTAM! VOCÊS NUNCA IRÃO ME VENCER! – Dajan moveu o pincel mais uma vez e a águia foi em direção ao chão. Mas não atacou os dois rapazes, e sim atacou o telhado do qual Zouye estava debaixo.

— Zouye! – gritou Kotaro.

O rapaz ergueu as mãos e uma grande sombra saiu das mesmas. Em alta velocidade as sobras amarraram as asas da águia como grandes cordas e Kotaro a puxou para o chão onde não havia ninguém. A ave se desfez em tinta. Segundos depois ameaçou se refazer, mas foi surpreendida por uma rajada de fogo saída da boca de Takashi.

— “Eles conseguiram?” – pensou Zouye. – Essa não! Takashi!

O tigre já vinha na direção deles pronto para abocanhá-los.

— Ai, merda! – exclamou o Ogawara.

Kotaro, já exausto por conta do último ataque, envolveu Junpei em um círculo negro e empurrou Takashi. Os três caíram bem longe da boca do felino.

— Até quando vão continuar fugindo? – perguntou Dajan pulando de cima do elefante e indo em direção aos rapazes que estavam jogados no chão. – Vamos resolver isso agora como homens, ok?

— “Droga, eu tô cansado.” – pensou Takashi olhando os amigos. – “Kotaro também não parece estar em sua melhor forma.”

— Então, quem vai ser o primeiro a morrer? – disse exibindo o pincel dourado.

— “Se eu pudesse fazer algo... Já sei!” – pensou Junpei. – Pateta! Chorão! Desbocado! Beliscão! Obrigado.

— “Junpei.” – pensou Kotaro dando um tapa na testa.

O cavaleiro de Pintor ficou olhando para o Amamiya bastante sério, mas logo deixou escapar um riso que transformou-se em gargalhada.

— Garoto, você tem piadas muito ruins. Por isso vou matar você primeiro.

— “Droga, não adiantou!” – pensou Junpei.

Dajan apontou o pincel para o mesmo e quando já ia atacá-lo...

— ESPERA! – gritou Zouye saindo de seu esconderijo. – Não é a mim que você quer? Vem me pegar então!

— Hum... Vamos ter que adiar um pouco a nossa brincadeira, rapazes. – disse Dajan. – Enquanto isso divirtam-se com os meus bichinhos.

A águia ressurgiu da tinta em um piscar de olhos. E os animais começaram a se aproximar dos rapazes lentamente, afinal, não teriam como fugir.

— Senhorita, vamos ao que interessa. – disse Dajan indo em direção a mesma. Zouye recuava conforme ele se aproximava, levitando vez ou outra um pedaço de pau ou pedra e lançando-o contra ele, batendo na armadura e caindo no chão sem deixar o mínimo de estrago. O vento repentinamente começou a soprar mais forte. – Maya está de tpm e me chamou de inútil graças a você, porque você a jogou longe naquela noite. E, bem, para mostrar que eu valho alguma coisa vou levar sua cabeça em uma bandeja para a minha amiguinha, ok? Então seja uma boa mocinha e venha cá.

— “Eu não sei o que fazer! Estou com medo!” – pensou a garota ainda se afastando. – “Tenho que usar meus poderes... Mas como?”

De repente ela tropeçou em um pedregulho e caiu no chão. Dajan chegava cada vez mais perto.

— “É isso... Então esse é o meu fim. Papai...!” – ela fechou os olhos com força.

— VÁ PARA O INFERNO! – disse Dajan erguendo o pincel e já preparando-se para arrancar-lhe a cabeça fora.

— ZOUYE! – gritaram os rapazes ao mesmo tempo.

No último segundo uma figura chegou no meio da noite. Tinha cabelos loiros, pele branca e aparentava ser um pouco mais novo. Era Thomas que conseguiu desviar o ataque de Dajan, mas não totalmente. Zouye recebeu um corte profundo na perna.

— AI! – a garota berrou ao sentir o ferimento. O sangue jorrava de sua perna, encharcando a meia calça.

— Você está bem? – perguntou Thomas correndo para socorrê-la.

— D-dói muito...

— Deixa eu ver... – disse ele tirando a mão dela do lugar. – Nossa, isso tá feio...

— Jura? – perguntou ironicamente.

— QUEM É VOCÊ? – perguntou Dajan se levantando e limpando o sangue que escorria de sua boca.

— Fique aqui, está bem? Meu pai já deve estar chegando. – Zouye fez que sim com a cabeça e o rapaz se levantou. – Eu sou Thomas, filho do cavaleiro de Cisne e futuro Guerreiro Deus.

— Guerreiro Deus? O que um asgardiano faz aqui!?

— Estamos atrás de gente ruim como você. – disse Thomas.

— “Esse cara...” – pensou Takashi.

— Atacar senhoritas indefesas! Por que não ataca alguém do seu tamanho? – perguntou o loiro. – Deveria sentir vergonha de si mesmo!

— Alguém do meu tamanho? Onde? – perguntou olhando para os lados.

Thomas ficou furioso, pois era apenas um rapaz de treze anos e não era lá a pessoa mais alta do mundo.

— HAHAHAHA! Ficou nervosinho, foi?

— Chega de conversa! Vou acabar com você!

— Hum... Então vamos ver do que é capaz, garoto. – disse com um sorriso no rosto.

— “Finalmente vou poder usar o que aprendi com meu pai.” – pensou o Yukida. – Pó de Diamante!

Fragmentos de cristais de gelo saíram da mão de Thomas e foram em direção a Dajan que desviou rapidamente. O ataque atingiu um canteiro que transformou-se em gelo puro.

— Que débil, garotinho! Vá para casa brincar de boneca!

— S-Seu!

— Ô Thomas! – disse Takashi. – Será que dava para dar uma ajudinha aqui?

Os animais estavam a poucos metros de distância. Takashi e Kotaro estavam de pé ofegantes, mas pareciam cair a qualquer momento. Junpei assistia tudo sentado no chão.

— Droga! – disse o loiro.

Sem mais nem menos os primeiros flocos de neve começaram a cair do céu. A temperatura diminuía gradualmente o que fez tudo parar. Thomas deu um sorriso.

— Neve? – perguntou Zouye.

— Agora você vai ver o que é bom para tosse.

— “Esse cosmo...” – pensou o negro.

Os animais começaram a congelar rapidamente e em um piscar de olhos eles já haviam se transformado em gelo puro. Das sombras surgiu Hyoga trajando a armadura de cisne, a capa esvoaçante nas costas.

— Cisne. – disse Dajan sem dúvida alguma.

— Que coisa feia, Pincel, atacando crianças. – disse o loiro com a calma de sempre. – Zouye, querida você está bem? Seu pai vai me matar por ter deixado isso te acontecer. Ah propósito fizeram um ótimo trabalho, rapazes. Mas está na hora de acabar com essa brincadeira, não é mesmo Pintor?

— Você é convencido demais, Cisne. – disse rindo. – Pelo menos agora vou poder lutar com alguém do mesmo nível.

— Ótimo, então vamos começar a brincadeira.

Hyoga arrancou a capa da armadura e a lançou longe. Segundos depois ambos se encaravam aguardando aquele que faria o primeiro ataque.

— “Preciso tomar cuidado, o poder que sai do pincel dele é extremamente poderoso.” – pensou se lembrando do que tinha acontecido com Shiryu.

— “Meu pai é demais! Esse cara não tem nenhuma chance.” – pensou Thomas.

Dajan girava o pincel entre os dedos aguardando o mínimo movimento de Hyoga. Mas o mesmo não aparentava fazer questão de atacar primeiro. Então quando foi dar seu primeiro passo não conseguiu se mover. Havia um circulo de gelo entorno de sua cintura.

— O que é isso? — perguntou.

— Circulo de gelo. — disse Hyoga sorrindo. — Acho que você me subestimou, Pintor. E agora vai perder. HA!

Hyoga foi na direção do cavaleiro e o deu um gancho com toda a força, fazendo-o voar longe. Quando caiu no chão transformou-se em um bando de tinta.

— O que? Onde ele está? — perguntou olhando para os lados.

A alguns metros dali, em um beco escuro, estava Dajan ofegante. Ele escorregou as costas pela parede e caiu sentado no chão.

— Essa foi por pouco. – disse suspirando.

— O que foi por pouco, Dajan? — perguntou Maya de braços cruzados. Ao seu lado, Raj.

— M-Maya! — exclamou surpreso se levantando.

— Você é um inútil mesmo! Não serve para nada. NADA! Não queremos alguém como você andando conosco!

— É isso mesmo? — perguntou olhando os dois. — Você concorda com isso, Raj?

O indiano permaneceu de braços cruzados e sério, como quase sempre fazia.

— Eu pensava que vocês fossem meus amigos, mas acho que estava enganado. — Dajan virou as costas para eles e saiu correndo noite adentro.

Meu nome é Dajan e tenho dezenove anos. Nasci em um país muito pobre ao norte da África, tão pobre que nãohavia água potável e a única coisa que comíamos era uma papa feita a base de milho e água. Escola? Nunca fui. Tive que trabalhar desde muito pequeno na lavoura para ajudar a renda da família, que não era pequena. Morava em uma casa de barro com pai, mãe e mais três irmãos. Mas eu era diferente. Enquanto eles trabalhavam de sol a sol, reclamando da amargura da vida eu preferia olhar as estrelas a noite e imaginar o quão grande e belo era aquele universo. Pensava que se as coisas eram assim, era porque tinha um bom motivo por detrás disso.

Desde pequeno sempre gostei muito de desenhar. Como não tínhamos dinheiro para comprar papel, desenhava na areia, no barro ou em folhas de árvores com as mãos ou simplesmente com um graveto qualquer que achasse por aí. E olha que eu tinha talento. Certo dia as pessoas da aldeia começaram a notar em minha arte, o que me deixou muito feliz. Meu pai finalmente notou a galinha dos ovos de ouro que tinha dentro de casa e usou suas poucas economias para comprar papel, pincel e tinta. Comecei a pintar diversos quadros e a fama começou a se espalhar pelo mundo. Até a televisão esteve lá, mas quem disse que nos ajudaram?

Em uma noite, quando eu tinha treze anos recentemente completos meu irmão mais velho me chamou para uma conversa. Zaú deu a ideia de partirmos para a África do Sul e assim ganharmos bastante dinheiro vendendo meus quadros. Concordei logo que de imediato, afinal, seria uma ótima ideia de ajudar nossa família. Foi difícil nossos pais entenderem, mas como sabiam que era uma forma muito boa de ganhar dinheiro deixaram-nos ir. A despedida foi cruel, mas partimos logo ao nascer do sol. Pensa que fomos de avião? Ônibus talvez? Não. Nós não tínhamos dinheiro para isso. Zaú e eu fomos andando para a África do Sul somente com trouxas de couro onde havia comida e alguns poucos materiais de arte.

Aqueles dias foram duros. Caminhamos sob o sol ardente do continente africano, a chuva, o frio. Conhecemos muita gente boa, mas também havia gente ruim. Conseguimos abrigo por alguns dias e até caronas. Mas no meio do caminho as coisas começaram a mudar. Zaú foi assolado pelo mal da malária e ficou de cama por várias luas, o que atrasou e muito nossa viagem. Porém, certa noite meu querido irmão se foi, me deixando sozinho em meio à África. Não pude o dar um enterro digno porque não tinha dinheiro, muito menos ter a presença de minha família naquele momento tão difícil. A única coisa que podia fazer por Zaú era seguir em frente e concretizar nosso sonho de chegar à África do Sul. E sob a luz de um sol escaldante de verão finalmente cheguei ao meu objetivo.

Consegui negociar com a dona de uma pensão de baixo custo e de quebra arrumei emprego fixo e lugar pra ficar. Eu era aquele tipo de cara que faz tudo. Desde limpar os banheiros até cozinhar as mais deliciosas comidas que aprendi a fazer com Dona Iana. “Minha mãe Oxum, muito obrigado!”; eu repetia todas as noites antes de dormir sem falta. Com o dinheiro que ganhava comecei a pintar novos quadros e os vendia assim que o sol começava a se pôr. E eles fizeram muito sucesso. Vendia um atrás do outro, recebendo quantidades de dinheiro que nunca tinha visto na vida. Porém, certa noite, enquanto voltava para casa vi um alvoroço acontecer na pensão. Vários homens saíram correndo carregando meus quadros e sacolas diversas de dinheiro, que reconheci serem meus... Não tinha sobrado nada. Eles tinham levado tudo; meu dinheiro, meus quadros, meus sonhos... Teria começar tudo outra vez, do zero.

Então me sentei no meio-fio e comecei a chorar como uma criancinha que acabou de perder seu brinquedo favorito. Foi então que aquela figura divina apareceu diante de mim. Era um homem diferente que chegava a ter mais de dois metros de altura. Velho, barbudo e não era lá a pessoa mais bonita desse mundo. Vestia uma túnica branca, sandálias de couro e debaixo do braço esquerdo tinha um cajado. Mas o que mais me chamou a atenção foi que ele tinha um brilho diferente que se assemelhava a luz dos orixás. Seus olhos negros perfuravam a minha alma. Por mais que eu quisesse desviar o olhar era impossível, ele me sugava de volta. Aquele ser deu um sorriso e chamou meu nome, o que me fez ficar mais assustado do que já estava.

O homem começou a falar sobre toda a minha vida com extrema exatidão. Então perguntei quem ele era e o que queria e o ser a minha frente apresentou-se como Hefesto, o deus grego da forja. Mas o que um deus grego estaria fazendo em plena África do Sul? Ele riu quando perguntei isso. O ferreiro divino pôs a mão sobre meu ombro e disse que eu era um escolhido, que eu era diferente das outras pessoas. E mais, que se eu fosse fiel a ele teria tudo o que quisesse. Inclusive dinheiro para dar uma condição de vida melhor para toda a minha família e povo. Desconfiei um pouco, pensei se não seria mais um cara da televisão querendo tirar proveito da minha arte, e finalmente aceitei. Deixei tudo para trás e parti com o deus para seu santuário na Grécia, onde treinaria para me tornar um de seus Forjadores.”

Dajan corria sem rumo sobre os altos prédios de Tokyo. Pulava de telhado em telhado com muita habilidade, tentando livrar-se da raiva que tomava conta de seu ser. Em sua mente só tinha pensamentos de vingança e puro ódio que não sairiam se sua cabeça tão fácil. Maya e Raj iriam pagar muito caro pelo que haviam o feito, sem dúvida.

Quando chegou a certo ponto da cidade avistou a figura de uma mulher sentada à beira de um prédio observando o céu como se nada fosse a incomodá-la. Ele então parou para observá-la. Era uma mulher de pele negra como a noite, tinha cabelos cacheados e cheios ao melhor estilo black. Usava um short preto e uma blusa prateada fechada somente por algumas faixas na parte detrás.

O cavaleiro teve a sensação de já conhecê-la de algum lugar. Então Dajan resolveu se aproximar e descobrir quem era com os próprios olhos, porém quando estava a poucos metros de distância a garota se levantou de um pulo e foi direto em seu pescoço, jogando-o no chão. Os dois ficaram parados por alguns segundos se olhando nos olhos.

— Dajan!?

— Kiara!?

Ela o deu um soco no peito e saiu de cima dele.

— Ai! Por que fez isso?

— Seu idiota! – gritou ela com raiva. – Você me assustou!

— Rum. – disse se sentando e passando a mão no peito. – O que faz aqui?

— Estou em missão, como você. – respondeu de braços cruzados. – E você? Não deveria estar com seus amiguinhos?

— Eles não são meus amigos. – disse se levantando. – Não mais.

— Como não?

— Vamos dizer que Maya e Raj sejam dois babacas...

— Eles te expulsaram? – perguntou Kiara quase rindo.

— É... – suspirou Dajan. – Fazer o que né?

— Maya é mesmo uma idiota. – disse Kiara se aproximando do amigo e acariciando rosto do mesmo. Dajan a abraçou pela cintura. – Como pode desperdiçar um nego maravilhoso desses?

— Kiara, sempre tão linda. – ele abriu um sorriso nos lábios.

— Eu disso, querido. – disse se afastando dele. – E, bem, diferente de vocês consegui fazer alguma coisa nessa missão.

— Ah é? Tipo o que? – perguntou o cavaleiro observando o corpo da garota.

— Raptei a filha do Pégasus e da própria Atena.

— O que!? Então foi você?

— Claro, querido. – disse rindo. – Quem mais seria? O Lobo Mau? Ela está no meu esconderijo. Não fica muito longe daqui.

— Hum... Falando em esconderijo, acho que estou na rua por enquanto.

— Rua? Que nada, Dajan. Você acha que vou deixar um amigo de tão longa data na rua? Que nada, você vem pra casa comigo. – disse o dando um selinho.

— Ah é? Não tem medo que eu...?

— Se você fizer isso arranco seu bem mais precioso fora. – disse ela rindo. – Vamos!

— Kiara, espera! – disse correndo atrás dela.

Na tarde do dia seguinte Zouye recebeu alta no hospital. Havia passado por uma pequena cirurgia por causa do corte que havia em sua perna, na altura da canela, graças ao ataque de Dajan. Shiryu tratou de entrar com a filha no colo em casa e a colocá-la deitada no sofá com todo o cuidado do mundo. Em seguida pegou uma almofada e pôs sob o pé da garota desejando que ela ficasse o mais confortável possível.

— Pronto, querida. – disse dando um beijo na testa da garota.

— Obrigada, papai.

— Zou, ainda está doendo? – perguntou Shunrei preocupada observando o curativo.

— Só um pouquinho, mamãe. – disse percebendo toda a preocupação da mulher. – Mas eu vou ficar bem. Sou forte, esqueceu?

— Você é igualzinha ao seu pai.

— Filho de peixe peixinho é. – disse o homem.

— Bem, eu vou preparar um lanche. O que querem comer?

— Que tal um hambúrguer? Estou morrendo de fome? – disse sentindo a barriga roncar.

— Bem, eu não vou ter tempo de comer nada. – disse Shiryu. – Preciso ir a casa do Seiya, vamos fazer uma reunião de última hora.

— Vai recusar minha comida? – brincou Shunrei.

— Ahn... Ér... Bem... Acho que o Seiya pode esperar um pouco.

Os três riram. Seiya e Shiryu eram amigos há muitos anos. Sua relação um com o outro era tão intensa que às vezes parecia que eram algo a mais que amigos.

Shunrei preparou os sanduíches e a família comeu na sala de estar para ficar perto de Zouye. Papo vai, papo vem e Shiryu teve que se retirar para ir a tal reunião. Mãe e filha ficaram em casa sozinhas batendo papo, até o momento que Shunrei resolveu ir tomar um banho.

A garota ficou sozinha na sala assistindo televisão. Estava passando o filme de animação Tonari no Totoro. Zouye achava Totoro um fofo, tanto que tinha até um de pelúcia. Tudo bem que Zyra muitas vezes se apoderava dele, o que a deixava com um pouco de ciúme, mas sem dúvida era sua pelúcia preferida.

De repente o telefone tocou e a garota teve que fazer um grande esforço para atender. Ela se esticou toda e finalmente conseguiu pegar o telefone.

— Moshi moshi.

— Oi Zouye! É o Takashi. – disse o rapaz. – Soube que saiu do hospital. Como está a perna?

— Está bem melhor. – respondeu. – Tiveram que dar alguns pontos e ainda ganhei um bolinho por me comportar bem.

— Haha! Sério? Que máximo!

— E o Kotaro? Está bem?

— Sim, ele está. Falei com ele pelo Line mais cedo e ele disse que dormiu o dia inteiro.

— Que preguiçoso.

— Não é? Mas quem não está bem é o J.P. – seu tom de voz começou a mudar. – Parece que a intoxicação foi muito forte.

— Tadinho do J.P... Ele pode ser um pervertido de primeira, mas é uma pessoa tão legal...

— Pois é... Mas ele vai melhorar, com certeza!

— Isso, temos que ter fé que vai ficar tudo bem.

— Bem, eu vou desligar. Acho que a reunião aqui em casa vai começar e eu preciso ouvir o que nossos pais falam de tão importante para não deixar a gente ouvir.

— Está bem, Takashi. Obrigada por ligar.

— De nada. Até mais.

— Quem era, querida? – perguntou Shunrei descendo as escadas secando o cabelo com uma toalha.

— Era o Takashi. Ele disse que o J.P. tá mal no hospital.

— Pobre J.P. – disse a mulher se entristecendo. – Vamos rezar por ele.

Enquanto isso, na casa dos Ogawara a reunião tinha começado. Eles estavam no escritório do casarão tendo uma conversa pacífica, até que Shun se levantou batendo na mesa.

— Meu filho está internado em estado grave no hospital e você quer que eu aceite a ideia de mandá-lo para a Grécia treinar!? – perguntou Shun irritado.

— “Nossa, eu nunca vi o Shun desse jeito.” – pensou Shiryu.

— Acalme-se, Shun! – disse Ikki entrando pela porta do escritório. Tatsumi vinha correndo logo atrás.

— Ikki!? – perguntaram em conjunto.

— Ikki! – gritou Shun correndo para abraçar o irmão. As lágrimas foram inevitáveis.

— Desculpe, senhorita. – disse o mordomo ofegante. – Não consegui pará-lo.

— Tudo bem, Tatsumi.

— Ficar nervoso não vai adiantar nada. – disse o Fênix abraçando o mais novo. – Agora pare de chorar, ok? Seu filho vai ficar bem.

— Tá... – disse enxugando as lágrimas.

— Ikki, por onde esteve todos esses anos? – perguntou Seiya.

— Estive treinando. – respondeu o homem. – Mas não vim aqui falar disso. Vim lhes contar o que descobri enquanto treinava na Grécia.

Notas finais
E aí? O que acharam da história do Dajan? Será que o Junpei vai se safar dessa? Deixe um comentário para eu saber o que você pensa! *Essa história é de cavaleiros, não de fantasmas u-u'