Saint Seiya: Sekai no Iseki Mundo de ruínas
1 Um mundo negro
“Dentre todas as vontades, dentre todas as esperanças, havia algo mais forte que tudo.”
Um mundo devastado
“Em meus sonhos tudo que eu apenas queria era saber que iria acordar vivo”
Sem esperanças
“O desejo de ser lembrado, de ser reconhecido como alguém que já pisou nesta terra.”
– Teriam os humanos sido inventados apenas para sofrer? — Pobres coitados
– Toda a desgraça era perceptível, toda aquela destruição. Mesmo assim os pobres coitados insistiam em tentar omitir, viver como humanos. Ora, são deveras engraçados.
– Quem realmente causou isso? Como assim?! Claro que foram eles…
– Ah sim, os deuses.
2015, Algum lugar do continente Europeu
Em quilômetros de distância tudo que se via era uma imensa névoa negra, tudo havia se tornado uma grande massa de sofrimento, rancor e tristeza. Esse era o mundo que os humanos conhecem atualmente.
As pessoas contam com grande tristeza do dia em que enormes chamas desceram os céus. Muito receberam aquilo como um castigo divino, que para eles, oferecia certa segurança, afinal acreditavam que estariam salvos no fim dos dias. Mas seria um erro imaginar tal acontecimento como algo tão simples. Menos de ⅓ da população mundial realmente chegava a imaginar o que tudo aquilo poderia ser. Fúria da natureza, catástrofe natural, muitas eram as hipóteses, mas nenhuma certeza.
As pessoas tentavam levar suas vidas da maneira mais normal, mas certamente era impossível ignorar um solo infértil, um ar tão poluído e pesado quanto fuligem de uma grande explosão atômica. Ignorar os amontoados de corpos que entraram e putrefação e nenhuma resposta para tudo aquilo. Era uma guerra sem inimigo. Ao menos os cidadãos pensavam assim.
Ao longe, uma capa negra esvoaçava com o inconstante vento. Acima de uma colina, como um ser que apenas observava a vida humana. Contrastando com aquela penumbra permanente do ar, parte de seu rosto branco e manchado e olhos era a única parte de seu corpo que se sobressaía da capa.
– “Quantos realmente morreram de mortes trágicas? Tenho certeza que há mais mortes cômicas disfarçadas de trágicas (...) Mortes cômicas não envolvem qualquer alegria de viver, mas são repletas de agonia sem qualquer significado ou valor.” — Repetia ele as palavras de um pequeno papel que segurava entre as mãos.
– O que é isso? — Uma outra voz interrompe a concentração do primeiro homem, a roupa que ambos usavam era a mesma.
– Provavelmente um diário. — Em uma resposta rápida enquanto guardava o pedaço de papel e começava uma caminhada em direção ao pé da pequena colina.
Os pés do homem, que deveria possuir pelo menos 1,90 de altura, escorregavam no solo negro, que parecia um grande amontoado de estrume. Enquanto isso, o segundo acelerava a descida para alcançá-lo.
À chegada do fim da colina, o segundo agacha apoiando-se nos joelhos ofegante, enquanto tentava pronunciar algumas palavras que não saiam mesmo com todo seu esforço.
– Quem mesmo deveríamos encontrar? — Finalmente conseguindo colocar tão difíceis palavras para fora.
– Um cavaleiro, e entregar todas informações que conseguimos.
Era impossível que homens como eles não fossem notados, era raro ver pessoas com tais vestimentas diariamente, pois a temperatura climática havia aumentado tanto que não existiam mais estações do ano e sim um calor constante.
Enquanto caminhavam pelas ruas devastadas, com prédios e casas às ruínas, olhares de miséria os acompanhavam. Chegava a ser assustador como as pessoas que outrora esbanjavam saúde tornaram-se retratos da miséria e fome, como se nunca houvessem possuído nada na vida.
Por fim, após atravessarem toda uma extensa avenida destruída, como se uma grande bomba houvesse caído sobre ela, eles se viram parados perante uma pessoa tão suspeita quanto os próprios.
O sujeito trajando trapos azulados que escondia até mesmo o próprio rosto e com pés sujos, descalços, para fora de todo tecido que o recobria. Virando-se repentinamente após encarar por alguns instantes os dois viajantes recém chegados, como se quisesse que os acompanhasse.
O primeiro dos homens não exitou, começou a seguir os passos do sujeito misterioso assim que o mesmo passou a andar. O segundo travou no local por um momento, franzindo a testa e com uma grande dúvida estampada em seu semblante começa a seguir seu companheiro de viajem.
Caminharam até um grande prédio que era tão destruído quanto os outros, com paredes cobertas de fuligem negra e vidraças completamente destruídas, com seus destroços jogados ao chão. Os três caminham um pouco após entrarem e logo o homem abre uma entrada no chão, como um esconderijo, uma proteção contra algum ataque surpresa. Coisa que se imaginava ser improvável ao ver o modo de destruição e abandono no qual já se encontrava tal local.
– Faz um tempo que as defesas desta cidade não existem mais, desmoronaram com velocidade extraordinária. Todos sabíamos do poder de guerra inimigo, mas de algum modo fomos surpreendidos. Bom, bem vindos à resistência austríaca. — Jogando a capa sobre um velho sofá velho e repleto de furos, encostando em uma mesa com a lombar e cruzando os braços enquanto encarava os dois recém chegados.
Os dois procuravam ali, naquele pequeno buraco, outras pessoas que viessem a fazer parte da resistência polonesa, mas voltaram o olhar pras o anfitrião quando perderam as esperanças.
– Então você é o cavaleiro que deveríamos encontrar? — Com um tom de voz um tanto quanto cauteloso o segundo homem olhava para seu companheiro como se algo não estivesse certo.
– E sua…?
– Armadura? — Soltando uma breve gargalhada. — Não existe faz um certo tempo, tudo que sobrou foi isso. — Abrindo os braços para mostrar o resto de sua proteção.
Os dois homens repararam com mais atenção, a luz no local era bastante fraca, proveniente de uma vela sobre um caixote de madeira e muita cera derretida, que por sinal a atual já estava em seu fim. Por fim, ao aprumarem a visão puderam ver o que algum dia já fora uma armadura, agora sendo apenas a proteção do peito, alguns pedações do antebraço e uma proteção do joelho na perna direita.
– Creio que já dei todas as provas que precisavam para ver que sou um cavaleiro, creio que vocês possuem algo para mim, mas antes… — Com um semblante mais sério que todos os anteriores, levantando o queixo querendo impor um ar de autoridade.
Os dois homens suspendem parte do tecido que cobria os braços e uma marca com os escritos “Αθήνα” surge no braço de ambos.
– A marca do selo de Atena, então são realmente pessoas de confiança. — Juntando as mãos e espirando fortemente como se colocasse uma grande tensão para fora. — Então, quais notícias trazem.
– Mais um general se juntou à causa, totalizando no momento quatro. Eles estão recrutando pessoas com vestígio de cosmo para a resistência. Todos os quatro estão se empenhando em elaborar planos de batalha para resistir às frequentes investidas inimigas e manter a população sem o conhecimento da real causa de todo esse desastre no mundo.
– Isso é ótimo... — O cavaleiro demonstra uma pequena animação e logo em seguida o pequeno vestígio de um sorriso desaparece de seu rosto. — … Mas tenho certeza de que não são apenas boas notícias. E quanto à nossa busca, daquilo que pode vir a ser nossa garantia de dias melhores?
– Nada — O segundo homem responde com certa rapidez enquanto seu olhar se direciona ao chão com um ar depressivo. — Nossos êxitos não se comparam em nada com nossas perdas. Em uma operação de reconhecimento e trasporte de materiais ao leste do que um dia fora a Itália, perdemos quatro capitães de suma importância para causa. Foram os quatro e todo seu esquadrão aniquilados de maneira brutal, mesmo sem demonstrarem resistência.
– Capitães sendo mortos dessa maneira, mesmo depois de resistirem tanto — Comenta o cavaleiro, com o olhar no vazio, dando a impressão de que apenas pensou alto.
– Alguns cidadãos tentaram dar abrigo àqueles que sobreviveram, mas foram descobertos e mortos e após isso foi ordenado que todos os centros urbanos europeus com mais de dez mil habitantes devem ser destruídos, reduzidos a pó, e todos devem ser mortos. Sendo uma ordem direta dos superiores inimigos.
Um grande barulho e os dois homens levantam o olhar o vêm de costas para eles, com uma das mãos fechadas após esmurrar a mesa na qual se apoiava. Seus músculos enrrijeceram-se em um rompante de raiva.
– Isso é revoltante, são pessoas! Já não basta ter destruído seus lares?! Agora irão retirar tudo que resta? Suas vidas?!
– Após… — Inicia o segundo homem, com certo receio após a última notícia. — Após isso algumas pessoas que descobriram a verdadeira causa de todo desastre mundial passaram a servir como escravos, sujeitando-se a isso como uma forma de se manterem vivos.
Em meio a tantas notícias ruins o clima apenas ficou mais pesado do que já estava, qualquer estalido, por mínimo que fosse rompia o silêncio como o estalar de um raio.
– Permaneci tanto tempo aqui, ví companheiros após companheiros caírem, investidas cada vez mais violentas. Me senti condenado a ficar aqui, muitas vezes faminto, empapado até os ossos, torturado por uma marcha infinita em solidão e a incerteza de que acordarei vivo. — Desatinou a falar após alguns instantes de profundo silêncio. — Mas agora vejo que ficar aqui foi o que me manteve vivo.
– Nenhum lugar da terra é seguro, nossas vidas podem ser ceifadas à qualquer momento, por puro capricho ou pura maldade, realmente estamos abandonados, por conta própria.
– O que estou falando?! — O cavaleiro balançava a cabeça em sinal de negação repetidamente. — Jurei proteger a terra, como posso me contentar por apenas estar vivo, enquanto falhei com o meu dever?
– Não se culpe, na situação em que está a resistência não pode fazer nada, nenhuma das armaduras dos generais foram encontradas. A baixas seguidas entre tenentes e capitães só têm diminuído nossa capacidade de resposta aos ataques.
Os olhares se voltam para o chão, o cavaleiro segura uma pequena caneca com um pouco de café e tira um cigarro de palha de uma caixinha de metal que repousava inclinadamente sobre os restos de cera derretida sobre o caixote de madeira.
Ao acender o cigarro o mesmo se prepara para tomar um gole do café quando para de repente e olha para outra mão.
Os dois homens o observam sem entender direito o por que de ter interrompido o gole da bebida.
O cavaleiro os olha e sua boca se abre lentamente, porém antes de tudo isso a vela se apaga e a sala é tomada por uma escuridão completa.
“Ataque”, foi tudo que foi possível ouvir antes que a escuridão fosse tomada por uma grande explosão e pedaços de concreto sendo arremessados para todo lado.
A fumaça cinzenta se juntava com a fuligem negra no ar impossibilitando a visão, entretanto era possível ver, cambaleante em meio a toda fumaça uma breve silhueta.
O caveleiro surge olhando para os céus como se procurasse por algo, que rapidamente encontra e seus olhos transpassam um breve desespero acompanhados de uma pequena palavra pare confirmar “Merda”.
Permanecia ali, parado ao olhar para o céu negro, e logo se junta a ele um dos homens.
– O que aconteceu com seu amigo? — Sem tirar os olhos do céu.
– Morto, esmagado por um escombro do prédio. — Observando o céu, como se algo que dependesse de suas vidas estivesse lá. — Inimigos?
– Sim, um capitão inimigo. — Serrilhando os dentes.
O homem olha brevemente, mas com um olhar de desconfiança para o cavaleiro — Qual a sua patente atualmente?
“Soldado”, a resposta fora rápida e breve, porém nada animadora. O nível de combate de um capitão para um soldado era absurdamente diferente.
No céu, flutuando como nuvens negras, três armaduras, uma delas completamente fechada, apenas com pequenos furos, supostamente para visão no capacete. As outras duas demonstravam ser de soldados rasos, pois possuíam poucos locais de proteção, em suas mãos lanças com pontas brilhantes. Repentinamente aquele dito como capitão levanta uma das mãos e aponta para os dois homens que os observavam.
Os dois soldados rapidamente avançam como cães de caça, mergulhando no ar em busca de suas presas.
Um deles rapidamente impulsiona sua lança entre os dois, enquanto o outro aterrissa rapidamente e movimenta a lança como uma espada, cortando para cima tentando acertar o mensageiro.
Em um salto combinado os dois soldados inimigos recuam e partem para um ataque sincronizado.
O olhar daqueles que estavam sendo atacados não conseguia desviar da ponta das lanças, que se aproximavam com tamanha velocidade.
O mensageiro estava travado, sequer seus músculos moviam um centímetro. As lanças se aproximavam cada vez mais, e como uma mensagem de morte os olhos dos executores pareciam penetrar naqueles que atacam.
As lanças estavam próximas ao rosto, quando o pobre homem que estava ali apenas para entregar uma mensagem sente seu corpo ser impulsionado para trás. As duas lanças se cruzam frente ao seu rosto.
– Como imaginei. Eles irão focar o alvo mais vulnerável. — O cavaleiro pensava em voz alta enquanto abaixava o corpo do homem e fechava uma das mãos. — Quando eu levantar, apenas corra.
A ordem fora clara, mas naquela situação, nem mesmo ele sabia se tinha como seguir seus planos, era óbvio para ele que poderia segurar aqueles dois soldados por algum tempo. Enquanto o capitão inimigo se divertia observando a luta dos peões, porém até quando isso o manteria distraído?
– Tenho certeza que hoje morrerei. — Pensou enquanto impulsionava seu corpo para socar um dos soldados.
O soco arremessou o corpo do inimigo para longe, em seguida o homem fez como combinado, correu para o mais longe possível. O cavaleiro apenas levantou a cabeça por um instante para saber se o capitão não decidira seguir o mensageiro.
Logo após um outro soco e mais um soldado inimigo ao chão. Os dois levantavam-se lentamente, seus olhares eram monstruosos, mesmo que suas aparências fosse humanas, a certeza era de que nenhum deles era.
O cavaleiro mesmo com a certeza de que não sairia dali vivo, queria ao menos garantir que seu aliado escapasse com vida. Seus dois inimigos estavam por fim, mais uma vez de pé. Seus olhares se cruzavam com o dele e isso se tornava algo amedrontador, como a morte.
O cavaleiro estufou o peito e colocou os ombros para trás, preparando-se como se aquela fosse sua última batalha. O que tudo indicava que realmente seria.
Seu olhar estava confiante, e um sorriso fora esboçado por um breve momento.
Seus punhos se fecharam e seus pés finalmente se movimentaram, impulsionando seu corpo para frente. Todas suas forças estavam sendo colocadas naquele único golpe.
– Por Atena, pela Terra… Por liberdade! — O grito ecoou por toda avenida destruída e por um momento uma aura azul brilhou em volta do corpo do cavaleiro.
Um soco, apenas um soco fora necessário para derrubar os dois soldados inimigos. O herói da pequena cidade na Áustria estava de pé, vencedor. Enquanto observava seu punho, responsável por aqueles inimigos no chão. Porém a vitória fora breve, logo o mesmo se lembrara de que alguém dez vezes mais poderoso que ele o observava.
– Clemência não existe, não é mesmo? — Sorriu em direção ao inimigo.
“Então é assim? O primeiro choque de perceber que estarei morto em breve? Esse contentamento, será que ela permanecerá até o outro lado… — Risos — Será que existe um outro lado? E lá vamos nós…”
A sensação da lâmina cortando a carne de seu peito era inconfundível, o calor do seu próprio sangue escorrendo por seu corpo. Seus olhos abriram-se lentamente, o rubro do sangue foi a primeira coisa que ele conseguiu ver. E mesmo sabendo que aquilo era um golpe fatal, ele sorriu. “Acho que a única cor possível nesse mundo é mesmo a do sangue. No fim tudo se acalma, resta apenas a esperança de que tudo mude. No fim, para os dias de hoje a morte é uma coisa alegre.”
O corpo do cavaleiro tombava lentamente para trás. O capitão inimigo estava ali, carrasco de um breve assassinato, com a espada empunhada. Em meio ao sangue inimigo, rubro como as rosas que a tempo não se via.
O mesmo observava a lâmina da sua espada como se algo o chamasse atenção, seus dedos trêmulos arrastavam-se lentamente sobre o sangue que a marcava.
O corpo do cavaleiro estava finalmente no chão, o inimigo estava ainda ali, vasculhando com os olhos todo os arredores em busca daquele que havia fugido. Uma sensação e seu olhar voltou-se sobre o ombro. Sua respiração se interrompe bruscamente, sua reação fora escapar, mas um espampido dourado o atinge lançando-o para trás.
Suas trajes fumaçavam, seu olhar fitava o fim da avenida. De onde veio ataque capaz de lançar alguém com seu nível para trás, se foi algo dessa magnitude as coisas ficaram sérias.
Ao fim da rua, um único homem, com cabelos loiros trajando um terno branco, tão alvo que algo assim não se via a muito tempo. Uma de suas mãos estava estendida para frente segurando um pequeno instrumento metálico e dourado.
– Capitão hein? O que acha que está fazendo no meu país natal?
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