Saint Seiya - Recomeçar
2 Capítulo 1 - Novos tempos, novos desafios
A Ilha de Rhodes, lar das musas e das ninfas, estava aos poucos começando a reaparecer no mar. Durante a guerra santa contra Hades e a ameaça do Grande Eclipse, essa ilha desapareceu do mapa, de forma tão misteriosa quanto reapareceu depois do término do grande conflito. A quem diga que, para poupar as musas e as ninfas de serem vítimas da ira do imperador do Submundo, Zeus atendeu às súplicas das musas, fazendo assim, com que a ilha simplesmente desaparecesse.
Mas agora, com a clemência de Zeus e o término das guerras Santas, o sol brilhava na Ilha de Rhodes mais uma vez.
No alto de uma das montanhas, ficava o templo das musas. O som de instrumentos e gritos alegres vindos das moças que ali viviam, parecia contagiar até mesmo o próprio sol, que brilhava ainda com mais força.
Enquanto uma das musas tocava seu instrumento, Calíope, a mais velha e experiente das moças, observava, com um sorriso sereno, as jovens no pátio do templo, que sorriam e dançavam, como a muito tempo não faziam.
— Calíope que silêncio todo é esse vindo de você?? É dia de festejar!! — Disse Thalia, uma das musas. Sempre muito alegre e sorridente, é ela quem estimula todas as celebrações e não suporta ver um semblante de tristeza que seja.
— Eu só estou feliz! É tudo tão novo que às vezes é até difícil de acreditar que toda aquela guerra terrível acabou! — Disse Calíope com um sorriso radiante. Os dentes tão brancos e brilhantes que poderia facilmente serem confundidos com um mármore.
— É verdade. E agora que tudo terminou, essas meninas podem finalmente ver o mundo como ele realmente é outra vez… — Disse Polímnia se aproximando das duas irmãs. Tinha uma estatura muito baixa e uma expressão séria e pensativa estampada no rosto quase sempre.
— E você vai poder rever seu filho não é? — Ela completou, fitando sua irmã mais velha com certa curiosidade.
— O que!? Calíope tem um filho?? — Disse Thalia quase pulando nas duas irmãs.
— Você já tá careca de saber disso, Thalia… — Repreendeu Polímnia.
— O que??? Careca? Onde?? — A garota girava para todos os lados, segurando seus longos cabelos cor de rosa, vez ou outra encarando um por um dos fios, o que fez Polímnia apenas suspirar e levar as mãos ao rosto.
— Deixe ela, Polímnia… Thalia só está muito feliz! — Calíope riu e continuou — E sim! Finalmente depois de tudo o que aconteceu, vou finalmente poder rever o meu filho! Aah Orfeu… Quando eu soube que ele foi vivo para o inferno apenas para trazer a amada dele de volta, meu coração se encheu de tristeza… Eu sabia que iria perdê-lo para sempre depois disso… E agora eu estou tendo a oportunidade de poder vê-lo outra vez! — Disse a musa sorridente e cheia de expectativas.
— Vejo graaaandes mudanças na vida daquelas meninas nos próximos dias… — Disse Urânia, se aproximando com seu vestido azul esvoaçante e pressionando suas têmporas com os dedos. Por ser a musa da astrologia e astronomia, era comum que vez ou outra, a musa aparecesse com uma nova previsão.
Calíope olhou novamente para as meninas no pátio. Desde que descobriram que haviam jovens com habilidades incomuns ao redor não só da Grécia, mas do mundo inteiro, as musas chegaram a conclusão de que aquela Ilha seria o melhor lugar para acolhê-las. Desde então, usando o poder de seus cosmos e sua capacidade telepática, as musas atraíam as jovens para a Ilha de Rhodes e, caso fosse da vontade delas, ali seria seu novo lar, onde estariam seguras e longe de qualquer ser ou pessoa mal intencionada que pudesse as usar ou escravizá-las por causa de seus dons.
— Vamos reunir todas depois para ter uma conversa… — Ela sorriu — Todas estão tão alegres que seria cruel interromper esse momento agora… — Calíope se virou para voltar aos seus afazeres e as outras a seguiram.
*****
— Aah eu nem acredito! O ar ficou puro outra vez!
Diane se aproximou das amigas que estavam sentadas em um banco abaixo de uma árvore.
— É verdade. Não sei se foi só comigo, mas enquanto todas aquelas guerras santas aconteciam, eu sentia uma sensação terrível de perigo iminente. É como se a todo momento pudéssemos ser atacadas… Aquela sensação de estar sendo observada… — Disse Sofia em um tom baixo.
— Falando nisso, depois que tudo acabou você ainda tem tido visões, Sofia? — Perguntou Louise.
— Na verdade elas nunca desaparecem por completo… — Respondeu a amiga.
Diane, Louise e Sofia fazem parte de um grupo de amigas que estão sempre juntas. Assim como todas as meninas ali presentes, as três também foram acolhidas pelas musas, por possuírem certos dons, mesmo que ainda não soubessem ou não os reconhecesse bem. Sofia por exemplo, era cega, mas conseguia enxergar a essência do cosmo das pessoas e por isso, era muito boa em distinguir uma pessoa boa de uma ruim, além de vez ou outra, ter visões. Esses são os únicos momentos em que ela consegue ter uma visão clara de tudo: Ver feições, expressões, cores… Mas é tudo tão de repente, que é como se uma fita simplesmente rodasse dentro de sua cabeça. Por isso, era quase rotineiro que as visões acabassem saindo de controle pelo fato da garota ver vários frames do possível futuro de uma única vez. Nunca conseguia ter visões claras e isso muitas vezes, lhe causava dores de cabeça terríveis a ponto de fazê-la ter um refluxo. Por isso, quase todos os dias, a garota tinha sessões de meditação com Urânia, que também tinha visões do futuro.
— E o que você tem visto ultimamente? — Diane perguntou curiosa, mas antes, parando para pensar o quão estranho soava aquela pergunta, já que sua amiga era cega.
— Como sempre não é nada claro…
— Não consegue formular nem uma pista?
— Bom… São sempre os mesmos frames repetitivos… Vejo uma moça muito bonita de cabelos longos e ela parece ser muito importante, vejo cavaleiros com armaduras douradas, um cavaleiro muito bonito com uma armadura prata e… — Quando citou o suposto cavaleiro, Sofia corou levemente e desviou o rosto para que as amigas não notassem a leve diferença na sua expressão e na sua voz. Mesmo que ficasse com os olhos fechados quase o tempo todo, nada passava despercebido por suas colegas e aquele momento foi um deles.
— Eu vi uma coradinha aí… — Diane cantarolou e Louise riu em resposta, pois havia notado a mesma coisa.
— Quem é o tal cavaleiro de armadura prata que te deixou corada assim, hein? — Louise perguntou em um tom brincalhão.
— E-eu não sei tá?? Já disse que o vejo muito rapidamente! Ele tem um sorriso bonito, só isso… — Sofia respondeu em um tom muito baixo, tentando disfarçar.
— Hmmmmm… — As duas amigas riram.
— Vão cuidar da vida de vocês!
*****
Santuário, Grécia.
O santuário estava a todo vapor. Depois do término das guerras santas, tudo o que havia restado do local eram ruínas e Saori fez o questão de providenciar o mais rápido possível, homens que trabalhavam arduamente na reconstrução do local. Alguns cavaleiros de ouro que se recuperaram mais rápido supervisionavam, enquanto outros ainda ainda se recuperavam no hospital. Alguns cavaleiros de bronze e prata também se prontificaram, tudo na esperança de fazer com que o santuário de Athena voltasse a ser como sempre foi e até melhor.
Saori caminhava através dos trabalhadores com um ar pensativo, mas fazia questão de cumprimentar a todos e ver se alguém precisava de ajuda. Dohko caminhava lado a lado com a deusa observando tudo com atenção, mas não deixando de reparar no olhar pensativo da deusa.
— Se não for rude de minha parte perguntar, como estão os cinco? — Perguntou o cavaleiro de libra, imaginando que Saori estivesse preocupada com Seiya e os outros que ainda estavam hospitalizados.
— O estado de Seiya ainda é delicado, mas os médicos me asseguraram que as chances dele sobreviver são altas, os outros também. Não se preocupe, Dohko. Shiryu está fora de perigo… — Saori sorriu numa tentativa de acalmá-lo.
— Aah que grandes notícia… Mal posso esperar para ir ao Japão ver não só o meu pupilo, mas os outros garotos também.
— Com a ajuda que a fundação está fornecendo não só ao santuário mas todos os cavaleiros, inclusive os servos, logo logo todos conhecerão o que é a paz de verdade…
— É mesmo. E pensar que depois de passar por tantas guerras e sofrimento, estaríamos aqui novamente, mas desta vez para presenciar tempos de paz. As vezes chega a ser algo inacreditável para mim! Um velho que já vivenciou tantas batalhas! — Dohko riu.
— Posso dizer que tudo isso é a realização de um sonho. Ver meus cavaleiros vivendo uma vida que eles nunca puderam viver…
— Então por que a senhorita me parecesse um tanto distante? Já que tudo está caminhando bem…
— Por acaso já ouviu falar na Ilha de Rhodes?
— Sim. Todos dizem que é uma Ilha misteriosa que aparece e desaparece da costa da Grécia. Dizem que lá é o lar das musas e das ninfas, mas ao que tudo indica é apenas uma lenda.
— Não exatamente. Não só a Ilha, mas as musas e as ninfas também estão lá.
— E como a senhorita sabe disso? — Dohko perguntou um tanto surpreso e curioso.
— Bom eu já fui lá uma vez a muito tempo… — Respondeu Saori tendo uma visão clara de quando tinha apenas seis anos de idade..
“Mitsumasa Kido tinha o costume de fazer viagens de férias para Grécia e levar sua neta consigo. Além da intenção de mostrar como o local era belo para a criança, o homem também buscava entender mais do passado daquela criança que foi entregue a ele por um rapaz a muito tempo. Em uma das viagens, Mitsumasa levou Saori para colher conchas na praia e desviou sua atenção da neta por um momento enquanto falava com um de seus empregados. A menina prendeu o olhar na imensidão azul a sua frente e começou a notar que ao longe, aos poucos algo surgia, um aglomerado de árvores e no instante seguinte, como se fosse um sonho, o mar se abriu em dois, formando um caminho de areia em direção aquela ilha que havia simplesmente aparecido do nada.
Hipnotizada por aquela visão, Saori simplesmente seguiu mar adentro, atravessando aquele caminho de areia em meio aquela cortina de água de ambos os lados. Quando Mitsumasa se deu conta, já estava reunindo a pouca força que tinha para correr em direção a neta. Porém, ele também se pegou hipnotizado e logo, já estava andando de mãos dadas com Saori em direção a Ilha.
Quando chegaram, ambos foram muito bem recebidos por belas moças que fizeram uma grande reverência a criança e os encaminharam o ponto mais alto da ilha de Rhodes. Lá havia um belo palácio, com uma grande fonte e diversos tipos de flores. De dentro daquele palácio, avô e neta viram surgir uma figura alta. Era uma mulher com longos cabelos tão pratas quanto a túnica que usava e atrás dela, havia pelo menos nove meninas, todas da mesma faixa etária de Saori, sendo uma delas bem mais velha.
Athena… — A mulher de túnica fez uma reverência. As meninas que a acompanhavam pareciam felizes com a chegada de Saori, como se a esperassem por muito tempo e logo, todas elas já estavam brincando juntas, correndo em volta do templo.
Avô e neta ficaram naquela ilha até o anoitecer. Certamente a viagem mais fantástica que fizeram. Mas após isso, mesmo após retornar à mesma praia treze anos depois, Saori nunca mais viu a Ilha no horizonte.”
— Eu me pergunto se...Com o término das guerras, a Ilha reapareceu… — Disse Saori em um tom entristecido. Desejava muito rever aquela ilha e aquelas moças tão gentis; Queria saber se elas ainda estavam lá.
— Quer que eu a acompanhe até a praia? Assim a senhorita pode ver com seus próprios olhos… — Se ofereceu Dohko.
— Obrigada Dohko, eu preciso fazer isso! — Disse a deusa decidida.
*****
Patras, Grécia.
— Tem certeza de que está pronto para ir, rapaz? — Uma senhora baixinha estava de pé diante da porta de sua pensão, apoiada em sua bengala, observando o rapaz que a mesma ajudou a se recuperar por uma longa semana.
— Tenho assuntos não resolvidos em um certo lugar… — Ele disse. Estava com um olhar sério na face. Era uma noite fria e ele jogou o casaco em suas costas e ajeitou suas botas antes de deixar o lugar, levando consigo, uma pequena mochila contendo pouquíssimas peças de roupa.
— Mas como tem tanta certeza disso? Quando o encontrei você mal sabia seu próprio nome.
— Só vou saber meu nome verdadeiro quando eu descobrir a razão por ter voltado…
— O que quer dizer?
Antes de se virar para ir embora, o homem encarou aquela senhora.
— Não espero que a senhora entenda, mas tudo o que eu posso fazer agora é agradecer por tudo o que fez por mim…- O rapaz fez uma breve reverência — Obrigado… — E então, seguiu seu caminho.
Aiacos de Garuda… Era assim que costumavam me chamar. Mas então, por que eu voltei?
CONTINUA...
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