Saint Seiya Pégaso Shinwa
1 Capítulo 1: Vermelho
As nuvens estavam se movimentando com velocidade hoje. Fiquei deitado na grama, observando as figuras que constantemente mudavam de forma. Devo parecer estranho para algumas pessoas, justamente por observar o céu sem nenhum objetivo. Quero apenas fita-lo intensamente, e mais nada.
Ergui o braço direito e abri bem a mão. Fiquei observando com o céu ao fundo. Estava “rasgada”, cheia de arranhões, Arranhões estes causados pelos duros treinos ao qual eu estava sendo imposto. Meu mestre gosta de ser rude, ele diz que se eu não me esforçar ao máximo, não vou conseguir minha armadura, e eu quero muito me tornar um cavaleiro.
Vivemos na cidade de Atenas, a capital da Grécia, e o berço da nossa mitologia. A deusa Atena é quem os cavaleiros devem proteger. São homens que lutam para defender o amor e a paz na terra, seus corações estão impregnados de esperança. Quero ser um cavaleiro para poder lutar em prol dos outros.
Estes lendários cavaleiros são protegidos pelas armaduras que recebem os nomes das mais variadas constelações do universo. Não existe um número exato, que eu saiba, mas dentre todos, os mais fortes são os cavaleiros de ouro. Nunca cheguei a conhecer todos, meu mestre diz que não é da minha conta por enquanto, e realmente talvez não seja mesmo, por isso, eu irei me esforçar neste treinamento, mas agora o meu corpo já não aguenta nem se mover.
Fechei os olhos por alguns segundos, e mesmo assim percebi uma sombra se projetado por cima de mim. Pisquei e então vi um homem alto, cabelos castanhos, olhos verdes, uma feição suave e sorridente... Era o meu mestre, Kaus.
- Imaginei que fosse encontrar você aqui...
- Meu tempo acabou? – Fiquei sentado com as pernas dobradas e as duas mãos apoiadas nos joelhos. Ele sentou-se do meu lado esquerdo e olhou para o céu.
- Não, não acabou. Você pode descansar mais um pouco, Tohma. – Meu mestre olhou para mim por alguns segundo e sorriu fechando os olhos. – Acho que já exigi demais de você estes dias...
- Aconteceu alguma coisa, senhor? – Havia algum tempo que meu mestre não me parecia tão gentil e agradável. O vi apenas gritando das ultimas vezes, sempre mal-humorado, e com um olhar reprovador. Sorri de volta. – Quer me dizer algo?
- Vamos sair em missão amanhã...
Ele se atirou na grama e cobriu os olhos com os dois braços. Seus cabelos bagunçados tocaram o solo e ficaram “espalhados”. Resolvi deitar-me também.
A noticia me pegou de surpresa. Não esperava sair em missão tão cedo, achei que fosse ficar feliz ao ouvir algo do tipo, mas fui imediatamente atingido pelo terror. Um simples aprendiz a cavaleiro iria sair em missão com alguém como o meu mestre, não era algo simples.
- Você deve estar pensando o mesmo que eu agora...
Sim, eu estava. Ele também esta com medo... Estamos além do que mestre e discípulo podem chegar, somos como pai e filho. Talvez eu estivesse me dando muita importância, mas era isso mesmo que estava acontecendo. De qualquer modo, eu vou a esta missão, e farei o que tiver de fazer. Quem sabe eu não vire cavaleiro depois disso?
Como as dúvidas começaram a encher minha cabeça, resolvi que talvez fosse melhor perguntar do que se tratava. Eu não queria mostrar medo, precisava parecer seguro e destemido.
- O que vamos ter que fazer?
Sentei-me novamente, e ele fez o mesmo, em seguida passou a me encarar com ar de seriedade.
- Chegou ao conhecimento do santuário que um grupo misterioso de assassinos tem aterrorizado os habitantes de uma pequena cidade no litoral... Não sabemos exatamente qual a situação, mas pediram ajuda a um nível alarmante. Mais dois aprendizes e um cavaleiro de prata irão conosco.
- Então é realmente sério... Se até mesmo o senhor vai...
Nunca vi um cavaleiro como o senhor Kaus sair em missão. Certo que nunca vi os outros, mas esta é a primeira vez que o vejo falar algo tão seriamente.
- Não vamos nos desesperar já de agora, Tohma. É só mais uma missão. Afinal, o que é um mísero bando de assassinos para nós, cavaleiros?
Ele sorriu novamente e então se levantou.
- Vamos partir ao amanhecer. Va para sua casa e descanse pelo resto do dia.
Ele foi embora sem dizer mais nada. Fui atormentado o resto do dia pelo medo. Todo a sensação de segurança que tinha antes foi arrancada de mim como se um punho atravessasse meu peito e arrancasse meu coração.
As horas foram se passando, mas continue no mesmo lugar. Deitei-me novamente para observar as nuvens. Já não estava mais tão ensolarado como no início da tarde. O céu havia ganhado um tom acinzentado e as formas no céu tinham ganhado um tom mais arroxeado. Provavelmente iria chover durante a noite toda.
Dois garotos passaram correndo diante de mim e seguiram colina abaixo, não tive tempo de ver seus rostos, mas pareciam estar fugindo de algo. Calculei que não deveria ser da chuva, afinal, eu não tinha sentido nem uma gota cair do céu. Levantei-me para observar melhor à dupla. Eles estavam um pouco distante agora, precisei apertar bem os olhos para ver que um deles estava ferido.
O que eu deveria fazer agora? Talvez fosse melhor ver se estava realmente bem, ou talvez fosse melhor seguir na direção de que eles vieram para investigar o ocorrido.
Eu realmente estava indeciso. Fiquei olhando para os dois lados... Não deveria ser tão difícil... Eu não deveria estar tão indeciso para algo que era tão simples. Resolvi desligar o meu cérebro e deixar o meu coração agir. Fui ver o que havia assustado eles.
Fui em direção ao sul, agora eu finalmente havia sentido algo encostar o meu corpo e respingar. Ia começar a chover, já era possível sentir o cheiro dela chegando.
Os garotos deixaram marcas dos passos na grama e era possível ver perfeitamente o caminho que haviam feito. Eles tinham saído de um campo aberto que fica muito mais isolado da cidade. Naquele instante, me perguntei por que eles não pararam para me pedir ajuda. Todos em Atenas sabem quem são os cavaleiros e os aspirantes. Talvez eles não tivessem me visto ou talvez realmente não me achassem apto para ajuda-los.
Finalmente cheguei ao lugar, e finalmente entendi porque um deles estava ferido, e porque corriam tanto.
As ideias, os pensamentos, muita coisa acumulou e pareceu fervilhar em minha mente, eu não tinha ação... Agora eu realmente não sabia o que devia fazer. Aproveitei uma árvore grande na copa da floresta que precedia o campo aberto e fiquei escondido atrás dela, tapando a boca para não fazer nenhum barulho que chamasse a atenção da criatura.
Havia algo que talvez, originalmente, fosse uma criança, e algo que estava devorando sua pele. Sujo de sangue nas mãos e no rosto. Dentes amarelos num sorriso sinistro e frio. Suas garras adentravam as entranhas da vítima e arrancavam os órgãos para então saboreá-los como se realmente fossem gostosos.
Virei-me e encostei as costas no tronco da árvore, fechei os olhos rapidamente para pensar em algo. Segundo as leis de Atenas, um homem não pode simplesmente matar outro... O que eu deveria fazer? Estar treinando para me tornar um cavaleiro me daria esse direito? Ele já havia matado a criança, mas se saísse dali poderia matar outras. Talvez eu devesse realmente enfrenta-lo, e ai já teria experiência o suficiente para ir para a missão no dia seguinte.
Finalmente a chuva começou a cair verdadeiramente. Eram gotas grossas e frias que congelavam a pele ao entrar em contato. Minha roupa suja começou a ficar transparente, deixando meus “músculos” em evidência. Olhei para os dois lados da pequena floresta pensando que talvez fosse encontrar os olhos esverdeados de meu mestre, mas eu estava sozinho, e precisava agir.
Mais uma vez eu desliguei o meu cérebro e agi de forma impulsiva. E se a criança ainda estivesse viva? E se eu pudesse levar aquele “resto” para o grande mestre, e ele pudesse fazer alguma coisa? Bem, eu iria deter aquele homem a qualquer custo.
Saí de trás do tronco e corri para o campo aberto. Foi o meu primeiro erro. Não havia checado antes qual era a posição do meu oponente. Ele havia sumido sem deixar pistas. Só o corpo dilacerado no mesmo lugar. Agora eu já não estava em minha zona de conforto, então corri até a “criança” para ver se ainda havia esperanças para ela.
Meu coração parecia que ia pular, estava me tremendo, mas tinha certeza se era por conta da chuva ou por conta do medo. Cheguei ao meu destino. Não havia esperança. A criança, uma menina que devia ter entre dez e onze anos, estava mesmo morta. Seu peito fora aberto e seu interior foi limpo, mas o que me chamou mais a atenção foram os olhos arrancados das órbitas.
Mais uma vez levei as duas mãos à boca, impulsionado pelo horror, dei dois passos para trás, e infelizmente me esbarrei em alguém.
O que se seguiu foi muito rápido. Meu pescoço fora agarrado por duas mãos maciças que me ergueram e começaram a apertar com força. O ar me estava fugindo tão rápido os sentidos, eu iria desmaiar bem rápido, e não poderia fazer mais nada. Não tinha como oferecer resistência àquela altura. Meus olhos estavam quase se fechando quando...
Tudo estava escuro, abrir os olhos vagarosamente, eu estava caído na grama molhada ao lado do corpo da criança. Onde estava o meu agressor? Resolvi não me mexer por alguns segundos e vasculhei o campo com os olhos, Não demorei em encontra-los.
Sim, Havia outro homem agora. Um encarando o outro a uns dez metros de onde eu estava. O que me atacara estava sem o braço esquerdo.
Estava chovendo e escuro, mas mesmo assim eu reconheceria aqueles cabelos castanhos em qualquer lugar. O meu mestre Kaus estava enfrentando-o. Tentei movimentar meus músculos que estavam doloridos... Consegui mexer as pernas e me apoiei nos cotovelos para só então poder levantar.
- Saia daqui, Tohma... Eu o enfrentarei...
- Quem é ele, mestre?
Tentei falar o mais alto que pude, mas minha voz saiu esganiçada. Será que o homem teria “destruído minhas cordas vocais”?
- Um inimigo que você não pode enfrentar. Va embora...
A voz do meu mestre foi abafada por um riso perverso e doentio que ecoou por todo o campo aberto.
- De fato ele não pode me enfrentar, Kaus. Acho que nem mesmo você pode me enfrentar, não é? Pode deixar que eu mesmo me apresento. Eu sou o Carrasco...
- Carrasco?
Apertei os olhos, como se fosse me ajudar a entender melhor o que tinha ouvido. Logo eu consegui assimilar a informação.
O Carrasco era um assassino em série que estava rodando pela Grécia e havia ganhado certa fama. Meu mestre se mostrou muito preocupado quando ouviu rumores de que ele havia passado por algumas cidades próximas de Atenas. Sempre fiquei intrigado com isso, embora nunca tivesse tido vontade de perguntar por que tanto desconforto por parte do senhor Kaus ao ouvir o nome do sujeito.
- Sai daqui, Tohma. É uma ordem...
- Não seja tolo, Kaus! Nem ao menos esta usando sua armadura... Como espera poder me enfrentar? Acho que deveria ir ao santuário, pedir ajuda aos seus amigos, cavaleiros de ouro.
Mal se passaram alguns milésimos depois do Carrasco proferir suas palavras, ele fora atingido por um poderoso soco no rosto, tão forte que o fez afundar no chão, criando uma pequena cratera. O senhor Kaus permaneceu diante dele, aproveitando que o oponente estava no chão, e começou uma demora sessão de socos em seu rosto. O sangue jorrava da dentadura amarelada dele e se espalhava pelo capim. Eram realmente socos muito poderosos. Parecia até que criavam faíscas douradas.
Eu não estava vendo os olhos do meu mestre, mas seu semblante mostrava um completo descontrole. Resolvi correr até ele. E pronto! Foi o meu segundo erro.
Quando cheguei a menos de cinco metros, o senhor Kaus olhou para mim, perdeu a concentração e fora atingido por um soco ainda mais poderoso na nuca. Ele caiu desmaiado, com os olhos vidrados. Parei imediatamente. O Carrasco estava pondo-se de pé e limpando o sangue que escorria pelos cantos da boca.
Ele livrou-se do manto negro que cobria seu corpo. Senti nojo ao ver aquilo. Muitas cicatrizes e queimaduras, algumas ainda muito recentes. Seus cabelos meio grisalhos deslizavam pelo tronco e cobriam algumas das feridas. Ele estava sorrindo quando se abaixou para agarrar a cabeça do meu mestre e levantá-lo para encarar seu rosto desacordado.
- Não aguentou nem um soco... Mas que belo cavaleiro de ouro, em?
Vi seus dedos fazem pressão e afundarem nos cabelos de meu mestre... O único impulso que tive foi partir para o ataque.
Decolei do chão como se tivesse sido atirado. Fechei o punho esquerdo, estava pronto para acertá-lo quando algo que meus olhos não puderam ver me acertou. Fui lançado para o lado, mas mesmo assim recuperei o equilíbrio para atacar novamente.
Corri o mais rápido que podia, O Carrasco parecia sumir no ar, ainda com meu mestre na mão. Meus socos e chutes tentavam acertar algo que parecia simplesmente se transformar em vento ou alguma coisa do tipo.
- Solte-o! Solte-o Já!
Senti um poderoso impacto esmagar o meu rosto e me lançar ao chão. Caí sem forças e mais uma vez a pressão, desta vez sobre meu estômago. Ele finalmente havia reaparecido.
- Vocês dois são só insetos... Não passam de...
Não vou escutar o que ele está dizendo. Hivia algo bloqueando a minha mente naquele instante. Talvez fosse a minha vontade de fazer algo... Senti que algo estava mudando. Uma sensação diferente, que nunca havia experimentado antes. Apesar de toda a dor, consegui agarrar as pernas com toda a força que eu tinha. Fui recompensado com um chute que deveria ter partido a minha testa se tivesse um pouco mais de força.
O Carrasco largou o meu mestre, ainda desacordado, e voltou suas atenções para mim.
- Seria melhor se eu o matasse primeiro. Ele já provou o desespero de ver alguém morrer diante de si, e não poder fazer nada. Adoro o som do sofrimento... Tem um cheiro agradavel, sabia?
- Não diga besteiras...
Eu estava me apoiando mais uma vez com os cotovelos e os joelhos no chão. Não havia mais dor. Havia algo além do que eu já havia sentido antes, com certeza. Estava girando, em movimento constante e em perfeita harmonia... Era bem natural. Olhei por debaixo do meu braço esquerdo e vi o meu mestre caído a alguns metros, além das pernas do Carrasco vindo em minha direção. Uma gota de sangue escorreu do meu nariz e pingou na grama, manchando-a. A chuva continuava e lavava toda aquela cor vermelha do meu corpo. Arquejei e por fim consegui me por de pé.
- Vai continuar tentando?
- E que tipo de cavaleiro eu vou ser se desistir tão facilmente?
Virei para encará-lo. Tenho quase certeza de que nunca olhei para alguém com tanta determinação. Eu deveria estar esbanajando fúria atráves das portas castanhas da minha alma. É como costumo chamar os olhos.
- Não vou cair ainda...
- Mas você já caiu, moleque... Ele caiu... E ele é bem superior a você...
Havia uma fina áurea azulada ao redor do meu corpo. Nunca havia notado isso antes. Era como se fossem chamas, mas não queimavam o meu corpo, na verdade, parecia curá-lo. Eu estava me sentindo mais forte. Fechei o punho direito e fiquei em posição ofensiva.
- É você quem sabe...
Ele sumiu mais uma vez. Resolvi apurar os meus tímpanos fechando os olhos, talvez dessa forma eu fosse capaz de sentir sua aproximação.
- Queime...
Ouvi isso uma vez. Meu mestre havia dito: “Queime o seu cosmo... Eleve-o!”
Isso era o cosmo? Essa era a sensação? Acho que finalmente entendi... E então, deixei acontecer naturalmente.
O Carrasco surgiu mais uma vez, estava atacando diretamente pela frente. Senti seu enorme punho se aproximando mais uma vez, e iria me atingir em cheio, mas realmente deixei que todas essas sensações fugissem de mim, continuei com os olhos fechados.
Houve-se um estrongo e o som de um corpo caíndo imóvel. Não entendi muito bem o que fiz, mas algo havia acertado ele. Vi luzes num tom azul percorrerem o espaço que nos separava. Pareciam até...
- Meteoros...
Ele caiu em meio à grama, com os olhos vidrados e a boca aberta. Ergui o punho direito até a altura dos olhos para vê-lo. O que eu havia feito? Foi automático. Nem eu mesmo estava entendendo. Minha cabeça girou, também perdi os sentidos e simplesmente caí.
Senti algo quente próximo ao meu rosto, minhas palpebras se contraíram e então finalmente o mundo ao meu redor começava a recuperar o foco. Eu estava deitado em uma cama de pedra num pequeno casebre de madeira. Havia um pequeno recipiente em chamas numa espécie de mezinha ao lado da minha cama. Tomando completa conciência de onde eu estava sentei-me para dar mais uma olhada.
Esta era a casa do meu mestre, que ficava no topo da colina sul. Girei a cabeça em cento e oitenta graus para ambos os lados, procurando rastros dele. Não havia mais ninguém ali. Levantei-me e caminhei até uma pequena janela que ficava proxima á entrada do lugarzinho.
Do lado de fora o sol já estava começando a nascer. Um azul aníl tomava conta do céu, que agora estava livre de núvens. A uns quinze metros da porta de entrada estava o meu mestre, sentado em uma enorme pedra. Direfente de ontem, resolvi não agir de forma impulsiva. Ele não me acordou, e estava ali sozinho. Tive vontade de ir perguntar sobre tudo o que acontecera, e onde estava o tal Carrasco. Tenho certeza de que não o matei com aquele ataque, se é que foi um ataque.
Continuei observando-o, e acho que finalmente ele percebeu que eu havia acordado quando olhou de relance em direção à janela. Vi um fino sorriso formar-se em seu rosto e logo em seguida desaparecer. Uma leve brisa sacodiu seus cabelos e então ele se levantou.
Estava vindo de volta para dentro da casa. Resolvi ficar parado no mesmo lugar, o céu estava me hipnositando. Ele entrou vagarosamente e caminhou para um outro cômodo sem falar mais nada.
Passaram-se alguns segundos, e eis que ele regressa com uma grande caixa brozeada nas costas.
- Vai precisar disso se quiser me acompanhar daqui a pouco. — Ele tirou a caixa das costas e a reposou aos seus pés. – Sei que é curioso, mas não pode abri-la até que seja ordenado.
- O que aconteceu ontem?
Eu não estava interessado no conteúdo da caixa. Estava mais preocupado em entender o que havia acontecido no outro dia, e se realmente aquela sensação que havia sentido era o cosmo se manifestando.
Meu mestre caminhou até uma pequena cadeira de madeira na outra extremidade do casebre e sentou-se fitando-me com intensidade.
- No que pensou quando atacou o Carrasco?
- Eu não entendo muito bem... – Olhei para o chão. Seu olhar estava me entimidado. – Não consegui pensar em nada além de tirar ele de perto de você. Ainda não entendi o que fiz... Aquilo é o...
- Cosmo.
Sim, eu estava certo. Realmente era o cosmo. Foi uma manifestação espontânea. Sempre pensei que iria ter que me forçar bastante para conseguir fazer algo do tipo. Olhei para meu mestre e sorri. Era impossível conter.
- E quando vamos partir? – Dane-se! Eu não quero mais saber de nada. Quero partir para a missão e dar o melhor de mim nela. Fui tomado pela euforia e o medo desapareceu. Consegui derrotar um homem que deixou meu mestre desacordado! Eu conseguir!
- Estou esperando ele chegar...
- Quem?
- O Cavaleiro que irá te acompanhar nessa missão. Vocês dois irão sozinhos...
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