Saint Seiya Omega- O Mito dos Cavaleiros Lendários
10 Trabalho em Equipe
Notas iniciais
Castelo de Marte, norte da Alemanha.
Kenshiro estava perplexo perante a declaração de Marte. Invocar os Quatro Reis Celestiais? Os Cavaleiros eram tão fortes a esse nível? Ele saiu do Salão Principal, expressando preocupação e certo temor. Ele chegou ao caminho, que lembrava uma ponte, de encontro ao céu.
–Não posso acreditar que os Cavaleiros são fortes a esse nível...
Seus pensamentos são interrompidos quando ele sente um cosmo atrás dele.
–O que você tanto resmunga?
Era um Alto Marciano, que vestia uma imponente Galáxia. Era parecida com a de Kenshiro, só que menos robusta. Nos braços e pernas havia enfeites nas laterais que lembravam raios. O cabelo dele era escuro, com olhos castanhos. Suas asas tinham penas mais finas, e ele aparentava ser oriental.
–Saito.
–Olá, velho amigo. Você saiu com cara de espanto do Salão Principal. Aconteceu algo?
–Somos amigos há anos, não somos? – perguntou Kenshiro.
–Desde que éramos crianças. Por quê?
–Acreditará em mim se eu lhe disser?
–Mande. –Saito parecia extremamente despreocupado.
–Marte mandou Medeia ressuscitar Os Quatro Reis Celestiais.
A expressão de tranquilidade de Saito se desfez no mesmo instante, sendo substituída por uma preocupação alarmante. -O quê?!
–Exatamente o que ouviu.
–Mas eles não foram selados?! –perguntou Saito ainda surpreso.
–Aparentemente, sim. Na época da Roma Antiga, quando Atena assumiu a face da deusa romana Minerva, ela deteve os quatro selando-os. Recentemente, Medeia descobriu um encanto que pode ressuscitá-los. O problema é que eles não são simples guerreiros. São quatro deuses da guerra, espíritos selvagens.
–E Medeia quer controlá-los como cães. Estou errado? – completou Saito.
–Exato. Não quero nem ver no que isso vai dar...
A conversa dos dois é encerrada com a chegada de dois marcianos. Eram muito grandes, e vestiam galáxias muito parecidas. A principal diferença era seus capacetes: o da esquerda tinha um chifre pontiagudo e o outro um chifre que lembrava um Y. Eles fizeram uma reverência, mostrando que eram de uma patente menor.
–Kuroi de Besouro-Rinoceronte!- disse o da esquerda.
–Haku de Escaravelho! –disse o da direita.
–O que desejam? Estamos conversando... – disse Kenshiro, impaciente.
–Queremos ir ao Santuário! Testar nossa força contra os Cavaleiros! –disseram os irmãos em uníssono.
–Vejo que vocês se empenharam. Ouvi boatos de que estavam treinando. – Kenshiro abriu um sorriso confiante e cruel. –Tudo bem. Podem ir.
–Obrigado, senhor! -disseram novamente em uníssono.
Os irmãos saltaram de forma rápida, parecendo um teletrasnporte. Em seguida, Kenshiro soltou uma risada maligna, mas Saito o questionou.
–Ficou louco?! Mandar dois Marcianos Menores num momento crítico desses?
–Não é bem assim. Sabe Saito, talvez os deuses da guerra gostem de um sacrifício.
Santuário, naquele mesmo instante.
A luz do luar banhava o Santuário de Atena. Geki e Ban observavam a lua cheia daquela noite.
–É linda, não é? –disse Ban ao colega.
–Sim, muito. –respondeu ele com um sorriso alegre.
Ambos vestiam suas roupas civis, e as Urnas de suas respectivas armaduras estavam ao lado. Eles estavam sentados numa pedra, na frente de uma das colunas.
–Sabe Ban, talvez seja por isso que lutamos.
–Como assim?
–Olhe para este luar. O Santuário. É tudo tão bonito, e talvez por isso nós defendemos a Terra com todas as nossas forças.
–Falando assim, faz sentido. É, seria uma pena perder isso tudo para Marte.
Eles avistam Shiryu ao longe de costas para eles, e ficam surpresos, pois não haviam notado ele ali.
–Shiryu!
Ele se vira e os cumprimenta.
–Geki. Ban. Boa noite.
Eles se levantaram da pedra onde estavam sentados e vão até o amigo.
–O que você faz aqui? –perguntou Ban.
–Eu gosto de vir aqui de vez em quando. Sinto-me bem quando venho pra cá.
Eles se interrompem quando sentem dois cosmos se aproximando.
–Vocês...?
–Sim. Responderam Ban e Geki em uníssono.
–Canhão do Besouro!
Uma bola de energia vermelha veio de algum lugar. Os três saltaram e a bola atingiu o chão, fazendo-o pegar fogo. As chamas cessaram alguns segundos depois, e os dois marcianos apareceram.
–Olha só!Parece que encontramos nossas vítimas! –disse Kuroi.
–Dois Cavaleiros de Bronze e um Lendário... Acho que hoje é nosso dia de sorte, irmão!
–Quem são vocês?! Perguntou Shiryu.
–Kuroi de Besouro-Rinoceronte. –disse o da direita.
–Haku de Escaravelho. –respondeu o da esquerda.
Shiryu preparou sua pose de ataque, mas Geki o impediu.
–Não esquenta Shiryu! Eu e o Ban damos conta desses caras!
–Mas, Geki...
–Você e os outros são os Cavaleiros Lendários! Devem guardar sua força pra inimigos mais fortes que esses! –disse Ban, com confiança.
–Tudo bem. Deixarei isto para vocês.
Shiryu saiu do local, deixando os quatro ali. Porém, Haku tentou ir atrás dele.
–Ei! Volta aqui!
Kuroi deteve o irmão no mesmo instante.
–Relaxa, Haku. Ele pode ser um lendário, mas está cego.
Geki se colocou na frente dos dois.
–Não subestimem o Shiryu! Mesmo cego, ele está num nível diferente do nosso. –disse Geki, com um sorriso confiante.
–E nós vamos mostrar a vocês o nosso poder! –completou Ban, animado.
No mesmo instante, as Urnas de Leão Menor e Urso se abriram, revelando as armaduras e vestindo seus respectivos Cavaleiros.
Os irmãos marcianos se entreolharam e expressaram um sorriso maligno em seus rostos.
–Enfim, diversão! –disse Kuroi.
–Agora mostraremos a que viemos! –completou Haku.
Os quatro se posicionaram e começou o combate. Kuroi atacou Geki usando rajadas de cosmo, e Haku usava golpes físicos em Ban, que desviava com dificuldade, devido á velocidade do inimigo.
–Você é rápido!
–Ainda não viu nada! –respondeu Haku.
O Marciano Menor se afastou e juntou as duas mãos. Uma rajada de energia cósmica se formou e começou a carregar.
–Tiro do Escaravelho!
Uma rajada de energia laranja atingiu o local onde estava, e o atingiu parcialmente. Ele observava o Cavaleiro de Urso, que também aparentava dificuldade.
–Canhão do Besouro!
Mais uma vez Geki salta no ar, evitando a explosão do golpe. Ele ofegava devido ao esforço. Ban se aproximou de seu amigo.
–Geki, você está bem? –perguntou Ban, preocupado com o amigo.
–Sim... Eu só estou com dificuldade com esses golpes. São rápidos demais!
O Cavaleiro abaixou o tom de voz para poder sussurrar.
–O que acha de combinarmos nossas técnicas?
–Seria ótimo. Qual o plano?
O Leão Menor sussurrou no ouvido do amigo, e ele parecia concordar com tudo.
–Certo! –disse Geki animado, depois de bater os punhos.
Ambos se posicionaram e prepararam seus ataques. Ban armou um golpe com o ombro, e uma aura de fogo o rodeava. Geki criou um turbilhão com as mãos, como se fosse um pequeno furacão.
–Bombardeio do Leão Menor!
O Cavaleiro de Bronze partiu pra cima do seu adversário, com força total. No mesmo instante, seu colega disparou seu ataque na direção oposta.
–Turbilhão do Urso!
Uma rajada cósmica azul em forma de um turbilhão seguiu a direção de Kuroi.
–Essas técnicas lentas não vão nos atingir! –disse Kuroi com desprezo.
–E quem disse que vamos atingir um de cada vez?! –gritou Ban em resposta.
O Turbilhão e o Bombardeio se misturaram, aumentando a velocidade e a intensidade do golpe. Uma aura de chamas giratória cobria o corpo do Cavaleiro.
–Grande Bombardeio!
Ban avançou em direção aos dois, e foi tão intenso que eles não tiveram tempo de desviar. O golpe os atingiu em cheio, criando um vórtice de chamas. Os dois se levantaram alguns minutos depois, indignados e com danos em suas Galáxias.
–Como isso pode acontecer?! Nós somos os Irmãos Marcianos mais poderosos! –gritou Haku.
–Haku! Vamos usar aquilo!-disse Kuroi ao irmão.
–Certo... Vamos! –respondeu Haku.
De repente, ambos saltaram no ar, e uma onda de vento giratório os rondou. Em seguida, ambos giraram em alta velocidade, se misturando com o vento.
–Vamos mostrar a vocês... –disse Kuroi
–... A força dos Irmãos de Marte! –completou Haku.
A rotação começou a surgir e se intensificar.
–Míssil Duplo!- gritaram os Irmãos em uníssono.
Eles mantiveram a rotação, parecendo um projétil único girando eternamente. Em alta velocidade, eles avançaram. Os Cavaleiros desviaram na primeira, mas na segunda tentativa, eles vieram por trás.
–Vamos deter o segundo ataque, Ban!
–Certo!
O projétil avançou, mas antes de atingir seus corpos, os Bronzes tentaram deter o ataque usando suas mãos. Porém, parecia inútil.
–Acham que isso vai nos parar? NUNCA! –gritaram os Marcianos, ainda na rotação.
O giro se intensificou, e atingiu os Santos e suas armaduras. Algumas partes destas se trincaram, e ambos caíram ao chão. Ao fundo, os Irmãos desfizeram a técnica.
–E então, o que acharam? –provocou Kuroi. –A força de vocês não pode superar nossos laços de sangue!
Geki e Ban se levantaram, mas abriram um sorriso em seus rostos.
–Temos uma ligação tão intensa quanto esses laços! –disse Ban.
Geki se animou e disse em seguida:
–Somos irmãos de batalha! Lutamos juntos ferozes batalhas pela Terra!
–E o que isso tem a ver?! Nada supera a força de irmãos fraternos! – disse Haku.
–Então mostraremos... A força de nossos laços! –gritaram os Cavaleiros em conjunto.
Seus cosmos começaram a se elevar intensamente. Os dois se entreolharam e confiaram em si mesmos.
–Vamos botar pra quebrar, Geki!
–Sim! –respondeu o Urso.
Assim, os dois avançaram aos Marcianos Menores ao mesmo tempo, porém se focando um em cada irmão.
Ban criou uma intensa camada de chamas sobre seu corpo e continuou sem parar, e Geki juntou cosmo em suas mãos, que brilhavam de forma intensa.
–Impacto de Leão Menor!
–Punhos do Urso!
Seus ataques foram bloqueados, mas seus inimigos estavam com dificuldade pra manter a defesa.
–Porque totais estranhos confiam tanto uns nos outros? Isso é ridículo!
–Isso se chama amizade, Kuroi! –disse Geki.
–Amizade?! –questionou Haku.
–Sim! A força que nos faz apoiar uns aos outros, e a força pra jamais desistir ou abandonar um companheiro! Isso vocês nunca entenderão!
A defesa dos irmãos enfim se rompeu e os ataques fizeram efeito. Um teve se corpo atingindo por chamas intensas, e o outro levou vários socos, e um soco final, que causou uma forte luz. As Galáxias sofreram grandes danos, e caíram para trás.
–Não pode ser... Fomos derrotados? –disse Haku indignado.
–Exato. Essa é a força que nos motiva. –disse Ban, em resposta.
OS Cavaleiros juntaram seus punhos, como um comprimento. Eles se interrompem quando avistaram nos peitos dos Marcianos uma espécie de selo vermelho.
–Mas o que diabos é isso?!- disse Geki, surpreso. Ele sentia um enorme cosmo vindo daquele selo.
–O SACRIFÍCIO... FOI... FEITO! –gritou Kuroi, em desespero.
–OS DEUSES DA GUERRA... VÃO VOLTAR!- Haku gritava em horror, sentindo que sua morte chegaria logo.
Em seguida, dois cilindros vermelhos de energia apareceram no local, desintegrando os corpos dos irmãos. Foi uma morte rápida, porém violenta.
–Temos que comunicar isso á Atena. –disse Ban, assustado.
Eles não conseguiram compreender o que havia acontecido ali. Estavam chocados, porém sabiam que tinham um dever a cumprir.
Castelo de Marte, norte da Alemanha.
Duas horas depois.
Medeia entrou no Salão Principal, e para a surpresa da mesma, o trono dele estava virado de frente. Ele usava sua Galáxia, acompanha da capa vermelha e elmo com detalhes em amarelo, aberto na boca. Ela suava muito, e o desespero tomava conta de sua face.
–Senhor Marte, não conseguimos! O selo é muito forte!
–Então tente de novo! É necessário que eles despertem para nossa vitória! –Marte usava uma voz imponente e autoritária.
–mas mi lorde, porque eles são tão importantes?
O deus se levantou de seu trono e olhou diretamente para a Feiticeira Imperial.
–Na Roma Antiga, quando Atena assumiu sua face romana Minerva, ela teve seu poder reduzido. Afinal, ela perdeu seus poderes de Deusa da Guerra. Inconformados assim como eu com a fraqueza de Minerva para controlar a Terra, três deuses juraram lealdade e apoio: Diana, Vulcano e Baco. Mas meu filho Rômulo, o fundador de Roma, pediu meu apoio para uma vingança. Ele era um dos mais velhos membros da cidade e era tradado como um velho a beira da morte! Eu o rejuvenesci e o tornei um deus completo! Porém Minerva se mostrou mais poderosa do que esperávamos.
–O que quer dizer?
–Minerva sacrificou a própria vida para selar os quatro! Usou tanta força que não sobrou muita para me selar. Esperei até a Terra mergulhar numa época de paz. Após a derrota de Hades, eu comecei a escolher meu hospedeiro nesta era... Para ter minha vingança!
–Ainda não entendo como seres tão poderosos foram selados...
–Os deuses de Roma são mais fortes do que pensa! –disse Marte, com tom de repreensão, e continuou. –Apenas dois deuses, eu e mais um, sobreviveram ao fim daquela civilização.
Medeia expressou dúvida.
–Mais um além do senhor?
Marte suspirou e a respondeu.
–A Guerra e o Tempo são conceitos que os seres humanos não abandonaram desde a criação do universo. Enquanto forem diferentes uns dos outros, sempre haverá conflito. E o tempo é eterno e jamais perece.
–Isso significa que...
–Sim. Ele ainda vive. –Interrompeu Marte. –Mas chega de conversa! Irei ao ritual!
Ao caminharem para o salão de rituais, lá se encontravam Amor e uma das aprendizas de Medeia, Circe. Ela tinha longos cabelos pretos, e olhos vermelhos provocantes. Ela usava um capuz preto sobre seus ombros. Dava pra ver um vestido vermelho escuro por debaixo do manto.
–Senhora Medeia! O que Lorde Marte deseja? –perguntou Circe.
–Ele veio... Ajudar no ritual.
O deus foi direto com os presentes:
–Coloquem o artefato.
No centro da sala, o objeto foi posto num pilar de pedra. Era parecido com o topo do Báculo de Atena, mas era prateado e aberto em cima. Continha quatro joias, das cores azul, verde, vermelho e marrom. Um selo de magia se formou embaixo do pilar.
–Comecemos. –declarou Amor, em um tom sério.
Os quatro jogaram seus cosmos em cima do artefato, que começou a brilhar. As pedras reagiram e começaram a se rachar.
–Incrível! Foi apenas o Senhor Marte incluir sua força e o selo começou a se partir! –gritou Circe, devido ao barulho.
–Este é o poder de um deus, jovem aprendiz! –respondeu Marte, também gritando.
Repentinamente, uma nuvem de raios se formou sobre o castelo. Um relâmpago abriu o teto e caiu sobre o artefato, e a força foi tão insana que o pilar se destruiu. Um clarão surgiu, e jogou os quatro para trás.
–Deu certo?! –perguntou Amor.
E pelo visto, havia dado. Quatro figuras imponentes surgiram de onde estava o artefato selado. Um era uma mulher, que vestia uma Galáxia azul, e tinha longos cabelos azul-claros. Seu elmo cobria seu rosto, deixando apenas a parte de baixo visível. O segundo também trajava uma Galáxia, porém esta era verde. Era o maior de todos e usava um elmo que cobra todo o seu rosto. O terceiro tinha uma Galáxia marrom, com detalhes que lembravam chifres. Usava uma capa branca com fundo cinza. O último possuía uma vestimenta roxa, e capa da mesma cor. Os braços e pernas daquelas vestimentas eram cinza escuro, lembrando a vestimenta de seu líder. Seus cosmos era extremamente agressivos e poderosos.
–Sejam bem-vindos de volta... Quatro Reis Celestiais! –disse Amor, com tom respeitoso.
Marte soltou uma maléfica risada, que ecoou por todo o castelo. Agora, Marte tinha um trunfo... Dos mais poderosos.
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