Saint Seiya Omega- O Mito dos Cavaleiros Lendários
8 Ichi, O Galante Cavaleiro!
Notas iniciais
Saint Seiya Omega- O Mito dos Cavaleiros Lendários
Capítulo 8- Ichi, O Galante Cavaleiro!
Santuário, manhã.
Ichi ainda não acreditava que Jabu havia voltado como um herói. Ele arriscou sua vida para proteger o vilarejo de Rodório. Não, ele ainda não conseguia acreditar naquilo.
Desde garoto, Ichi adorava chamar a atenção dos outros, mas ele queria ter, enfim, o reconhecimento que sempre esperou. No entanto, Seiya e seus amigos estavam muitos passos à frente. Quando quase morreram em Hades, treinou e acreditou que teria sua oportunidade, mas de cara as coisas mudaram quando viu Seiya e Kiki tornarem-se Cavaleiros de Ouro.
Jabu insistia em dizer que “não devemos agir com o objetivo de mérito”, mas o que ele podia fazer, se ele próprio se sentia da “ralé”? Esse sentimento o deixava triste. Ainda assim ele tentou dar um ânimo para si mesmo. Afinal, era o Cavaleiro de Hidra, portador das garras envenenadas. Não era um peão qualquer, mas um Cavaleiro de Bronze e havia mérito nisso.
Passeando pelo Santuário, Ichi avistou um grupo de soldados rasos tentando erguer uma pedra grande e pesada, oferecendo-se no mesmo instante para ajudá-los
– Olá, soldados! Vou ajudá-los a erguer essa rocha enorme!
Todo animado e confiante ele tentou erguer a pedra com todas as suas forças, mas nada fez, nem mesmo movê-la. Ao longe, Jabu e Nachi observavam o ato.
– Fala sério... O Ichi tá pagando um baita mico! – Jabu suspirou.
– Devemos ajudá-lo? –perguntou Nachi que encarava a cena com a cara de “isto não vai dar certo”.
– Deixa ele. Se quer tanto se exibir, quando acontecer algo será unicamente o responsável.
Sem compromisso, Seiya estava passando próximo dali com suas vestes civis de sempre e carregando a urna da armadura de Sagitário nas costas.
– O que está havendo?
– Ah. Olá Seiya! O Ichi está tentando mostrar suas habilidades...– disse Jabu apontando para a cena esboçando uma possível risada, mas se controlou. — Levantando aquela pedra.
Seiya, mantendo sua expressão séria, foi de encontro ao Ichi, da qual se assustou por não perceber a aproximação do Sagitariano.
– Precisa de ajuda? –perguntou Seiya, com um sorriso inocente no rosto.
– Não! — respondeu de imediato. — Posso resolver isso sozinho... Senhor Cavaleiro Dourado! – e fez uma cara de desprezo, torcendo o nariz.
– Levantando, não vai conseguir nunca! Deixe-me tentar.
Seiya ergueu seu dedo indicador e uma minúscula esfera dourada de cosmo surgiu ali. Ao tocar na rocha, ela se desfez por completo. Os soldados rasos e Ichi ficaram boquiabertos, impressionados com a proeza.
–Impressionante! – exclamou um dos soldados.
– Isso foi incrível! Digno de um Cavaleiro de Ouro. – disse outro soldado.
Ichi ficou extremamente irritado, pegando sua urna de armadura.
– O que ele tem? –perguntou Seiya a Jabu.
– Eu não sei. Pensei que ele tinha mudado.
Os dois encerram seu assunto quando um homem moreno, de cabelo castanho os abordou. Ele trajava uma armadura de Prata, com cor predominantemente vermelha e com o desenho de uma cruz no elmo com qual segurava com as mãos.
– Senhor Seiya, todas as defesas do Santuário foram reforçadas.
O Cavaleiro, porém, fica em dúvida, pois não conhecia aquela pessoa.
– Quem é você...?
– Ah! Desculpe, eu não me apresentei! – o homem sorri, envergonhado e se ajoelha em seguida. – Sou um Cavaleiro de Prata, o meu nome é Kazuma, da constelação de Cruzeiro do Sul.
– Você deve ser um dos aspirantes promovidos a Cavaleiro. Estou admirado por alguém tão jovem ocupar o posto de Cavaleiro de Prata.
Kazuma se levanta e fica encabulado com o elogio.
– Há, há obrigado! – Ele sorria de uma ponta a outra. –Estou feliz por servir ao lado de cavaleiros tão fortes! E também, é uma honra servir à Atena.
– É assim que se fala! – respondeu Seiya animado.
Porém, no bosque ao redor do Santuário, um grupo de Marcianos, liderado por um Marciano Menor, estava à espreita. O líder usava um elmo todo fechado com uma proteção na boca que lembrava uma mandíbula fechada. Nem seus olhos estavam visíveis, já que havia um visor em forma de olhos de formiga onde deveria ficar a abertura dos olhos. Diferenciava-se dos outros devido ao se porte atlético.
–Então é aqui, o Santuário de Atena... Muito bem. Tropa Formiga! Cinco de vocês irão atrasar os Cavaleiros, enquanto que os outros, sigam-me! Encontraremos uma rota alternativa para chegar á Atena.
–Certo, Capitão Antony!
Cinco membros se separaram e os restantes, um total de seis soldados da tropa, acompanharam Antony. Eles caminharam campo adentro, buscando outros meios de se infiltrar no Santuário.
Naquele mesmo instante, a arena de duelos estava cheia de aspirantes treinando. Um jovem de armadura azul com detalhes prata e vermelho, assemelhando-se bastante com a armadura de Pégaso. Seu cabelo cinza-escuro esvoaçava ao vento. Ele avista Kazuma ao longe e o cumprimenta.
– Kazuma!
O Cavaleiro se aproxima do colega.
– Kitalpha! Como estão as coisas?
– Até agora tudo em paz. Os aspirantes estão treinando tranquilamente.
– Você fala “aspirante” como se a gente tivesse se tornado Cavaleiro há muito tempo atrás! – Kazuma riu.
– Ei! Somos Cavaleiros de qualquer jeito, apenas não somos mais aspirantes.
– Você tem razão. Vamos continuar a vigia e...
Eles se interromperam ao sentirem cosmos se aproximarem do Santuário, repletos de intenções malignas.
– Kazuma...
O Cavaleiro de Prata não pensou duas vezes e colocou seu elmo.
– Sim, vamos.
Kazuma encheu seu peito de ar e gritou:
– ASPIRANTES! Um ataque Marciano vai começar. Protejam-se!
Os aspirantes se abrigaram longe do conflito e então os inimigos apareceram. Cinco tropas de soldados Marcianos liderados pelos membros da Tropa Formiga atacaram. Kitalpha e Kazuma começaram a elevar seus cosmos.
– Vamos! – disse Kitalpha com uma expressão animada.
– Sim!
Kazuma cruzou seus braços em forma de cruz e o punho direito de Kitalpha brilhou em cor azul.
– CORTE CRUZADO!
Uma cruz de energia laranja foi em direção a uma das tropas. Assim que bateu nos soldados, explodiu e pegou fogo.
– PUNHO BRILHANTE DE EQUULEUS!
Uma esfera de energia cósmica azul brilhante atingiu a outra tropa, resultando numa explosão luminosa.
– Isso! – comemorou Kitalpha, alegre.
Porém, sua desatenção não o deixou perceber que um membro da Tropa Formiga se dirigia aos aspirantes.
– Essa não! –exclamou desesperado.
Parecia que o ataque era iminente, até que uma rajada de fogo pairou ao lado do inimigo. Este se afastou rapidamente.
– Quem é?!
As chamas abaixaram e lá estava ele: um homem de cabelos e olhos azuis, usando uma poderosa armadura de Bronze.
– Senhor Ikki! – disse Kazuma admirado.
O membro da Tropa pareceu surpreso.
–Ikki de Fênix? Vai ser a minha chance. Morra!
Porém, com o punho erguido, o Cavaleiro de Fênix deu um golpe no ar, acompanhado de uma onda psíquica.
– Golpe Fantasma de Fênix. –Ikki disse o nome de sua técnica calmamente, mantendo sua expressão de frieza. O inimigo em seguida caiu ao chão.
Enquanto isso, Antony e seus membros andavam pelo lado de fora do Santuário, até que o Marciano Menor ordenou que parassem. Ele havia avistado Ichi pelas proximidades, carregando sua caixa de pandora, sentado numa pedra.
– Parece que encontramos um fracote vagando sozinho. – disse Antony, sussurrando.
Num momento de distração, Ichi é atacado pelos cinco soldados. No susto, ele pulou para trás e só viu a rocha onde estava sentado ser destruída. Sem pensar duas vezes, o Cavaleiro vestiu sua armadura e se preparou para o combate. Em seguida, o Marciano Menor apareceu em frente a seu adversário.
– Quem é você? – perguntou Ichi, curioso.
– Ora, se não é Ichi de Hidra, um membro da leva inútil dos Cavaleiros de Bronze.
– Como é? Você ousa insultar o grande Ichi de Hidra, o galante Cavaleiro de Bronze? Vou te mostrar a minha grandeza! –Ichi disse tudo isso com um ar de convencido.
– Tropa Formiga, atacar! – ordenou Antony.
Os cinco membros atacaram, avançando para cima do Cavaleiro de Hidra. Garras de tamanho médio surgiram de suas mãos envoltas por uma aura de cor roxa.
– GARRA VENENOSA!
E ele atacou de uma vez só todos os cinco, deixando marcas de garras em seus peitorais. Depois de alguns segundos, todos caíram no chão, quebrando seus elmos. Suas peles estavam liláses, e eles cuspiam sangue roxo.
– Mas o que significa isso?!
– Este veneno letal entra na corrente sanguínea e infecta os glóbulos vermelhos, tingindo-os de roxo e intoxicando o sangue! Ou seja, o sangue se torna a sina de morte!
– Essa é uma técnica cruel para um defensor da justiça.
– Não. É uma técnica pra gente como você!
Sem pensar duas vezes, Ichi avança pra cima de Antony. Infelizmente, este desvia, mas uma parte da Garra Venenosa acerta em seu rosto de raspão e o impacto fez com que o seu elmo se quebrasse, revelando a face do inimigo. Cabelo castanho claro, olhos azuis. Uma pequena marca de garra marcou sua face, e ele tinha uma face carrancuda, típica de líderes militares.
– Agora você me aborreceu verme. Prepare-se para sofrer!
O Marciano Menor elevou seu cosmo, e no mesmo instante sua musculatura começou a mudar, ficando um pouco maior. Era incrível como a Galáxia que ele vestia não sentiu os efeitos do aumento de sua massa física.
– FORÇA FÓRMICA!
A musculatura do Marciano Menor desenvolveu-se pouco mais, fazendo seu físico crescer mais e mais a sua massa muscular e tornando-se duas vezes mais bruto que anteriormente.
–Mas o que diabos é você? Um super halterofilista?!
–He He. As formigas podem levantar até mesmo 100 vezes o seu peso. Neste estágio, minha força aumenta em 50 vezes. Sofra!
Antony arrancou uma árvore como se fosse uma flor de canteiro e jogou em Ichi. O Cavaleiro desviou, mas em um rápido movimento o Marciano golpeou o Bronze na altura do abdômen, fazendo-o ficar sem ar. Em seguida, uma sequência de socos e chutes foi iniciada levando ao chão.
– Ai...! Acho que essa foi demais pra mim... – Ichi se contorcia de dor, mas se levantou, ainda que de modo desajeitado.
–Enxergue-se! Você não é nada! Um peso que arrasta a tropa e só serve de empecilho!
–Cala essa boca! Eu sou o Galante Cavaleiro de Hidra, dotado das garras venenosas!
–Você não passa de um exibido fraco, sem poder nenhum! — no mesmo instante, o Marciano socou o chão, abrindo uma poderosa cratera. Foi tão forte que gerou um pequeno tremor ao redor.
– Agora, você morre! – disse o Marciano, confiante.
Antony avançou, e socou o peito de Ichi. O que ele não esperava foram as garras que surgiram dali.
– O quê?!
– A há! Por essa você não esperava! Sinta as Garras de Hidra!
Fazendo um grande esforço, as garras perfuraram o braço do adversário e deixou rachaduras roxas aonde o golpe foi atingido.
– Maldito!
– Eu ainda nem mostrei do que sou capaz!
O Cavaleiro de Hidra atacou com suas famosas 'Presas Venenosas', mas o inimigo foi capaz de desviar de cada uma delas apesar de todo o tamanho e mostrando certa agilidade.
– Isso é tudo o que pode fazer? Acabou o seu estoque de truques? POIS ENTÃO É A MINHA VEZ!
O corpo do Marciano Menor ficou ainda mais musculoso.
– SUPER FORÇA FÓRMICA! MORRA!
Antony criou uma esfera de energia nas mãos e lançou contra o chão. A explosão derrubou Ichi e destruiu boa parte de sua armadura de Bronze.
– Viu só? Você é um lixo total!
– Isso é o que você pensa. Todos pensam assim de mim! –Ichi se levanta, confiante e orgulhoso. –Mas agora vou te mostrar a minha técnica mais poderosa!
Assim, Ichi elevou seu cosmo, e várias serpentes de cor púrpura surgiram.
– MIL PRESAS DE HIDRA!
Várias cabeças atacaram Antony e o jogaram longe, ferindo-o bastante para que sua 'Super Força Fórmica' foi desfeita. Ele se levanta e percebe que o golpe provocara danos em sua Galáxia.
–Isso ainda é muito pouca pra...
Ele se interrompe, e cospe sangue, e o sangue estava púrpuro. De repente ele cai se contorce no chão.
– O que isso significa?!
– Sabe aquela hora em que te acertei com a Garra? Pois é, ela estava com um resquício de veneno! Apenas ativei com a técnica que o atingiu.
– Maldito! Você me paga...!
Assim, o Marciano vai ao chão.
Santuário, algumas horas depois
Shina estava cuidando dos ferimentos de Ichi. Embora leves, precisavam ser tratados.
– O que você estava pensando?
– Eu sou um Cavaleiro! Detive o inimigo! – disse Ichi, com um rosto confiante.
Shina deu tapa forte em sua cabeça.
– Você devia ter mais cuidado.
– Desculpe, desculpe! Eu tomo cuidado da próxima!
Mesmo estando machucado, Ichi se sentia orgulhoso de si mesmo. Provou que não era um fracote e deteve um inimigo. Para ele, o dia estava ganho.
Fale com o autor