Saint Seiya Omega- O Mito dos Cavaleiros Lendários
12 Guerreiros do Ódio
Notas iniciais
Aeroporto Internacional de Tóquio, Japão.
Alguns meses atrás.
Shun esperava pacientemente numa das cadeiras de couro do aeroporto. Ele observava o movimento das pessoas. Todas apressadas, querendo chegar ao seu destino. Naquela ocasião, vestia um casaco preto com listras verdes nos braços. Calça bege e sapatos marrons simples. Lia um livro sobre medicina, já que era o curso que estava fazendo. Como era um Cavaleiro treinado, logo sentiu o cosmo da pessoa que esperava se aproximar.
Eles não se viam há tempos, e agora finalmente se reencontrariam. Como ela estava? Não teve notícias dela desde a Batalha das Doze Casas, e a própria não deu notícias. Ele continuou a vida conturbada de batalhas. Mas de repente, um belo dia, ela avisou por meio de uma carta que o esperava. Deu o endereço do Aeroporto, e disse que precisavam conversar.
Ele quebrou sua linha de pensamento quando a viu. Usava um sobretudo marrom feminino, cachecol listrado de cor branca e laranja ao redor do pescoço. Acompanhava um jeans azul-claro, e botas de cano médio. O cabelo longo e loiro dela voava junto ao vento frio daquela manhã, e seus olhos azuis brilhavam, quase se pondo em lágrimas. Ela parou seu andar e encarou Shun por um breve instante, e correu até ele, carregando sua mala de carrinho.
–Shun! –disse ela, com uma voz chorosa.
June. — respondeu ele, com uma voz gentil e acolhedora.
Os dois se abraçam, e ela chora ali mesmo, no ombro dele. June o segurava com força, e ele constrangido, sorria de forma desajeitada.
–Eu... Senti tanto a sua falta! Queria falar com você, esclarecer as coisas, mas você sempre...
Shun colocou seu dedo indicador sob os lábios dela.
–Não diga mais nada.
E no mesmo instante, ele a beijou, e quase sem reação, ela correspondeu.
Santuário, dias atuais.
Ikki despertava Shun mexendo em seu braço. O coitado havia dormido na vigília do Santuário, e adormeceu ali mesmo.
–Acorde Shun...
O rapaz esfregou os olhos, e bocejou em seguida. Ele se apoiou na Caixa de Pandora que estava ao seu lado para poder se levantar.
–Bom dia, Ikki.
–Você adormeceu... –disse Ikki, em tom frio.
–Estive pensando em muitas coisas, irmão. Esta batalha, e tudo mais.
Ikki suspirou e dirigiu seu olhar ao irmão.
–Descanse mais um pouco. Eu cuido do resto.
O Bronze colocou a Urna de Fênix nas costas, e se encaminhou para fora do Santuário. Ikki era um típico lobo solitário, mas depois dos Cavaleiros Negros, manteve os vínculos com seus amigos. Entretanto, seu modo de trabalhar raramente envolvia grupos. Ele gostava mesmo é de lutar sozinho.
Dois soldados rasos estavam á espera de Fênix. Eles usavam lanças, e tomaram um susto ao avistá-lo.
–Senhor Ikki! –disse um deles, surpreso.
–Não vimos o senhor chegar... –completou o outro, se encolhendo.
–Parem com isso. Por que estão sem jeito assim?- perguntou Ikki.
Os dois soldados se entreolharam e sorriram.
–É que nós nunca saímos do Santuário... E agora vamos ter uma missão com um Cavaleiro Lendário! – o soldado ficou animado, mas mudou seu tom de voz para algo mais sério. – Meu nome é Thomas.
–Ralph. –respondeu o outro, envergonhado.
Ikki deu as costas aos dois, encheu seu peito e disse:
–Vamos logo. O tempo urge.
Ambos ficaram animados ao ouvir.
–Sim!- responderam em uníssono.
O trio foi para uma parte isolada do Santuário. Atena havia sentido uma presença ali faz alguns dias, e ela mandou Ikki investigar lá. O local era um penhasco, rodeado por rochas e árvores mortas. Era uma subida até lá. Misteriosamente, as pessoas que chegavam ali desapareciam e jamais voltavam, e uma atividade cósmica se estabelecia ali.
–Que lugar bizarro... –comentou Thomas, incomodado.
–S-Será que tem algum Marciano aqui? –Ralph tremia de medo, e uma gota de suor desceu pelo canto de seu rosto.
–Acalmem-se. É pra isso que estou aqui.
Eles continuaram caminhando até chegarem ao centro do lugar.
–Parem. –ordenou Ikki.
O Cavaleiro se abaixou e notou marcas de relâmpago no chão. O mais estranho é que pareciam também marcas de explosão.
–Que esquisito... Parece que alguma coisa explodiu aqui.
E rapidamente, uma sombra de formato humano apareceu atrás dos dois soldados rasos, tocando os dois nas costas. Uma onda de choque tomou os dois.
–Thomas! Ralph!
–Afaste-se...!
Ikki saltou, mas notou nas costas deles o ideograma japonês de “trovão”, que brilhava em azul-claro. No mesmo instante, o corpo dos dois explodiu, gerando duas explosões de raios azuis, que incendiou as árvores mortas do local. Em meio ás chamas, Fênix visualizou duas asas negras, finas e pontiagudas, abrindo espaço entre as chamas.
–Maldito! Quem é você?
O Alto Marciano riu com escárnio.
–Ora, ora... Eu pretendia usar aqueles dois como isca, mas não pensei que estariam acompanhados justamente de meu alvo. – sua voz soava maligna e irônica ao mesmo tempo.
Ikki cerrou seus dentes ao ouvir as palavras de seu inimigo.
–Quem você pensa que é?! –ele apontou para Saito, e gritava com raiva em seu coração.
–Alto Marciano. Saito de Thunderbird.
Castelo de Marte, norte da Alemanha.
Kenshiro observava o céu nublado daquela manhã. Ele se perdia em seus pensamentos.
–Saito... Você escolheu um adversário difícil de encarar... Você sempre gostou de desafios.
Ele então riu e fez um sorriso maligno.
–Mas... mesmo que Saito seja derrotado, Fênix sofrerá pelo menos algum dano. Afinal... depois de mim, Saito é o Alto Marciano mais forte do exército de Marte.- Kenshiro soltou uma risada maligna que ecoou pelo local.
Penhasco próximo ao Santuário.
–Já que você deseja tanto me enfrentar, te mostrarei o que é Inferno. –disse Ikki num tom desafiador.
Saito riu com maldade em sua voz.
–Eu estava esperando ouvir isso!
Ikki tirou sua Urna das costas, e vestiu sua Armadura de Bronze.
Assim que seu adversário terminou de falar, Ikki tentou socá-lo, mas o Marciano defendeu o golpe segurando o punho do Cavaleiro. Este então desferiu mais alguns golpes, mas Saito defendera todos eles.
“Ele é rápido!”, pensou Ikki. Não havia visto alguém assim desde sua última batalha.
Seus pensamentos são cortados quando o Alto Marciano abre as asas de sua Galáxia e voa aos céus. Ele eleva seu cosmo, e dois relâmpagos se concentram em suas mãos. Saito junta as duas, unido os relâmpagos.
–Tempestade de Thunderbird!
Uma rajada elétrica única foi em direção a Ikki, que teve que desviar em tempo recorde. Saito atacou repetidas vezes, e o Bronze desviou da maioria. Mas com rapidez, Saito desceu do céu, apareceu atrás dele e tentou acertá-lo com um punho envolto em energia elétrica, e o Cavaleiro quase não consegue desviar.
–Que rapidez! –comentou Ikki, ofegante.
–Já está cansado? –provocou Saito com tom irônico.
Ignorando a provocação, o Cavaleiro de Bronze elevou seu cosmo. Reuniu as chamas do local e as concentrou em seu punho, originando um turbilhão de fogo. Porém seu adversário, na maior tranquilidade do mundo, simplesmente desviou o golpe com a palma das mãos para o lado, sem queimá-la no processo.
–Ótimo. Muito bom. Mas vai ter que fazer mais do que isso se quiser me vencer. – O tom de Saito soou frio e imponente.
Ikki acumulou as chamas em seus punhos, e Saito fez o mesmo, mas com relâmpagos. Ambos avançaram em grande velocidade, e seus punhos se chocaram.
O tom de Saito soou frio e imponente.
Ikki acumulou as chamas em seus punhos, e Saito fez o mesmo, mas com relâmpagos. Ambos avançaram em grande velocidade, e seus punhos se chocaram.
–Se pensa que isso vai funcionar, desista!- Saito provocou mais uma vez.
–Será que você não cala essa sua maldita boca? -respondeu Ikki, com um sorriso lateral em seguida.
O Cavaleiro gritou e elevou seu cosmo. O punho dele ficou ainda mais forte, superando o do Marciano. No mesmo instante, uma onda psíquica se formou no punho esquerdo de Ikki.
–Golpe Fantasma de Fênix!
Ikki golpeou a testa do inimigo, destruindo seu elmo. Saito ficou paralisado... E o cenário mudou.
Uma lembrança retomou sua mente. Ele corria em meio a um vilarejo em chamas, o cheiro de sangue e metal misturados, e um jovem Saito chorava de medo. Ele tremia, e seu braço era guiado por Kenshiro, ainda criança.
–Não chora Saito! A gente vai sair dessa, prometo!–Ele gritava devido ao barulho ensurdecedor do confronto. Ele usava uma camisa polo branca, rasgada e suja de poeira. Sua bermuda preta se encontrava na mesma situação, e o joelho tinha um corte. O tênis foi tomado pelas cinzas, e a sola estava acabada.
–Mas eu tô com medo! Meus pais, os seus... Todo mundo... - o garoto nem termina a frase e cai de joelhos em prantos. A voz era tão chorosa que dava pena.
Kenshiro tentou acalmá-lo, ao cantar uma canção em japonês que sua mãe cantava:
Não chores criança
Segura está
Olhe para fora e
O Sol verá
Sinta o vento correr por aqui
E veja que não há motivos pra fugir.
A voz de Kenshiro soou tranquila, e Saito se acalmou, enxugando suas lágrimas. Até que ele olhou para cima e se assustou com o que viu.
–Kenshiro... O que é aquilo?–ele perguntou apavorado.
Um astro vermelho gigantesco surgiu no céu, tomando o lugar da Lua. Kenshiro se levantou e também se apavorou.
–Não é a Lua...
Um pilar de luz vermelho tomou conta do céu. Os combatentes que guerreavam entre si pararam e observaram. Do pilar veio Marte, andando no meio das chamas.
–Humanos tolos! Seus atos de guerra tiram as vidas de crianças inocentes!- ele gritava de forma alta e imponente.
–E daí?! Crianças morrem todos os dias! Não encha o saco, filosofia não ganha guerra!- gritou revoltado um dos soldados, que atirou no deus.
Marte parou os tiros com a mão.
–Levantam a mão contra um deus desta maneira... MORRAM HUMANOS!
A divindade elevou seu cosmo, e várias lanças se formaram.
–Explosão da Estrela de Fogo!
Inúmeras lanças de cosmo vermelho atingiram os soldados, matando todos eles. Marte olhou para os dois garotos e jogou uma lança em Kenshiro. Mas do nada, Saito se situa na ilusão, e volta à sua forma de adulto.
Gritando, ele avança até o deus e o soca no peito. Ele rachou feito vidro e a ilusão se desfez.
De volta á realidade, ele foi questionado por Ikki.
–E então, como é conhecer o Inferno?
Saito olhou para cima e riu insanamente. Ele se virou para Ikki.
–Alterar uma lembrança transformando-a numa ilusão... Que golpe baixo. Saiba você que isso não funciona contra mim. Abandonei os sentimentos que me deixavam fraco... Tristeza. Desespero. Medo. Pânico. -Saito disse tudo num tom frio. -Meu vilarejo foi tomado por um confronto civil, e apenas eu e Kenshiro saímos vivos. Marte nos contou seu plano e nós o seguimos. Ele criará o novo mundo!
Ikki acabou se surpreendendo.
–Engraçado. Eu tive algo parecido. Abandonei os mesmos sentimentos que você e me motivei pelo ódio.
Saito olhou Ikki profundamente e depois sorriu.
–Quer dizer que somos Guerreiros do Ódio?
–Mais ou menos isso.
–Então... Mostre-me a força do seu ódio! -gritou Saito em tom desafiador.
Ambos elevaram seus cosmos ao extremo, e preparam seus golpes. Ikki saltou e simulou um bater de asas, criando um vórtice de fogo. Depois, ele jogou o fogo com os dois punhos fechados, que se transformou num pássaro de chamas.
–Ave Fênix!
Saito acumulou uma enorme carga de energia elétrica e a lançou de uma vez, formando um grande pássaro de energia elétrica.
–Ascensão do Thunderbird!
Os dois golpes colidiram, criando um misto de fogo e raio. Eles se igualaram, mas o de Ikki ultrapassou e atingiu o adversário. As asas da Galáxia foram destruídas, e o resto da vestimenta se rachou.
–Diga-me, qual a força do seu ódio?- perguntou Saito.
–Eu tenho algo pelo o que lutar. Ainda existe algo neste mundo para defender.
Saito expressou surpresa, mas sorriu de forma maligna.
–Você... É bom... Mas... ACABOU!
O corpo de Saito foi tomado por uma aura azul, e o ideograma de trovão apareceu no peito dele.
–Essa técnica eu prometi usar em último caso... Morra.
Ikki tentou se aproximar, e um campo elétrico se formou. O Cavaleiro não teve outra escolha, e entrou no campo. Sua armadura foi quase toda destruída, mas ele atravessou o peito do Alto Marciano. Seu braço foi queimado no processo, e Saito destruiu a si mesmo, levando sua vida no mesmo instante. Por mero milagre, Ikki sobreviveu, mas desmaiou em seguida.
Castelo de Marte, norte da Alemanha.
Kenshiro socou a parede de um dos pilares. Ele tremia de raiva. O cosmo de seu melhor amigo... Desapareceu.
–Não chores criança... Segura está... Olhe para fora e o Sol verás... Sinta o vento correr por aqui... E veja que não há motivos pra fugir...
Ele cantou aquela canção com sua voz trêmula, tentando conter as lágrimas. No lugar, encheu seu coração de raiva... Uma profunda e terrível raiva.
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