Notas iniciais
O campo infinito dos bispos não oferecia descanso. Desde o momento em que os quatro protagonistas surgiram ali, foram cercados por figuras de eras antigas, todas com a patente de bispo, todas presas àquele nível sem qualquer esperança real de ascensão. Mas agora, o cerco se fechava de vez. Shaina, Mei, Yuzuriha e Aeson estavam distantes uns dos outros, cercados por inimigos implacáveis, e compreendiam a dura verdade: para avançar, não bastava sobreviver — seria preciso eliminar todos os bispos de uma só vez.

vento cortava como lâminas invisíveis enquanto Shaina corria pela planície irregular, desviando de lanças de luz lançadas por Goethe.

A antiga aliada, com sua armadura verde viva que parecia pulsar como uma planta, mantinha o olhar calmo, mas não havia hesitação em seus golpes.

— Você vai mesmo lutar até o fim? — perguntou Shaina, o cosmo vibrando.

— Desde que cheguei aqui, sabia que este dia viria — respondeu Goethe. — E você, Shaina… já sabia que eu não sairia daqui viva.

As palavras pesavam mais do que os golpes. O passado entre elas não importava agora. Goethe avançou com um corte em arco, pétalas afiadas como lâminas voando pelo ar. Shaina bloqueou com as Garras do Trovão, faíscas azuis iluminando a diagonal entre elas.

Do outro lado do campo, Mei encarava algo que jamais pensara enfrentar: ele mesmo.

A versão “bispo” de Coma Berenice tinha olhos mais frios e uma armadura marcada por cicatrizes de batalhas infinitas.

— Sou o que você será se ficar preso aqui — disse o outro Mei, a voz carregada de uma resignação cruel.

— Então é melhor que eu te apague agora.

A luta deles era um espelho distorcido: cada golpe bloqueado no mesmo instante, cada movimento previsto pelo outro.

Mas, aos poucos, Mei percebeu que seu adversário havia perdido algo… a vontade de seguir adiante.

— Essa é a diferença entre nós — gritou, liberando o Portão da Purificação. A onda de almas empurrou o “eu bispo” para trás, rachando o chão sob seus pés.

Mais ao norte, Yuzuriha encarava Pollux de Athanasia.

O cavaleiro irradiava um brilho dourado e azul, e seu olhar trazia um peso milenar.

— Você não deveria estar aqui… — disse ele. — Mas já que está, vou lhe ensinar as regras deste campo: aqui, a eternidade é castigo.

— Não pretendo ficar para aprender. — A amazona do Grou ergueu o cosmo, suas penas cortando o ar como lâminas finas.

Pollux era veloz, e cada estocada de luz parecia vir de todas as direções. Mas Yuzuriha se movia com uma leveza sobrenatural, como se estivesse sempre um passo fora do alcance. Sua telecinese fazia as lâminas de seu elmo e armadura vibrarem no ar, bloqueando ângulos impossíveis.

Enquanto isso, Aeson de Taça confrontava Alice de Vorpal.

A guerreira segurava sua lâmina curva, a mesma que ceifara incontáveis inimigos, mas agora tremia.

— Eu… não quero desaparecer — disse Alice, quase em súplica. — Se me derrotar, não restará nada de mim!

— E acha que é diferente para nós? — Aeson respondeu, avançando com o cosmo pulsando como marés violentas. — Todos aqui estamos no mesmo tabuleiro. Só muda a casa onde ficamos.

Alice lutava com desespero, cada golpe mais selvagem que o anterior, mas Aeson estava implacável.

Um golpe circular com a Taça derrubou a espada dela, deixando-a de joelhos.

— Não… por favor… — sussurrou, mas o olhar dele era frio. Um último impacto de cosmo a lançou para trás, a luz de seu corpo começando a se desfazer.

Foi nesse momento que todos perceberam o mesmo padrão: não importava quantos caíssem, outros bispos surgiriam para ocupar o lugar.

Uma voz ecoou pela mente de todos, talvez o próprio tabuleiro:

"Para que este nível seja limpo, todas as diagonais devem ser cortadas de uma só vez."

Shaina recuou, trocando olhares com os outros à distância. A compreensão veio como um estalo.

— Temos que atacar juntos… nas diagonais! — gritou ela, usando as Garras do Trovão para afastar Goethe e ganhar espaço.

Yuzuriha voou alto, abrindo um corredor de vento com seu cosmo. Mei se reposicionou ao extremo oposto, e Aeson ergueu a Taça, o líquido dourado dentro dela começando a girar violentamente.

Cada um ocupou um canto imaginário do campo infinito.

Goethe, percebendo o que estava para acontecer, parou de lutar e apenas sorriu para Shaina.

— Sempre soube que você encontraria uma saída. Estou pronta.

O momento final começou.

Shaina concentrou seu cosmo no máximo, suas Garras do Trovão riscando o ar como relâmpagos azuis.

Mei abriu o Portão da Purificação, liberando um mar de almas que avançava como uma onda branca.

Yuzuriha lançou seu Golpe das Mil Penas, cada pluma carregada de energia cortando o espaço.

Aeson derramou o conteúdo da Taça no ar, transformando-o numa chuva dourada de luz que queimava tudo que tocava.

Quatro ataques, quatro direções, todos disparados no mesmo segundo.

As diagonais de energia se cruzaram no centro do campo, formando um “X” perfeito que brilhou como um sol branco.

O impacto sacudiu o campo inteiro, e um vento ensurdecedor varreu tudo.

Goethe fechou os olhos, sendo consumida pela luz, mas sem medo.

Alice, por outro lado, gritava, implorando para ficar.

Pollux apenas acenou respeitosamente para Yuzuriha antes de se desfazer em pó dourado.

Adão e Lilith, juntos, desapareceram como sombras apagadas.

Todos os bispos caíram.

Quando a luz cessou, o campo estava completamente vazio.

Não havia mais sons, mais passos, mais ameaças.

Só o silêncio e os quatro respirando pesadamente.

O chão sob eles começou a brilhar, mas não revelou ainda para onde seriam levados. O tabuleiro, dessa vez, guardava o próximo passo como um segredo.

Notas finais
O Golpe da Diagonal varreu todo o nível dos bispos, apagando guerreiros de todas as eras e histórias. Shaina, Mei, Yuzuriha e Aeson provaram que podiam agir como um só, mesmo sem combinar cada movimento. Mas a vitória deixou marcas: rostos conhecidos se foram, alguns com honra, outros com medo. O próximo nível permanece um mistério — e o tabuleiro parece mais silencioso do que nunca… silencioso demais.