[Templo de Poseidon, Salão Principal]

— Meu senhor Poseidon, eu Orcinus de Ketus, Comandante do Pilar Indico, trago notícias, foi confirmado que o Pilar do Pacifico Norte foi derrubado e que seu respectivo General, Baian de Cavalo Marinho, foi derrotado. Contudo, durante a minha patrulha não encontrei nenhum invasor ou qualquer anormalidade. — Disse o Marina ajoelhado em frente a Julian.

— Pude sentir daqui os tremores! Seu relatório é inútil! Quero saber como é possível que um dos meus Generais tenha sido derrotado!? — Questionou Julian irritado.

— Baian era um garoto prodígio, eu não entendo como ele pode ter perdido a batalha, mas tenho certeza que seu algoz deve estar gravemente ferido, meu senhor. — Disse Apolodoro se ajoelhando diante de Julian.

— E o pilar!? Como ele foi destruído!? E Onde está o Dragão Marinho!? — Questionou Julian ainda mais irritado.

— Ele ainda não chegou, meu senhor. — Respondeu Plínio se aproximando e fazendo reverência. — Não deveria ser possível que meros cavaleiros pudessem fazer tal coisa. Eles devem estar tendo ajuda, meu senhor. Será que Atena…

— Impossível! — Respondeu Julian o interrompendo. — Eu estou a observando o tempo todo, a única coisa que ela faz é rezar, ela está incapacitada de fazer qualquer coisa.

— Então precisamos descobrir como eles destruíram o Pilar do Pacifico Norte! Ketus, onde está Willahelm de Tritão? — Questionou Plínio.

— Nós nos separamos, cada um ficou incumbido de patrulhar uma área do templo. Mas pelo tempo ele também já deveria ter se apresentado. — Respondeu o Marina.

— Enquanto eu observava Atena, tive a impressão que mais cavaleiros invadiram o meu templo, certamente Tritão deve ter os encontrado e por isso ainda não retornou. Quero que isso seja averiguado imediatamente! — Falou Julian batendo o punho no encosto do braço do seu trono.

— Sim senhor! Ketus você deve ir atrás do Tritão para averiguar a situação. E se encontrar qualquer invasor deve eliminá-lo imediatamente! Como um dos Comandantes do senhor Poseidon, estamos confiando em você! — Disse Apolodoro.

— Sim senhor! Irei imediatamente! — Respondeu Orcinus se levantando e indo embora.

— Enquanto o Dragão Marinho não chegar, voltarei a observar Atena, até lá não me atrapalhem.

— Sim senhor! — Responderam os Sacerdotes.

[Pilar Indico]

— Foi daqui que sentimos aquele cosmo! — Falou Jabu.

— Sim! Não há dúvidas. — Respondeu Mii.

Nesse instante o Báculo de Atena começa a brilhar e todos param de correr. Os olhos de Mii ficam dourados e ela aponta o Báculo na direção do “céu” do templo submarino. Todos ficam sem entender o que estava acontecendo, eles falam com a amazona, mas ela não responde.

Em seguida um raio de luz dourada saí do Báculo, se choca com o teto do templo e depois Mii cai de joelhos ofegante.

— Mii, o que diabos foi isso!? — Perguntou Jabu.

— Mii, você está bem? — Perguntou Shun ajudando ela a levantar.

— “Chamado de Atena”. — Respondeu ela meio tonta, enquanto colocava a mão na cabeça.

— E o que isso quer dizer? — Questionou Jabu.

— Nã-não sei direito… A Deusa Niké estava chamando alguém…

— Mas quem? — Perguntou Shun.

— Eu não sei. Ela só me usou para lançar o chamado. — Respondeu Mii, visivelmente exausta.

— E o que devemos fazer? Devemos ficar aqui esperando? — Perguntou Shun.

— Ela só disse pra continuarmos.

— Olhem, o Pilar está logo à frente! — Falou Kiki apontando com o dedo indicador.

Jabu, Shun e Mii trocam olhares confusos por alguns instantes e então decidem avançar.

— Ainda dá pra sentir os resquícios de cosmo na área, aqui houve uma batalha recentemente. — Comentou Shun.

— Vamos procurar por mais indícios e… — Nesse momento Mii vê dois corpos caídos no chão. — Olhem ali!

— Shiryu!? Aquele é o Shiryu! — Gritou Kiki que correu na direção dele, os outros o seguiram.

— Shiryu, você está bem? — Perguntou Shun levantando ele gentilmente.

— Urgh…

— Ele está todo cortado e machucado, que terrível. — Comentou Mii.

— Então aquele outro deve ser o corpo do General que protegia este Pilar. — Constatou Jabu.

— Shiryu, acorda! — Gritou Kiki preocupado.

— Ki-Kiki… é você?

— Sim! Que bom que você está vivo!

— Shiryu, eu vou fazer os primeiros socorros… — Disse Shun.

— Essa voz… quem está com você Kiki?

— É o Shun. Não tá vendo ele? — Perguntou Kiki.

— Eu não consigo… — Disse Shiryu que não abriu os olhos.

— Shiryu… não me diga que você está cego? — Perguntou Mii preocupada.

— Não me diga que você se sacrificou a esse ponto pra vencer a batalha? — Perguntou Jabu.

— Mii, até você? Quem mais veio pra cá?

Shun faz os primeiros socorros e Mii explica a situação.

— Entendi, mas não vamos perder mais tempo, vamos derrubar esse pilar.

Nesse momento a urna dourada começa a brilhar e Jabu a coloca no chão, ela se abre e assim como aconteceu com Seiya o cosmo da armadura envolve Shiryu e a Espada de Libra voa na direção do bronzeado.

— Pra que lado fica o pilar? — Perguntou Shiryu.

— Deixa que eu te ajudo! — Disse Kiki colocando ele na direção certa.

— Você acha que consegue Shiryu? Não é melhor você descansar? — Perguntou Shun.

— Tá tudo bem Shun, graças a você eu ficarei bem.

Shiryu elevou o cosmo e se posicionou, então saltou na direção do pilar e lançou um golpe na vertical. Ao aterrizar ele saltou para trás, mas caiu de joelhos se apoiando na Espada de Libra.

Várias rachaduras apareceram no pilar, até que em seguida ele se quebrou por inteiro. Outro grande estrondo ecoou, a terra tremeu e uma fina chuva começou a cair, assim como aconteceu no Pilar do Pacifico Norte.

— Isso! Mandou bem! — Gritou Kiki que correu na direção dele.

— Kiki, me diga… o pilar…

— Não se preocupe, o pilar foi destruído!

— Que bom, foi tudo graças a você que me colocou na direção certa. — Shiryu sorriu.

— Shiryu você está bem? — Perguntou Shun se aproximando.

— Sim, estou. Mas agora vocês precisam levar a armadura de libra para o próximo pilar. Não se preocupem comigo, os outros podem estar com problemas… os Generais são muito poderosos, tanto quanto os cavaleiros de ouro…

— Mas Shiryu, você está cego e todo machucado, não pode ficar sozinho. — Disse Kiki preocupado.

— Kiki, mesmo você sendo só um discípulo, já deve ser capaz de entender o dever de um cavaleiro, não é? Nosso dever é proteger Atena e a terra.

— Shiryu… cer-certo! Prometo que vou levar a urna pra todos os pilares, mesmo que eu morra tentando.

— Estou contando com vocês… — Sussurrou Shiryu desmaiando em seguida.

— Shiryu! — Gritou Kiki.

— Ele está exausto, mas parece bem. Contudo, só os primeiros socorros que eu fiz não vão garantir a sua sobrevivência. — Disse Shun agachado com Shiryu nos braços.

— E agora, o que vamos fazer? — Questionou Mii.

Enquanto isso, Kiki devolvia a espada para a armadura de ouro, a espada se retraiu e se encaixou novamente na armadura.

— Precisamos seguir em frente, ainda faltam cinco pilares. — Disse Jabu colocando a urna nas costas. — Temos uma missão a cumprir.

— Mas e o Shiryu? Vamos abandoná-lo aqui? Assim? — Perguntou Mii.

— Tsc… olhem bem pra ele, Shiryu lutou arriscando a vida nessa batalha… porque o mais importante é salvar Ate…

— Desculpe interromper esse lindo discurso! — Disse uma voz ecoando.

— Eita! Quem está aí!? — Perguntou Kiki.

— Eu vim vingar o General do Pacifico Norte e impedir que outro Pilar fosse derrubado, mas parece que cheguei tarde.

— Deve ser o General que o Seiya derrotou. — Comentou Mii.

— Quem derrotou o General do Pilar Indico? Chutaria que foi esse cavaleiro todo arrebentado. Quem derrotou o senhor Baian deveria estar no mesmo estado que ele e duvido que esse daí tenha derrotado os dois, isso quer dizer que ele não está com vocês.

— E agora o que vamos fazer? — Questionou Shun deitando Shiryu no chão com todo cuidado.

— É difícil acreditar que alguém como o senhor Krishina também tenha sido derrotado! No entanto, estou muito curiosa sobre essa urna dourada. — Disse a Marina finalmente se revelando.

— Desculpa, mas vamos ficar devendo essa. — Disse Jabu tomando a frente e tirando a urna das costas. — Kiki pega a urna e continuem com a missão.

— Ce-certo! — Respondeu o garoto pegando a urna.

— Jabu, o que você pensa que está fazendo? — Questionou Mii.

— Você está exausta por causa do que aconteceu mais cedo, além do mais está protegendo o báculo. E as correntes de Andrômeda são famosas por seu poder defensivo, ou seja, essa conta é simples, até pra mim.

— Como se eu fosse deixar… — Começou a dizer a Marina quando Jabu correu em sua direção, saltou e aplicou uma voadora, mas ela reagiu a tempo e se protegeu com um grande escudo que havia em seu braço esquerdo.

— Vão logo! — Gritou Jabu.

Kiki foi o primeiro a correr, Shun e Mii ficaram receosos, mas não podiam deixar essa chance passar e correram atrás de Kiki.

— Vai precisar muito mais do que isso! — Disse a Marina empurrando Jabu, mas o bronzeado se equilibrou no ar e aterrizou sem problemas.

— Tsc… aquele chute não fez nada… — Pensou Jabu. — Quem é você!?

— Eu sou Dóris de Khelone, e obviamente sirvo ao Pilar do Pacifico Norte.

— Eu sou Jabu de Unicórnio, e obviamente vou acabar com você!

— Haha, devia mudar seu nome pra Jabu, o bobo da corte!

— É o que veremos!

Jabu correu ao encontro de Dóris, e iniciou uma sequência de chutes, mas a Marina bloqueou todas as investidas, Jabu encerrou o ataque, girando o corpo e aplicando um chute potente, golpeando-a com o seu calcanhar.

Mesmo bloqueado, o golpe consegue fazer a Marina dar alguns passos pra trás. Ela então aproveita e salta para tomar um pouco mais de distância do bronzeado e contra-ataca.

Impulso Meteoro!— Dóris coloca o escudo em frente ao corpo e o envolve com cosmo, depois avança correndo em alta velocidade contra o adversário.

Sem muito tempo para agir, Jabu cruza os braços para se defender, o impacto é poderoso o suficiente para o arremessar longe, o bronzeado cai no chão e vai sendo arrastado deixando marcas por onde passou.

— Urgh… que desgraçada… is-isso doeu… — Disse Jabu se levantando, seus braços estavam latejando, na verdade todo o seu corpo estava doendo.

— Ora, ora, você parece ser mais resistente do que eu imaginava… mas assim que eu acabar com você, vou dar o golpe de misericórdia naquele pobre coitado que tá mais morto do que vivo…

— Tsc… não vai, não… o Shiryu lutou arriscando a própria vida, não vou deixar que ninguém chegue perto dele! — Disse Jabu elevando o cosmo e correndo na direção da Marina e depois saltando pra cima dela. — Galope do Unicórnio!

Enquanto estava no ar, Jabu desferiu centenas de chutes na direção da Marina, e como ele já esperava ela se defendeu usando o seu escudo, o poder defensivo dele era incrível, não sofreu um único arranhão.

— Boa tentativa, mas seus chutes não são suficientes para atravessar a defesa do meu escudo… e eles são lentos demais…

— Tsc… maldito escudo… — Murmurou o bronzeado tomando distancia. — Isso me faz lembrar da luta do Shiryu vs Seiya no torneio galático… eu tentei imaginar algumas táticas pra usar contra o Shiryu se ele tivesse vencido aquela batalha… e certamente não dá pra usar o mesmo truque que o Seiya…

[Pilar Antártico]

— Que estranho, já faz algum tempo que estou tentando chegar em um novo Pilar, mas até agora não encontrei nada. Será que eu errei o caminho em algum lugar? Sinto como se estivesse andando em círculos…

Seiya correu por mais alguns metros até que finalmente viu um Pilar ao longe, ele apertou o passo em direção àquele Pilar. Quando finalmente chegou nele foi surpreendido porque quem estava o esperando.

— Ma-Marin?!

— Seiya…

O bronzeado correu até ela com o coração acelerado. — Você está viva! Graças a Deus! Desde que eu acordei que estou preocupado com você por não saber o que aconteceu com você depois do fim da batalha das doze casas. Mas o que você está fazendo aqui!? Veio nos ajudar?

— Não, Seiya. Eu vim te impedir.

— Hã!? Como é!?

— Escute, essa batalha será tão cruel ou mais que a batalha das doze casas, vocês cavaleiros de bronze não irão conseguir realizar outro milagre.

— Do que está falando Marin!? Agora mesmo a Terra está sendo submersa por causa de Poseidon e Atena está correndo perigo! É por isso que precisamos lutar…

— Eu não quero mais lutar… Estou cansada de tudo isso… e eu não quero que você morra Seiya…

— Não! Na batalha das doze casas você arriscou a própria vida para que eu pudesse continuar… mas agora está tentando me impedir… — Seiya olhou fixamente para Marin e falou bem sério apontando pra ela. — Você… você não é a Marin!

— Tsc… é verdade… “Marin” é só um pseudônimo… como você sabe, muitos ao entrarem para a confraria de Atena abandonam seus nomes reais… e adotam outro nome…

— O que isso tem haver? Isso tá tudo muito esquesito…

— Seiya… o meu verdadeiro nome você conhece muito bem…

— Hã!? Eu conheço… seu nome… não, não pode ser…

— É isso mesmo Seiya… meu nome é Seika!

— Nã-não pode ser… — Disse Seiya arregalando os olhos completamente surpreso.

— Eu vou finalmente tirar a minha máscara e revelar o meu verdadeiro rosto pra você e provar que estou falando a verdade… — Disse Marin retirando lentamente a sua máscara. — Veja Seiya, esta sou eu de verdade…

— Seika!? Minha irmã, minha querida irmã… — Falou Seiya aos prantos indo em direção a Seika.

Os dois se abraçam. O calor, o cheiro, a segurança e presença que eram emanadas por “Marin” eram os mesmos que Seiya se lembrava, não restavam mais dúvidas, aquela era mesmo Seika.

— Mas porque você não me disse nada!?

— Depois de colocar essa máscara eu tive que esquecer meu passado e aceitar a missão de ser uma amazona.

— Mas lá na escadaria da Casa de Peixes você deveria ter me dito! — Disse Seiya segurando a amazona pelos ombros.

— Se eu tivesse revelado minha identidade naquele momento, poderia atrapalhar a sua missão. Mas agora é diferente, você estava seguro longe das lutas, eu só estava esperando você acordar, entretanto aqui estamos novamente, estou cansada Seiya, quero ter uma vida normal junto com você como antigamente. — Disse Seika abraçando Seiya novamente.

[Templo de Poseidon, Salão Principal]

— O senhor desejava me ver, imperador Poseidon? — Disse o Dragão Marinho fazendo reverência.

— Dois Generais já foram derrotados, com isso dois Pilares foram derrubados, quero saber se isso fazia parte dos seus planos, Dragão Marinho!? — Bradou Julian.

— Meu senhor, algumas baixas em nosso exército durante esse confronto contra a elite de Atena já eram esperadas, mas não se preocupe, nesse exato momento Kasa de Lymnades já eliminou a maioria dos cavaleiros.

— Kasa de Lymnades? Tem certeza!? — Perguntou Julian esperançoso.

— Sim meu imperador, eu estava acompanhando a movimentação no Pilar Antártico, e dos confrontos que ocorreram Lymnades saiu vitorioso de todos, por isso a minha demora em atender o seu chamado.

— Meu senhor, nossos poderosos Generais Marinas não serão derrotados! E em breve com a morte de Atena, finalmente poderemos aproveitar a Nova Era que só o senhor pode criar. — Disse Plínio.

— Exatamente meu senhor, não há o que temer. Além disso, Orcinus e Willahelm estão patrulhando o vosso templo e eles são tão poderosos quanto os Generais Marinas. Os dois devem bastar para eliminar o resto dos invasores. — Disse Apolodoro.

— O exército de Atena já não é uma ameaça, assim como a própria deusa. A purificação da superfície estará concluída em breve. E finalmente a Nova Era começará! Como vê meu imperador, tudo está caminhando conforme a sua vontade. — Disse o Dragão Marinho.

— Humm… de fato o destino de Atena já está selado. E ela se tornará o pilar da Nova Era! Os pecadores serão erradicados deste mundo junto com todo o seu rastro venenoso e em pouco tempo os mares voltaram a ter a glória de outrora!

Notas finais
Mais um capítulo pronto, espero que gostem. Resolvi dividir o capítulo da luta do Jabu para focar só nela, como fiz com o do Igazen. Kasa finalmente entrara em ação. Outro Comandante apareceu e agora? Agradeço aos leitores que aqui chegaram e até o próximo capítulo ^^