Saint Seiya: O Rugido do Camaleão
72 Sangue Dourado
Santuário de Atena, momentos antes do grupo de Igazen zarpar para o mar Mediterrâneo.
O Santuário providenciou uma embarcação para levar o grupo de cavaleiros até as coordenadas aproximadas da localização do Templo de Poseidon. Depois de receber os primeiros cuidados Shina foi liberada para voltar pro dormitório e no meio do caminho encontrou com alguns soldados que estavam indo para o porto do Santuário e ficou sabendo que Igazen e Jabu iriam pra outra missão e ela foi até eles para desejar boa sorte.
— Boa sorte pra vocês.
— Nunca imaginei ouvir isso de alguém casca grossa como você… — Brincou Jabu.
Todos riram.
— Tsc… Cala boca seu idiota! Só vim aqui pela Mii. E para trazer a armadura de Órion. — Respondeu Shina irritada, jogando a urna de prata perto de Igazen.
— Obrigado Shina. — Disse Mii sem jeito. — Espero que você se recupere logo.
— Mais alguns dias e estarei bem.
— Obrigado também. — Disse Igazen abrindo a sua urna e vestindo a armadura. — O senhor Mu conseguiu repará-la rapidamente.
— Segundo os soldados que encontrei, Mu disse que o dano era pequeno e que em alguns dias a armadura ia se consertar sozinha, mas como você ia para uma missão, Mu achou melhor concertá-la, assim como a minha. — Disse ela apontando com o polegar pra sua própria urna que estava em suas costas.
— Entendi, então isso explica porque estou sentindo tanta vitalidade emanando da armadura.
— Acho que já está tudo certo, podemos ir? — Disse Shun.
— Sim, vamos todos subir naquele barco. — Falou Igazen.
— Esperem! Tem uma coisa me incomodando… Eu não entendo porque o Shun veio no seu lugar pra essa missão Shina… — Disse Jabu criando um clima pesado.
— Jabu! Isso não é hora de ficar…
— Espera, deixa eu terminar! — Disse Jabu interrompendo Mii. — O Shun não gosta de lutar, ele sempre preferiu ceder aos outros do que enfrentá-los e como cavaleiro é possível ver, mesmo de longe que isso não mudou… como ele vai nos ajudar nesta guerra?
Shun ficou em silêncio, já que Jabu estava de certa forma falando a verdade.
— Você está errado, ele subiu as doze casas e lutou contra os cavaleiros de ouro, ele também lutou contra os Gigas, já deve ter entendido que para proteger as pessoas é preciso lutar, esse é o destino inevitável de todos os cavaleiros. — Respondeu Shina.
— E de todos aqui, ele é o mais bem preparado pra usar as armas de Libra, já que ele luta usando as correntes de Andrômeda. E dada a nossa missão, imagino que foi por isso que o Mestre Ancião o escolheu. — Explicou Igazen.
— Tsc… e você sempre tem a resposta, neh? — Falou Jabu irritado.
— Armas de Libra!? Que diabos de missão é essa!? — Pensou Shina surpresa.
— De fato não gosto de lutar e nem de machucar as pessoas… Mas nossa missão é para salvar, não só Atena, mas todas as pessoas do planeta. E eu vou fazer de tudo pra cumprir com esta missão!
— Muito bem… muito bem… O barco já está pronto. — Disse Mii apontando para o barco, tentando encerrar a conversa.
— Vamos indo! O Seiya e os outros precisam de nossa ajuda! — Disse Igazen.
— Tchau Shina. — Se despediu Mii, mas Shina não respondeu.
— Até mais Shina… — Disse Igazen.
— O-o Seiya… acordou? E já está lutando!? — Pensou Shina surpresa novamente.
Quando Mii subiu no barco, Shina gritou. — Esperem! — Então a urna de Ofiúco caiu no chão. — Eu também vou!
— Como é!? — Questionou Jabu virando para trás e se deparando com a Shina já usando a sua nova armadura de prata, que agora estava mais estilizada e ganhou caneleiras e uma braçadeira direita.
— Mas Shina, você ainda está machucada… — Disse Mii descendo do barco.
— O Seiya e os outros acabaram de despertar do coma e já estão lutando, qual a minha desculpa? — Falou Shina.
— Mas que inferno, sobe logo nesse barco e vamos embora! — Disse Jabu entrando no barco, com um sorriso de canto de boca.
[De Volta ao Presente, Pilar do Oceano Índico]
— Lá está um dos pilares que a Sereia mencionou, já consigo ver perfeitamente daqui. — Pensou Shiryu enquanto corria.
Ao chegar no pilar, alguém já esperava por ele.
— Quem é você?
— Bem-vindo cavaleiro de Atena. Eu sou aquele que guarda o Pilar do Oceano Índico, o General Marina, Krishina de Chrysaor.
— Então você é o Marina que protege este pilar? Muito bem, meu nome é Shir…
— Não tenho o menor interesse em saber quem você é. — Disse Krishina interrompendo Shiryu.
— Como é!?
— Isso mesmo que você ouviu! Que diferença faz saber seu nome!? Em alguns segundos você será perfurado pela minha Lança Dourada e morrerá! — Disse o Marina empunhando sua lança contra o bronzeado. — Agora morra, cavaleiro de Atena!
Krishina lançou um ataque contra Shiryu, mas o bronzeado saltou para trás esquivando-se do golpe, ao menos foi isso que ele pensou, pois um corte surgiu no rosto de Shiryu.
— O quê!? Eu tenho certeza que a lança não tocou o meu corpo, então como fui cortado?
— Estou surpreso que o corte não tenha sido maior, o poder defensivo da sua armadura é notável, mesmo tendo sido um movimento simples.
— Espera… não me diga que foi a corrente de ar deslocada pelo movimento da lança que me cortou?
— Exatamente! Entretanto, esta Lança Dourada não é qualquer uma…
Chrysaor, filho do deus do mar, o meu senhor Poseidon, durante a era mitológica ele foi muito famoso por sua força e habilidade, seu nome pode significar “Aquele que porta a Lança Dourada”. E esta lança possuiu o seu poder, um poder divino capaz de perfurar qualquer mal, ela não pode ser bloqueada por nada e nem por ninguém!
[Templo de Poseidon, Salão Principal]
— Meu senhor, os combates já tiveram início. — Disse um dos Sacerdotes de Poseidon se aproximando do trono.
— Eu vejo, mas Atena não tem a menor chance contra os meus Marinas. Os humanos sofreram a punição divina por seus pecados. E uma nova era terá início.
— Todos nós aguardamos ansiosamente por isso, meu senhor. — Disse o outro Sacerdote.
— Quais serão os nossos próximos passos, meu senhor? — Perguntou Apolodoro.
— Eu estive pensando em dividir o planeta em sete grandes nações, mas para isso vou precisar de mais Sacerdotes e mais Marinas para construir meu novo império.
Os dois Sacerdotes se olharam confusos, como se a ideia de ter mais Sacerdotes nunca tivesse passado por suas cabeças antes.
— Bem, desde o princípio apenas eu e Plínio fomos convocados para sermos Sacerdotes, quando chegamos aqui tudo estava sob as ordens do Dragão Marinho.
— Então nós ajudamos o Dragão Marinho a preparar tudo para seu retorno, meu senhor. — Falou Plínio.
— Entendo, ele fez de tudo para permanecer no controle, não é? Bem, não faz mal… Ele cumpriu com o seu dever e em breve Atena morrerá e eu assumirei o controle da humanidade.
Enquanto isso, o grupo de Shina estava cada vez mais próximo do Templo Submarino.
— Ainda falta muito? — Perguntou Jabu.
— Estamos bem perto do templo submarino. — Avisou Mii, que liderava a busca pelo templo submarino, através do seu cosmo.
— E como você sabe? — Questionou Shina.
— Niké, está nos guiando pelo mesmo caminho que Atena percorreu. — Respondeu ela mostrando o Báculo em suas mãos que começou a brilhar.
— Niké assumiu novamente a sua forma de Báculo, então isso significa que estamos mesmo próximos. — Comentou Shun.
— Vamos nos apressar antes que cheguemos em nossos limites, nessa profundidade qualquer deslize será fatal. — Falou Igazen.
[Pilar do Oceano do Pacífico Sul]
Baian estava de guarda na espera de novos invasores quando um raio dourado cai próximo dele iluminando toda a área.
— Mas o que diabos é isso!? — De dentro do raio uma sombra surge. — Pegasus!? Não é possível! Como você chegou aqui!? Como passou pela barreira do templo!?
— Atena me mostrou o caminho… e foi com sua ajuda Cavalo Marinho que eu consegui passar pela barreira!
— O quê!? Do que você está falando!?
— A sua técnica abriu uma fissura na barreira e graças a isso eu consegui penetrar a tempo, antes que ela fechasse completamente…
— Maldito Pegasus! Eu o acertei com meu Ventos de Furacão! Como ainda pode estar vivo!?
— É porque eu sou um cavaleiro de Atena… um cavaleiro da esperança… disposto a ir até o inferno para defender Atena e a humanidade! Tome isso! O punho da esperança! Meteoros de Pegasus!
— Tsc! Quantas vezes vai repetir esse mesmo erro? Seus meteoros não funci… — Nesse momento um dos socos de Seiya acertam o General Marina. — Urgh! Não pode ser! Um meteoro me acertou!
— Você pode até ser tão forte quanto um Cavaleiro de Ouro! Mas isso não será o suficiente para me vencer! E eu vou te mostrar isso agora mesmo.
— Você é só um cavaleiro de bronze! Como conseguiu me acertar!? — Perguntou Baian surpreso.
— Porque o espanto? Tome mais uma dose de Meteoros para ajudar a enxergar a verdade estampada em sua frente!
Baian tentou se defender, mas novamente foi atingido, porém desta vez foram vários meteoros que o atingiram e o derrubaram.
— Momentos atrás nenhum golpe dele conseguia penetrar na minha barreira. Então como agora ele consegue!? Além disso, eu o atingi com um dos meus golpes mais poderosos e ainda assim ele sobreviveu, ao acaso será invencível? — Disse o General ao se levantar.
— Está errado, eu sobrevivi graças a minha nova armadura!
— Quê? Sua armadura… espere porque sua armadura está com um brilho dourado? Inicialmente eu pensei que ela estava refletindo o brilho daquele raio, mas agora o brilho é dela mesmo? Ela brilha como se fosse de ouro!? Não, só poder ser uma ilusão!
— Não é ilusão. Está armadura brilha como ouro porque foi revivida com sangue dourado!
— Sangue dourado!? Do quê você está falando!?
— Se fosse minha antiga armadura esse seu último ataque teria a despedaçado por completo e eu estaria à beira da morte. Mas a minha nova armadura está num nível muito maior que a anterior, já que ela foi revivida com o sangue dos cavaleiros de ouro!
— Como é!?
— É isso mesmo que você ouviu! Graças ao sangue dos cavaleiros de ouro minha armadura de bronze tem um poder defensivo que se aproxima do poder das armaduras de ouro, que são o pináculo do exército de Atena desde as eras mitológicas! E para honrar o sacrifício dos cavaleiros de ouro, eu não posso me dar o luxo de ser derrotado! — Gritou Seiya lançando mais uma vez seus meteoros que derrubaram Baian e racharam a sua escama.
— Já compreendi como você suportou meus ataques, mas isso não explica como seus meteoros me atingiram… — Falou Baian tentando se levantar. — Mesmo que sua armadura tenha sido revivida com sangue dourado é impossível ela ter ficado tão poderosa assim ofensivamente!
— Isso aconteceu porque eu já derrotei alguém que usava o mesmo tipo de defesa que você. Ele era Misty, o cavaleiro de prata de Lagarto. Ele criava uma barreira de ar movendo as mãos. Graças a umidade daqui eu pude ver as ondulações da sua barreira de ar e imaginei que você estava usando uma técnica parecida.
— Hehe… entendi. Mesmo você sendo um cavaleiro de bronze, possui muita experiência em combates. Talvez eu tenha lhe subestimado. No entanto, você não tem como me derrotar.
— Tsc… como é? Será que eu bati na sua cabeça com muita força?
— Veja, sua armadura não está mais com o brilho dourado, isso quer dizer que é um estado temporário. Enquanto isso eu estou usando a minha Escama que tem o mesmo nível de uma moldura de ouro. Então não importa o quanto eleve seu cosmo para superar minha barreira, jamais conseguiria me provocar um ferimento mortal. Entendeu agora que não poderá me derrotar?
— Será mesmo? — Debochou Seiya apontando para o General.
— Quê!? De onde vieram essas rachaduras!? — Questionou Baian perplexo.
— Eu já não lhe disse? Sua força está muito longe de um cavaleiro de ouro! E eu vou te provar isso agora!
— Não fale besteiras! Não vou mais me segurar! Vou atacar com tudo! Assopro Divino!
Mas dessa vez Seiya bloqueou completamente o golpe, mesmo sendo arrastado por vários metros.
— Como é possível!? Ele recebeu meu golpe em cheio e ainda assim sobreviveu!?
— Quantas vezes você usou o Assopro Divino? Uma hora o seu golpe não ia mais funcionar, agora ele é inútil contra mim.
— Seu maldito! Então receba mais uma vez os ventos que trucidam todos os meus inimigos!
— Não vou permitir! Meteoros de Pegasus!
— Barreira Divina! — Mas foi inútil, vários meteoros superaram a barreira de ar do Marina.
— Sua barreira também já não funciona mais contra mim!
— Está errado! Nenhum dos seus golpes foi fatal, isso quer dizer que você ainda não superou minha técnica completamente! E vou te destruir antes disso! Barreira Divina!
Dessa vez ao criar a barreira, Baian lançou-a contra Seiya que cruzou os braços para se defender e mesmo assim foi jogado longe.
— En-então vou desperdiçá-la! — Bradou Seiya ficando de pé. — Cometa de Pegasus!
— Barreira Divina! — Gritou Baian que mudou de estratégia e criou várias barreiras em uma fileira. O Cometa destruiu as primeiras barreiras, mas a cada uma que ele destruía ia perdendo a força, até que desapareceu.
— Droga! Não posso ser derrotado aqui!
— Você perdeu! Nenhum dos seus golpes vão conseguir superar a minha barreira
— Tsc… Ele tem razão, todos os meus golpes são em linha reta e ele nao vai deixar eu me aproximar… preciso de um ataque com alcance maior… — Pensou Seiya frustrado.
— O que foi Pegasus? Já desistiu? Mas é tarde demais pra isso!
— Espera! — Seiya arregalou os olhos. — Durante as Doze Casas, eu consegui usar meus Meteoros de uma forma parecida com o Relâmpago de Plasma do Aiolia, será que eu consigo de novo? Tsc, eu não tenho escolha, vou ter que tentar! — Pensou. — Queime meu cosmo! Queime até o nível dos cavaleiros de ouro! — Gritou Seiya.
— Mas o quê? A armadura dele está brilhando dourado de novo?! Barreira Divina! — Gritou o General.
— Não vai funcionar! Já encontrei uma forma de te vencer! Meteoros de Pegasus!
Seiya lançou milhares de socos que se transformaram em traços de luz, igual ao que aconteceu anteriormente nas doze casas. Os socos atingiram todas as barreiras, destruindo-as e acertando Baian em cheio. A Escama do Marina teve inúmeras partes quebradas e o General foi ao chão todo ensanguentado.
— Is-isso! Funcionou, finalmente consegui vencer o General de Cavalo Marinho!
— Urgh… a-ainda é muito cedo para comemorar… — Baian levantou a cabeça com dificuldade.
— Han!? Como assim?
— Nã-não importa o quanto tente, não importa o quanto você eleve seu cosmo, nunca conseguirá destruir esse pilar ou qualquer outro…
— Não fale bobagens! Com meu punho irei pulverizar esse pilar!
— Ne-nem mesmo um cavaleiro de ouro tem poder para sequer arranhá-lo… no fim a vitória ainda será nossa, hehe... — Disse Baian que não conseguiu mais erguer a cabeça.
— Não é possível que seja verdade! Nós somos cavaleiros capazes de abrir fendas no chão e rasgar o céu com um leve movimento. Vou atacar com tudo e derrubar esse pilar com só um golpe! Queime meu cosmo! Cometa de Pegasus!
No entanto, o golpe nem arranhou o pilar do Pacifico Sul, Seiya tentou com seus Meteoros e também não funcionou.
— Se continuar assim, mesmo que derrotemos os Generais Marinas não vamos conseguir vencer, assim como Baian disse… E ainda disseram que o Suporte Principal, onde Atena está presa, não vai se
quer balançar se não destruirmos os pilares… Desse jeito a terra vai mesmo ficar embaixo da água e Atena… a Saori morrerá!
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