Saint Seiya: O Rugido do Camaleão
79 Cruz Congelada
[Pilar Antártico]
— Obrigado Ikki… você é mesmo um homem honrado… — Disse Hyoga se ajoelhando. — Você foi embora sem olhar, por entender nossos sentimentos e a nossa vergonha… é como você disse, eu sou um fracasso como cavaleiro. Eu não deveria abaixar a guarda no campo de batalha, deveria me manter calmo diante do inimigo… Foi isso que o mestre Camus tentou me ensinar ao custo da própria vida… e ainda não consegui abandonar completamente meus sentimentos… — finalizou Hyoga aos prantos.
— Hyoga… o que foi que aconteceu aqui? — Perguntou Shun que se sentou perto de June e fez um afago em sua cabeça.
Hyoga contou o que aconteceu com ele. — O mesmo deve ter acontecido com Seiya e a June. Todos nós fomos enganados facilmente.
— Mas Hyoga… você não teve culpa… Você acabou de acordar do coma e deu de cara com seu mestre depois do que aconteceu nas doze casas… você deve ter ficado muito confuso…
— Não, tive culpa sim, não posso renegar a minha culpa Mii. — Disse o bronzeado com lágrimas nos olhos.
— E agora o que faremos? — Perguntou Kiki.
— Vocês podem cuidar do Seiya e da June, por favor? — Perguntou Hyoga se aproximando dos dois.
— Porque Hyoga? O que você pretende fazer? — Questionou Mii.
— Não é óbvio? Vou para o próximo pilar! — Disse o bronzeado rasgando um pedaço da sua roupa e enrolando no pescoço, local onde Kasa tinha o ferido mortalmente.
— Mas Hyoga, você pretende lutar neste estado? — Perguntou Shun preocupado se levantando.
— Se você se forçar desse jeito, vai acabar morrendo! — Disse Mii se aproximando.
— É como o Ikki disse, seria uma vergonha se eu morresse aqui sem derrotar um único inimigo. — Disse Hyoga virando as costas e indo embora.
— Hyoga, por favor espere! Não vá! — Tentou Shun, mas foi em vão.
— Shun, infelizmente não podemos impedir o Hyoga. — Suspirou Mii. — Precisamos derrotar todos os Generais de Poseidon.
— Porque não ajudamos com as armas de Libra? Com o poder delas podemos vencer. — Falou Kiki.
— Lembre-se Kiki, o Mestre Ancião só nos deu permissão de usar as armas de Libra contra os pilares. — Lembrou Shun.
— Além do mais, você deve ter percebido que não é qualquer um que consegue manejar as armas, até mesmo Seiya, Shiryu e Ikki tiveram problemas. Por enquanto vamos cuidar do Seiya e da June até que a próxima batalha tenha início. — Disse Mii.
[Em algum lugar do Templo Submarino]
— Esses estrondo e terremotos certamente são dos pilares sendo derrubados, o mais sensato seria ir na direção dos pilares restantes… Tsc… e eu ainda estou sendo perseguido, está se aproximando cada vez mais… Parece que não tenho mais escolha… — Pensou Igazen que parou de correr e ficou esperando.
— Parado aí, cavaleiro! — Gritou uma Marina. — Não vai mais fugir!
— Não pretendo mais fugir. — Respondeu o prateado.
— Eu sou Agassiz de Megalodon.
— Eu sou Igazen de Órion e serei seu oponente.
— Quantos cavaleiros invadiram o Templo Submarino?
— Não vou dizer!
— Então vou ter que arrancar a informação de você! — Agassiz partiu pra cima de Igazen.
Ela tentou socar o estômago de Igazen, mas ele bloqueou com a mão, ela então girou e tentou acertar um soco no rosto do prateado, mas ele bloqueou novamente.
Igazen então segurou ela pelo punho, girou e a lançou contra o chão, depois ele saltou para trás tomando distância. A marina flexionou as pernas levemente e saltou, ficando em pé novamente e assumindo uma postura ofensiva.
- Você não vai escapar das minhas presas mortais! — Disse a Marina partindo mais uma vez pra cima do prateado.
[Enquanto isso em outro lugar do Templo Submarino]
— Não era uma ilusão, aquele era mesmo o mestre Camus que retornou no corpo daquele General pra me dar uma lição! Isso mesmo, meu mestre voltou do outro mundo para me ajudar a me livrar do meu coração mole… ah, Camus, meu mestre, prometo que vou manter a calma e ser frio diante do meu oponente indiferente de quem seja!
Hyoga estava se aproximando da entrada de um dos Pilares restantes quando uma corrente de ar congelado o atingiu.
— Urgh! Esse ar congelado… eu conheço ele… também não é a primeira vez que sinto esse cosmo que emana desse pilar. Estou com uma sensação estranhamente familiar… — Pensou Hyoga, mas mesmo desconfiado ele continuou avançando e ao chegar no pilar ele foi recebido pelo General Marinho que o protegia.
— Ora, ora o que temos aqui? Seja bem vindo ao Pilar do Oceano Ártico, Hyoga de Cisne!
— Hã, como sabe meu nome!?
— A armadura de Cisne realmente lhe caiu muito bem.
– Quem é você!? Vamos, revele-se!
— Ora, já se esqueceu do rosto do homem que salvou a sua vida? — Disse o General Marina tirando o elmo que encobria parte do seu rosto.
— O-o quê!? Não é possível! É você o Isaac!? É você mesmo meu amigo?
— Eu certamente não sou um fantasma!
— Isaac, você está vivo, realmente está vivo… — Disse Hyoga chorando. — Não sei nem como começar a pedir desculpas por aquele dia… Isaac… eu… eu… — Hyoga cai de joelhos.
Isaac se aproxima de Hyoga e coloca a mão sobre o ombro do bronzeado, quando ele levanta o rosto, Isaac dá um chutão em Hyoga que o lançou longe.
— O que pensa que está fazendo!? Estamos no campo de batalha e quem está diante de você é Isaac de Kraken, General Marina que protege o Pilar do Oceano Ártico!
— Isaac, você era meu amigo! — Disse Hyoga se levantando. — Nós treinamos juntos nas planícies gélidas da Sibéria para sermos cavaleiros. Você transbordava justiça e heroísmo, dando orgulho a nossa terra natal.
— São apenas velhas lembranças. — Disse Isaac balançando a cabeça negativamente.
— Eu sempre achei que era você quem deveria ter recebido a armadura de Cisne!
— Isso não importa mais!
{Flashback — Sibéria, 6 anos atrás}
Um garoto estava treinando sozinho no meio de um deserto de gelo, quando duas pessoas se aproximam dele.
— Isaac, este é o novo recruta. Ele se chama Hyoga e vai treinar com você.
— Certo mestre. — Respondeu o garoto. — Olá, muito prazer em conhecê-lo.
— Ig-igualmente. — Respondeu o novato timidamente.
— As pessoas que vem aqui normalmente vão embora bem rápido, porque o treinamento é duro. Eu estou treinando a mais de um ano e faz meses que somos só nós dois, não é mestre Crystal?
— Isso mesmo. Muitos desistiram, mas espero que você se torne uma boa companhia para o Isaac.
— É meio solitário aqui, então vê se não some Hyoga.
— Cer-certo.
O tempo passou, Hyoga e Isaac se tornaram grandes amigos, quase como irmãos sob a tutela do mestre Crystal.
Depois de um longo dia de treinamento, Hyoga e Isaac estavam descansando, observando a imensidão gélida que era a única paisagem daquele lugar.
— Não acredito que já se passaram três anos desde que você chegou. Você se tornou um valoroso guerreiro e finalmente você me alcançou, nossas forças estão iguais agora.
— Não, eu ainda preciso me esforçar bastante pra te alcançar.
— De qualquer jeito, eu me sinto abençoado por ter você e o mestre aqui comigo.
— Sim, me sinto da mesma forma. — Hyoga respondeu sorrindo.
— O mestre Crystal é um homem forte e nobre, assim como o mestre Camus. Nunca conheci ninguém como aqueles dois…
— Falando nisso, faz tempo que o Camus não vem nos visitar, não é?
— Mestre Camus, lembre-se disso, afinal ele é o mestre do nosso mestre.
— Ah, sim, me desculpe. — Falou ele sem jeito.
— Bem, parece que ele tem recebido muitos chamados do Santuário.
— E parece que quanto mais o mestre Camus se ausenta mais o mestre Crystal tem fica perdido em seus pensamentos, isso tem me incomodado.
— Deve ser por causa do Grande Mestre do Santuário.
— Por causa do Grande Mestre?
— Sim, existem muitos boatos sobre ele, e isso alimenta muitas suspeitas sobre as ações dele. Mas tudo o que podemos fazer agora é continuarmos treinando para nos tornarmos cavaleiros para assim podermos proteger a paz na terra, não é Hyoga?
— Sim! Tudo o que podemos fazer é treinarmos.
— Sabe, das lendas e mitos que o mestre nos contou o meu preferido é o Kraken.
— O monstro mitológico que vivia no oceano Ártico?
— Sim, ele mesmo. Era um monstro gigantesco que podia engolir navios inteiros. Até hoje os marinheiros tremem só de ouvir o seu nome, mas dizem que ele nunca ataca navios com pessoas inocentes. Ele só atacava os corruptos, não demonstrava misericórdia contra o mal. O mestre nos ensinou a manter a calma no campo de batalha, a ser frio contra o nosso oponente. Eu quero ser assim, sem sentimentos e sem misericórdia, ser como o Kraken. Nós precisamos destruir o mal sem misericórdia, é assim que um cavaleiro tem que ser, para poder proteger a paz na terra!
— Ah, Isaac… se você souber porque eu quero me tornar um cavaleiro, provavelmente vai me odiar. — Pensou o Hyoga.
Mais alguns anos se passaram e Hyoga decide contar a verdade para Isaac, porém como ele temia o companheiro de treino não reagiu muito bem.
— Repete o que você disse! — Gritou Isaac que tinha dado um soco no rosto de Hyoga fazendo-o cair no chão.
— E-essa é a verdade… sinto muito…
— Você quer se tornar um cavaleiro para recuperar o corpo da sua mãe!?
— Is-isso… Para alcançar o corpo de minha mãe preciso quebrar uma grossa camada de gelo… por isso… por isso preciso do poder de um cavaleiro. — Explicou Hyoga ficando de pé.
— Então é isso!? Quer se tornar cavaleiro por um desejo tão egoísta!?
Isaac partiu pra cima de Hyoga e começou a golpeá-lo, Hyoga estava tendo problemas para bloquear os ataques, acabou se chocando contra um paredão de gelo, sendo encurralado.
— Um cavaleiro só deve usar sua força para defender a justiça!? Será que esqueceu disso!? O que o mestre diria sobre isso!?
— Tanto o mestre Crystal, quanto o mestre Camus me recriminaram. Eles disseram que se eu continuasse assim uma hora iria perder a vida…
— Um idiota egoísta como você não tem o diteiro de se tornar um cavaleiro! Vou impedí-lo agora mesmo! — Isaac se posicionou ameaçadoramente na frente de Hyoga.
— Es-espere, Isaac!
— Hyoga tome isso! — O punho esquerdo dele brilhou e ele atacou! O golpe abriu uma cratera na parede gelo atrás de Hyoga.
— Ele conseguiu abrir uma cratera na muralha de gelo eterno… — Pensou Hyoga surpreso. — Nos últimos anos Isaac desenvolveu a verdadeira força de um cavaleiro… Realmente é mais forte do que eu… nunca vou conseguir superá-lo…
— Escute bem Hyoga. — Disse Isaac virando as costas. — Uma vez o mestre disse que existem partes do mar da Sibéria onde poderosas correntes marinhas subitamente se formam… se por acaso conseguir quebrar a grossa camada de gelo e mergulhar, tome cuidado, mesmo com sua força se você for pego por uma dessas correntes pode acabar morrendo…
— Aah Isaac… Obrigado…
Meses se passaram e Hyoga treinou arduamente para conseguir a força necessária para poder finalmente recuperar a sua mãe.
— Bem, é agora ou nunca! — Hyoga se concentrou e socou o chão congelado, abrindo uma cratera. — Eu consegui! Depois de cinco longos anos de treinamento, finalmente posso recuperar o corpo de minha mãe!
Hyoga saltou pra dentro da cratera e mergulhou no mar. Depois de procurar um pouco ele encontrou o barco, e ele ainda estava praticamente intacto, ele se mantinha como Hyoga se lembrava, no entanto a felicidade dele durou pouco, ele foi pego por uma das correntezas que Isaac havia mencionado.
— Eu estava me perguntando o porquê da sua demora. Parece que finalmente decidiu mergulhar. Humm… pela fina camada de gelo que está se formando acho que ele já está lá embaixo faz algum tempo… Será que foi pego por alguma correnteza? Urgh, aquele cabeça dura, todos lhe advertiram e mesmo assim ele foi… Droga! Hyoga, eu estou indo! — Isaac mergulhou.
Isaac tinha mais desenvoltura que Hyoga e rapidamente também conseguiu achar o navio e decidiu ir checar.
— A correnteza está mais forte do que eu esperava, se eu não tomar cuidado vou ser pego por ela também. — Pensou Isaac se aproximando do navio. — Oh, aquele ali é o Hyoga? Ele está preso nas cordas do navio… será que quando ele foi pego pela correnteza em vez de nadar pra superfície ele continuou seguindo para o navio? Ele queria tanto assim resgatar o corpo da mãe dele? Se ele ao menos tivesse essa mesma paixão para lutar em nome da justiça ele se tornaria um incrível cavaleiro.
Isaac resgatou Hyoga que estava inconsciente e começou a nadar rumo à superfície.
— Vamos voltar pra casa, você pode ver sua mãe outra hora. Nossos mestres vão ficar tristes se souberem que você morreu assim. Estamos quase chegando na superfície, só mais um pouquinho…
Porém, eles foram pegos por um forte correnteza, Isaac poderia se livrar dela se estivesse só, mas ele se recusou a abandonar seu companheiro, ambos foram arrastados e acabaram sendo jogados contra a superfície congelada do mar que estava cheia de formações pontiagudas, Isaac tentou se esquivar, mas um delas atingiu seu olho esquerdo, o perfurando.
— Urgh! Meu olho! Mas que merda, nós fomos arrastados pra muito longe do buraco que Hyoga abriu. Não vou conseguir chegar nele a tempo, o Hyoga vai acabar morrendo… Nossa única esperança é quebrar o gelo daqui, mas se o gelo for mais grosso do que por onde entramos estaremos perdidos…
Isaac começa a socar o gelo, mas era em vão, seus socos perdiam a força embaixo da água. Desesperado ele concentra toda a sua força e ataca, conseguindo abrir um buraco no gelo, com suas últimas forças ele joga Hyoga para a superfície, mas aos poucos ele começa a perder a consciência e a afundar.
Pouco tempo depois chega Crystal.
— Hyoga!? — Gritou o mestre indo checar os sinais vitais do seu pupilo. — Ele ainda está vivo, ele está encharcado, será que subiu sozinho? Mas eu tenho certeza que senti o cosmo do Isaac explodindo… Tsc… será que ele ainda está lá embaixo!?
Crystal puxou Hyoga para longe do buraco e mergulhou. Procurou por Isaac incessantemente, ele mergulhou diversas vezes e se arriscou outras tantas ao ficar no mar até o limite que o seu corpo aguentava.
Depois de tantas tentativas, Crystal desistiu e levou Hyoga para casa onde eles viviam, que ficava na aldeia de Kohoutek.
— Urgh… O-o que aconteceu?
— Hyoga você finalmente acordou… que bom.
— Mes-mestre Crystal? Onde estou? — Perguntou Hyoga confuso sentando-se na cama.
— Em casa. Do que você se lembra?
— E-eu… estava indo resgatar a minha mãe… — Hyoga arregalou os olhos ao lembrar do que tinha acontecido. — Eu fui pego por uma forte correnteza… e continuei nadando em direção ao barco… eu tentei me agarrar nas cordas do navio e depois não me recordo direito…
— Bem, eu não sei o que aconteceu, mas você foi salvo pelo Isaac.
— O Isaac!? Foi ele que me salvou!?
— Sim, ele tirou você do mar… — Disse Crystal desviando o olhar.
— O Isaac ficou muito magoado comigo quando descobriu a verdade… e mesmo assim ele me salvou, sem dúvidas é ele quem merece a armadura de Cisne. Mestre eu vou desistir da armadura!
— Não, você não pode desistir. — Disse Crystal com os olhos cheios de água.
— Mes-mestre? O que houve?
— Isaac salvou a sua vida, mas não conseguiu sobreviver.
— O que!? Nã-não, não pode ser! — Disse Hyoga levantando desesperado.
— Preste atenção, Hyoga, você não tem mais o direito a desistir. — Disse Crystal bem sério colocando as mãos sobre os ombros de Hyoga. — Você irá honrar o desejo de Isaac, e usará essa vida que foi salva por ele para se tornar um cavaleiro e lutar pela justiça, assim como ele faria. Essa será a sua cruz.
— Si-sim mestre, eu entendi…
— Agora tente descansar, o dia foi muito… — Crystal Suspirou pesadamente. — Apenas descanse. — Disse ele saindo do quarto e deixando Hyoga sozinho.
— Eu não irei mais resgatar o corpo de minha mãe, ele permanecerá descansando no mar da Sibéria, assim como o corpo de Isaac. — Disse Hyoga com lágrimas nos olhos.
{Fim do Flashback}
— Me diga Isaac… essa sua cicatriz a caso foi por causa daquele dia?
— Isso mesmo, essa foi a minha recompensa por ter salvado sua vida. A verdade é que naquele dia eu quase morri no seu lugar.
— Isaac… eu sei que jamais poderei recompensá-lo, então, por favor, não se segure… — Disse Hyoga com os olhos cheios de água.
— Do que está falando Hyoga?
— Pode furar um dos meus olhos! — Bradou o bronzeado. — Crie uma cicatriz igual a sua! Depois você pode me matar se quiser!
— Hunf… nem precisava pedir! Prepare-se Hyoga! — Disse Isaac avançando com o dedo indicador apontado na direção de Hyoga.
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