Saint Seiya: O Rugido do Camaleão
102 Rio Aqueronte
[Castelo de Hades — Alemanha]
— Mestre Ancião!?
— Quê!? Co-como assim Mestre Ancião!?
— Mas que aparência é essa?
— É uma história muito longa, mas essa é a verdadeira aparência dele. Mestre, fico muito feliz em vê-lo bem… — Disse o bronzeado sorrindo.
— Escutem… — Falou Dohko bem sério. — Os espectros podem ir e vir do mundo dos mortos pois possuem a proteção de Hades. Mas se meros humanos se jogarem nesse buraco é basicamente suícidio e nunca mais poderão sair do mundo dos mortos…
— Então o Seiya…
— Sim… sinto muito, mas ele deve ter morrido…
— Nã-não pode ser…
— Mestre, isso é verdade mesmo?
— Sim, contudo, existe uma única chance… se ele despertar o Arayashiki durante a queda… se ele conseguir isso, talvez chegue com vida no mundo dos mortos…
— Espera, Arayashiki? Nós já ouvimos sobre isso!
— Sim, foi graças a ele que Shaka e Atena puderam ir ao inferno ainda com vida. — Respondeu Kanon.
— Ao meu ver as últimas palavras Shaka foram para que Atena tomasse uma decisão.
— Decisão? Como assim Mestre Ancião?
— Hades é bem cauteloso, por isso ele usa um receptáculo, ele jamais abandonaria o mundo dos mortos sem que a terra estivesse completamente subjugada. Então para derrotá-lo definitivamente era necessário ir ao seu encontro no mundo dos mortos. Mas não é fácil chegar no reino de Hades, é um reino praticamente intocado desde a era mitológica.
— Logicamente podemos acessar o mundo dos mortos quando morremos, mas seríamos como os demais mortos que vão pra lá, estaríamos presos às leis do inferno, jamais conseguiríamos enfrentar Hades. — Disse Kanon.
— Ou seja, para derrotar Hades sem ser controlado pelas leis do mundo dos mortos é preciso chegar com vida lá!
— E como nós podemos fazer isso?
— Sabem porque o Shaka era conhecido como o “homem mais próximo de deus”? Isso é porque ele foi o único dentre todos os cavaleiros de ouro que já tinha despertado o Arayashiki. Que no Budismo significa algo oculto ou a origem… Mas também pode ser chamado de Hachishiki.
— Hachishiki?
— Sim, é o cosmo que todo ser humano possui, aquele que deu origem a vida… E ele está muito além do Sétimo sentido… Eu me refiro ao Oitavo sentido.
— Oitavo?
— Sim, porém ele se encontra ainda mais profundo que o sétimo sentido. Por isso muitas pessoas acabam morrendo sem se dar conta da sua existência. E isso é natural, afinal o oitavo sentido costuma despertar depois da morte… Na morte a pessoa perde todos os seus sentidos, do primeiro ao sétimo… e é nesse momento que o Arayashiki desperta, mas por ter perdido os outros sentidos já nos encontramos como almas errantes sem vontade própria, obedecendo às leis do mundo dos mortos…
— Se vocês querem mesmo enfrentar Hades e ajudar Atena e Shaka, precisam chegar no inferno com vida e para isso devem despertar o oitavo sentido. E mesmo para nós, cavaleiros de ouro, que temos o domínio completo do cosmo é uma tarefa quase impossível. Será que vocês serão capazes disso? — Indagou Kanon.
— Não importa se somos capazes ou não… não iremos voltar atrás…
— Precisamos ir ao mundo dos mortos lutar ao lado de Atena!
— Precisamos lutar assim como Shion ordenou…
— Isso mesmo! Não temos tempo para hesitar! Vamos atrás do Seiya!
— Mas pensando bem… vocês jovens cavaleiros de bronze despertaram o sétimo sentido após enfrentar diversas batalhas mortais. Conseguiram elevar os seus cosmos até o ponto de realizar milagres… E suas armaduras reviveram graças ao sangue da deusa Atena. Então juntando seus cosmos com a proteção de Atena talvez consigam despertar o oitavo sentido, mesmo que por um instante…
— Tenho certeza que Seiya realizará um milagre e chegará vivo ao mundo dos mortos…
— Sim, eu acredito nele!
— Nós também realizaremos esse milagre!
— Também acredito nisso! Vamos, não devemos perder mais tempo!
— Certo! Vejo que já estão decididos. Então lembrem-se de continuar queimando seus cosmos durante a queda! Não vacilem nem por um segundo! Isso também vale pra você Kanon. Vamos lá!
— Sim!
— Elevem os seus cosmo ao máximo!
— Vamos realizar um milagre!
— Vamos nos encontrar com o Seiya no mundo dos mortos!
Os cinco cavaleiros elevam o seu cosmo e saltam pra dentro do buraco.
[Em Algum Lugar do Mundo dos Mortos]
— Urgh… on-onde estou? — Resmungou Seiya recobrando a consciência. Ele se levanta e começa a olhar ao redor. — Onde está aquele tal de Valentine? Vários espectros pularam, mas não tem ninguém aqui.
Seiya se encontrava em uma vastidão rochosa completamente inóspita e banhada por um céu escuro, sem estrelas. O ar era denso, era difícil de respirar. Seiya estava perdido, não sabia como se localizar e nem por onde começar, mas ele bate a poeira do seu corpo e sai andando, procurando por algum sinal.
Depois de andar por algum tempo, ele encontra um grande arco de pedra com uma inscrição no topo em grego.
— O que é aquilo que está escrito ali… “ó, vós que entrais… abandonais toda esperança…” Hades seu maldito! Não basta as pessoas perderem tudo ao morrer, você ainda quer que elas percam a esperança!?
Seiya avança em direção ao arco de pedra e durante o caminho ele se lembrou de uma aula que a Marin lhe deu, era sobre a Caixa de Pandora. E como Pandora liberou cento e oito espíritos malignos no mundo, mas apesar de tudo ainda assim havia restado somente uma coisa na caixa, a esperança!
— Nunca se deve abandonar a esperança independente da situação, devemos lutar, persistir e nunca desistir! Afinal somos os cavaleiros da esperança!
Seiya suspirou e saiu correndo cruzando o arco, entrando de vez no inferno.
[Em Algum Lugar no Mundo dos Mortos]
— Argh… onde estou? — Se perguntou June se levantando. — Conseguimos? Chegamos no inferno? — June olha ao seu redor, mas não vê ninguém. — Será que nos separamos durante a queda? Preciso encontrar com os outros o mais rápido possível.
June estava em uma floresta aterrorizante, era um local escuro, abafado e fazia um sentimento de desespero brotar no peito da bronzeada. As árvores eram altas, negras e com os troncos retorcidos, haviam centenas, mas nenhuma tinha folhas, só galhos secos e pontiagudos.
A bronzeada começou a cruzar a floresta, e por mais que tentasse ficar calma, aquele ambiente estava lhe dando nos nervos. Depois de caminhar um pouco ela sentiu uma presença se aproximando, mas June não conseguia distinguir se era um aliado ou um inimigo.
— Hey, por acaso você está perdida? — Perguntou um soldado esqueleto surgindo das sombras.
— Você é um espectro!?
— Ora, o que temos aqui… por essa armadura imagino que seja uma amazona de Atena, não é? — Disse outro soldado surgindo.
— Sou sim! Sou June de Camaleão!
— Que oportunidade! Não é muito comum ver cavaleiros por aqui! — Disse outro surgindo das sombras.
— Do que você está falando?
— Ah, claro, é normal estar confusa, então deixa eu te explicar, este é o Segundo Vale da Sexta Prisão, a Floresta Infernal! Aqui é local que recebe todos aqueles que se suicidaram. — Explicou o soldado.
— E esse é o seu pecado… — Sorriu um outro espectro saindo das sombras.
— Nã-não… isso é um engano… eu estou viva…
— Claro, claro que está… mas porque você não vem comigo… se você cooperar vai ser mais fácil… — Disse o espectro se aproximando.
— Nã-não é possível! — Disse ela dando alguns passos para trás. — Será que eu morri mesmo!?
— É difícil aceitar no início, isso é muito comum.
— Não pode ser… Mas eu estou usando minha armadura…
— Essa armadura é só uma projeção, como você provavelmente morreu com ela a sua alma está criando essa ilusão, às vezes isso acontece, mas logo desaparecerá e você se tornará uma alma como qualquer outra.
— Mas eu não deveria ter perdido todos os meus sentidos? — Tentou June ainda sem acreditar que poderia estar morta.
— Bem sim, você perdeu, mas o oitavo sentido também pode funcionar como o centro de todas as ações e pensamentos… funcionando mais ou menos como os outros sentidos…
— Contudo, as almas não tendo vontade própria, só agindo por instinto… elas se tornam bastante reativas… mas reagem bastante quando as torturamos… hehe… — Falou o soldado.
— Melhor parar de se iludir, porque não temo como alguém chegar vivo no inferno sem a proteção de Hades…
— Não pode ser! — Disse June torcendo o cabo do seu chicote. — Eu tenho uma missão a cumprir! Preciso derrotar Hades!
— Vocês cavaleiros não descansam nem mesmo depois da morte, hein…
— Vamos, você não tem escolha! O inferno não é um parque de diversão! Sua tortura precisa começar!
— Não! Isso não vai acabar assim! — Disse June elevando o seu cosmo.
— O quê!? Como ela consegue fazer isso!?
— Nã-não sei, mas não podemos deixar ela livre!
— Vamos acabar com ela!
Todos os espectros avançaram contra June!
- Açoite Sangrento!
June iniciou uma violenta saraivada de ataques com o seu chicote, sendo cada novo ataque mais forte e mais rápido que o anterior, ela destruiu o grupo de espectros completamente.
— Tsc… Eu preciso me acalmar… — June tentou respirar fundo, mas era difícil por causa do ar denso. — Estando viva ou morta, minha missão é só uma!
Depois de alguns momentos, June finalmente se acalmou e continuou avançando.
[Inferno — Rio Aqueronte]
Seiya finalmente chega em uma margem do que parecia um rio, mas sua extensão era vinte vezes maior do que um rio comum, parecia mais um mar pois nem dava para ver o outro lado de sua margem.
— Existe um mar assim no inferno? Como isso é possível? — Pensou Seiya enquanto caminhava por sua margem. — Es-espera… esse deve ser o rio Sanzu, conhecido como o rio dos mortos…
Depois de caminhar um pouco Seiya encontra com diversas pessoas, elas estavam deprimidas, elas choravam e gemiam ao longo da margem do rio.
— Ei! O que houve com vocês!? Porque estão sofrendo tanto? Ei! Não conseguem me ouvir?
— Hhhuhuhuhh… pode gritar à vontade, mas elas não vão te ouvir… — Disse uma voz que ecoava por aquele rio, ondas começaram a surgir. E de repente surgiu um barquinho ao longe, que rapidamente começou a se aproximar.
— Todas essas pessoas passaram a vida de forma inerte… Não fizeram coisas ruins, tão pouco coisas boas… Elas apenas deixaram a vida passar, não encontraram nenhum sentido na vida… E quando morrem não são mandadas nem pro céu nem pro inferno… Elas ficam presas aqui, se lamuriando por toda a eternidade… no limbo entre o mundo dos vivos e dos mortos… hahahah
— Quem é você!? — Perguntou Seiya assumindo uma postura ofensiva quando o barco chegou na margem e ele viu uma pessoas vestindo o mesmo tipo de armadura daqueles soldados de Hades que viu no castelo.
— Você é esquentadinho, neh pirralho!? Eu sou o barqueiro do inferno! Caronte de Aqueronte! A estrela celeste do Hiato!
— Então quer dizer que essas pessoas ficarão presas aqui pra sempre!?
— Isso mesmo! Afinal, não há nada pior que viver uma vida sem sentido, esperando apenas o tempo passar… Agora vamos! Suba logo no meu barco! Você é o único morto dessa área?
— Morto!? Vira essa boca pra lá! Eu tô vivo!
— Hummm, você tá bem falante para um morto… que estranho… — Caronte moveu a cabeça mais pra frente como se estivesse tentando enxergar melhor. — Es-espera! Cê tá vivo!? Como diabos alguém vivo conseguiu chegar até as margens do Rio Aqueronte!? Apenas aqueles que juraram lealdade ao imperador Hades é que podem chegar vivos no mundo dos mortos! Como você conseguiu chegar até aqui!?
— Eu não sei bem, segui um grupo de espectros e parei aqui.
— Entendi, ainda assim é algo inacreditável! Mas é melhor você voltar por onde veio!
— Desculpe, mas esse é um pedido impossível! Preciso que me leve para o outro lado deste rio! — Falou Seiya saltando em direção ao barco.
— Como é!? — Disse Caronte colocando o seu remo na água e movendo o barco para trás. — Escute aqui, você trouxe algum dinheiro?
— Din-dinheiro!? Claro que não! — Disse Seiya pousando na água.
— Antigamente as pessoas ofereciam um dracma de ouro para ter uma travessia segura, mesmo que você seja um cavaleiro meu trabalho é fazer a travessia, mas como você está vivo vai custar alguma coisa…
— Sinto muito, mas eu não tenho nada comigo!
— Então vou ter que dar um fim a sua vida! Foi dado um alerta que Atena teria invadido o inferno e você é um dos cavaleiros dela, não é?
— É isso mesmo! Então prepare-se, não tenho tempo pra ficar aqui discutindo com você! Deixe-me embarcar! — Gritou Seiya partindo pra cima do barco mais uma vez, porém Caronte moveu seu remo e acertou o peito de Seiya o jogando para a margem do rio.
— Hhuhuhuhu! Escute aqui, no mundo dos mortos governado pelo imperador Hades, os humanos não passam de vermes! E eu Caronte vou dar um fim a essa sua vida insignificante esmagando a sua cabeça como a de um inseto! *Remo di Schiacciamento! — Caronte saltou do seu barco segurando o seu remo como se fosse uma clava mirando a cabeça de Seiya.
Mas no último instante Seiya rolou para o lado e escapou do golpe, que abriu uma cratera no chão.
Seiya se levantou e atacou com seus meteoros, mas Caronte se defendeu com seu remo.
— *Remo Rotolante!
Caronte gira seu remo em alta velocidade criando uma barreira invisível que impede que os ataques o atinjam.
— Droga! Ele repeliu todos os meus meteoros!
— Hehe, isso foi brincadeira de criança! Meu remo atinge brincando mais de mil rotações por segundo! Consegue entender!? Num simples giro a velocidade dele supera mach dezoito! Nenhum ataque funciona comigo! Remo Rotolante!
Caronte partiu pra cima de Seiya e o atingiu com seu remo, lançando o bronzeado para trás.
— Tsc… maldito remo! — Murmurou Seiya se levantando. — Meteoros de Pegasus!
Seiya avançou contra Caronte, mas seus meteoros foram repelidos novamente pelo remo do espectro.
— Lutar contra você tá começando a me irritar! Odeio coisas que dão muito trabalho… mas que droga…
Caronte virou as costas e voltou para o barco.
— Não leve isso tão a sério! Hehe…
— Como é!? — Perguntou Seiya desconfiado.
— Sinceramente não ganho nada lutando contra você… a propósito… você não tem realmente nenhum dinheiro no bolso? Ou algum item de grande valor?
— Já disse que não tenho nada…
— Pense bem, se me pagar levo você ao outro lado… deve saber que tudo no mundo, seja dos vivos ou dos mortos, gira em torno do dinheiro, hehehehehe! — Disse Caronte sentando no barco e cruzando as pernas.
— Mas que tipo de espectro é você!?
— Se não tiver dinheiro para a travessia vai ficar vagando por aí sem poder subir no meu barco… E então, tem ou não dinheiro!?
— Idiota! Não tenho dinheiro pra você! Desde o começo pretendia subir no barco nem que fosse a força! — Bradou Seiya se preparando para outra investida.
— Certo, certo! Mas que insistência! Vamos, suba logo antes que eu desista!
Mesmo desconfiado, Seiya subiu no barco e então começou a travessia do Rio Aqueronte. Durante o trajeto, Caronte cantava alegremente uma canção.
“Euuu sou o barqueiro do inferno… êêêêê… Neeeesta noite vou sair com meu barco cheio de mortos… vou sair com meu barco… êêêêê… Euuu não conheço o inverno, mas esta noite é sem fim…. êêêêê… Euuu desembarco os mortos do outro lado do rio… rio dos mortos… êêêêê….”
— Ei moleque, eu sei que minha música é impressionante, mas não vai cair do barco hein…
— Tsc… nem os mortos estão prestando atenção na sua música! — Falou Seiya com a maior cara de tédio.
— Mas tô falando sério. Se cair no Rio Aqueronte nunca mais vai conseguir voltar pra superfície.
— Deixa de ladainha, e me diga quanto ainda falta pra chegar no outro lado, não aguento mais a sua cantoria.
— Preste atenção moleque, a água deste rio absorve tudo que cai nela. A pessoa é levada para o fundo, sem conseguir flutuar ou nadar, até um cavaleiro como você não teria chance.. assustador, não é? Haehae. — Disse o barqueiro passando o remo por cima da cabeça de Seiya o assustando e quase o derrubando.
— Ei, seu maldito! — Gritou Seiya furioso.
— Brincadeira… Mas já estamos chegando na metade do caminho.
— O quê!? Esse tempo todo e nem chegamos na metade do caminho!?
— Isso mesmo! Este é o ponto mais profundo do rio… que tal descer aqui? — Perguntou maliciosamente.
— Como é!? Eu sabia que não podia confiar em um espectro!
— Remo di Schiacciamento! — Caronte ataca com velocidade, lançando um ataque lateral, Seiya se vira e cruza os braços a tempo de se defender, mas é lançado no rio com a força do golpe. — De graça só dá pra vir até aqui! Hehehehe.
Seiya começou a se debater desesperado, ele não conseguia nadar.
— Eu avisei que é impossível nadar ou flutuar nesse rio! Hehehehehe! E não só isso, os mortos que estão no rio vão puxá-lo para o fundo!
Nesse momento vários mortos começaram a se agarrar em Seiya, tentando puxá-lo para baixo.
— O Rio Aqueronte está cheio de mortos que tentaram atravessá-lo à força! Outros eu mesmo empurrei! Hehehehe! E como esses mortos não tem como morrer de novo vão ficar eternamente presos nesse sofrimento de se afogar!
— Maldito! Isso não vai ficar assim! — Seiya elevou o cosmo e repeliu todos os mortos que o agarravam! — Sinta o poder dos meus meteoros!
O bronzeado disparou seus meteoros contra o espectro, que usou novamente seu remo para se defender.
— Seu grande imbecil! Quando vai entender que seus meteoros são inúteis contra meu remo giratório!?
De repente, Caronte parou de girar seu remo.
— Ué… o que está acontecendo!? Que dor é essa no meu peito!? Não pode ser… deveria ser impossível para os punhos dele me acertar!
— Caronte! Vou te ensinar uma coisa! — Gritou Seiya atacando novamente. — Um mesmo golpe não funciona contra um cavaleiro! Sinta o verdadeiro poder dos meus meteoros!
— Droga! Ele está me atingindo! Argh! — O peitoral da sapuris começou a rachar.
O espectro foi superado pelos socos de Seiya e foi derrubado no rio. Os mortos começaram a agarrá-lo.
- Turbilhão de Pegasus! — Gritou Seiya.
Um redemoinho começou a surgir em volta de Seiya e a afastar os mortos que tentavam se aproximar dele, de repente Seiya subiu aos céus e desceu mirando o barco. O bronzeado pousa no barco e uma coluna enorme de água sobe.
Caronte começa a gritar desesperado por ajuda.
— Tá vendo como é bom!
— Meee ajuda, eu prometo que te levo pro outro lado!
— Eu posso muito bem chegar ao outro lado usando o barco!
— Vo-você pode até tentar, mas vai ficar navegando em círculos eternamente!
— Porque eu deveria acreditar!?
— Só eu, o barqueiro do inferno, posso te levar em segurança pro lugar certo! — Disse Caronte estendendo o remo para Seiya.
Seiya olhou ao seu redor, ele não conseguia distinguir nada em seu horizonte e pensou que talvez o espectro estivesse falando a verdade.
— É bom que seja verdade! — Disse Seiya remando com as mãos até se aproximar do espectro e puxá-lo para dentro do barco.
— Ufa! Essa foi por pouco! Heheh! Essas águas são tão geladas que congelam até os ossos!
Seiya ficou encarando o espectro, ele tinha ficado com o remo.
— Agora vamos, devolva meu remo. — Disse Caronte com a cara mais lavada do mundo.
— Humm…
— E aí? Não quer chegar até o outro lado? Sem o remo fica difícil… concorda?
— Tá bom… pegue aí! — Respondeu Seiya jogando o remo para Caronte.
Caronte sorriu maliciosamente, mas começou a remar, tempo depois eles estavam se aproximando da margem.
— Opa! Já dá pra ver daqui! Aquela é a margem da primeira prisão!
— Como assim primeira prisão?
— Isso mesmo! A partir deste ponto você vai passar por oito prisões, três vales, dez fossos… e ainda tem as quatro esferas finas! Tudo isso forma o inferno…
— Droga! O inferno é tão extenso assim?
— Não sei até onde Atena chegou, mas ela terá um longo caminho até chegar no senhor Hades! E seja como for, eu acho que ela já foi capturada ou até quem sabe morta por um dos poderosos espectros que fazem a guarda das prisões! Huhuh!
— Es-espro que a Saori esteja bem…
— Bem, esse é o fim da linha! — Caronte pegou o remo e partiu pra cima de Seiya. — Aprenda, aqui no inferno não existem santos!
— Eu sabia! Você mentiu! — Seiya estendeu as mãos e segurou o ataque.
— Menti!? Eu sou um espectro, afinal de contas! O que você esperava!?
— Eu já estava pronto e dessa vez não vou soltar mais esse remo! Sem ele você não poderá mais me atacar!
— Hehehe, acha mesmo? Pois vou te ensinar uma coisa! Meus braços são muito mais poderosos que meu remo! Vou usar o meu golpe mais poderoso! *Flusso Finale Travolgente!
Caronte estendeu a mão livre contra o bronzeado e lançou um poderoso redemoinho de cosmo e vento que arremessou Seiya direto para a margem do Rio Aqueronte.
— Huhu, acho que exagerei! Ele deve ter ido parar na primeira prisão! Será que morreu? Hehehe… — Caronte fica encarando o caminho por alguns minutos. — Tsc… Vou ter que ir confirmar… odeio meu trabalho…
Caronte foi atrás de Seiya para confirmar a morte do bronzeado.
Ao chegar próximo da margem do rio, ele vê Seiya desacordado.
— Acho que ele empacotou de vez… hehehe.
Contudo Seiya começa a despertar. Ele se levanta confuso.
— Maldição, você tá me dando trabalho demais! — Diz o espectro desembarcando. — Não vai sair sem pagar a travessia, neh?
— Argh… não se preocupe… eu vou pagar com juros! — Diz o bronzeado assumindo uma posição ofensiva.
— Moleque, acho que você ainda não entendeu, eu não estou de brincadeira! — Bradou o espectro.
— Eu já vi os seus golpes o suficiente. Eles não vão mais conseguir me matar!
— Hehe! É o que veremos! — Caronte joga para o lado o seu remo.
Os dois se preparam para lançar suas maiores técnicas.
— Morra! Flusso Finale Travolgente!
- Cometa de Pegasus!
Seiya é jogado longe e se choca contra uma formação rochosa a espatifando, o bronzeado vomita sangue e em seu corpo tinha várias escoriações. Já Caronte permaneceu em pé, parado no mesmo lugar.
— Hehehe… Acabou! A propósito… você disse que um mesmo golpe não funciona duas vezes contra um cavaleiro… Tal-talvez isso seja mesmo verdade… hehehe…
Nesse momento o elmo de Caronte se quebra, assim como a proteção do seu peitoral e dezenas de moedas de ouro caem sobre o chão. Ele pega o seu remo e volta para o seu barco onde desaba.
O barco zarpa e enquanto ele parte é possível escutar o cantarolar de uma canção…
“Euuu sou o barqueiro do inferno… êêêêê…”
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