[Monte Osore, Japão]

{Horas antes do encontro de Igazen e Geist}

— Parece que o Santuário está enfrentando uma guerra civil. Será que finalmente poderemos descobrir as verdadeiras intenções do Grande Mestre? — Pensava um homem enquanto observava o horizonte do alto *Monte Osore.

— O que houve senhor *Adukmaru? — Perguntou um jovem se aproximando.

— Ah… então finalmente você despertou? Já está se sentindo melhor?

— Sim, graças ao senhor. Já estou pronto para voltar para o Santuário. — Ele começou a olhar para os lados como se estivesse procurando por algo. — E a minha armadura? O senhor já terminou os reparos?

— Sim, ela já está pronta… — Respondeu virando na direção do jovem cavaleiro. — Entretanto, quero que você preste bastante atenção no que vou dizer... O Santuário está sob ataque… e infelizmente eu não sei muito sobre o que está ocorrendo nesse momento, mas se pretende voltar pro Santuário provavelmente terá que escolher um lado...

— Es-escolher um lado? Como assim? — Perguntou ele confuso. — É óbvio que ficarei do lado do Santuário e do Grande Mestre!

— Meu jovem, talvez isso seja mais difícil do que você imagina. — Falou Adukmaru com pesar na voz.

— Do-o que o senhor está falando?! Como alguém iria escolher ficar contra o Grande Mestre?

— Durante os últimos anos passei a observar o Santuário e tive a sensação que uma sombra se erguia dentro do Santuário… e você já deve ter ouvido os rumores sobre o Grande Mestre, não é? Será mesmo só uma mera coincidência?

— Nã-ão! Eles não passam apenas de boatos… Todos no Santuário amam e adoram o Grande Mestre… — Falou o jovem nervoso enquanto gesticulava com as mãos.

— A verdade será revelada… apenas esteja pronto para enxergá-la.

Ao escutar aquilo o jovem cavaleiro sentiu um frio na espinha e o lembrou de algo dito a ele por um dos seus inimigos. — “... não consegue enxergar a verdade bem diante dos seus olhos…”

— Senhor Adukmaru eu agradeço por cuidar de mim e da minha armadura. Mas eu irei voltar para o Santuário imediatamente e verei com os meus próprios olhos a verdade. — Disse o jovem cavaleiro se retirando.

[Escadaria da Casa de Escorpião]

June, Seiya e Shiryu já estavam chegando ao fim da escadaria quando sentiram o cosmo de Shun se elevar intensamente.

— Shun… — Pensou June parando de correr e olhando na direção da casa de Libra.

— Vocês sentiriam isso!? — Questionou Shiryu també preocupado parando de correr.

— Si-im… ainda agora foi como se um cosmo tivesse queimando por inteiro… — Respondeu Seiya. — Vocês acham que foi o Shun?

— Esse cosmo que está vindo da casa de Libra… só pode ser o Shun… — Falou a amazona voltando a caminhar, mas era perceptível a preocupação em sua voz. — Vamos seguir… o Shun deu a sua palavra que salvaria o Hyoga a qualquer custo… e que depois nos encontraria, não foi?

Shiryu e Seiya se olham preocupados, mas seguem atrás da amazona. Quando os três entraram na oitava casa, sentiram mais uma vez o cosmo do Shun se elevar, ainda mais do que antes.

— Essa situação me lembrou de um conto budista que o Mestre Ancião me contou. Vou resumir pra vocês.

“Existiu um viajante que estava muito machucado e com fome, ele estava quase morto no meio da estrada. De repente surgiram três animais, um urso, uma raposa e um coelho. Eles decidiram ajudar o viajante, o urso usou a sua força para pegar um peixe, a raposa usou a sua inteligência para pegar um cacho de uvas, mas o pequeno coelho que não possuía nenhuma dessa habilidades nada pôde fazer para ajudar, então decidiu entregar para o pobre viajante a única coisa que possuía…”

— Então, o que vocês acham que o coelho fez? — Perguntou Shiryu.

— O coelho? Não… não vai me dizer que ele… — Falou Seiya incrédulo.

— Isso mesmo! O coelho se atirou no fogo oferecendo a sua própria vida para que o viajante sobrevivesse. — Respondeu Shiryu.

— Shiryu… você está dizendo que o Shun pretende sacrificar a própria vida para salvar o Hyoga? — Perguntou Seiya.

— E-eu não sei… e você June, que conviveu mais tempo com ele, o que acha?

— Mesmo tendo conseguido se tornar um cavaleiro, o Shun não nasceu para lutar, durante todos esses anos que treinamos juntos ele foi incapaz de machucar alguém e sempre preferia ser derrotado. Ele tem um coração gentil demais… E talvez ele siga o destino da sua constelação protetora… — Disse June apertando o cabo do seu chicote.

— Do que você está falando June? — Questionou Seiya.

— Seiya, você deve conhecer o mito da Princesa Andrômeda… — Falou Shiryu.

— Princesa Andrômeda... Ah… lembrei… Na mitologia grega Andrômeda foi acorrentada em uma pedra oferecendo a própria vida como sacrifício para deter a fúria de um monstro marinho!

— Exatamente, esse é o mito da Princesa Andrômeda. — Falou June com a voz embargada. — Esse também é o tipo de pessoa que o Shun é...

— Tsc... Então precisamos voltar para a casa de Libra agora mesmo… antes que o Shun… — Falou Seiya se virando.

— Esperem! Aonde pensam que vão? — Questionou o cavaleiro de ouro de escorpião surgindo diante deles.

— Vão até o Shun e não permitam que ele morra! Eu vou lutar contra ele! — Disse June.

— Eu, Milo de Escorpião, não permitirei que nenhum de vocês avancem ou retrocedam! Restrição! — Disse Milo apontando o dedo indicador para os bronzeados e lançando ondas de energia mentais que afetaram os nervos de Shiryu, June e Seiya, os paralisando.

— Para traidores como vocês, só resta um destino à frente… se tornarem as minhas presas! Sintam o poder da ferroada do escorpião! Agulha Escarlate!

O dedo de Milo brilhou e os três são derrubados e ainda no chão eles começam a agonizar de dor, sem entender o que tinha acontecido.

— Como são fracos! Não acredito que cavaleiros como vocês conseguiram chegar até a oitava casa. Mesmo que tenha sido um milagre vocês terem chegado aqui, achei que poderia esperar mais de vocês, mas vejo o quanto eu estava errado. O fato é que os cavaleiros de ouro traíram o Santuário e deixaram vocês passarem, não é mesmo?

June, Shiryu e Seiya se levantam com dificuldade.

— E-eu não sei o que aconteceu... ma-as é como se milhares de espinhos me perfurassem ao mesmo tempo. — Comentou Seiya.

— Então deixe-me explicar como o meu ataque funciona… — Falou Milo levantando novamente o dedo indicador.

Defesa Circular!— Gritou June envolvendo os três com seu chicote.

— Você acha mesmo que essa defesa é suficiente para conter a minha Agulha Escarlate? — Questionou Milo com desdem.

O dedo de Milo brilhou novamente e o seu ataque facilmente superou a defesa de June e novamente os três foram ao chão sentindo uma dor alucinante.

— Co-omo é possível… ele sequer atingiu o meu chicote... a-ainda assim acertou todos nós. — Disse June se levantando com muita dificuldade.

— É simples, na verdade. O seu chicote atinge um pouco mais de setecentas rotações por segundo, ou seja, você consegue girar o seu chicote em mach 2, eu só precisei atacar nas brechas que surgem ao fim desse ciclo. Coisa de criança para um cavaleiro de ouro. E sobre o meu ataque, esses pequenos ferimentos em seus corpos é a marca da minha Agulha Escarlate, por mais que o ferimento seja pequeno, ele afeta o sistema nervoso, infringindo uma dor excruciante e paralisando o corpo de quem foi atingido. No entanto, a Agulha Escarlate não mata apenas com um ou dois ataques, por isso eu dou a opção da minha presa escolher entre a rendição ou a morte agonizante. Então, veremos o que vocês vão escolher…

— Não permitirei! — Bradou June lançando seu chicote contra Milo, que nem fez questão de se esquivar, e acabou sendo envolvido por inteiro. — Vamos, levantem! Voltem para a casa de Libra!

Seiya e Shiryu começam a levantar.

— Você acha mesmo que vai conseguir me deter com isso? — Falou Milo se movendo e começando a trincar o chicote.

— Então deixa eu dar uma mão… — Disse alguém entrando na casa de escorpião.

— Quê!? De onde surgiram esses cristais de gelo? Eles estão formando dezenas de círculos de gelo… Nã-ão pode ser… Você é o… — Falou Milo surpreso.

— Hyoga! — Gritaram Seiya e Shiryu.

[Arredores do Santuário]

Enquanto isso, em algum lugar do Santuário, após repassar as ordens de Igazen, *Geist decidiu fazer ela mesma uma varredura à procura do intruso. Depois de algum tempo ela o localizou e começou uma perseguição, pouco depois aparentemente conseguiu encurralá-lo.

— Então foi você que invadiu o Santuário? Desista! Você não tem pra onde… espera… você… é a Marin!?

A amazona de prata encarou a amazona de bronze por alguns instantes. — É você Geist!?

— Finalmente você voltou para o Santuário… achei que além de traidora, você também tinha virado uma covarde.

— Porque você não vai embora antes que se arrependa?

— Você não me engana! Agora que eu te encurralei…

— Me encurralou? — Interrompeu Marin. — Você acha mesmo isso? Eu apenas escolhi enfrentar quem estava me perseguindo antes que mais alguém percebesse minha presença.

— Tsc… Isso não importa! — Respondeu Geist se sentindo um pouco frustrada.

— Vá embora, eu não tenho tempo pra perder com você…

— Vamos simplificar as coisas! Eu também não quero perder tempo conversando com você! — Gritou Geist avançando contra Marin disparando rajadas de cosmo dos seus punhos, Marin também avança desviando dos ataques e partindo para cima da amazona de bronze que se vê forçada a partir para luta corporal.

As duas amazonas começam uma rápida trocação de golpes, Geist consegue acompanhar a maioria dos ataques de Marin e bloqueá-los, porém não conseguia acertar os seus golpes na Marin. Elas então saltam para trás, tomando distância.

— Eu sempre quis medir forças com outros cavaleiros mais experientes, mas a Shina sempre me proibia.

— A Shina sempre te tratou como a irmã mais nova dela e te protegia, mesmo você tendo um nível próximo ao nosso e isso agora fica mais evidente já que você finalmente conquistou o título de amazona.

— Ela ainda está de cama sob os cuidados de Cassius! E por causa disso não pode ver a minha conquista sobre a armadura de Bronze de Serpente! — Falou Geist demonstrando estar bastante ressentida com aquilo.

{Flashback, horas após a volta de Aiolia para o Santuário}

— Cassius! — Gritou Geist entrando aflita no quarto de Shina. — Onde ela está?

— Se acalme Geist. — Disse Cassius que estava sentado no chão ao lado da cama de Shina.

— Shina! — Falou Geist correndo para perto da cama. — Ca-assius… ela está…

— Ela está desacordada, mas está fora de perigo. — Respondeu ele se levantando.

— Aaah… Shina… — Sussurrou Geist apertando o lençol da cama com as duas mãos. — Cassius, o que foi que aconteceu?

Cassius contou para a aspirante tudo o que ele sabia.

— Como é!? Tsc… Não basta o Seiya ter roubado a armadura de Pegasus de você... ele e a Marin terem virado traidores... e agora isso… — Falou Geist frustrada.

— Eu não me importo mais com isso... — Falou Cassius olhando para Shina.

— Ma-as Cassius!? — Falou Geist surpresa.

— No momento a única coisa que me importa é a Shina. — Disse ele voltando a sentar-se no chão ao lado da cama da Shina.

— Por favor Cassius... cuide da Shina… — Disse Geist indo em direção a porta.

— Eu sei que hoje é a sua prova final… vença e retorne com a sagrada armadura de bronze… quando a Shina despertar sei que ela ficará orgulhosa… — Disse ele sem tirar os olhos da sua mestra.

— Eu prometo Cassius… — Disse Geist abrindo a porta. — Vencerei por você e por ela… eu prometo… — Disse ela indo embora.

{Fim do Flashback}

— Usarei essa oportunidade para me vingar pelo Cassius e pelo o que vocês traidores fizeram com a Shina! — Gritou Geist avançando contra Marin mais uma vez.

A trocação frenética de golpes começa novamente. Depois de algum tempo, Geist acaba sendo pressionada e salta para trás para esquivar de um soco da amazona de Águia que mirava o seu estômago.

Geist então eleva seu cosmo e avança disparando a sua técnica, *Thunder Claws!

A amazona de Serpente ergue a mão em uma postura similar ao de uma serpente se preparando para o bote, depois ela desce a mão desferindo vários golpes em seu adversário com suas garras afiadas e descargas elétricas.

Mesmo bloqueando a maioria dos ataques, Marin foi atingida pelas descargas elétricas e acabou sendo lançada longe pelo impacto do ataque. Mas rapidamente Marin se levanta e avança contra Geist, que usa novamente sua Thunder Claws, porém Marin desvia de todos os ataques e aplica um poderoso soco no estômago de Geist o perfurando. A amazona de bronze começa a cuspir sangue e desaba no chão com seu abdômen perfurado e seu corpo ensanguentado.

— Tsc… não posso mais perder tempo aqui... — Pensou a amazona de prata olhando para Geist. — Preciso chegar o mais rápido possível em *Star Hill antes que eu seja localizada outra vez.

Notas finais
Mais um capítulo feito, espero que gostem. Ele acabou saindo um pouco mais curto que as últimas levas. No próximo teremos a batalha de Hyoga e Milo e talvez mais da Marin em Star Hill. *Adukmaru é um anagrama, será que descobrem o que significa? *Monte Osore é uma região montanhosa no centro da remota Península de Shimokita na província de Aomori, Japão. De acordo com as crenças locais, o Monte Osore marca a entrada para o inferno, sendo também chamado de Montanha da Perdição. E é um local de restauração de armaduras assim como Jamir. Quem será o cavaleiro misterioso? *Geist, ela é a minha versão da personagem que apareceu no anime, no arco dos cavaleiros fantasmas. Eu mantive o laço dela com a Shina e dei a armadura de bronze de Serpente pra fazer o link do a Shina já que ela é de Serpentário e por isso também dei a mesma técnica pra ela, Thunder Claws. E quase ninguém sabe sobre a morte de Cassius. *Star Hill é o local sagrado onde o Grande Mestre prevê o destino e as guerras santas ao ler as estrelas de geração em geração. Neste lugar somente é permitida a entrada do Grande Mestre. Agradeço aos leitores que aqui chegaram e até o próximo capítulo ^^