Saint Seiya: O Retorno do Herói
3 Herói de Guerra
— Está na hora. Mas devo alertá-los que a Atena que vocês conhecerão é completamente diferente da Saori que conhecem, então tenham cuidado. — Avisou Héracles.
— Ter cuidado? — Retrucou Seiya.
— Sim, a consciência humana e a divina irão se tornar uma só, porém a divina será a dominante. Vocês devem conhecer os mitos sobre a deusa da guerra, então, sim tenham cuidado com o que falam e como agem. Depois não digam que eu não avisei. Agora, vamos recebê-la. — Falou o prateado.
O redemoinho de cosmo se desfaz, o báculo vai flutuando de volta para Atena que estica a mão direita e o pega. Em seguida Atena finalmente abre os seus olhos e eles estavam dourados, eles brilhavam com uma intensidade que foi capaz de iluminar todo salão.
Seja bem-vinda, Deusa Atena. — Disse Héracles, fazendo reverência, mas não foi só ele, todos os cavaleiros também fizeram reverência ao sentirem a imponência que a presença da deusa emitia.
— Eu estou aqui atendendo ao seu chamado. Imagino que uma grande ameaça está à espreita.
— Sim, eu vislumbrei uma guerra sem precedentes durante um sonho, mas estava tudo turvo e confuso, por isso ainda não tenho certeza sobre quem será nosso inimigo. Talvez seja um efeito colateral das distorções do espaço-tempo que ainda reverberam neste mundo. — Falou a deusa.
— Temos alguma previsão de quando a guerra começará? — Questionou Héracles.
— Daqui a dez ou quinze anos. — Respondeu ela.
— É um tempo quase razoável. Deusa Atena, você já tem alguma estratégia em mente?
— Por não saber exatamente quem será o nosso inimigo é praticamente impossível planejar algo completamente eficaz. No entanto, neste momento a nossa prioridade deve ser a reestruturação e reconstrução do santuário.
— Entendo. Atena, você decidiu quem será o novo Grande Mestre?
— Na verdade, já tomei a minha decisão… Héracles você assumirá mais uma vez como Grande Mestre!
— Mas Atena... e o Shiryu e o Shun… eles foram descartados como candidatos? — Questionou Seiya.
— Se eles eram candidatos, permanecerão como tal. Um dia não serei mais o Grande Mestre e um dos dois será promovido, por isso eu mesmo irei treiná-los e avaliá-los, mas por enquanto vocês continuarão sendo apenas cavaleiros. — Respondeu o prateado.
Shun se aproxima, faz reverência e fala: Atena, nós não estamos conseguindo entender o que está acontecendo.
— Calma, jovens cavaleiros. Tudo será explicado. — Disse Héracles olhando por cima do ombro e depois voltou o olhar para a deusa. — Iremos revelar a verdade?
— Sim, isso se faz necessário. As informações que vocês ouvirão são extremamente confidenciais e não devem deixar este recinto, caso isso aconteça eu entenderei como traição, e todos devem saber qual a punição será aplicada. Estamos entendidos? — Disse a deusa.
Mesmo Héracles tendo avisado sobre a mudança de Atena, todos ficaram assustados, nunca tinham visto a deusa agir daquela forma. Principalmente o Seiya. Mas todos afirmam que entenderam as consequências.
— Héracles luta em meu nome desde a era mitológica, sendo o primeiro cavaleiro de Prata Hércules. — Revelou Atena.
— Desde a era mitológica!? Como ele ainda pode estar vivo!? — Questionou Marin
— Porque Atena o chamou? E que guerra é essa que vai acontecer? — Perguntou Ikki.
— E porque você chamou Atena de irmã? — Indagou Shiryu.
— Vou resumir a história… Eu sou Héracles, filho…
— Isso nós já sabemos, não somos burros, pra que repetir isso?! — Disse Seiya interrompendo.
Shun coloca a mão na boca de Seiya que protesta e diz: Por favor, continue…
— Eu sou Héracles, filho do todo poderoso Zeus, rei dos céus. E Atena me chamou porque uma grande ameaça está para chegar, entretanto como Atena mesmo disse ainda é uma ameaça desconhecida.
— Atena, isso é verdade mesmo? — Perguntou Seiya, tirando a mão de Shun que tampava a sua boca.
— Sim, Pegasus. Ele é Héracles, filho de Zeus, meu meio-irmão, um semi-deus. E ele foi convocado para me auxiliar na nova Guerra Santa que está para começar.
Todos começam a trocar olhares nervosos. Eles tinham acabado de sair de uma guerra santa, eles estavam cansados e ainda não tinham assimilado bem todas as perdas. E ao ouvir que em mais ou menos 10 anos uma nova guerra santa iria começar, o clima no salão ficou pesado e um silêncio colossal tomou conta do recinto.
— Escutem, como eu havia dito, irei dar um resumo da história para vocês, prestem atenção! — Falou Héracles quebrando o silêncio.
Tudo começou na primeira Guerra Santa contra Ares, o Deus da Guerra e irmão de Atena. Esta batalha foi considerada uma das mais severas dentre as várias Guerras Santas que já existiram. Diferente de Atena, que é uma deusa normalmente diplomática e que só recorre a guerra em última instância, Ares é conhecido como o mais cruel dentre os deuses. E quando o Deus está envolvido em uma guerra ele espalha a semente do conflito pelo mundo, incitando os humanos à guerra.
Hades é um dos poucos deuses que compreendia a crueldade de Ares, e dizem que Hades incentivava Ares a começar uma guerra santa contra Atena. Para combater Atena e usurpar o seu trono como deusa patrona da terra, ele usou seus quatro batalhões: “Chama”, “Fogo”, “Medo” e “Desastre”. Seus guerreiros eram chamados de *Berserkeres, ou guerreiros insanos, porque eles lutavam no limite dos seus corpos, sem nunca recuar, matando e destruindo tudo ao seu redor.
A batalha entre os quatro batalhões de Berserkeres e os Cavaleiros de Atena seguiu por meses, sem uma pausa sequer. Naquela época, cinquenta e oito cavaleiros participaram da batalha, entretanto a participação dos cavaleiros de Bronze, de Prata e até dos renomados Cavaleiros de Ouro era inútil. Diante da vantagem numérica e da brutalidade dos Berserkeres, um após o outro os cavaleiros foram sendo derrotados.
Foi então que Atena rogou a Zeus que este a ajudasse para evitar que Ares vencesse a guerra. Zeus ouviu os lamentos da sua filha e me enviou para o campo de batalha e eu assumi o posto de cavaleiro de prata. Ainda assim a luta contra os Berserkers foi catastrófica, o nosso exército foi dizimado, sobrando só um punhado de guerreiros. Porém com muito custo eu consegui convencer Atena e o Cavaleiro de Libra a usarem as Armas de Libra para vencer a guerra.
E aos poucos conseguimos virar o rumo da guerra, aniquilando os quatro batalhões e vencendo Ares. Ao fim da guerra santa, Atena e eu fizemos um trato, para que sempre que ela precisar eu lute ao seu lado.
— Isso é incrível! — Disse Shiryu.
— E como você conseguiu viver por tanto tempo? — Questionou Hyoga.
— A minha situação é bem complexa, mas vou tentar explicar. — Respondeu Héracles.
Eu não sou muito bem quisto no reino de Hades, então Zeus guardou a minha alma na constelação de Hércules. Vocês devem conhecer várias versões de como a constelação surgiu, mas o fato é que todas terminam quase da mesma forma, eu sofrendo uma morte horrível e Zeus guardando a minha essência nas estrelas, o que é de fato verdade.
Então toda vez que Atena precisar de mim, eu irei reencarnar e lutar em seu nome, porém quando a guerra terminar eu fico livre dos meus deveres como cavaleiro e posso viver o resto da minha vida como eu quiser. Contudo isso só é possível graças a minha parte divina, mas ainda assim eu demoro muito mais de tempo que um deus levaria para conseguir reencarnar, por isso Atena só me convoca em situações extremas.
— Então se tudo isso é verdade, porque você não veio nos ajudar na guerra santa contra Hades? — Perguntou Ikki.
— Eu poderia dizer que foi por Atena não ter crescido no santuário e nem ter sido treinada adequadamente por causa da revolta do cavaleiro de Gêmeos, mas mesmo que não fosse o caso, a questão é que essa guerra santa contra Hades deve ter sido uma das mais fáceis da história, como também a primeira a ter cavaleiros invadindo os elísios, esse fato é algo que marcará a história das guerras santas e talvez vocês tenham até conseguido colocar um fim em Hades. — Responde o prateado.
— A mais fácil? Nós perdemos vários companheiros — Retrucou Seiya irritado, talvez nem tanto com o que Héracles disse, mas com toda situação.
— Pegasus, todas as vidas dos meus cavaleiros são importantes. Mas o fato é que nesta guerra santa apenas oito cavaleiros pereceram e a batalha durou um pouco mais de vinte quatro horas. É disso que ele está falando. — Falou Atena.
— As várias vidas perdidas dos cavaleiros de prata, como Algethi, Dios e Sirius, — A voz de Héracles parecia meio embargada — foram causadas por Saga de Gêmeos, infelizmente.
— E o que faremos a partir de agora? — Perguntou Shun.
— Héracles assumirá como Grande Mestre e nos auxiliará a traçar planos e estratégias que possam ser usadas contra qualquer tipo de inimigo. Devemos nos fortalecer o quanto pudermos. E assim vocês serão aqueles que se tornarão as bases para que a humanidade possa ter um futuro. — Disse atena.
— Muito bem, por hora vamos dar por encerrada essa reunião, também quero um tempo para me adaptar e conversar mais com Atena. Estão todos livres por enquanto.
— Como você conhecia os nomes de Algethi, Dios e Sirius, já que nenhum nome foi dito? E como sabia meu nome e minha constelação? — Indagou Marin.
— Por causa das memórias da armadura. — Respondeu Héracles tocando em sua armadura.
— Então você consegue ler as memórias das armaduras? — Indagou Hyoga.
— Sim e não. Não é que eu leia as memórias da armadura, elas são as minhas memórias também, afinal eu sou o próprio Héracles. Ela e eu temos um vínculo completamente diferente. Por isso eu pedi um breve resumo dos acontecimentos, porque tudo o que o Algethi sabia eu absorvi ao reencarnar.
— Então isso quer dizer que o senhor tem a memória de todos os cavaleiros de Hércules do passado? — Perguntou Shun.
— Sim. Escutem, eu sei que vocês devem ter mais perguntas, mas eu quero descansar um pouco, entretanto, tenho só mais uma pergunta, existe algum cavaleiro de prata de Altar nesta geração? — Falou Héracles.
— Cavaleiro de Altar? Não. No santuário não existe nenhum cavaleiro de Altar. — Respondeu Shina.
— Talvez ele seja um dos cavaleiros que estão espalhados pelo mundo. — Supôs Marin.
— Isso é estranho, mas acredito que não seja o caso, já que obrigatoriamente a armadura de Altar é uma das poucas que não sai do santuário.
— Mas porque você… — Shun dá uma cutucada em Seiya. — Tsc… Mas porque o senhor quer saber quem é o cavaleiro de Altar?
— Pegasus, existem muitos cavaleiros que possuem funções específicas, e uma deles é o cavaleiro de Altar. A função do cavaleiro de Altar é atuar como braço direito do Grande Mestre. — Finalizou a deusa. O jeito que a “Saori” estava agindo fazia o Seiya sentir que estava falando com uma total desconhecida e isso o fazia sentir-se mal.
— E dentro da hierarquia do Santuário ele chega a ser até mais importante do que os cavaleiros de ouro, tanto que, quando o Grande Mestre morre sem eleger um sucessor, ou por uma questão de necessidade, é o cavaleiro de Altar quem assume como mestre interino. — Explicou Héracles.
— Eu nunca tinha ouvido falar sobre isso antes… — Comentou Ikki.
— Ou seja, você queria ter não só um braço direito que estivesse a par de tudo sobre o santuário, como também uma terceira opção de candidato a Grande Mestre… — Falou Hyoga.
— De fato, mas não me entendam mal, pois a situação sempre tende a piorar e por isso preciso ter várias opções para poder seguir a melhor estratégia. Querendo ou não, a guerra é uma arte. Mas enfim, depois eu vou verificar essa questão. — Respondeu Héracles.
— Vocês estão dispensados. Héracles acompanhe-me. — Disse Atena que seguiu para o seu templo sendo acompanhada do seu meio-irmão.
Seiya olhou para Atena e tentou falar algo, mas foi impedido por Shiryu. — Vamos Seiya… Ela não é mais a Saori que conhecemos, agora ela é a Deusa Atena. Teremos que nos acostumar com isso.
[Salão do Grande Mestre]
{Vários anos se passaram e com ajuda de Héracles o Santuário foi reerguido. Novos aspirantes cavaleiros surgiram e o exército de Atena estava sendo preparado para a guerra santa.}
— Grande Mestre, o senhor me chamou? — Falou um cavaleiro de ouro se ajoelhando perante o Grande Mestre.
— Sim Libra, quero saber se os seus discípulos estão prontos para a prova final.
— Sim senhor. Eles já estão prontos para o teste.
— Você tem certeza disso? — Questionou o Grande Mestre preocupado.
— Sim, eles estão prontos, são promissores…
— Não é disso que eu estou falando Shiryu — Interrompeu o Grande Mestre. — Você quer mesmo envolver os seus filhos nesta guerra!? — Perguntou Héracles tirando o seu elmo e o colocando em seu colo.
Shiryu ficou em silêncio por alguns segundos… — Grande Mestre… Digo… Héracles, nós sabemos que essa guerra não irá poupar ninguém, mesmo que eles fujam, uma hora terão que lutar para sobreviver. Não é algo que eu posso escolher por eles ou por mim.
— Muito bem, então. Shoryu e Rozan serão testados hoje no início da tarde no Coliseu. Deverão enfrentar individualmente o Cavaleiro de Cinzel e se ele julgar que eles são merecedores, serão promovidos a cavaleiros.
— Sim senhor. Vou prepara-los, com a sua licença. — Falou Shiryu se retirando do Salão.
Enquanto voltava para a casa de Libra, Shiryu passou pelas casas vazias de Peixes, Aquário e Capricórnio e acabou parando na casa de Sagitário.
— E então Shiryu? — Perguntou o Sagitariano.
— A prova será hoje, no início da tarde no Coliseu. — Respondeu o Libriano, sua expressão era de preocupação.
— Eu te entendo, meu amigo. Mas os dois escolheram esse caminho e você os treinou muito bem, tenho certeza que eles ficarão bem. — Disse Seiya pousando a mão no ombro de Shiryu que assentiu com a cabeça.
— E tem notícias do Hyoga? — Perguntou ele tentando mudar de assunto.
— Pelo o que eu lembro, o Jacob disse que ele deve estar voltando amanhã junto com Lesath. Faz tempo que eu não vejo o meu garoto. — Respondeu Seiya.
— Você não foi visitar o Hyoga na Sibéria a pouco tempo? Quando foi que você ficou tão coruja? — Questionou Shiryu sorrindo.
— Ah, já faz mais de um mês… Você sabe como é… hahehaehae — Respondeu o Seiya meio sem graça.
Fale com o autor