— Está na hora. Mas devo alertá-los que a Atena que vocês conhecerão é completamente diferente da Saori que conhecem, então tenham cuidado. — Avisou Héracles.

— Ter cuidado? — Retrucou Seiya.

— Sim, a consciência humana e a divina irão se tornar uma só, porém a divina será a dominante. Vocês devem conhecer os mitos sobre a deusa da guerra, então, sim tenham cuidado com o que falam e como agem. Depois não digam que eu não avisei. Agora, vamos recebê-la. — Falou o prateado.

O redemoinho de cosmo se desfaz, o báculo vai flutuando de volta para Atena que estica a mão direita e o pega. Em seguida Atena finalmente abre os seus olhos e eles estavam dourados, eles brilhavam com uma intensidade que foi capaz de iluminar todo salão.

Seja bem-vinda, Deusa Atena. — Disse Héracles, fazendo reverência, mas não foi só ele, todos os cavaleiros também fizeram reverência ao sentirem a imponência que a presença da deusa emitia.

— Eu estou aqui atendendo ao seu chamado. Imagino que uma grande ameaça está à espreita.

Sim, eu vislumbrei uma guerra sem precedentes durante um sonho, mas estava tudo turvo e confuso, por isso ainda não tenho certeza sobre quem será nosso inimigo. Talvez seja um efeito colateral das distorções do espaço-tempo que ainda reverberam neste mundo. — Falou a deusa.

Temos alguma previsão de quando a guerra começará? — Questionou Héracles.

Daqui a dez ou quinze anos. — Respondeu ela.

É um tempo quase razoável. Deusa Atena, você já tem alguma estratégia em mente?

Por não saber exatamente quem será o nosso inimigo é praticamente impossível planejar algo completamente eficaz. No entanto, neste momento a nossa prioridade deve ser a reestruturação e reconstrução do santuário.

Entendo. Atena, você decidiu quem será o novo Grande Mestre?

Na verdade, já tomei a minha decisão… Héracles você assumirá mais uma vez como Grande Mestre!

— Mas Atena... e o Shiryu e o Shun… eles foram descartados como candidatos? — Questionou Seiya.

Se eles eram candidatos, permanecerão como tal. Um dia não serei mais o Grande Mestre e um dos dois será promovido, por isso eu mesmo irei treiná-los e avaliá-los, mas por enquanto vocês continuarão sendo apenas cavaleiros. — Respondeu o prateado.

Shun se aproxima, faz reverência e fala: Atena, nós não estamos conseguindo entender o que está acontecendo.

— Calma, jovens cavaleiros. Tudo será explicado. — Disse Héracles olhando por cima do ombro e depois voltou o olhar para a deusa. — Iremos revelar a verdade?

— Sim, isso se faz necessário. As informações que vocês ouvirão são extremamente confidenciais e não devem deixar este recinto, caso isso aconteça eu entenderei como traição, e todos devem saber qual a punição será aplicada. Estamos entendidos? — Disse a deusa.

Mesmo Héracles tendo avisado sobre a mudança de Atena, todos ficaram assustados, nunca tinham visto a deusa agir daquela forma. Principalmente o Seiya. Mas todos afirmam que entenderam as consequências.

— Héracles luta em meu nome desde a era mitológica, sendo o primeiro cavaleiro de Prata Hércules. — Revelou Atena.

— Desde a era mitológica!? Como ele ainda pode estar vivo!? — Questionou Marin

— Porque Atena o chamou? E que guerra é essa que vai acontecer? — Perguntou Ikki.

E porque você chamou Atena de irmã? — Indagou Shiryu.

Vou resumir a história… Eu sou Héracles, filho…

— Isso nós já sabemos, não somos burros, pra que repetir isso?! — Disse Seiya interrompendo.

Shun coloca a mão na boca de Seiya que protesta e diz: Por favor, continue…

— Eu sou Héracles, filho do todo poderoso Zeus, rei dos céus. E Atena me chamou porque uma grande ameaça está para chegar, entretanto como Atena mesmo disse ainda é uma ameaça desconhecida.

— Atena, isso é verdade mesmo? — Perguntou Seiya, tirando a mão de Shun que tampava a sua boca.

Sim, Pegasus. Ele é Héracles, filho de Zeus, meu meio-irmão, um semi-deus. E ele foi convocado para me auxiliar na nova Guerra Santa que está para começar.

Todos começam a trocar olhares nervosos. Eles tinham acabado de sair de uma guerra santa, eles estavam cansados e ainda não tinham assimilado bem todas as perdas. E ao ouvir que em mais ou menos 10 anos uma nova guerra santa iria começar, o clima no salão ficou pesado e um silêncio colossal tomou conta do recinto.

— Escutem, como eu havia dito, irei dar um resumo da história para vocês, prestem atenção! — Falou Héracles quebrando o silêncio.

Tudo começou na primeira Guerra Santa contra Ares, o Deus da Guerra e irmão de Atena. Esta batalha foi considerada uma das mais severas dentre as várias Guerras Santas que já existiram. Diferente de Atena, que é uma deusa normalmente diplomática e que só recorre a guerra em última instância, Ares é conhecido como o mais cruel dentre os deuses. E quando o Deus está envolvido em uma guerra ele espalha a semente do conflito pelo mundo, incitando os humanos à guerra.

Hades é um dos poucos deuses que compreendia a crueldade de Ares, e dizem que Hades incentivava Ares a começar uma guerra santa contra Atena. Para combater Atena e usurpar o seu trono como deusa patrona da terra, ele usou seus quatro batalhões: “Chama”, “Fogo”, “Medo” e “Desastre”. Seus guerreiros eram chamados de *Berserkeres, ou guerreiros insanos, porque eles lutavam no limite dos seus corpos, sem nunca recuar, matando e destruindo tudo ao seu redor.

A batalha entre os quatro batalhões de Berserkeres e os Cavaleiros de Atena seguiu por meses, sem uma pausa sequer. Naquela época, cinquenta e oito cavaleiros participaram da batalha, entretanto a participação dos cavaleiros de Bronze, de Prata e até dos renomados Cavaleiros de Ouro era inútil. Diante da vantagem numérica e da brutalidade dos Berserkeres, um após o outro os cavaleiros foram sendo derrotados.

Foi então que Atena rogou a Zeus que este a ajudasse para evitar que Ares vencesse a guerra. Zeus ouviu os lamentos da sua filha e me enviou para o campo de batalha e eu assumi o posto de cavaleiro de prata. Ainda assim a luta contra os Berserkers foi catastrófica, o nosso exército foi dizimado, sobrando só um punhado de guerreiros. Porém com muito custo eu consegui convencer Atena e o Cavaleiro de Libra a usarem as Armas de Libra para vencer a guerra.

E aos poucos conseguimos virar o rumo da guerra, aniquilando os quatro batalhões e vencendo Ares. Ao fim da guerra santa, Atena e eu fizemos um trato, para que sempre que ela precisar eu lute ao seu lado.

Isso é incrível! — Disse Shiryu.

E como você conseguiu viver por tanto tempo? — Questionou Hyoga.

— A minha situação é bem complexa, mas vou tentar explicar. — Respondeu Héracles.

Eu não sou muito bem quisto no reino de Hades, então Zeus guardou a minha alma na constelação de Hércules. Vocês devem conhecer várias versões de como a constelação surgiu, mas o fato é que todas terminam quase da mesma forma, eu sofrendo uma morte horrível e Zeus guardando a minha essência nas estrelas, o que é de fato verdade.

Então toda vez que Atena precisar de mim, eu irei reencarnar e lutar em seu nome, porém quando a guerra terminar eu fico livre dos meus deveres como cavaleiro e posso viver o resto da minha vida como eu quiser. Contudo isso só é possível graças a minha parte divina, mas ainda assim eu demoro muito mais de tempo que um deus levaria para conseguir reencarnar, por isso Atena só me convoca em situações extremas.

Então se tudo isso é verdade, porque você não veio nos ajudar na guerra santa contra Hades? — Perguntou Ikki.

Eu poderia dizer que foi por Atena não ter crescido no santuário e nem ter sido treinada adequadamente por causa da revolta do cavaleiro de Gêmeos, mas mesmo que não fosse o caso, a questão é que essa guerra santa contra Hades deve ter sido uma das mais fáceis da história, como também a primeira a ter cavaleiros invadindo os elísios, esse fato é algo que marcará a história das guerras santas e talvez vocês tenham até conseguido colocar um fim em Hades. — Responde o prateado.

— A mais fácil? Nós perdemos vários companheiros — Retrucou Seiya irritado, talvez nem tanto com o que Héracles disse, mas com toda situação.

— Pegasus, todas as vidas dos meus cavaleiros são importantes. Mas o fato é que nesta guerra santa apenas oito cavaleiros pereceram e a batalha durou um pouco mais de vinte quatro horas. É disso que ele está falando. — Falou Atena.

— As várias vidas perdidas dos cavaleiros de prata, como Algethi, Dios e Sirius, — A voz de Héracles parecia meio embargada — foram causadas por Saga de Gêmeos, infelizmente.

— E o que faremos a partir de agora? — Perguntou Shun.

Héracles assumirá como Grande Mestre e nos auxiliará a traçar planos e estratégias que possam ser usadas contra qualquer tipo de inimigo. Devemos nos fortalecer o quanto pudermos. E assim vocês serão aqueles que se tornarão as bases para que a humanidade possa ter um futuro. — Disse atena.

Muito bem, por hora vamos dar por encerrada essa reunião, também quero um tempo para me adaptar e conversar mais com Atena. Estão todos livres por enquanto.

— Como você conhecia os nomes de Algethi, Dios e Sirius, já que nenhum nome foi dito? E como sabia meu nome e minha constelação? — Indagou Marin.

— Por causa das memórias da armadura. — Respondeu Héracles tocando em sua armadura.

Então você consegue ler as memórias das armaduras? — Indagou Hyoga.

— Sim e não. Não é que eu leia as memórias da armadura, elas são as minhas memórias também, afinal eu sou o próprio Héracles. Ela e eu temos um vínculo completamente diferente. Por isso eu pedi um breve resumo dos acontecimentos, porque tudo o que o Algethi sabia eu absorvi ao reencarnar.

— Então isso quer dizer que o senhor tem a memória de todos os cavaleiros de Hércules do passado? — Perguntou Shun.

— Sim. Escutem, eu sei que vocês devem ter mais perguntas, mas eu quero descansar um pouco, entretanto, tenho só mais uma pergunta, existe algum cavaleiro de prata de Altar nesta geração? — Falou Héracles.

Cavaleiro de Altar? Não. No santuário não existe nenhum cavaleiro de Altar. — Respondeu Shina.

— Talvez ele seja um dos cavaleiros que estão espalhados pelo mundo. — Supôs Marin.

Isso é estranho, mas acredito que não seja o caso, já que obrigatoriamente a armadura de Altar é uma das poucas que não sai do santuário.

— Mas porque você… — Shun dá uma cutucada em Seiya. — Tsc… Mas porque o senhor quer saber quem é o cavaleiro de Altar?

— Pegasus, existem muitos cavaleiros que possuem funções específicas, e uma deles é o cavaleiro de Altar. A função do cavaleiro de Altar é atuar como braço direito do Grande Mestre. — Finalizou a deusa. O jeito que a “Saori” estava agindo fazia o Seiya sentir que estava falando com uma total desconhecida e isso o fazia sentir-se mal.

E dentro da hierarquia do Santuário ele chega a ser até mais importante do que os cavaleiros de ouro, tanto que, quando o Grande Mestre morre sem eleger um sucessor, ou por uma questão de necessidade, é o cavaleiro de Altar quem assume como mestre interino. — Explicou Héracles.

Eu nunca tinha ouvido falar sobre isso antes… — Comentou Ikki.

Ou seja, você queria ter não só um braço direito que estivesse a par de tudo sobre o santuário, como também uma terceira opção de candidato a Grande Mestre… — Falou Hyoga.

— De fato, mas não me entendam mal, pois a situação sempre tende a piorar e por isso preciso ter várias opções para poder seguir a melhor estratégia. Querendo ou não, a guerra é uma arte. Mas enfim, depois eu vou verificar essa questão. — Respondeu Héracles.

— Vocês estão dispensados. Héracles acompanhe-me. — Disse Atena que seguiu para o seu templo sendo acompanhada do seu meio-irmão.

Seiya olhou para Atena e tentou falar algo, mas foi impedido por Shiryu. — Vamos Seiya… Ela não é mais a Saori que conhecemos, agora ela é a Deusa Atena. Teremos que nos acostumar com isso.

[Salão do Grande Mestre]

{Vários anos se passaram e com ajuda de Héracles o Santuário foi reerguido. Novos aspirantes cavaleiros surgiram e o exército de Atena estava sendo preparado para a guerra santa.}

— Grande Mestre, o senhor me chamou? — Falou um cavaleiro de ouro se ajoelhando perante o Grande Mestre.

Sim Libra, quero saber se os seus discípulos estão prontos para a prova final.

Sim senhor. Eles já estão prontos para o teste.

Você tem certeza disso? — Questionou o Grande Mestre preocupado.

Sim, eles estão prontos, são promissores…

— Não é disso que eu estou falando Shiryu — Interrompeu o Grande Mestre. — Você quer mesmo envolver os seus filhos nesta guerra!? — Perguntou Héracles tirando o seu elmo e o colocando em seu colo.

Shiryu ficou em silêncio por alguns segundos… — Grande Mestre… Digo… Héracles, nós sabemos que essa guerra não irá poupar ninguém, mesmo que eles fujam, uma hora terão que lutar para sobreviver. Não é algo que eu posso escolher por eles ou por mim.

— Muito bem, então. Shoryu e Rozan serão testados hoje no início da tarde no Coliseu. Deverão enfrentar individualmente o Cavaleiro de Cinzel e se ele julgar que eles são merecedores, serão promovidos a cavaleiros.

— Sim senhor. Vou prepara-los, com a sua licença. — Falou Shiryu se retirando do Salão.

Enquanto voltava para a casa de Libra, Shiryu passou pelas casas vazias de Peixes, Aquário e Capricórnio e acabou parando na casa de Sagitário.

— E então Shiryu? — Perguntou o Sagitariano.

— A prova será hoje, no início da tarde no Coliseu. — Respondeu o Libriano, sua expressão era de preocupação.

— Eu te entendo, meu amigo. Mas os dois escolheram esse caminho e você os treinou muito bem, tenho certeza que eles ficarão bem. — Disse Seiya pousando a mão no ombro de Shiryu que assentiu com a cabeça.

— E tem notícias do Hyoga? — Perguntou ele tentando mudar de assunto.

— Pelo o que eu lembro, o Jacob disse que ele deve estar voltando amanhã junto com Lesath. Faz tempo que eu não vejo o meu garoto. — Respondeu Seiya.

— Você não foi visitar o Hyoga na Sibéria a pouco tempo? Quando foi que você ficou tão coruja? — Questionou Shiryu sorrindo.

— Ah, já faz mais de um mês… Você sabe como é… hahehaehae — Respondeu o Seiya meio sem graça.

Notas finais
Bem gente, é isso gente, esse é o capitulo final. Espero que tenham gostado desse oneshot. Ela martelava na minha cabeça a mais de um ano, porém por já estar publicando 2 fanfics diferentes (dá uma checada no meu perfil), era impossível eu conseguir desenvolver ela, ao menos por enquanto. Shiryu tem duas crianças, Shoryu e Rozan. *Shoryu é escrito de forma diferente da técnica do Shiryu que é o Rozan Shouryuu Haa. (Cólera do Dragão) *Rozan é em homenagem ao local de treino do Shiryu. E quem será Lesath que o Seiya chamou de "meu garoto". E o cavaleio de Cinzel? Quem será? Espero um dia poder responder. *Berserker - É o nome dado aos guerreiros nórdicos ferozes que haviam jurado fidelidade ao deus Odin. Originados da Germânia, eles despertavam uma fúria incontrolável antes de qualquer batalha. Agradeço aos leitores que aqui chegaram e até breve ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!