Notas iniciais
Muito obrigado pelas mais de 500 visualizações ( quase 600 ) kkkk Ja somos maior que a torcida do botafogo! Um agradecimento especial a chatred por favoritar e comentar, me ajudando muito a continuar ;)

Kazuya estava totalmente curado de seus ferimentos de sua batalha no dia anterior. Graças aos cuidados das servas de Cleópatra, seu corpo estava completamente sarado dos machucados que haviam sido feitos em seu corpo. Ele estava se sentindo tão bem que decidiu dar uma volta pelo local para conhecer os monumentos históricos que o antigo Egito havia deixado como parte de sua história. O sol estava tão quente que até as areias do chão estavam fervendo. Kazuya estava descalço trajando uma calça longa branca e uma camiseta regata da mesma cor que foram dadas a ele enquanto recebia os cuidados das enfermeiras de Cleópatra. Uma gota de suor descia seu rosto enquanto avistava um trio de pessoas trabalhando pesado na reconstrução de uma das pirâmides que haviam sido danificadas, aqueles três lhe pareciam familiar, enquanto caminhava ele os observava os encarando para melhor analisa-los, de tanto os encarar, Kazuya foi percebido por um dos três. Uma criança pequena dos cabelos castanhos e lindos olhos azuis o encarou com um olhar confuso, tentando entender o que ele estava fazendo ali, por um instante ele parou de caminhar e outros dois adultos começaram a encara-lo, por algum motivo o olhar daquele trio o fazia se sentir estranho, inquieto e com dor no peito. Kazuya se virou para ir embora, mas quando percebeu a pequena menina o segurava pela calça e o recebia com um sorriso simpático no rosto, ele se virou e então a garota o puxava para leva-lo aos outros dois que também sorriam da mesma forma.

— Quem são vocês? – Perguntava confuso

Não houve resposta, os três apenas sorriam amigavelmente enquanto pegavam tijolo por tijolo para colocar na pirâmide destruída. Kazuya então começou a ajuda-los sem questiona-los. A sensação de ajudar aquelas pessoas o trazia de certa forma um bem-estar, o sorriso da pequena menina fez com que pela primeira vez depois de muito tempo Kazuya sorrisse também e dessa vez um sorriso de verdade.

— Obrigado pela ajuda – Disse a senhora com um olhar bem cansado

— Nem sei como lhe agradecer – Agradeceu o senhor que parecia ser o pai da criança e marido da velha senhora

Aquela situação trazia lembranças a ele, lembranças que apesar de distantes e pertencentes a um passado longo, ele carregava consigo todos os dias de sua vida, seus pais e sua querida irmã, naquele momento os três eram como se fossem sua família, era como se ele estivesse revivendo aqueles tempos bons de sua infância, momentos que haviam se tornado um pesadelo.

— Nos ajude Kazuya ... – Disse a menina que de repente estava deitada em uma poça de sangue

— Mas oque?! – Perguntou ele a si mesmo surpreso com aquilo

Ao olhar as próprias mãos Kazuya notou que elas haviam diminuído, sua voz também estava mais fina como a de uma criança, nada mais fazia sentido. Os pais da garota também estavam no chão com os olhos apagados sem expressão de vida e finalmente ele havia notado aonde estava. Era um pesadelo! Um pesadelo que ele sempre tinha todas as noites.

Os rostos daquelas três pessoas agora tomavam forma, forma das três pessoas mais especiais da vida do cavaleiro de morcego, as únicas pessoas que um dia levavam o amor e a paz a seu coração, A sua família. Novamente ele estava no inferno, no momento em que os perdeu de forma trágica para a maldade do mundo e era assim quase todas as noites, sempre com o mesmo pesadelo, sempre voltando ao inferno do morcego.

E finalmente Kazuya acordou, sua respiração estava ofegante e seu corpo estava pingando de suor, ele olhou para os lados para ver aonde estava e o local parecia mais um quarto de enfermaria do que outra coisa, as roupas que ele vestia era a mesma do seu sonho que as servas egípcias haviam entregado a ele. Kazuya se descobriu do lençol e saiu da cama, se aproximou de uma mesa que havia no quarto e pegou um copo de água para beber, seu coração ainda estava acelerado devido ao pesadelo e ele ainda estava perdido no tempo, ao olhar pela janela notou que o céu ainda estava escuro.

A madrugada havia chegado a necrópole de Gizé, Aioros havia pedido gentilmente para que Cleópatra cuidasse de Seiya e Kazuya, pois devido as batalhas e lutas que tiveram ambos estavam muito machucados. Enquanto as servas cuidavam dos cavaleiros de bronze, ele ainda precisava fazer algumas perguntas a Cleópatra sobre o livro de Rá. Por mais que já estivesse muito tarde, não havia tempo a perder. Aioros saiu do quarto onde estava alojado e voltou ao antigo local onde havia sido levado por Ramsés e Aarão para encontrar a sua deusa. O cavaleiro de ouro estava com certo receio, pois não gostaria de incomoda-la, mas o tempo era curto e ele precisava saber do grande segredo que estava escrito naquele livro.

Ao chegar no local, Cleópatra estava em seu trono, ainda acordada como se já estivesse esperando pelo cavaleiro de ouro. Aioros a encarou e a deusa apenas sorriu em sua direção como se já soubesse o porquê de ele estar ali.

— Sinto muito incomoda-la agora, mas sei que você sabe o porquê de eu vir até aqui

Cleópatra tinha o poder de ler os mais profundos pensamentos dos homens e nem mesmo Aioros que era um cavaleiro de ouro renomado conseguia esconder algo dela.

— Deseja saber sobre o livro de Rá não estou certa? Eu soube no momento em que me disse que queria falar comigo

— Sim, você disse que nas escrituras está escrito algo sobre a guerra, mas especificamente sobre alguém, me diga quem é

Cleópatra se levantou de seu trono e foi até Aioros o chamando para irem a outro local, o cavaleiro a seguiu até uma outra sala, onde nas paredes estavam desenhados diversos desenhos das eras mitológicas egípcias, era possível saber do que se tratava alguns deles, como os deuses egípcios Rá, Osíris e Anúbis, alguns dos antigos guerreiros egípcios e a própria Cleópatra.

— Olhe ali em cima – Disse ela apontando para um desenho de um animal

— Uma serpente?

— Sim, aquele desenho representa o maior segredo do livro de Rá

— Mas qual o significado dele?

— A resposta você encontrará no santuário cavaleiro, não tenho autorização dos meus deuses para revelar as nossas escrituras, mas a sua deusa com certeza irá saber a resposta quando você falar sobre essa criatura a ela. Isso é tudo que posso lhe contar

Aioros bufou de frustração, pois queria saber logo a resposta, mas também não poderia força-la a dizer algo, de qualquer forma ela já tinha ajudado muito e a viajem ao Egito serviu para muita coisa, desde obter informações e até de treinamento para Kazuya e Seiya.

— De qualquer forma, muito obrigado por nos ajudar, quando o sol nascer nós voltaremos ao santuário para contar tudo a Atena – Disse Aioros indo em direção a saída

— Espere Aioros, tem algo que preciso lhe avisar – Afirmou ela fazendo com que o cavaleiro parasse e virasse o rosto sobre o ombro para encara-la

— É sobre seus aprendizes, os dois cavaleiros de bronze

— Seiya e Kazuya? O que tem eles?

— Você sabe que os deuses do Egito acreditam no destino e muita de nossa fé é baseada nisso. E tem algo que eu sinto sobre aqueles dois .... Seiya é um cavaleiro que possui um poder muito grande escondido dentro dele, um poder que poderia até mesmo alcançar um Deus. Mas ele ainda não consegue despertar toda essa força, não sem ajuda de alguém superior a ele

— Hehe, isso é algo que todos nós cavaleiros sabíamos Cleópatra, ele não é um simples cavaleiro de bronze, tanto que foi capaz de derrotar os cavaleiros de ouro tempos atrás

— Ainda não terminei .... – O tom da voz de Cleópatra agora havia ficado mais sério, assim como sua expressão e olhar vago, que mostrava que ela estava preocupada com algo – Aquele outro cavaleiro, Kazuya ....

— O que tem ele?

— Ele carrega uma energia maligna dentro dele, eu sei que você percebeu isso, mesmo quando eu tento olhar dentro do coração dele, eu simplesmente não consigo analisa-lo por muito tempo, pois sinto tanto rancor e ódio em seu coração que é como se eu estivesse me jogando na escuridão.

Aioros sabia do que ela estava falando, pois também já havia percebido isso antes, mas como ele não tinha o dom que Cleópatra tinha, era impossível para ele ter a noção da dimensão em que Kazuya estava submergido na escuridão em que estava.

— Nem mesmo eu consegui enxergar o por que dele sentir tudo isso, mas é como se você eu estivesse vendo Yin e Yang. Seiya luta pela paz e o amor e Kazuya luta pelo rancor e o ódio. O poder que ele pode conseguir se cair ainda mais na escuridão pode ser assustador até mesmo para vocês

O poder do ódio, era aquilo que o cavaleiro de ouro pensava naquele momento e também o poder da bondade, amizade, paz e amor, aquilo que os cavaleiros de Atena sempre lutaram para proteger. Aioros seguiu andando até a saída, não podia se preocupar muito com isso agora, pois ainda tinha trabalho a fazer, mas de qualquer modo, aquela informação de Cleópatra não poderia ser ignorada.

x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

Saori caminhava apreensiva pelo santuário, caminhava enquanto estava perdida em pensamentos com o olhar vago e sem rumo, esperando ansiosamente pelo retorno de Seiya e Kazuya, uma sensação de que eles haviam descoberto algo começava a tomar conta de seu corpo e ela sabia que seria algo importante, naquela altura do campeonato era certo dizer que qualquer coisa descoberta seria de alto valor para tentar se armar contra Ares. O deus da guerra sempre foi muito teatral em suas ações e dessa vez não foi diferente, ela sabia que todo esse papo de conversar para chegarem a um trato para chegarem a um acordo era apenas encenação e na verdade o que ele queria era o domínio da terra, como quis a eras atrás.

O sol iluminava cada canto do santuário, o céu estava azul e o mar refrescava o local graças a brisa que ele trazia, Saori mal percebeu que estava já estava na praia onde havia tido sua conversa com Kazuya, mas para sua surpresa ela não estava sozinha, perto da casa onde o cavaleiro de morcego estava hospedado, se encontrava Máscara da morte junto de Afrodite o cavaleiro de peixes. Dava para notar que eles estavam conversando seriamente sobre algo e o cavaleiro de câncer carregava algo em sua mão. Saori decidiu ir até eles, pois ainda precisava ter uma conversa mais séria com Máscara da morte.

— Boa tarde, o que estão fazendo aqui? – Perguntou surpreendendo os cavaleiros

— Atena! Boa tarde, máscara da morte veio até aqui pois estava à procura de alguém – Afirmou Afrodite

Máscara da morte tinha algo na mão que mais parecia uma foto ou um desenho de alguém. O cavaleiro de câncer olhou fixamente para a foto antes de entregar a Saori, ao analisa-la ela notou que mais parecia um desenho, um desenho de uma menina, uma garotinha dos cabelos castanhos, olhos azuis e um sorriso inocente de criança.

— Eu soube que meu aprendiz estava nessa casa, você sabe onde ele está Atena? – Perguntou Máscara da Morte

— Bom .... Ele viajou com Aioros para o Egito, mas já deve estar chegando, mas que desenho é esse? – Perguntou Saori olhando para o desenho

— É uma caricatura da irmã de Kazuya, ele desenhou isso pouco tempo depois de sair comigo do vilarejo em que morava.

Saori olhou para a foto e abriu um pequeno sorriso no rosto, por mais que ele fosse alguém rancoroso, Kazuya carregava um objeto de valor por ter alguém especial em seu coração, sua irmã.

— Não comum ele esquecer esse desenho, provavelmente ele viajou às pressas – Afirmou o cavaleiro de câncer

— Máscara da morte, eu gostaria de falar com você sobre ele, com certeza você o conhece melhor do que eu, mesmo portando uma armadura ele se recusa a dizer que é um cavaleiro de Atena e não me deixa me aproximar

— Hehe, aquele moleque nunca foi fácil de lidar, até mesmo eu tive dificuldade em ensina-lo – Disse ele rindo e coçando a nuca relembrando os anos em que era tutor

— Porque o escolheu para ser seu aprendiz? – Perguntou Afrodite curioso

— Eu estava passando perto daquele vilarejo em uma missão que Saga havia me comandado, quando de repente ouvi a gritaria de agonia dos moradores, para falar a verdade eu nem ia me meter, mas os gritos me incomodaram e decidi acabar com a brincadeira daqueles marginais, foi quando vi Kazuya testemunhar o assassinato da sua família, foi quando senti a escuridão entrar em seus olhos ....

Saori tentava imaginar, mas não conseguia, sua expressão que antes havia um sorriso agora havia mudado para uma tristeza ao imaginar a situação. Afrodite também estava sério e olhando para o mar.

— Naquela hora eu vi a oportunidade que teria de criar um cavaleiro de poder extraordinário, pois com aquele ódio poderia vir o poder ....

— Como eu pensei, você se aproveitou daquela situação para poder deixa-lo mais forte, não foi? – Perguntou Saori já sabendo da resposta

— Sim .... Os humanos têm dois caminhos para serem fortes, o amor e o ódio, o dele é o ódio, é um caminho mais escuro, sombrio e sofrido, mas isso o torna tão forte que me arrisco a dizer que seu cosmo já é tão grande quanto os dos cavaleiros de ouro

— Mas em troca ele sofre todos os dias, eu sinto isso só de olhar par ele, quando ele voltar e tiver que treinar com você, peço que use uma maneira diferente de ensina-lo – Saori o ordenou de forma séria

— Atena, eu sinto em lhe dizer, mas não sou eu que o obrigou a treinar dessa forma, foi ele que aceitou, pois assim como eu ele sentiu na pele que o mundo não é um mar de rosas

A tensão entre os dois começava a aumentar, Afrodite se sentia sobrando na conversa, mas não podia deixar de concordar com Saori, mas Máscara da morte sempre foi um cabeça dura e provavelmente Kazuya acabou herdando isso de seu mestre. A tensão no ar desapareceu ao ouvir a voz de alguém que havia chegado ali,

— Já faz muito tempo em Afrodite e Máscara da Morte?

Aioros havia chegado junto com Kazuya e Seiya. O cavaleiro de Pégaso saiu correndo na direção de Saori que o recebeu com um grande sorriso no rosto, Kazuya avistou seu mestre de longe e não fez nada além de fazer um pequeno aceno com a cabeça que acabou fazendo com que Afrodite risse do cavaleiro de câncer, que respondeu com um tapa na cabeça do cavaleiro de peixes.

— Já estava preocupada com vocês – Afirmou Saori

— Estamos bem Atena, mas tenho coisas importante a discutir com você sobre o livro de Rá

— Livro de Rá? O livro que o Ikki trouxe?

— Sim, é uma longa história, seria bom eu falar com você a sós o quanto antes

— Tudo bem, vamos ao meu templo, aproveitamos e damos uma olhada no livro

Saori olhou com um olhar de desconfiança, mas com certeza era algo importante, ela só não entendeu o por que dele não querer falar sobre o assunto ali na hora e precisava ser particular. Seiya disse que iria com os dois, mas foi barrado pelo cavaleiro de Sagitário.

— Seiya, isso é um assunto que está além de nós, eu não contei nada a vocês dois pois isso parece envolver até mesmo os outros deuses gregos

— Affê! Tudo bem, Saori se precisar de ajuda, não hesite em me chamar

— Tudo bem Seiya, estou feliz por ter vocês de volta, a viagem deve ter sido cansativa, descanse um pouco e depois eu lhe chamo

Saori já estava indo até seu templo, quando lembrou que carregava a caricatura desenhada por Kazuya, antes dela sair do local, ela então se aproximou do cavaleiro de morcego e a entregou, Kazuya ficou sem entender, mas quando viu o que a deusa estava lhe entregando ele se surpreendeu, pois não era comum ele esquecer algo tão valioso mesmo em uma viajem. O cavaleiro olhou para Atena e seus olhos se fitaram por um instante. Um sorriso apareceu no rosto de Saori pois sabia que no fundo Kazuya ainda tinha os sentimentos que sentia por sua família e ali ela percebeu que mesmo ele se negando a dizer, ele era sim um cavaleiro de Atena.

— Vamos senhorita Atena? – Perguntou Aioros

— Claro

Os dois saíram da praia e deixaram os outros cavaleiros para trás, Kazuya olhou para sua caricatura mais uma vez e a guardou no bolso. Seiya ficou curioso mas preferiu não perguntar nada, apenas ficou olhando Saori se distanciar, tentando ignorar a vontade de segui-la junto com Aioros, o cavaleiro de Pégaso bufou e então decidiu ir embora, mas não antes de falar suas últimas palavras para Kazuya

— Bom Kazuya, acho que essas viajem serviu para nos mostrar que ainda precisamos melhorar, não é? Bom, agradeço por ter lutado comigo e espero que saiba que eu também quero lutar com você de novo, mas na próxima eu sairei vencedor – Afirmou confiante fazendo um sinal de positivo com o polegar e sorrindo enquanto se distanciava

— Mal posso esperar ....

Máscara da morte observava toda aquela cena e se perguntava o que tinha acontecido com seu aprendiz, era estranho revê-lo depois de muito tempo, certamente ele sabia que Kazuya já não era aquela criança frágil e indefesa que ele treinava, mas sim um cavaleiro.

— Então você é o aprendiz do Máscara da morte? – Perguntou Afrodite chamando a atenção de Kazuya – Ele nunca falou sobre você, para falar a verdade só fiquei sabendo da sua existência quando cheguei no santuário

Kazuya arqueou uma das sobrancelhas se perguntando se Afrodite queria provoca-lo com aquela afirmação.

— Ei ei, eu nunca falei sobre ele por que não era necessário ok? Se não se importa Afrodite, gostaria de ter uma conversa em particular com ele, depois eu vou até a sua casa para gente dar uma saída e aproveitar essa nossa nova vida ta? – Perguntou rindo

— Sem problema então, até mais Kazuya

Afrodite saiu de perto para deixar os dois conversando a sós, e finalmente Kazuya estava diante de seu mestre novamente, desde que foi morto por Shiryu na batalha das doze casas, Kazuya permaneceu na solidão por muito tempo por todos esses anos e mesmo assim ele mostrou que conseguiu treinar e elevar seu cosmo ao máximo se tornando o cavaleiro de bronze de morcego.

— Eu nunca imaginei que você estivesse vivo e usando a armadura de morcego, hehe, vejo que meus ensinamentos valeram a pena para você

— É, mas ainda bem que não segui seus passos, ou seria morto por um mero cavaleiro de bronze ....

— Continua com a língua afiada em moleque! – Gritou Máscara da morte em alto tom – Hehe, mas seria mentira minha dizer que não me senti orgulhoso

— Nesse caso obrigado – Disse Kazuya jogando a sua urna na areia para tirar o peso das costas

— Essa armadura nunca foi usada por ninguém, foi encontrada por mim em uma gruta na Austrália, estava isolada de todas as outras constelações

— Caiu como uma luva, dois isolados em seu próprio mundo na escuridão, eu e essa armadura, é até poético

Máscara da morte se aproximou da urna e se agachou apara analisar os detalhes desenhados na caixa de pandora, era muito bem detalhada com o olhar penetrante do morcego como se intimidasse sua presa.

— Você já sabe que Ares está vindo não é?

— Hã? Claro que sei

— Então sabe que não tem escolha e deve lutar conosco, mesmo você se negando ser um cavaleiro de Atena, você é o que é então não deixe que isso te atrapalhe

— Olha só quem fala, você renunciou seu posto de cavaleiro e traiu a sua própria deusa ....

— Exatamente por isso seu idiota! Eu perdi até mesmo minha armadura por me perder no ódio e não quero deixar de ser seu mestre te ensinando o caminho errado que eu tomei. Você me disse que um dia gostaria de vestir a armadura de câncer, não é? Então deverá ser mais forte que eu

— Isso não é problema para mim, meu poder cresce a cada dia, o ódio que tenho dentro de mim vai me levar ao cosmo máximo, foi isso que você me ensinou e é assim que vou seguir em frente.

Máscara da morte encarava os olhos de Kazuya, um sorriso confiante em seu rosto apareceu enquanto afirmava tal fato para seu mestre. O cavaleiro de câncer fechou os olhos, como se lamentasse o caminho que seu aprendiz havia escolhido, mas também sabia que nada poderia pará-lo.

— Pois muito bem Kazuya, temos alguns meses ainda, vamos para seu último treinamento! Se você sobreviver a dor que irá sentir nos próximos dias, você com certeza irá ter um conseguir uma força que quase ninguém conseguiu, mas preciso avisar que é um caminho sem volta da escuridão

— Meus olhos estão no escuro a muito tempo, Sensei ....

x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

Aioros e Saori haviam chegado ao templo de Atena onde estava escondido o livro de Rá, Saori o destrancou do baú em que estava e o colocou na mesa para que os dois pudesses analisa-lo melhor, mas as escrituras eram tão antigas que permaneciam indecifráveis. Aioros começou a foliar página por página até encontrar a mesma figura que havia encontrado no desenho das ruínas egípcias.

— Aqui! – Disse o cavaleiro apontando para o desenho de uma serpente

— Isso é uma cobra?

— Sim Cleópatra disse que se eu mostrasse isso a você, você poderia desvendar o que estava escrito nesse livro, ela disse que era algo que nem mesmo ela poderia me contar, pois não tinha autorização dos deuses para isso

Saori ficou sem entender o porquê de Cleópatra ter dito aquilo para Aioros, mas provavelmente ela estava certa, se aquelas escriturar envolviam Ares, era porque outros deuses também tinham alguma ligação com aquilo.

— Uma serpente e aqui parece ser o Santuário de séculos atrás, mas o que tem haver essa cobra com o Santuário? Não consigo entender, mas é possível que ....

Naquele momento Saori parou de terminar a frase e uma imagem veio a sua cabeça, uma imagem de várias histórias que foram contadas a ela, história que eram conhecidas como lendas ou folclores

— Atena? Está tudo bem?

— Droga .... – Desabafou em tom de sussurro

— O que houve? – Perguntou Aioros confuso

— Eu entendi do que se trata essas escrituras, está escrito os detalhes da antiga guerra e essa Serpente foi fundamental para nossa vitória nessa época

— Então só precisamos ir atrás dessa entidade e pedir suporte, assim poderemos vencer de novo

— Não, essa entidade foi banida da história pelos deuses, essa serpente era o cavaleiro mais forte de todos os tempos

— Mais forte?

— O décimo terceiro cavaleiro de ouro, Serpentário

Aioros se surpreendeu com aquela afirmação, já tinha ouvido falar sobre o cavaleiro de serpentário, mas sempre escutou essas histórias como lendas e nunca foram levadas a sério. O cavaleiro de serpentário era conhecido como Asclépio e graças a seu poder de curar as pessoas e qualquer tipo de doença ele acabou sendo venerado como um Deus por muitas pessoas do santuário, seu poder era tanto que chegou a ser comparado com os próprios deuses e devido a sua arrogância de querer se comparar a uma verdadeira divindade, ele acabou sendo excluído da história.

— Essas histórias sobre Asclépio, são realmente verdadeiras? – Perguntou Aioros

— Eu não posso afirmar com toda a certeza, mas é bem possível que seja verdade, já ouvi diversas histórias que dizem de tudo! Desde de seu corpo está em um túmulo, ou que está preso no inferno, ou que sua existência foi dizimada por Zeus.

— O que quer que façamos Atena?

— Não temos escolha – Disse Saori guardando o livro novamente no baú e o trancando – Temos que esperar esses dias até que Ares chegue e possamos enfrenta-lo de igual para igual. Por favor Aioros, treine Seiya para que possa se tornar o melhor cavaleiro possível, é provável que ele seja nossa maior esperança junto com vocês cavaleiros de ouro

— Como desejar Atena, com licença – Disse o cavaleiro se reverenciando e saindo do local

Após a surpreendente descoberta, Saori foi até seu quarto para pensar a respeito do que poderia ser feito, ela se sentia a cada nova descoberta que ela tinha. Era certo dizer que Ares iria vir para a terra muito mais forte do que estava na última guerra e Saori estava sentindo que na primeira disputa ela já estava ficando para trás. Saori entrou no quarto, trancou a porta e a trancou para não ser incomodada, foi até sua cama e se sentou começando a ficar perdida em seus pensamentos.

— Parece preocupada Atena? – Perguntou uma voz conhecida vindo da varanda do quarto

— Kazuya? O que está fazendo aqui!?

— Vim aqui lhe entregar isso – Disse o cavaleiro estendendo a mão com algo

— Mas isso é o desenho da sua irmã, não é? Porque está dando? Isso deveria ser algo especial para você

— E é, por isso não posso ficar com ele, lembranças do meu passado irão me atrapalhar no meu treinamento, então estou lhe dando a única coisa que tenho de valor, para você ver que com os próprios olhos que estou renegando meus laços passados

Saori se levantou e segurou a mão de Kazuya com as duas mãos, para que ele segurasse a caricatura. Mais uma vez seus olhos se encaravam e o olhar de Saori demonstrava que aquele gesto de Kazuya era inaceitável.

— Você está mesmo desistindo do amor de sua família, somente para conseguir mais força?

— Não vejo o porquê de você se importar com isso! Quanto mais poder e tiver, melhor para eu destruir os exércitos de Ares certo? Então deveria estar feliz – Afirmou entregando o desenho a ela e dando meia volta para sair do quarto

— Como posso ficar feliz vendo você acabar com a própria vida assim?

— Se quiser eu não vou, fico no santuário e perdemos a luta contra Ares, é isso que quer? – Perguntou irônico caminhando para fora do quarto

Saori foi em sua direção e segurou a sua mão impedindo sua saída. Kazuya virou o rosto para encara-la e notou que os olhos de Saori estavam sérios, mas também com lagrimas, lágrimas por ver um de seus cavaleiros partir para seguir um caminho errado, de dor e sofrimento. Kazuya permaneceu olhando fixamente em seus olhos por alguns segundos e soltou sua mão da dela.

— Minha vida acabou a muito tempo atrás Saori, não se preocupe comigo, se preocupe com os outros cavaleiros e com a terra. Voltarei mais forte quando faltar alguns dias para a chegada de Ares – Disse Kazuya saindo do quarto e fechando a porta, deixando Saori sozinha novamente.

Atena se perguntava o que levava a Kazuya a fazer tudo aquilo, parecia que a cada dia que passava, o sofrimento do cavaleiro só aumentava. Que tipo de treinamento ele iria fazer para que fosse necessário se livrar das únicas lembranças boas de sua vida? Essa era uma das perguntas que Saori se perguntava enquanto olhava para o desenho da pequena menina que estava em suas mãos.

Notas finais
Proximo capitulo se passara meses após esse, assim as coisas vão acontecendo mais rapido kkkk Será um especial para todos os cavaleiros de bronze, não percam =)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.