Saint Seiya New Generation
6 As histórias antigas
Notas iniciais
Gustavo conseguiu se livrar da raiz, indo até a amazona de Cassiopeia, que se erguia devagar. – Onde está Bela?
– Eu não sei... – Ela estava ofegante e toda suja. Seu corpo tinha alguns cortes e marcas roxas espalhadas aqui e ali por causa do ataque que sofrera.
O Dragão olhou ao redor, vendo um brilho esbranquiçado ao longe, vindo de seu lado direito. Ao se voltar para lá, percebeu que era o golpe “Meteoro de Pégaso” de Bela. Ele e Célia logo correram para lá, ficando atônitos ao ver o estado do jovem rapaz ali caído.
Nesse momento, Ikki tinha dado um forte golpe com a mão no cipó, o torando e estendendo os braços para pegar Fênix. Enquanto a garota caia, o cavaleiro pode ver seu queixo, boca, e bochecha de baixo da máscara, que tinha levantado um pouco. Tudo muito rápido, porque Luna logo a ajeitou.
Parado, o cavaleiro de ouro ficou há olhando um pouco perdido. Ele tinha visto o rosto de uma amazona. E ele era lindo! Não chegou a ver completamente, mas aquilo foi o suficiente para despertar a curiosidade dele.
A garota tentava controlar a respiração, então ao olhar para Ikki, esperando um de seus ataques de hostilidade por ainda permanecer em seus braços, ela encontrou algo diferente, que há deixou um pouco confusa. Os olhos azuis do leonino não saiam dela, fazendo o coração da menina saltar pensando que sua máscara estava fora do lugar. Luna a tocou para ver se estava tudo Okay e percebeu que não havia nada de errado. Mas então o que aquele louco estava pensando? – Hm... Ah, meu herói? – Disse ironicamente.
Ao ouvi-la falar ele tratou de afastar os pensamentos do rosto da aprendiza, franzindo o cenho. – Ora garota. Saia! – E a soltou, bem a tempo da investida dos cipós.
Enquanto isso, o cavaleiro de prata conseguiu se soltar, indo até o corpo de seu companheiro, mas outra vez foi pego por um cipó, que apertava fortemente seu pescoço. O sangue começou a lhe subir aos olhos e seu pescoço foi ficando roxo. Luna foi até lá, torando a planta. Ao chegar perto do cavaleiro, notou que este ainda estava vivo, mas inconsciente. Percebeu que ali perto havia outro, mas esse já estava morto, então começou a rezar por sua alma.
– Tudo bem por aqui? – Ikki chegou perto de Bela e os outros.
– E-ele está... – Soluçou Bela, com a cabeça de Jack apoiada em seu ombro.
– Hey! – Célia se abaixou perto da menina, tentando consola-la. — Vai ficar tudo...
Ikki parou de ouvir ali, sentindo um estranho e forte cosmo surgir devagar. Ele olhou ao redor, todas as plantas haviam parado no ar exatamente onde estavam. Aos poucos elas foram recuando, as raízes voltavam para baixo da terra, e os cipós para seus respectivos galhos. Foi então que ele percebeu que aquele cosmo vinha de Luna.
Como uma simples amazona de bronze tinha um cosmo como aquele? Nem ele mesmo sabia. Era quase como o de Athena, mas com alguns pontos únicos, e de imediato ele sentiu-se calmo como há tempos não se sentia. Ikki balançou a cabeça, se focando no essencial aquele momento. – Luna.
Saori estava inquieta na cama, há algum tempo tinha perdido o sono e estava com uma sensação ruim. Ela embolou na cama, olhando o teto. Estava se sentindo observada. No escuro daquele quarto sua imaginação fazia vultos, silhuetas e barulhos estranhos. Ela tinha tentado se manter calma esse tempo todo, mas as guerras estavam voltando mais uma vez. O nervosismo e o pânico pareciam querer chegar para ficar em sua mente.
A jovem tinha quase certeza, que aquela pessoa que sua imaginação formava no escuro, estava se aproximando dela aos poucos. Saori se encolheu na cama, a sensação ia aumentando cada vez mais e uma lembrança dos espectros de Hades veio em sua mente. Quando teve a impressão de que já estava bem perto de si, ela não aguentou e se sentou com um grito, acendendo a luz do abajur. O quarto estava normal.
– Eu devo estar ficando maluca... – Disse se levantando da cama, calçando as pantufas. Ela vestia um blusão azulado de mangas compridas, e uma calça folgada branca.
A garota foi até o relógio na cômoda, vendo que já passava da meia noite, então se viu no espelho, se surpreendendo. Seu cabelo estava completamente assanhado. Bufando com um pouco de raiva, ela juntou os cabelos no alto da cabeça, pegando uma fita azul e os amarrando.
– Melhor... – Disse analítica, passando os dedos no cabelo, substituindo o pente na tarefa de ajeitar aqueles fios.
Logo caminhou até a porta, decidindo ir beber um pouco de água na cozinha. Ao abrir a mesma viu Seiya parado ali na frente, com a mão levantada, ele ia chama-la.
– Seiya? – Ela o olhou confusa por ele está ali àquela hora da noite, saindo do quarto e fechando a porta.
O sagitariano ficou corado ao ver a garota, abaixando a mão. – Oi! – Sorriu. Ele vestia uma blusa regata branca e folgada, com uma bermuda vermelha. – Também não consegue dormir?
Ela suspirou, abaixando os ombros. Talvez aquilo também o preocupasse. Saori fechou os punhos com força ao sentir e mordeu os lábios trêmulos quando sentiu o nervosismo chegar, tentando permanecer calma.
Mais o garoto notou seu estado, franzindo o cenho. – Esta tudo bem? – Perguntou preocupado, chegando mais perto.
Em um instante ela abraçou-se ao pescoço dele, não conseguindo mais engolir o desespero repentino. – Está acontecendo tudo de novo! Tudo... – Dizia, sentindo os olhos lacrimejarem. – Catástrofes. Tragédias. Dor... Tudo por minha causa!
– Saori! – Ele se surpreendeu, colocando as mãos em suas costas. – Calma, calma... Vai ficar tudo bem. — Seiya não esperava aquilo agora, mas ela também já tinha sido forte demais.
Os dois permaneceram ali por um tempo. Ela deixou que algumas lágrimas lhe escapassem, então apoiou a cabeça na volta do pescoço de seu cavaleiro, com ele fazendo carinho em suas costas.
– Além do mais, eu não deixaria nada acontecer a você.
Athena levantou a cabeça para seu cavaleiro, olhando bem nas orbes castanhas dele. Já o mesmo a olhava com um sorriso doce, passando o polegar e as costas da mão direita por seu rosto para enxugar as lágrimas, e com a outra mão em sua cintura se aproximou um pouco mais.
– Te protegerei para sempre.
Ela ficou vermelha, chegando também mais perto e fechando os olhos ao vê-lo aproximar os lábios dos seus. Mas naquele momento um forte cosmo pode ser sentido, fazendo os dois se afastarem, surpresos.
– O que foi isso?!
– Está perto... Fique aqui Sao! – Disse o cavaleiro, se afastando.
– Não Seiya! – Ela segurou a mão dele mais que depressa. – Eu vou com você. – Falou decidida.
Eles se olharam seriamente por um tempo. Ele só queria protegê-la, mas ela não parecia que estava disposta a voltar atrás tão fácil. Logo então o cavaleiro suspirou, abaixando os ombros.
– Está bem... Pelo menos não te deixo só.
Ela sorriu, bem animada.
– Seiya! Saori! – Disse Shiryu, abrindo as cortinas. – Está tudo bem por aqui?
– Até agora sim. – Ele chegou mais perto dela.
– Pessoal! – Hyoga veio correndo para lá.
– Vocês também sentiram aquele cosmo hein? – Athena soltou devagar a mão do cavaleiro, corada.
Eles concordaram com a cabeça, e foi nessa hora que Shun apareceu. Ele olhou para os outros, franzindo o cenho. – O que estão esperando? Venham! – E saiu mais uma vez.
Os outros se entreolharam – com exceção de Shiryu; então saíram correndo para acompanhar o virginiano. Eles seguiram o corredor que levava aos quartos, e quando chegaram ao mesmo, encontraram Tamina e Rachel. Juntos continuaram seguindo o corredor dos quartos até o fim, dobrando num outro corredor à direita. Mais a frente encontrava-se uma porta, e ao passarem, chegaram à área da piscina.
Aquela parte do prédio não era fechada, e dava para a parte de trás, onde ficava a estatua de Athena, mas em baixo de uma coberta estava a enorme piscina.
– Uau... – Tamina parou um pouco para olhar aquela coisa enorme que eles chamavam de piscina, mas por ter parado de uma vez, acabou causando um esbarrão. – Ai! Desculpe. – Disse se virando, um pouco surpresa.
Era Hyoga, que tinha ficado igualmente surpreso. – Tudo bem. – Ele passou à destra nos cabelos da nuca, sorrindo sem jeito.
– Eu sinto muito mesmo, foi descuido meu. – Disse rindo também, ainda constrangida.
– Tami, vem! – Rachel agarrou o braço da amazona, a puxando para frente. Então se voltou para Hyoga sobre o ombro da amiga, apontando os dedos para seus olhos e depois para ele, num famoso “estou de olho”.
– Calma Cygnus! – A menina foi com ela, e ao olhar para o lado esquerdo, se deparou com aquele imenso pátio escuro, a estátua de Athena, e aquele bosque assustador de onde o cosmo estava vindo.
Hyoga ficou logo atrás das duas, olhando para frente. Estava tudo silêncio, a não ser pelo vento que soprava alto aquela noite.
– Esse cosmo está ficando mais forte...
O aquariano ouviu Tamina dizer, vendo a mesma segurar o braço de sua aprendiza fortemente. “Igualzinha a Shun.” Pensou, sorrindo. Então, para tranquiliza-la um pouco, ele endireitou a postura e discretamente tomou a frente das duas garotas. Não passando despercebido por Andrômeda.
De repente eles ouviram algo vir do bosque. Todos, ansiosos, foram mais para frente, querendo ver quem era. O vulto se apresentou fora do meio das árvores, e quando chegou mais perto deles descobriram que era Jabu. Ele estava vestido da armadura de ouro de Escorpião, nas costas trazia a urna da armadura de Unicórnio, e em seus braços levava uma jovem amazona, de cabelos bem cumpridos e loiros, e pele branca.
– Jabu! – Saori, acompanhada dos outros, foi até ele.
No entanto, Seiya os seguiu um pouco relutante, com o cenho franzido. Aquele reencontro não era tão desejado pelo cavaleiro de Sagitário.
– Athena! – Jabu se inclinou um pouco, com cuidado por causa da garota. – N-não temos muito tempo. E-ela está perdendo muito sangue!- Gaguejou pelo nervosismo, estendendo um pouco os braços para frente, onde a menina estava.
– Deixe-a comigo! – Apresentou-se o cavaleiro de Virgem, pegando a jovem dos braços do companheiro. Logo então sentiu um liquido estranho lhe melar o braço, percebendo ser sangue. Ela tinha um grande ferimento na nuca que descia até uma parte das costas.
Quando o mesmo ia se afastando, percebeu que mais pessoas apareceram do bosque, reconhecendo de imediato um deles sendo seu irmão.
– Ikki?!
Ele, Luna, Célia, Gustavo, e Bela, chegaram perto deles. Alguns cansados e ofegantes, e outros carregando corpos de cavaleiros. O que terá acontecido?
– Ajudem aqui! – Chamou Gustavo.
Seiya foi até eles, pegando o corpo do cavaleiro ainda vivo.
– Gustavo?! – Exclamou Shiryu, surpreso. – O que foi fazer fora do santuário?
– Xii... Danou-se. – Sussurrou, encolhendo os ombros.
– Melhor conversarmos lá dentro. Vamos! – Chamou Saori, entrando e sendo acompanhada por eles.
– Aqui está. – Disse Tamina entrando no cômodo e chegando perto do pessoal. Trazia consigo uma caixinha de primeiros socorros que Shun tinha pedido que trouxesse.
Eles estavam na sala de estar onde Gustavo passou anteriormente, perto do corredor dos quartos. De costas a parede do lado esquerdo do cômodo tinha um grande sofá, onde eles forraram um pano para não manchar de sangue e deitaram os feridos. Jabu estava em pé ao lado direito do sofá, perto da menina; ao seu lado estava Seiya, com um semblante um pouco irritado, ele encostava-se justamente na poltrona onde Saori se sentava. Mais um pouco para lá no sofá estavam Célia e Bela sentadas, onde a amazona enfaixava o braço esquerdo da mestra, cabisbaixa, pensando em Jack; em pé perto as duas estavam Hyoga e Rachel, qual estava morta de sono. Daquela ponta do sofá também tinha uma poltrona, onde Shiryu se sentou, com Gustavo e Luna do seu outro lado. No chão, ajoelhado perto aos feridos, estava Shun, que pegou a caixinha das mãos da amazona e sorriu em agradecimento, a abrindo. E um pouco afastado, de costas na parede, estava Ikki, qual ainda permanecia confuso e curioso a respeito de Luna.
– Como assim cipós? – Perguntou Hyoga, ainda sem entender como pode ser isso.
– Foi isso mesmo. – Jabu ainda olhava a amazona deitada de bruços, com seu ferimento exposto. – Não sabemos como. Mas o bosque nos atacou.
– Sair daqui foi muito arriscado! – Repreendeu Saori, cruzando os braços.
– Concordo senhorita. – Disse Shiryu, endireitando a postura. – Mais isso pode ter nos ajudado.
– Ajudado? – Tamina terminou o curativo no braço do cavaleiro de prata, qual já teve seu pescoço imobilizado.
– Mas é claro! Pense só. – Ele foi um pouco mais para frente, dando um sorriso de canto. – A floresta os atacou, a terra esta cheia de terremotos, deslizamentos, erupções. Conseguem entender?
Ikki chegou um pouco mais perto, querendo ver se era o que ele estava pensando. – Quer dizer que eu fiz certo em agir errado?
– Em parte... Luna, por que você quis sair a principio? – Saori olhou para ela.
– Bom, na reunião que tivemos, eu e Gustavo vimos um vulto nas janelas. No começo até pensamos que era Ikki, e nem comentamos nada na hora por não sentirmos um cosmo ameaçador. – Explicava, com Gustavo a balançar a cabeça, concordando. – Mais ainda assim eu fiquei desconfiada e decidi dar uma olhada.
– Mais só voltou por minha causa. – Comentou Ikki em tom sarcástico, chegando perto da poltrona de Saori para ficar bem de frente à Fênix.
– Se eu não tivesse saído não descobriríamos nada, e nem teria ninguém para você seguir. – Luna respondeu com o mesmo tom, também cruzando os braços.
Tanto Ikki quanto Gustavo tiveram certeza de que ela estava sorrindo em baixo da máscara. O leonino pensou no possível sorriso, mas logo afastou o pensamento. “Perca de tempo.” Assegurou. Mais não conseguia afastar a ideia dela ter lindos lábios, o que o deixava irritado.
– Não importa quem foi o mais notável aqui. – Falou Saori, olhando para eles. – O que importa é desvendar isso de vez!
Ela estava certa, o que os fez permanecerem quietos, pensando. O planeta parecia vivo, literalmente! E isso os deixava confusos. Não tinham um adversário real contra qual lutar, e destruir a terra estava fora de cogitação. A não ser que...
– Não pode ser! – Exclamou Shiryu, surpreso e levantando a cabeça de uma vez.
– Você entendeu não foi? – Falou Saori, ainda de cabeça baixa.
– O quê? – Perguntou Seiya.
– Vocês não estão se referindo a...? – Comentou Hyoga, olhando os dois.
– É só uma teoria. – Saori afundou na poltrona.
– Quem? – Insistiu Seiya, os olhando. Ele representava todos que não entendiam naquele momento.
– Ela deveria ser a primeira a querer paz... – Shiryu balançava a cabeça.
– Eu não estou entendendo nada! – Rachel coçou a cabeça, se apoiando no sofá, ainda com sono.
– Mais eu estou. – Disse Tamina, terminando o curativo na região das costelas do rapaz e se levantando.
Todos a olharam, esperando explicações, mas Seiya ficou com uma cara de como se acabasse tudo, desistindo de entender.
– Quando eu terminei de desfazer as malas, sai pelo prédio para conhecê-lo melhor. – Ela foi para mais a frente deles. – E foi aí que eu encontrei um livro na biblioteca que pode ajudar.
– Então vamos lá agora! – Disse Saori, se levantando.
– Ficarei aqui para cuidar dos feridos, senhorita. – Avisou Shun.
– Claro! Pode ficar também Célia, é melhor.
A amazona consentiu, enquanto os outros se levantavam, saindo do cômodo. Dobraram a esquerda e seguiram aquela direção, dando no corredor da sala de jantar, então dobraram a direita, de onde Ikki tinha vindo. Passaram pela porta do jardim, qual Gustavo passou no outro dia e mais a frente, na mesma parede, encontraram outra porta. Ao abrirem-na, deram no corredor externo, onde Hyoga, Shiryu e Seiya tinham se encontrado mais cedo.
– Olá. – Disse Ikki, perto do ouvido de Luna.
Ela suspirou surpresa, o olhando de canto. – Oi. – Respondeu indiferente, continuando a andar.
– No que é que você está pensando? – Perguntou, caminhando ao lado dela, qual estava mais atrás do bando.
– Em nada... – Respondeu confusa. – Deu para se importar com o que penso agora?
– Não. Só imaginei que a espertinha aqui não estivesse se perguntando, onde estaria o novo Grande Mestre? – Deu ênfase na palavra, com a postura virada para frente e os olhos na amazona, a fim de captar a reação dela, qual endireitou a postura em surpresa.
Agora que ele havia comentado, Michel nem se quer apareceu ali. Mesmo depois do forte cosmo que eles sentiram. – O que quer dizer com isso?
– Eu? No que é que você está pensando? – Sorriu repetindo a pergunta inicial e aumentando as passadas, indo para o meio do povo.
Bingo. Isso foi o suficiente para deixar Luna com uma pulga atrás da orelha. O que era que Michel estava fazendo para deixar Athena de lado? Estava tão perdida nos pensamentos que quando se deu conta, estava no meio de muitas estantes repletas de livros. A bronzeada deixou seus ombros arriarem perante todas aquelas histórias, se aproximando delas. – Que incrível... – Ela sempre amou a leitura, o que aguçou sua observação e curiosidade desde muito nova.
– Qual o livro que você encontrou Tamina? – Perguntou Hyoga junto de Saori e Andrômeda. Eles se aproximavam da categoria de lendas e contos, na galeria de mitologia.
– Ele falava das histórias de milênios e profecias, podemos encontrar alguma coisa nele.
– Mais é claro! – Exclamou Athena, sorrindo. – Podemos encontrar algo no “Glórias” também!
– Vênus estava lendo esse. Vou chama-la. – Disse Seiya, saindo da biblioteca.
– Vou procurar o livro que falei. – Tamina se aproximou da estante.
– Lembra-se do nome dele? – Hyoga chegou perto, com Rachel logo atrás.
– Não lembro direito. Era O Livro... O Livro... – Ela bufou baixinho, tentando se lembrar. – Era um oraculo muito famoso por aqui na mitologia.
– Delfos?
– Isso! – Exclamou, animada. – “O livro de Delfos”!
– Aqui oh! – Rachel o pegou da sétima prateleira.
Saori chegou perto. – Cadê? – Sorriu, ao ver o livro nas mãos de Cisne, o pegando. – Obrigada pessoal. – Disse ela, andando depressa para uma mesa arredondada, com oito cadeiras, logo à frente.
A garota de cabelo roxo se sentou, colocando o livro sobre a mesa e o abrindo, começando a ler o sumario.
Kiki acompanhou cada amigo a sua respectiva casa após a reunião. A casa de Aries era a ultima aos pés da escadaria, então ele não tinha muita escolha. Mas mesmo assim ele se sentia responsável por seus companheiros, ainda mais por Diana, mesmo não sendo o mais velho.
– Boa noite Kiki. – Se despediu a taurina, da porta de sua casa.
– Boa. – Disse com a mesma calma de sempre e um sorriso de canto, começando a descer as escadarias até sua casa. Mas em uma forma que pareceu a Diana um pouco abatida.
Ela olhou o cavaleiro que lhe ajuda a treinar se afastando e sentiu vontade de abraça-lo. Ele não lhe parecia bem. E em meio a um pequeno sinal de hesitação da parte dele, Diana se viu o chamando outra vez.
– Sim?! – Virou-se surpreso o cavaleiro, a olhando.
– Ah... – Ela olhou de canto para o lado, tentando encontrar algo coerente para falar, enquanto se repreendia em pensamento. O que tinha dado nela?! – Bom, não está tão tarde... – A garota se apoiou no pilar branco de sua casa, tentando disfarçar a burrada que fez. – E eu ainda tenho um pouco daquele bolo que Carol fez. Se quiser entrar... E conversar um pouco, sla... – Ela levantou a cabeça, percebendo que ele tinha acabado de parar a sua frente.
– Claro. Pode ser sim. – Ele deu um sorriso suave, para tentar cobrir o grande nervosismo que sentia.
– Que bom! – Ela riu em baixo da mascara. E os dois seguiram pelo amplo corredor da casa de touro, entrando na segunda porta ao lado direito, onde era a cozinha.
Kiki já gostava da jovem há muito tempo, desde que seus mestres os apresentaram, tinham oito anos na época. O ariano sempre foi muito atencioso com ela e sempre a visitava. Com a perca de seus mestres eles se apegaram mais ainda, enquanto consolavam-se. Mais o dourado não sabia se a amazona sentia algo mais que amizade por ele, fazendo o carneirinho nunca se abrir sobre seus sentimentos com ela.
Ele se sentou à mesa, cruzando os braços sobre ela e observando Diana ir pegar a boleira no balcão, de frente para o garoto; e colocar sobre a mesa. Sua cozinha era simples. Quando se entrava lodo podia ser vista, na parede do lado direito, uma porta. Na parede de frente a entrada ficava a pia, seguida de uma ponta do balcão, que dobrava na quina, continuando pela parede esquerda. Ao terminar estava a geladeira. Ao lado esquerdo da porta, na parede contraria a da pia estava o fogão. Bem ao meio da cozinha tinha uma mesa retangular com quatro cadeiras, uma ao lado da outra e de frente a mais duas.
– Que coisa mais estranha, não é? – Perguntou ela, enquanto pegava talheres e um prato.
– Hm? – Kiki balançou a cabeça, arqueando as sobrancelhas. Tinha se perdido em seus pensamentos enquanto observava a garota.
– Isso que conversamos na reunião. – A ruiva ajeitou a mesa, se sentando de frente a ele.
– Ah sim... – Ele ficou mexendo no garfo, pensando. – Eu nem sei o que falar, é tudo tão estranho. – Suspirou.
Ela concordou com a cabeça, olhando para o chão. – Quando lutaram contra Poseidon... – Disse, levantando a cabeça e se debruçando sobre a mesa. – A terra também sofreu bastante com a água. O que poderia ser agora?
Kiki ficou a olhando, analisando o que ela disse. Mais quem poderia se encaixar desta vez? – Seja o que for, faremos de tudo para salvar Athena.
Diana concordou com um suspiro, se afundando na cadeira, com os braços ainda sobre a mesa. O ariano a via fitar um ponto qualquer, provavelmente pensando nessa nova batalha. Ele sabia o que a perturbava. Aldebaram morreu em uma dessas lutas e ele era tudo para a ruiva, que ainda ficava muito triste quanto a isso.
O moreno esticou o braço sobre a mesa, segurando firme a mão da jovem. Ela levantou a cabeça, encontrando os olhos lilases do amigo. Lindos e brilhantes olhos lilases.
– Vai dar tudo certo. – Tentou conforta-la, alisando sua mão com o polegar. Ele não gostava nada de ver sua taurinha daquele jeito.
Ela sorriu, o olhando por um tempo, mas deduziu que ele só via uma imagem fria graças à máscara, tratando logo de arrumar alguma coisa para falar. – Bom... – Pigarreou. – Deixemos isso de lado por um instante para comer. – Falou, abrindo a boleira.
Kiki cheirou o ar, fechando os olhos com a fragrância do bolo. – Hm... Bolo de cenoura.
– Acho que ainda tem chocolate na geladeira. Deixa-me ver. – Ela deu um pequeno pulo ao descer da cadeira, indo até a geladeira.
Kiki sorriu, partindo uma fatia para si e colocando no prato.
– Aqui oh! – Ela se virou para ele com o potinho da calda, fechando a geladeira com o calcanhar.
– Vai ficar ainda melhor! – Comemorou, pegando o pote da mão dela e colocando sobre a fatia do bolo.
– Sorte sua que eu já enjoei disso. – Ela se sentou outra vez.
– Serio? – Ele riu, começando a comer. – Então não vai querer?
– Mesmo se eu quisesse, eu não posso né.
– E por... – Ele engoliu o pedaço, desistindo de perguntar ao lembrar-se da máscara. – É mesmo, sempre me esqueço dessa regra de Athena. – Sorriu, colocando uma garfada na boca.
Diana balançou a cabeça em negação. – Idiota!
– Quem está chamando de idiota? – Perguntou, fingindo estar abismado.
Ela sorriu, apoiando os cotovelos na mesa, segurando o queixo. – Você.
O cavaleiro se levantou. – Vou lhe mostrar quem é idiota.
– É mesmo? E o que vai fazer? – Perguntou em deboche.
Ele sorriu malignamente, começando a ir até ela devagar. Diana arregalou os olhos em baixo da máscara ao imaginar o que poderia ser, então se levantando de uma vez.
– Não!
– Sim!
Diana tentou sair de perto dele em um movimento brusco, mas o amigo foi mais rápido, segurando ela pela cintura e começando a fazer cócegas na mesma.
– Não! – Ela se encolhia, rindo muito, tentando se afastar dele. – Para!
– Retire o que disse! – Ia chegando mais perto dela, cada vez que se afastava.
– Tá bom... – A amazona estava ofegante, cansada de tanto rir. – Retiro! Retiro! – Neste momento ela topou no pé da cadeira, caindo para trás.
– Cuidado! – O ariano a abraçou pela cintura, para que ela não caísse, mas foi puxado para frente, tropeçando nos pés dela e caindo sobre a mesma no chão.
– Ai! Desculpe... – Diana olhou para ele, que estava com o rosto a pouquíssimos centímetros do dela, sentindo as bochechas queimarem.
Kiki ficou corado, olhando para os olhos pratas da máscara dela com o coração acelerado. Como ele queria ver seu rosto. Mas ao perceber que estava sobre a mesma tratou de se levantar, estendendo a mão para ela. – Me desculpe, você está bem?
– Uhum. – Diana pegou a mão dele, se levantando. Agradecendo em pensamento pela máscara.
– Você se rende fácil. – Disse, voltando para seu lugar, comendo.
– O que você queria? Sabe que eu não gosto de cócegas! – Ela cruzou os braços.
– Mais estava rindo.
– E chorando por dentro.
– Exagerada! – Riu, comendo mais uma garfada.
– E você é um desastrado! – Resmungou, o olhando.
– Eu? – Engoliu com dificuldade. – Tropecei nos seus pés, queridinha!
– E eu só tropecei na cadeira por você está fazendo cócegas em mim! – Ela se sentou de frente a ele.
– Você me chamou de idiota. Coisa que obviamente um cara como eu não chega nem perto. – Disse com orgulho de si, colocando a ultima garfada na boca.
– Claro. – Retrucou irônica. – Egocêntrico seria melhor.
Kiki fingiu um engasgo, colocando a mão no coração. – Essa bateu fundo...
Diana começou a rir da reação do amigo. – Dramático! – Mais logo se virou para o balcão, pegando um guardanapo e se debruçando um pouco sobre a mesa.
O ariano parou naquele estante, a observando.
– Você melou o nariz. – Disse, segurando o queixo do amigo e o limpando. – Quem consegue melar o nariz e não a boca?!
– Quem quase morreu chocado com a declaração das coleguinhas. – Disse sarcástico.
Diana começou a rir, se sentando. Ele era realmente bobo. E os dois se puseram a conversar por um longo tempo.
Shun havia acabado o curativo nas costas da amazona, e tinha a virado de bruços no sofá cuidadosamente, se levantando. Não há muito tempo o cavaleiro de prata tinha acordado, disse se chamar Igor e assim como Célia, foi dormir a mando do cavaleiro de Virgem.
Ele agora se encontrava sozinho com a amazona. Sorrindo, ele sentou ao lado dela, que suspirava pesadamente. Passou a mão por seus compridos cabelos loiros e se lembrou de June por um momento, foi aí que se deu conta não fazer a menor ideia de qual era o nome dela.
– Hm... – Gemeu a garota, se mexendo um pouco.
Shun se levantou, com um sorriso grande no rosto. – Olá?
A menina mexeu a cabeça, se encolhendo um pouco. – Não... Não! Vá embora daqui. – Sussurrou. Ela estava tendo um pesadelo. – Nos deixe em paz... O acordo...
Shun franziu o cenho, se ajoelhando ao lado dela. – Hey!
– Zeus nunca permitira! – Disse em fúria, se mexendo mais impaciente.
– Hey! Hey! – Gritou a ultima parte, chacoalhando a menina.
Em um suspiro ela acordou. Olhou para os lados, levando a mão para a cabeça, então pousou o olhar em Shun. – Quem é você?
– Sou o cavaleiro de ouro de Virgem. Meu nome é Shun. – Sorriu. – Qual é o seu?
– Mia... – Tentou se sentar, mais não conseguiu.
– Não tente se esforça. – Ele colocou a mão no ombro dela.
– Posso ao menos sentar? – Ela o olhou, com as mãos prontas para tentar se erguer.
Em um suspiro o cavaleiro fez que sim com a cabeça, ajudando-a a se sentar.
– Bem Mia, está mais calma agora? Você havia tido um pesadelo.
A amazona parou. Lembrava-se em parte do sonho que teve e quando ia falar Saori apareceu na porta, acompanhada pelos outros.
– Senhorita Athena! – Shun se voltou para ela, fazendo uma mesura.
– Encontramos...
Um momento tenso se seguiu, então o chão começou a tremer bruscamente. Luna foi jogada para cima de Gustavo, que esbarrou em Ikki, mas esse não se mexeu. Saori caiu para o lado, derrubando o livro, mas Jabu a segurou antes que caísse também. Rachel e Tamina foram ao chão uma por cima da outra. Hyoga segurou Bela, mais Shiryu bateu em suas costas, fazendo o mesmo perder o equilíbrio e virar levando-os junto. Enquanto Shun caiu sobre Mia, mas apoiou as mãos no sofá, aparando a queda antes de bater nela, com os rostos próximos. A garota havia se encolhido, quase virando, então ao encostar a cabeça no braço do virginiano abriu os olhos, encontrando as orbes verdes do mesmo. E no chão da sala, o livro estava aberto na pagina em que Saori deixou. Gaia.
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