Saint Seiya: Memórias de um Guerreiro

3 Conto 3 - A Loucura do Livro Amaldiçoado. O Rei de Amarelo.


Notas iniciais
Jamais deveria ter aberto aquele livro. O que é aquela coisa? Ionia vai, junto com uma garota, em busca de algo que além da compreensão divina. O problema é que eles não contavam com aquilo.

CONTO 3 – A LOUCURA DO LIVRO AMALDIÇOADO. O REI DE AMARELO.

CAPÍTULO I

“Ne raillons pas les fous; leur folie dure plus longtemps que la nôtre… Voilà toute la differénce.”¹

(O Rei de Amarelo – Reparador de Reputações)

***

“ ...então foi isso! Tudo que aconteceu comigo não passou de mera ilusão e fragmentos de minha vida omissa. Agora eu entendo por que perdi a sanidade mental e me guiei ao caminho oposto da verdade e da razão em que ecreditava. Aquela “coisa” conseguiu me vencer fazendo com que eu acreditasse e adorasse outro Deus, o Marte.”

“E eu já tinha esquecido a promessa que fiz a meu amigo capricórnio; Achei que desenvolvi minha habilidade na prisão. Aquela coisa, de fato, apagou, modificou e embaralhou a minha mente e memórias.”

“Graças à luz de Athena, Aria e Kouga, ele conseguiram quebrar essa coisa que me prendia a incertezas, imoralidade e falta de ética.”

“Dentre muitas coisas que sei e conheço, uma delas eu tinha a certeza... que jamais deveria ter aberto aquele livro.”

***

Século XXI

Palaestra – Sala do Diretor

— Senhor Ionia, em que posso ser útil? – falou o homem fechando a porta.

— Preciso que você faça um favor para mim Geki. – disse ele sentado em uma poltrona atrás de sua escrivaninha cheia de livros, documentos, pergaminhos, xícaras e uma garrafa de café.

— E o que seria senhor?

Ionia se levantou, abriu a garrafa de café e pôs a bebida em duas xícaras; uma ele ofereceu a Geki a outra ele segurou e, posteriormente, bebeu. Depois colocou a xícara em sua escrivaninha e disse:

— Quero que fique aqui em Palaestra, por um tempo, me substituindo.

— M-mas senhor eu tenho uma demanda grande de alunos para ensinar! – exclamou interrompendo sua degustação.

— E terá que cuidar da burocracia também. Mas não se preocupe, o coordenador e o professor George irá ajudará você.

— Obrigado, eu já estava ficando doido só em pensar nas mil coisas que teria que fazer.

Geki virou seu corpo à porta para sair, mas ele parou e perguntou:

— Senhor Ionia, se não for inconveniência de minha parte, eu poderia perguntar uma coisa?

— Diga.

— O Senhor tem previsão para voltar?

— Não, mas tenho certeza que voltarei o mais rápido possível.

— E o que o Senhor irá fazer?

— Você só disse uma pergunta. – falou de forma desconfiada.

— Me desculpe Senhor! – abaixou sua cabaça e corpo cumprimentando o diretor.

— Agora se retire, por favor.

— Prometo que tudo ficará bem aqui durante sua ausência. Até mais.

Geki fechou a porta e depois de alguns minutos Ionia pegou um pergaminho que estará guardado na gaveta de sua escrivaninha; olhou diretamente para ele e sussurrou:

Liberar— O pergaminho brilhou uma cor dourada e sombria. – Vejo que é para aqui para onde tenho que ir.

No pergaminho estava escrito:

“A RESPOSTA PARA O QUE PROCURA ESTÁ EM CARCOSA².”

CAPÍTULO II

“A coisa mais misericordiosa no mundo, acho, é a inabilidade da mente humana em correlacionar todo seu conteúdo”.

(Elias A. Souza)

***

Em algum lugar de Paris

— “Se não fosse meu vasto conhecimento eu jamais conseguiria chegar até aqui” – pensou Ionia assim que chegou a ‘Carcosa”. – Domination Language. Saia!— O grimório azul com uma espada dourada apareceu em sua mão direita; Ionia estalou seus dedos; em seguida apareceu um pequeno vortex abrindo uma dimensão, logo saiu uma pessoa de lá.

POFT!

Caída no chão, se levantou uma adolescente de cabelos bagunçados, médios e castanhos, com olhos de cor violeta; nariz afilado; com lábios simples pintado com batom roxo; nem magra e nem gorda; usava uma camisa azul simples com as alças de seu sutiã preto a amostra e vestia uma calça jeans com botas “all star” de cor vermelha. Ela se limpou a terra em sua roupa e disse:

— Ai ai ai ai! Você precisa ter mais cuidado quando fizer isso seu velho tarado!

— Chega de papo Geneviève e me diga o porquê de você ter me enviado aquele pergaminho. – falou seriamente.

— Passei por aqui alguns dias atrás e tive uma sensação muito ruim. Avistei uma pessoa que vestia trapos sujos e um manto velho e rasgado cobrindo seu corpo que não consegui ver o rosto e nem escutar sua voz direito. Não sabia se era homem ou mulher, novo ou idoso, rico ou pobre. Mas antes que eu percebesse essa pessoa apareceu ao meu lado tocando minhas mãos e pediu para que eu acabasse com aquele livro maldito. Logo depois saiu uma luz amarela e macabra que passara da mão dele para a minha, logo o pergaminho parou em minhas mãos..

— O que você sabe sobre esse livro? E que luz foi essa? – Ionia estava um pouco confuso com a explicação de Geneviève.

— Não muito, mas foi essa luz me informou onde fica Carcosa e como chegar até lá, mas para isso precisaria pronunciar as palavras pergaminho e.... – ela olhou para suas mãos.

— E o quê? – perguntou impacientemente.

— E também precisa de minhas mãos como sacrifício.

— Então foi por isso que me chamou? Romper o cosmo de suas mãos e destruir esse mero livro?

— Sim e não – Geneviève retrucou seriamente. – Não me importo com minhas mãos, mas sim, como aquela luz macabra passou as recordações de todas pessoas que leram esse livro. Todas elas olharam simples trechos desse livro e acabaram ficando loucas e alguns até se tornaram psicopatas. A única pessoa que conheço que sabe tudo sobre o cosmo e livros é você senhor Ionia. Por isso meu mestre pediu para enviar o pergaminho direto a você.

— Então ainda não estamos em Carcosa! Posso até quebrar o selo gerado pelo cosmo sombrio, mas ainda não tenho interesse nenhum em destruir esse livro insignific...

— É o “Rei de Amarelo”. – Geneviève interrompeu Ionia seriamente e olhando profundamente em seus olhos

— Não é possível! – Ionia, por um instante, ficou com uma expressão de choque. – Esse livro é só uma ferramenta nos contos de Robert W. Chambers.

— E de onde você acha que ele tirou a ideia para escrever esse livro? Você acha que aquelas estórias foram inventadas? E você achava que a Carcosa que a gente vai é um restaurante ou o quê? Esperava mais de alguém que sabe e conhece sobre tudo. Então o mestre Tokisada estava exaltado.

— Você está duvidando de mim garota? Agora eu quero muito ler o que está ali e saber o que fez tanta gente perder a sanidade mental. Vamos lá, dê-me suas mãos e vamos à Carcoça. – falou alegremente

— Você não pode nem deve tocar naquele livro, muito menos abri-lo e lê-lo. Entendeu senhor Ionia?

— Hahahaha! Um mero aprendiz me impondo “ordens”. Ponha-se no seu lugar garota. – retrucou de maneira séria e tremeu o ar em sua volta com o seu cosmo. – Leve-me logo, temos que destruir esse livro.

— Vamos!

— Mas antes de irmos quero lhe fazer uma pergunta. Se eu não destruir esse livro o que acontecerá? – disse Ionia de forma convencida.

— Com o despertar do cosmo que está em minha mão todos os livros do mundo irão se transformar no “O Rei de Amarelo”. A loucura dominará o planeta; guerras, destruições, estupros, vinganças e muitas desordens ocorrerão. Mesmo se me matar o cosmo permanecerá aqui nessa dimensão e poderá explodir e se espalhar de forma mais rápida.

— Essa coisa que você disse é tão clichê! – debochou o sábio cavaleiro.

Ionia e Geneviève foram até a base da Torre Eiffel. Ele abriu o pergaminho e sussurrou:

“REPARE A REPUTAÇÃO DA MASCARA BRANCA DO EMBLEMA AMARELO DO GRANDE DRAGÃO. ABRA-SE CARCOSA!”

Em seguida o braço direito de Geneviève ficou escuro como o vazio do submundo³ e o esquerdo brilhou um amarelo mais puro do que um brilho dourado. A garota segurou pergaminho e depois o rasgou.

Os braços da garota foram cortados e destruídos, mas antes que ela perdesse seu sangue e morresse, Ionia murmurou algum mantra segurando o grimório da dominação. Em seguida duas luzes brancas e esféricas envolveram os braços amputados de Geneviève fazendo com que ela não sentisse dor e nem sangrasse.

A luz que envolvia o pergaminho “engoliu” os dois levando até um local obscuro parecia uma cidadela abandonada em meio a uma eterna escuridão. A poeira, a névoa e o mau cheiro dominava o local junto com sons de respirações, gemidos e sussuros em seus ouvidos; ao andar no local, fazia sons como se fossem passos em uma casa velha. Aquele local era a verdadeira Carcosa.

— Vamos! Preciso fazer a tarefa de casa. – disse Ionia bastante empolgado com a missão.

CAPÍTULO III

“A máscara do autoengano não era, há muito, uma máscara para mim; era uma parte de mim. A noite a retirava, desnudando a verdade reprimida por trás dela; mas não havia alguém para ver exceto eu mesmo, e quando o dia raiava, a máscara voltava de novo para o mesmo lugar por sua conta.”

(O Rei de Amarelo – A Máscara)

***

Ionia e a garota caminharam por muito tempo e sem rumo. Não entenderam o que estava acontecendo já que essa cidadela não era tão grande. Por algum motivo Ionia foi o primeiro a questionar o quê e porquê que eles estavam por ali. O dourado percebeu algo estranho ao seu redor. Foi quando percebeu que existia uma cidade acima de sua cabeça; elas estavam interligadas entre si. Ele olhou para Geneviève e viu que ela estava com um olhar fosco.

Olá Ionia – algo sussurrou próximo do ouvido de Ionia; era como se fosse um espírito que chama por seu nome a noite assim quando você está para dormir.

A primeira reação que sábio cavaleiro fez foi exclamar:

VENHA, ARMADURA DE CAPRICÓRNIO! — Ela vestiu o corpo de Ionia instantaneamente, como um feixe de luz.

O cosmo da armadura fez com que Geneviève voltasse a si. Ela não entendeu o que houvera acontecido; a garota só sabia de duas coisas: Ionia deveria estar sem sua armadura e a outra é que só existia uma cidade e não duas.

— Preciso que você faça uma coisa. Afinal você é aluna de Tokisada.

Ionia tocou a testa da menina com seu dedo indicador e emanou um cosmo em sua mente.

— Ok! Entendi senhor. – disse Geneviève surpresa com o que Ionia acabara de fazer.

DOMINATION LANGUAGE! Geneviève, eleve seu cosmo ao máximo! — ordenou Ionia.

— FLUA FORTEMENTE MEU COSMO! AAAAAAAAAH! – ela levantou seu braço direito enquanto o esquerdo ficou em baixo lembrando ponteiros de um relógio – JIKAN-KEN!

Tudo ficou extremamente lento exceto eles dois.

— “Agora é a minha vez!” – Ionia colocou seus braços para frente juntando as suas mãos uma com a outra. Logo ele abriu seus braços fazendo um movimento como se fosse abrir uma porta ao meio.

VOOOOOOOOOOSH!

O espaço e tempo daquele local se quebrou; Foi quando eles perceberam que só estavam em frente de uma igreja abandonada.

***

Clap! Clap! Clap! Clap! — alguém os aplaudiu.

— Parabéns! Quem diria que sairiam tão cedo de minha habilidade. Nunca imaginei que a CÚPULA DO SANATÓRIO fosse quebrada, afinal ninguém nunca saiu de lá, mas você se safaram depois de quatro meses caminhando sem rumo. Realmente merece meus parabéns.

— Como? Quatro meses? – disse Geneviève assustada.

— Por favor me chamem de Senhor Wilde. – faz um gesto de reverência. – Então você deixou o tempo mais lento para que eu não visse o cavaleiro de ouro atacar a dimensão? Eu esperava que iriam falar do plano entre vocês dois. Mas que sincronia incrível!

— Incrível mesmo é ver uma armadura velha e vazia estar conversando conosco e ainda usando uma habilidade incrível. – disse Ionia. – Mas você errou o que realmente aconteceu.

— Como? Eu tenho certeza que foi isso! – disse Wilde. – Eu nunca erro em minhas conclusões.

— Já li sobre algo parecido na biblioteca de Alexandria. Você é uma materialização cósmica inserida em uma armadura com a finalidade de proteger algo ou alguém. Mas como diz a lenda você não tem cosmo energia suficiente para batalhar.

— Hahahahaha! É praticamente isso, mas antes de me destruir por favor diga o que você fez para superar minha habilidade.

— Como é que é? – gritou Geneviève. – Passamos meses andando e sendo manipulado por um objeto com emoções. Ele nos humilhou. Acabarei com você agora. JIKAN....

— ADORMEÇA!— falou Ionia segurando o grimório da dominação.

Geneviève adormeceu instantaneamente.

— Que garota esquentada. Hahahahahahaha – debochou Wilde. — Agora diga-me o que fez para romper a cúpula do sanatório?

— Suspeitei que alguém poderia estar observando e escutando a mim e Geneviève; então passei todo nosso plano para ela através do cosmo emitido pelo meu dedo indicador. Pedi para que ela retardasse o tempo daquele local, só assim causaria um fissura espacial, mas isso só seria possível se ela usasse seu cosmo ao extremo. Nós humanos só conseguimos, geralmente, usar 60% de nosso cosmo, mas minha habilidade faz com que qualquer coisa que ordene seja absoluta; então eu ordenei que ela usasse 130% de seu cosmo. Depois que vi a fissura eu a quebrei com minhas mãos que estava envolvidas pelo cosmo da armadura de capricórnio. Quando o tempo voltou ao normal, o espaço entrou em colapso e nos trouxe até aqui.

— Que coisa mais complicada. Se bem que, o que importa é que realmente funcionou. – expressou Wilde. – Mas antes de me destruir quero lhe dizer uma coisa. NÃO LEIA O LIVRO E SAIA DE CARCOSA.

Ionia abriu seu grimório e exclamou:

Ó GRANDE GRIMÓRIO, ABSORVA O COSMO DESSA ARMADURA E COMPARTILHE COMIGO SUAS MEMÓRIAS E HABILIDADES.

De repente a aura escura que preenchia a armadura começou a ser sugada pelo livro que brilhava um dourando intenso. Posteriormente Ionia acordou Geneviève pedindo para que o acompanhasse até a entrada da igreja.

CAPÍTULO IV

“O mais feliz dos felizes é aquele que faz os outros felizes.”

(Alexandre Dumas)

***

— Será que a verei novamente? Quero muito que ela volte para mim. – disse o homem preocupado.

— Não fique assim Tokisada. Ela soube desde o início que seria difícil. Geneviève é uma garota forte e determinada.

— Você só fala isso porque sua aluna está Palaestra e já é uma amazona. Não é mesmo Pavlin?!

— Você sabe que o potencial de Geneviève é superior a qualquer um de nós. Ela será a futura amazona de aquário. E você sabe o quão especial é essa armadura para ela.

— Não deixarei que ninguém vista aquela armadura antes dela. O futuro de aquário está reservado à ela.

— Quem diria que por detrás desse homem sério e frio existe um amor “paterno”!

— Cale-se e vamos focar em nossa missão. Esses marcianos estão surgindo de todos os lugares.

— É verdade, precinto que algo terrível está por vir. Vamos lá Tokisada!

— JIKAN-KEN

— PEACOCK BLIZZARD

***

Igreja de São Barnabé

Por fora tinha a aparência de uma simples igreja abandonada, mas por dentro era um corredor rustico com tijolos de pedra e estava escuro; ele levava até um porão. Os dois desceram até lá; era um lugar relativamente grande, tinha estantes velhas cheias de livros velhos, teias de aranha e muita poeira; um altar de madeira, se encontrava no meio daquele local ao lado de uma tribuna velha de madeira. O cheiro de mofo era forte assim como eles estavam dominando todo o local; o chão, em algumas partes, era molhado devido algumas goteiras; a iluminação era somente através de quatro velas bem fracas; e era por ali, naquele porão, que estava o livro encadernado com pele de cobra encostado em um canto na última estante; em sua lombada pálida estava escrito “O Rei de Amarelo”.

Todos os mitos e lendas por detrás desse livro se esvaíram em sua bizarra e grotesca aparência. Ionia achou que teria a aparência de um grandioso e magnífico grimório contendo escritas em tinta de ouro.

O dourado foi em direção ao livro amaldiçoado quando...

— Pare! Não dê mais um passo em direção a ele. Se possível queime-o daqui. – disse Geneviève tremendo de medo, mas decidida de sua ação. Ela estava encarando Ionia seriamente.

Ionia fechou os olhos e virou sua cabeça desprezando a garota. Ele deu um passo à frente dizendo:

— Você não faz a mínima ideia do que eu passei em minha vida e nem sabe o porquê de eu estar aqui hoje. A sabedoria, o conhecimento e Athena são as motivações que me permite seguir adiante. Preciso e devo ler tudo de tudo e sobre tudo. Não vai ser uma garota que irá me parar por causa de um folclore besta e ridículo. Ponha-se em seu lugar enquanto ainda não for uma amazona.

O dourado seguiu a diante à prateleira.

Então vocês vieram. — um sussurro alto tomou conta do porão. – não escute essa garotinha. Ela não sabe o poder que esse livro tem.

— “Essa voz.” – pensou Geneviève que veio a ficar muito confusa.

Ionia retirou o livro da estante sem se preocupar com a voz oculta; carregou em sua mão esquerda; colocou ele em uma tribuna ao lado de um altar de madeira; abriu o livro e...

***

Ao longo da costa, quebram-se as nuvens em ondas,

Os sóis gêmeos abaixo do lago se escondem,

Estendem-se as sombras

Em Carcosa.

Estranha é a noite em que estrelas negras ascendem

E luas estranhas os céus percorrem

Mas ainda mais estranha é

Perdida Carcosa.

Canções que as Híades cantarão,

Onde os farrapos do Rei se agitam,

Inauditas morrerão na

Sombria Carcosa.

Canção da minha alma, minha voz está morta;

Morras tu, não aclamada, como lágrima não derramada

Deve secar e morrer na

Perdida Carcosa. 4

— Então todo esse mito só para ler uma simples peça teatral? – disse Ionia debochando do livro. – Li sobre tantas coisas a respeito dele e é só sú um livro como qualquer outro. Não há sentido em...

De repente uma mão cadavérica saiu do livro; tinha unhas sujas e amareladas; seus dedos eram cheios de feridas, cicatrizes, lama e sangue; o mal cheiro era terrível; ela agarrou o rosto de Ionia por completo; seus dedo médio e anelar entraram na boca do sábio cavaleiro.

— MINHA NOSSA O QUE DIABOS É ISSO? – gritou Ionia muito assustado. Seu corpo tremeu. Ela não sabia o porquê mas viu que não era uma coisa normal.

— Senhor Ionia o que houve? – Geneviève também estava assustada.

O dourado levantou a cabeça e viu que o livro ainda estava fechado.

— GENEVIÈVE SAIA DAQUI AGORA! — exclamou o dourado desesperadamente. Ionia caiu de joelhos no chão começou a vomitar um líquido preto; de repente saíram olhos, orelhas, dedos, dentes e cabelos. – “Mas que porcaria é essa?” – ele pensou. Posteriormente orifícios faciais vieram a sangrar; Os cabelos começaram a cair junto com seu couro – AAAAAAAAAAAAAAAAAAH! BLÈÈÈÈÈÈÈR!

O cavaleiro pôs a mão em sua cabeça e começou a se contorcer no chão, ele estava em agonia profunda. Mas tentou resistir e se levantou tentando achar a saída do porão. Quando ficou totalmente ereto percebeu que nada daquilo tinha acontecido.

Geneviève voltou correndo para o porão.

— EU MANDEI VOCÊ FUGIR GAROTA. – Ionia estava pálido e gélido.

— Mas eu fugi! – estava muito assustada. – M-mas como é que eu vim parar aqui n-novamente?

Então alguém leu o Rei de Amarelo? Hahahahaha— Uma voz saiu do livro amaldiçoado. De repente as páginas começaram a passar numa velocidade alta até que ele fechou em sua contracapa. – Ela trouxe meu “corpo” com êxito. Hahahaha!

— Não pode ser. Elas foram destruídas. – disse Geneviève olhando para suas mãos que estavam flutuando acima do livro.

O livro se ergueu até as mãos; um cosmo amarelo ressoou com as partes amputadas que vieram a ficar da cor negra; Os dedos da mão direita começaram a virar tentáculos escuros emanando um cosmo sombrio; a mão esquerda tomou a forma do homem que passou as informações a Geneviève; o livro flutuou por cima do homem e dos tentáculos; As páginas estavam abertas viradas para baixo; as folhas derramaram como um mel e a capa virou uma coroa amarela; Tudo se fundiu e se transformou em um ser sinistro semelhante a morte. Por fim surgiu uma máscara pálida e velha com olhos escuros, profundos, vazios e sombrios como a mais intensa escuridão. Aquilo era uma coisa grotesca e abominável.

***

— Então esse é o rei de amarelo! – exclamou Ionia.

Então é assim que me chamam?— disse olhando para Ionia. Um dos tentáculos se transformou em um braço “humano” com a mão aberta; logo ele a fechou e a armadura de capricórnio saiu do corpo de Ionia e caiu no chão sem que o cavaleiro percebesse.

— Então quem é..... – Ionia finalmente percebeu que sua armadura estava espalhada no chão. – “Quando foi que isso aconteceu?” – pensou ele.

Viu mero mortal. Essa é a diferença entre eu e você.

O capricorniano não se movia; talvez por medo, talvez confuso, não se sabia ao certo do porquê dele estar estático. Mas Ionia voltou a encarar a criatura e então terminou de perguntar:

— Quem é você? – sua voz estava trêmula.

— NÃO FIQUE FAZENDO PERGUNTAS. DESTRUA ELE DE UMA VEZ! – gritou Geneviève.

O rei olhou para ela de forma indireta. Isso foi o suficiente para ela começar a dar gargalhadas possantes, espumar pela boca e ter convulsões. Geneviève ficou completamente louca. Posteriormente, sem que o dourado percebesse, a criatura estava em suas costas próximo aos seus ouvido e sussurrou:

Peço perdão pela moça. Ela estava atrapalhando sua curiosidade de saber quem sou eu.

Ionia, rapidamente, olhou para seu lado mas não havia nada. O Rei de Amarelo continuava em sua frente.

Pois é. Esse título é só um nome o qual me deram. Mas antes de lhe dizer quem sou, irei te dizer uma coisa interessante. Creio que tens interesse em escutar, afinal tu vieste a meu encontro.

— Então você tem uma história? Que interessante, um livro com vida e ainda com um passado. Conte-me antes que eu acabe com você.

Antes de tudo só existiam duas entidades, aquelas que até mesmo os deuses temiam, a Morte e a Loucura. Antes da formação das religiões todos eles se reuniram, inclusive a própria Morte, para poder acabar com a existência da Loucura. Acharam que se a morte enlouquecesse e existência das coisas entrariam em caos. A tentativa foi falha já que ele era imortal; a Morte não podia mata-lo senão ela enlouqueceria. Em um certo momento, sem que a loucura percebesse, os líderes dos deuses selaram-na, em forma de um livro, nos confins do “nada” em meio a um vazio eterno. Feito isso os deuses fizeram um acordo de que ninguém, até mesmo eles, deveria ler aquele livro, nem mesmo uma frase, ou acabaria em uma insanidade eterna. Com o passar do tempo eu, a Loucura, fui tomando forças e consegui abrir uma brecha dimensional. Um rapaz que passara por perto viu e entrou nessa dimensão. Na verdade ele fez mais do que isso. Foi o único ser que conseguiu ler o livro e não enlouquecer. Aproveitei a chance e fiz com que esse homem, Robert W. Chambers, criasse estórias sobre mim, assim mais e mais pessoas viriam até mim. Eu estou acima dos deuses, assim como a Morte, mas para ganhar forças tive que aproveitar da crença dos humanos para poder ganhar força. Muitos vieram e todos morreram; eles eram fracos, mas como sou imortal não tive pressa. Logo em seguida vocês vieram e conseguiram de despertar por completo. Agora irei me vingar dos deuses e da própria Morte. Os céus e o inferno irão enlouquecer. Eu criarei o verdadeiro e tenebroso caos.

— Tem uma coisa que não faz sentido em sua história. – indagou Ionia. – Quem foi a pessoa que entregou o pergaminho e se apossou do braço de Geneviève?

Das pessoas que vieram aqui, duas delas me chamou atenção. Essas se mostraram interessantes. Wilde foi um deles, eu selei seu cosmo em uma armadura velha. Depois de um tempo ele tomou vontade própria e fez uma barreira para que ninguém chegasse até mim. Todos aqueles que entravam permaneciam andando eternamente até a morte ou até desistirem de ler o livro.

— E a outra?

Eu não permiti que Chambers morresse, afinal ele era o mais interessante de todos, então o transformei em um espectro de energia que tinha a função de levar as pessoas até mim, e quando elas morriam, ele retornava ao mundo de vocês.

— Então você não é nada mais do que o braço de Geneviève?

Por hora sim.

­A loucura lançou seus tentáculos em Ionia, mas antes que elas tocassem nele, o grimório da dominação apareceu e Ionia exclamou:

CAIAM! VOLTE!— os tentáculos caíram no chão com muita força e ali ficaram.

De repente os dedos de Ionia viraram tentáculos e entraram em sua boca, nariz e ouvidos.

— “O que houve?” – pensou Ionia sem saber o que houvera ocorrido. – “Eu parei de certeza aquelas coisas.

O corpo de Ionia ficou de cor amarela; depois a cor foi se condensando em sua testa e coração formando um símbolo espiral e quadrado.

EMBLEMA AMARELO. — falou a Loucura. — Você não tem chances de ser livre aqui. Nem mesmo sabe o que é real ou se é real. E o EMLEMA AMARELO faz com que você perca suas memórias mais importantes e confortantes. Sua insanidade mental irá aumentar cada vez mais e você entrará em desespero; você começará um conflito com aquilo que mais ama; só se lembrará de tudo isso depois de sua morte; nem mesmo saberá que eu existi; Mas eu ainda não ativei essa habilidade já que lhe matarei agora; tenho pena de você, seu cosmo foi drenado. O que lhe resta?

A Loucura transformou seus tentáculos em foices para acabar de vez com a vida de Ionia. Em seu percurso para matar o cavaleiro algo aconteceu; tudo ficou lento, exceto o capricorniano; Geneviève estava acordada e sóbria; de repente a armadura de capricórnio começou a brilhar bem forte.

Mas o que está acontecendo?— a Loucura estava confusa com o que acabara de acontecer. – Meu corpo está 5.000.000 vezes mais lento. Estou quase parado. Como isso aconteceu? ­ele olhou em direção a Geneviève. - Ela estava desacordada e quase morrendo.

— Eu dividi meu cosmo em duas partes; uma está na minha armadura e a outra está nos selos em que coloquei para estancar o sangue dos braços amputados de Geneviève. – explicou Ionia. – Pensei nisso tudo antes de entrar aqui, afinal nunca deve subestimar o desconhecido.

Seu humano insignificante como ousa me enganar?!

— “Tenho que aproveitar essa chance.” – pensou Ionia bastante concentrado. — DOMINATION LANGUAGE! QUEBRE AS DIMENSÕES E VENHA ATÉ AQUI ARMADURA DE AQUÁRIO!

***

— Tokisada, você está sentindo isso? – perguntou Pavlin. — Uma forte cosmo energia saiu do Santuário.

— Não pode ser. Como é possível? – ele estava confuso. – então ela escolheu a Geneviève como sua portadora.

— Parabéns! Fico muito feliz por isso!

— Obrigado Pavlin. Espero que ela use com sabedoria. – ele chorara de emoção.

— Agora vamos voltar para o Santuário e informar a Athena o que ocorreu aqui.

— O exército de Marte está ganhando forças. – em suas costas haviam milhares de marcianos mortos.

***

VUUUUUUUUSH! PLIIIIM!

A armadura de aquário apareceu na frente da garota; brilhava intensamente; em seguida ela se desmontou e começou a vestir Geneviève.

— Haha! Chegou a tempo! – disse Ionia.

Geneviève estava portando, em seu corpo, a armadura de aquário.

— Agora use aquela habilidade.

— Ok senhor Ionia! – Geneviève exclamou seriamente e bastante confiante!

O cosmo da Loucura se elevou a conseguiu quebrar o jikan-ken; ele voou em direção a aquariana, mas já era tarde; Geneviève estava preparando sua técnica.

Seu corpo girou várias vezes em torno de si no sentido anti-horário formando um redemoinho luminoso; logo ela exclamou

JIKAN GYAKUKAN!

A loucura parou instantaneamente e começou a se contorcer.

O que está acontecendo com meu corpo?

— O jikan-ken faz com que o tempo flua de forma mais lenta, mas o jikan gyakukan faz com que as feridas sejam curadas, ou seja, minhas mãos irão retornar para mim. – disse Geneviève recuperando suas feridas e, consequentemente suas mãos.

O corpo da Loucura começou a entrar em colapso; seus tentáculos começaram a sumir junto com o corpo.

Não adiantará me selar. Eu já sei como sair desse livro. Hahahahaha— a Loucura debochou do sábio cavaleiro e da jovem garota. A máscara pálida olhou para Ionia e disse: — Armadura de Capricórnio, venha até mim.

GRIMÓRIO DA DOMINAÇÃO revesta a minha armadura com o cosmo de Athena guardado dentro de ti.— ordenou Ionia.

Quando a armadura vestiu a Loucura; ela deixou de ser dourada e ficou com uma cor branca como a luz de Athena.

Que cosmo é esse? Não consigo me mexer!

— Já é tarde demais. – disse Ionia. – “espero que ela consiga nesse curto espaço de tempo”. – pensou ele.

Geneviève estava com seus braços para o alto e dedos entrelaçados; os espaço e tempo estavam se destorcendo e formando uma esfera de energia escura; ela foi se condensando e a aquariana preparou para lançar seu ataque.

CHRONO EXCUTION!— ela exclamou e gritou com muita força e convicção.

A loucura estava vendo a esfera vindo em sua direção; ele se soltou da armadura de capricórnio e foi tentar parar o ataque.

Você achaque uma coisinha dessas iria me derrotar? HAHAHAHAHAHAHA!

— Para onde está olhado?! – disse Ionia preparando para socar a máscara da loucura com o seu elmo de capricórnio que brilhara intensamente o cosmo de Athena.

POOOOW!

CRACK!

Os chifres do elmo furaram e racharam a máscara.

HUMANO IDIOTA. ACABAREI COM SUA VIDA AGORA MESMO!

— Fuja senhor Ionia eu irei leva-lo nas profundezas dos confins do tempo comigo. – gritou Geneviève bastante decidida. – Agora vá rápido! E diga para meu mestre que agradeço por tudo que ele fez comigo. – ela estava chorando com um sorriso quente de agradecimento.

— Geneviève não se preocupe comigo. – gritou Ionia. – Deixe que eu cuido disso!

Um vórtex se formou no centro do chrono excution; a força do ar foi tanta que empurrou Ionia contra a parede. As coisas começaram a envelhecer inclusive a própria Geneviève. A Loucura e a garota estavam sendo puxadas para o centro.

— ELEVE-SE AO MÁXIMO, MEU COSMO! OOOOOOOOOH! VENHA PARA AS PROFUNDESAS DOS CONFINS DO TEMPO.

O que está...?a Loucura não conseguia sair dali; seu corpo não estava em perfeito estado para fugir da habilidade. – Humanos são realmente interessantes. Reconheço minha derrota, mas vocês não irão sair ilesos. — A criatura retirou sua coroa amarela e a transformou em três lanças negras. – Ativem o EMBLEMA AMARELO. — A lanças cravaram nos emblemas que estavam no coração e na cabeça de Ionia.

Ionia nem percebeu as lanças entrando nos emblemas em seu corpo. De repente várias mãos saíram de sua boca; ele vomitou pessoas, entre elas sua família, seu mestre Pã de Touro, seus oponentes; em seguida, de seus olhos, saíram todas suas memórias e sentimentos de compaixão, piedade e a razão. A lança em seu peito absorveu uma escuridão, discernimento da coisas e desespero. Sua crença por aquilo que mais idolatrava ficou rodeada de dúvidas. E por fim tudo que ocorreu naquela missão foi esquecida, até mesmo o rei de amarelo e Geneviève.

Acabei som sua vida. Hahahahahahaha! Depois acabe com a do mestre da garota. Leve a terceira lança e crave no coração dele. Até mais.......nunca! HAHAHAHAHAHAHAHAHA!

— Tchauzinho senhor Ionia! – foram as últimas palavras de Geneviève.

***

Meses depois

Palaestra – Sala do diretor

— Eu aceito sua proposta Lady Medea. – O homem estava de costas para a mulher que conversara. — Se Marte é capaz de fazer com que Athena não sofra mais essas terríveis provações, eu serei um adorador fiel a ele.

— Interessante senhor Ionia. Então lhe darei uma primeira ordem. Quero que reúna urgentemente os cavaleiros de ouro para proteger o novo santuário.

— Farei o que a senhora me pedir, mas quero você me faça um favor. – Ionia se virou e caminhou até Medea. — Leve essa lança e depois use-a em Tokisada. Isso é de extrema importância.

— E o que seria isso?

— Não é de sua conta. – falou friamente. — Só faça o que lhe pedi. Agora irei me retirar, pois tenho que reunir a nova elite dourada.

CONTO 3 – A LOUCURA DO LIVRO AMALDIÇOADO. O REI DE AMARELO — FIM

***

¹ Tradução: “Não zombe dos loucos; sua loucura dura muito mais tempo do que a nossa… Eis toda a diferença.”

² CARCOSA é uma cidade fictícia citada no livro “O Rei de Amarelo” escrito Robert W. Chambers.

³ Referência à obra “Saint Seiya: O Vazio do Submundo” escrita por Bruno Masei.

4 “Canção de Cassilda” em O Rei de Amarelo (Ato I. Cena 2.)

Notas finais
Nossa pessoal, foi bem complicado e trabalhoso de construir esse conto. Tentei deixar o mais obscuro possível. Estou muito contente com com esse trabalho. Nos veremos nos próximos contos. Até a próxima. :P
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.