Saint Seiya Memórias: História Oculta Do Santuário
78 INTERLÚDIO :: Van Qüine
Notas iniciais
Psychē finalizava um arranjo de rosas em um vaso naquele dia. Fazia-o para ajudar a passar o tempo enquanto cuidava de Antares, ainda adormecida.
Há semanas a febre havia cedido e os ferimentos cessaram de verter sangue. O sono ainda se manteve agitado por muitos dias até que, um dia, despertara nos braços do jovem Geminiano até cair novamente em sono profundo. Nos dias que se seguiram era esperado que ela novamente reagisse, mas aquilo já havia sido há pouco mais de uma semana.
— Sabe, Mascotinha, hoje sonhei com você. — Disse a Amazona de Peixe desviando o olhar do arranjo para a garota deitada. — Sonhei que você acordava reclamando que estava com fome e pedia momos. — E riu. — Contei isso para o Kiki e ele disse que mandaria fazer quantos você quisesse, desde que acordasse bem. Está todo mundo com saudades de você... — dizia, levando a mão próximo aos lábios e fingindo sussurrar. — ... até aquele chato do Merikh. — riu, mordiscando os lábios.
— Só não deixa ele saber que você o chamou de chato. — Replicou Qüine, surgindo na porta, fazendo a mulher se sobressaltar. — Olá, Psychē!
Ela sorriu para ele, ainda mordiscando os lábios enquanto removia um pequeno botão de rosa vermelha com cuidado e se virava de frente para o rapaz junto à porta.
— Olá, Van Qüine! — sorriu ela virando-se para ele. — Soube da sua última com Gwintan e que bom ainda esteja inteiro. — brincou ela com certo cinismo e sinalizando para que entrasse. — Como está o ombro? — perguntou ela levemente preocupado vendo o ferimento no braço enquanto caminhava para junto de Antares.
— Hahaha... Engraçadinha... — reagiu ele fingindo um riso e olhando o ferimento já cicatrizado no braço que mais lembrava de como uma injeção. — Melhor, não está mais dolorido. — respondeu, fechando a porta do quarto. — Mas, assim, ajudaria se vocês parassem de tentar me matar! Tá virando rotina toda vez que conheço um de vocês e acontecer isso.
— Não lembro de você confrontar Klahan ou mesmo com Merikh. — disse ela dando de ombros e fitando-o por breves instantes.
— Não que quisesse bater de frente com aquele necromante, né? — pontuou o rapaz com certo receio.
— Não que ele ache um insulto chamá-lo de necromante. — sorriu ela para a surpresa do rapaz que intencionou fazer uma pergunta, mas ela continuou. — E eu só quis fazer uma brincadeira contigo já que estava no meu jardim. Estava entediada, encontrei você tomando banho, então...
Qüine fingiu engasgar-se e passou a mão pelos cabelos, com um sorriso desavergonhado no rosto.
— Poderia ter me feito companhia por lá. — Ele rebateu. — Seria melhor que ficar apenas olhando, sabe?
— Vou pensar sobre isso numa próxima vez, mas... — disse ela piscando e se aproximando de Antares para deixar o botão de rosas presa em seu cabelo. — ... por hora, aceitaria um favorzinho seu. Pode ser?
— Claro. — respondeu ele cruzando os braços entendendo bem aquelas palavras. Por fim, pousou seus olhos verdes sobre a jovem e indicou com a cabeça intencionando se aproximar. — Alguma melhora?
— Hum... — suspirou a Amazona com pesar, dando de ombro. — Na mesma, embora não mais a vi naqueles sonos inquietos. Acho que as flores de lavanda ajudaram. — sorriu por aquilo. — Mal vejo a hora dela abrir os olhinhos e dizer “Psychē, você é uma chorona intrometida!” — Completou, imitando a aprendiz de forma caricata, fazendo-o engasgar-se uma risada.
— Ela é sempre ranzinza desse jeito? — O Geminiano questionou, curioso. — Tudo bem que nosso encontro não foi das melhores, mas ela me parece bem rabugenta. Por outro lado, pela forma como falam, ela parece ser dessas ‘pestinha querida’. — enfatizou ele.
A pisciana riu com aquilo, sendo ela quem cruzaria os braços agora.
— Não que você não seja diferente. Em vez de ranzinza, é um baderneiro! — brincou ela tocando com o dedo em seu braço ferido. — Brigou com guardas, arranjou encrenca com um Cavaleiro de Prata e aspirantes, caçou problema na Casa de Escorpião... — enumerava enquanto o rondava e vendo-o assentir com certa relutância. — Estou esquecendo de algo?
— É diferente... — tentou dizer, buscando uma justificativa para aquilo.
— Sempre é diferente. — interrompeu ela parando na sua frente. — Antares tem alguns problemas que a fazem agir como se fosse durona, mas ela não é a única, não é mesmo? — Apontou a Amazona de Peixes, com um sorriso abatido. — Ah! Aproveitando que está aqui, posso abusar de você um pouco...?
“Oi?”, reagiu Qüine de sobressalto por aquilo. Piscando aturdido para a mulher diante dele, mas antes mesmo que ele pudesse responder, ela continuou com sua fala mexendo em seu cabelo longo.
— Eu preciso falar com o Kiki sobre um reparo da minha Armadura, mas não queria deixar Antares sozinha. — falou um tanto manhosa. — Você poderia ficar aqui com ela enquanto eu vou resolver isso? — A jovem mulher pediu docemente. — Por favorzinho! Tentarei não demorar!
Qüine soltou um longo suspiro, assentindo de maneira automática, ainda surpreso com aquele comportamento inusitado. Ficou ali parado vendo-a desaparecer pelo corredor. Somente então, aproximou-se da cadeira e sentando-se, rindo da cena de há poucos segundos.
Voltou-se para a garota deitada na cama. As bochechas e os lábios estavam corados, sem qualquer sinal do sofrimento que tinha passado por dias a fio. Estava em uma serenidade tão grande que parecia apenas estar adormecida.
“Olhando assim, não parece aquele demônio que queria me matar”, pensou ele lembrando do episódio de quando se conheceram. Não foi a melhor apresentação.
Os dias seguintes também seguiram de provocação e insultos, mais de sua parte ainda aborrecido com o acontecimento e isso o fez pensar do porquê estar tão preocupado com seu estado uma vez que não tinham criado tanta afinidade.
“Talvez compaixão”, pensou ele pensando que tudo aquilo se deu após a cena que viu com Cavaleiro de Lagarto e ele saindo em sua defesa. Cena parecida com a dele quando ainda em Munique.
“A diferença é que não precisei caminhar bons metros com ninguém se esvaindo em sangue nos meus braços”. Relembrou, fazendo-o respirar fundo.
Acomodou-se na cadeira ao lado da cama e esticou as pernas. Tirou o diário de sua mãe da bolsa e o pousou sobre o colo, mas não o abriu. Ficou a olhar para a garota, se perguntando por quanto tempo mais ela continuaria naquele estado.
Embora o Santuário fosse um local anacrônico, os conhecimentos que possuíam em medicina estavam atualizados. Havia uma combinação entre os cuidados reservados aos doentes e feridos das eras antigas e às soluções modernas que vinha gerando bons resultados.
Desacordada por todo esse tempo, foi cuidadosamente nutrida com bolsas de soro que ficavam presas à parede por um pequeno gancho. Após algum tempo. Quando se tornou seguro, as servas da Casa de Áries cuidavam de movimentar e mudar a posição de seu corpo, visando diminuir a possibilidade de atrofias musculares e atenuar as úlceras de pressão que terminaram surgindo.
Despertar daquele longo sono faria com que todos ali iniciassem a etapa seguinte de sua recuperação. Fortalecer sua musculatura para poder voltar a andar e correr com a mesma agilidade de antes era imperativo.
No entanto, pensar em tudo aquilo estava fazendo Qüine se perguntar no quanto tempo as pessoas ali pareciam acostumadas com isso. Levar o corpo à exaustão com rotinas extenuantes que consistiam em trabalhar com grandes pesos, pouco sono e alimento escasso em algumas ocasiões. Era muito mais assustador que os Reality Shows de sobrevivência que assistia quando mais novo.
Talvez, por ele ter vindo somente mais tarde, parecia algo tão absurdo e negligente, mesmo sabendo que no Santuário não havia pessoas comuns. Ele não era uma pessoa comum. Antares também não era. Teria aquele treinamento moldado seus corpos para funcionar daquela forma? O desenvolvimento e o domínio do Cosmo realmente permitiam esse tipo de sobrevivência?
Para o rapaz, pensar naquelas coisas já não era mais algo surreal. Era algo tão fantástico que sua aplicação real terminava por soar desumana ou até mesmo monstruosa.
— Será que eu sou... um monstro...? — Ele deixou o pensamento ganhar voz sem perceber.
— Não... — Alguém falou com uma voz rouca e baixa arranhou em algum lugar do quarto.
Aquilo foi o suficiente para que o Geminiano saltasse na cadeira, lívido de susto. Com os olhos, procurou quem havia falado com ele, receando dar de frente com aquela sombra maligna do outro dia, quando percebeu Antares fazendo esforço para se sentar na cama.
Os cabelos caídos sobre o rosto escondiam os olhos que estavam sensibilizados com a luz que entrava no aposento. O simples movimento de erguer as costas parecia árduo e doloroso para ela naquele momento.
— Você... não é um... monstro... — A jovem murmurou outra vez. — Você é... só... um cretino... estúpido...
— Ei, ei ei ei...! — reagiu de princípio e se aproximando dela, apagando as luzes mais próximas para que ela pudesse ir se acostumando aos poucos com a claridade. — Não deveria se esforçar tão rápido assim. Passou semanas desacordada. — disse, aproximando-se para ajudá-la. — Caramba! Que susto, garota! Há quanto tempo está aí acordada? Psychē disse que estava na mesma, adormecida...
— Achei... que... ela estava aqui... conversando... com você... — Respondeu a aspirante, apertando os olhos com as mãos.
“Será que estava pensando alto todo esse tempo?”, refletiu o rapaz enquanto buscava pela jarra de água e o copo.
— E estava. — disse ele entregando um copo de água enquanto puxava o banco com sua telecinese e se sentando em seguida. — Pediu para ficar aqui enquanto resolvia algo. Nada fora da rotina. Beba um pouco. Vai demorar em se adaptar com a luz por alguns dias ainda.
Porém, a reação seguinte dela o chamou a atenção. Antares levou uma mão à boca e curvou-se num espasmo. Estava ficando pálida outra vez. O Geminiano se apressou para ampará-la, quando a sentiu empurrá-lo antes mesmo de tocá-la.
— P-pare...! — A aprendiz murmurou, fazendo-o olhá-la confuso. — Pare... de fazer barulho...!
Ele apenas levantou os braços e se afastou, recostando-se na cadeira.
— Uau! Desculpa... — murmurou, enquanto a fitava. — Só estou querendo ajudar...
— Só... pare... — repetiu ela com certa aspereza. — Eu... não preciso... de sua ajuda...!
— Nossa! A minha respiração também te incomoda, princesa? — respondeu com escárnio.
— Sim! — Ela rosnou, balançando a cabeça e quase perdendo o equilíbrio. — Sua... respiração... seu cheiro...! Me dão... náusea!
Qüine piscou aturdido, ficando estático por alguns instantes antes de soltar um longo suspiro e se levantar, resignado. “Pestinha!”, pensou injuriado.
— Tudo bem. Já entendi. Vou chamar quem cuide melhor de você se é assim que deseja... — respondeu de modo seco, deixando o copo com água na mesa de cabeceira e caminhando para a porta e guardando o diário de sua mãe.
Ele não sabia se ficava com raiva de si mesmo por ter passado todo esse tempo preocupado com a garota ou se ficava com raiva dela por tratá-lo daquela forma.
Ficou ali, rendendo outros Cavaleiros que se revezavam nos cuidados básicos, chegou a virar noites para que não ficasse sozinha... e era assim que era retribuído?
“Não vim aqui para cuida de nenhuma moleca ingrata....”, ele pensou aborrecido. “Embora que eu acho que ela nem faz ideia do que andou acontecendo... mas ainda assim...”.
Achou por bem realmente sair de perto para não falar qualquer bobagem. Querendo ou não, Antares estava se recuperando, deveria estar confusa demais para lidar com qualquer reação que ele pudesse vir a ter. Não queria ser responsabilizado por outra recaída como na última vez, mesmo que inocente na ocasião.
— Já basta ter que lidar com os segredinhos das pessoas ao meu redor. — Ele falou para si mesmo. — Não sou obrigado a ter que cuidar de uma garota enjoada!
— Quem está enjoada? — A voz de Psychē indagou um pouco mais a frente.
— Ela acordou. — disse injuriado fechando a porta atrás de si. — Aliás, deveria estar desperta há algum tempo, mas ainda enjoada por conta da luz, barulho e tudo mais... — bufou, levando a mão aos cabelos, jogando-o para trás. — Quer saber? Ela vai apreciar mais a sua companhia. Já deu pra mim por hoje.
— Ah, Qüine... — reagiu a pisciana perdida entre entrar no quarto ou conversar com o rapaz que desvencilhava. — Mas, o que aconteceu...? — indagava, perdida sobre qual caminho seguir. — Calma! Deixa-me explicar...
— Agora não, Psychē. Agora não! — disse somente enquanto se afastava a passos duros pelo corredor sem mais olhar para trás e ignorando os chamados da Amazona que ficou junto à porta.
“Idiota!”, xingava-se mentalmente enquanto caminhava para a saída do templo de Áries em direção a Touro, injuriado.
“Eu sou mesmo um idiota! Eu, preocupado com uma moleca que não pensou duas vezes em me enxotar como se fosse um cretino qualquer...”, repetia para si enquanto caminhava e lançando olhares por cima dos ombros como se pudesse vê-la ainda no primeiro templo, injuriado, praguejando.
Tão logo chegou em Gêmeos, bufou contrariado por aquilo. Caminhou pelo terceiro templo até onde estava a armadura de Gêmeos em sua forma que lembrava a imagem de Kwannon Bodhisattva, uma deidade da compaixão, da misericórdia e da benevolência.
Para os lemurianos era uma deidade respeitada por ser aquela que conduziu seu povo à “Terra Pura”, sobretudo após a aniquilação de sua terra que, por muito pouco, não os extinguiu como foi com os Muvianos.
Encontrar a armadura naquela forma soava irônico naquele momento tamanha sua indignação com o que acontecera há poucos instantes.
— Não, não tenho por que ter piedade com aquela pirralha ingrata! — disse injuriado olhando para a armadura. — Foram semanas preocupado com seu estado para quando ela acordar e me expulsar quando apenas queria ajudar? Quem ela pensa que é?
Qüine caminhava de um lado para o outro, questionando-se sobre aquilo. Poderia estar exagerando. Talvez. Possivelmente sentia-se frustrado por aquela recepção inesperada após longas semanas zelando por seus cuidados.
Não seria de se estranhar que estivesse tão mal-humorada, já que ele mesmo ficou sensível a sons quando despertou depois de enfrentar aquela sombra.
— Talvez eu esteja exagerando. Afinal, não tínhamos qualquer afinidade de fato. — dizia, refletindo sobre a situação e chegando a reconhecer que a reação da garota pudesse, em parte, ser realmente culpa dele. — Em nossas poucas interações sempre fui ácido demais com ela. Até a chamei de ‘mulher-cavaleiro’. Ugh!
O Geminiano censurou-se mais uma vez por aquilo, levando a mão a alça da bolsa e removendo a mesma, deixando-a no chão. Embora ela não agisse de forma amigável com ele, sentiu que tinha alguma coisa estranha naquele momento. E a própria Psychē pareceu querer explicar algo, mas a cabeça quente o impediu.
— Ainda assim, não vejo razão para reagir daquela maneira. Sei que deveria ser mais brando com ela por sua condição, mas... — e bufou, contrariado agachando-se diante da armadura. — Talvez apenas tenha reagido assim diante do cenário que fiz questão de apagar da minha mente. Em outras palavras... — sorriu, a contragosto. — Acabei se deixando levar pelos meus sentimentos. Idiota que sou.
O rapaz se levantou, caminhando pelo espaço em círculo. Verdadeiramente não estava contrariado apenas pela reação da garota, mas dos segredos que a rondava e da incompreensão de todos com relação em assumir definitivamente o legado de Gêmeos. Mais uma vez havia discutido com Kiki sobre aquilo, o que o deixava também profundamente chateado.
— Todos me cobram em assumir de vez o legado de Gêmeos, mas ninguém parece entender minhas razões sobre isso. — disse o rapaz já mais sério, voltando-se para a armadura. — Ainda não tenho as respostas e confesso que tenho ficado com medo de descobrir. A imagem que pintam de você aqui no Santuário, pai, é muito diferente daquela que minha mãe escreve em seu diário. Sabia disso? E eu pergunto, por quê?
Indagou o rapaz silenciando-se por alguns instantes enquanto observava a armadura como se ansiasse que ela respondesse. Aproximou-se alguns passos, contemplando o elmo e suas faces tão distintas que lhe causava certo incômodo.
— Qual deles era a verdadeira faceta de Gêmeos? — questionou novamente. — Qual será realmente meu destino assumindo o manto de Gêmeos? Serei benevolente e misericordioso como a armadura demonstra na sua forma figurativa... — dizia Qüine rondando a armadura e parando diante da faceta misericordiosa do elmo. — ... ou adotarei a postura tirana que mergulhou o Santuário em sangue e trevas...? — pontuou após mais uma volta e parar diante da faceta vil. — Qual deles realmente estarei destinado a seguir?
Dizia, baixando o olhar, visando tomar a bolsa em mãos novamente para subir até o quarto quando, novamente, percebia aquele vulto no espelho da armadura. Era apenas uma silhueta entre as pilastras, parado, olhando na direção do rapaz. Qüine se virou em seguida. Diferente de antes, a sombra ainda estava ali, encarando-o.
“É como a sombra descrita nos sonhos da minha mãe...”, pensou ele, largando a bolsa e avançando até a silhueta que recuava até à sombra.
— NÃO. ESPERE! — gritou Qüine esticando o braço em sua direção. — Quem é você? Por que diabos está me seguindo...? — questionou enquanto afastava-se da armadura e seguindo a silhueta quando estacou seus passos assustado.
Toda a sala parecia iluminar-se num dourado intenso acompanhado de um ressonar metálico de como se a armadura tremulasse. Vagarosamente ele se virava voltando-se para a armadura e vendo-a desmontar-se de forma figurativa para sua forma remota diante dele envolto de uma bruma de cosmo áureo.
“Que Cosmo poderoso é esse?”, questionou o rapaz olhando aquilo, para a armadura encarando-o com sua face nublada pelo elmo.
“E essa aura ameaçadora que emana dela, é como da armadura de Escorpião: agressiva e...”, comparava quando na altura do que seria os olhos na armadura, brilharam num intenso vermelho. Os braços então se levantaram e cruzavam o corpo na altura do peito.
— Só pode estar de brincadeira comigo... — comentou Qüine suando frio por aquilo, adotando uma postura igualmente hostil.
Contudo, antes mesmo que pudesse realizar qualquer ação, a armadura descruzou os braços criando uma grande onda de luz dourada que levou o rapaz a cruzar o braço diante dos olhos para se proteger, mas cegando-o no mesmo instante quando engolido pela intensa luz.
Nada sentiu senão mergulhar no silêncio. Baixou lentamente os braços e abriu os olhos tentando adaptar seus olhos à escuridão que se encontrava. Somente então percebeu estar num grande corredor com pilastras.
Era ainda a Casa de Gêmeos, mas a armadura havia desaparecido assim como a aura ameaçadora ou qualquer evidência de Cosmo.
— O quê...? — reagiu ele olhando a sua frente e suas costas como se o corredor fosse um espelho. — Isso é... Eu fui jogado no Labirinto de Gêmeos...? — assustou-se.
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