Saint Seiya - Kali Yuga Chronicles

6 Capítulo 6 - Amor e Luxúria


Haviam retomado os antigos costumes gregos de funerais. No local do antigo cemitério, havia sido preparado uma grande pira, e nela o que conseguiram remontar do corpo de Luiz de Touro. Todos os cavaleiros e amazonas estavam presentes. Todos estavam assustados e enraivescidos, com suas faixas negras em sinal de luto.
Apenas Casty, Chaffin e Matheus não estavam lá. O grande Mestre Weslley colocou sobre os olhos da cabeça decapitada 2 moedas de prata e por fim, Atena cingiu uma última bênção.
Geovanne ficara encarregado de incendiar a pira. O mais alegre dos cavaleiros de bronze era uma estátua de gelo, petrificado num rosto marcado pela raiva.
-Mestre... — murmurou o cavaleiro de Urso, enquanto as chamas devoraram o cadaver do dourado. — Eu irei te vingar, vou me tornar um grande cavaleiro!

-Eu... estou morrendo...
Chaffin estava tentando acudir a moça, mas ela parecia fraca demais.
-Não vai não! — retucou o cavaleiro, tomando a mulher nos braços. — Vou conseguir salvar você!
O cavaleiro de Carina estava buscando um lugar seguro e alguém que pudesse ajudar a moça, mas o máximo que conseguiu foi um beco distante o suficiente para poder proteger. Ele precisava voltar para sua mestra e para junto do cavaleiro de Ouro. Mas também não podia deixar aquela linda mulher ferida sozinha.
Isso era injusto por demais! Como uma mulher tão bonita podia morrer?
-Cavaleiro...
-O que é? Algo está doendo?
-O ar... está mais... dificil respirar...
-Nao entre em pânico! Se concentre!
A mulher se agarrou a ombreira da armadura, parecia usar o que lhe restava de força. Ela olhou bem fundo nos olhos de Chaffin, ela implorava com o olhar.
-Estou morrendo, cavaleiro... Por favor... me deixe partir com uma... lembrança...
-Você vai viver!
-Me beija... por favor...
A voz saiu fraca, morrendo enquanto o corpo da mulher ficou mole.
-MOÇA!
Tomado por um impulso forte, Chaffin colou seus lábios nos da morimbunda, selando o beijo pedido por ela. -Esses vermes não param de brotar!
Casty estava agoniada. Precisava levar Rosh para um lugar seguro.
-Eles não devem estar aqui sem alguém, certo? — disse o italiano, meio inseguro. — Deve ser como no que você contou, Casty...
-Não encontro o cosmo de alguém mais forte. — rosnou Matheus.
-Matheus... Quero que faça um favor. — disse a amazona de Vela. — Sou a única que pode criar uma barreira e usar um ataque que pode pegar massas.
Ela olhou para o filho de sua mestra.
-Eu sei que você é muito veloz, mas não consegue usar tudo por que tem medo de ferir Rosh. Vi Chaffin socorrer uma moça, ele deve ter achado um lugar seguro. Quero que leve Rosh com você.
-CASTY! — gritou o rapaz, inconformado. — Você vai ficar pra trás?!
A amazona sorriu e tocou o rosto do noivo e beijou-o rapidamente.
-Ninguém contém o vento. Se eu quiser voltar, eu voltarei. Não vou morrer, Rosh.
Matheus o tomou nos braços e deu um grande salto, seguido de Casty que se pos entre os dois homens e os soldados rasos.
-Vocês ousaram a irritar uma mulher apaixonada!
Ela fechou os olhos e elevou seu cosmo, fazendo o ar se agitar no local.
-Yobidashi... — sussurrou a amazona, que ao abrir os olhos bradou. -Seishin-fū no shōtotsu!
Logo que ela terminou de invocar os golpes, funis furiosos desceram e tocaram o chão, dançando entre os soldados rasos que entravam em pânico, sendo atingidos, sugados pelos furacões ou perfurados. O local se tornou um tumulto de berros e sangue.
-Morram todos vocês! Ninguém mexe com o amado de Casty de Vela! Meses antes, Itália
Já fazia uma semana que a amazona forçara Rosh a agir feito um servo e estava em sua casa.
-Até agora você não disse do que se trata essa sua missão.
-Nem direi, não quero por sua vida em risco.
-Morrer seria uma opção melhor pra um zé ninguém como eu. — resmungou o italiano.
-Você matou alguém? Usurpa algo que pertenceu a quem matou?
Rosh se calara, olhando a amazona de forma confusa.
Casty tinha um olhar baixo, relembrando do dia em que fora aceita na casa de Libra, o dia que sua antecessora morrera por sua culpa.
Ela simplesmente não respondeu ao olhar cheio de perguntas do rapaz e saíra, caminhando por aí, sem mesmo sua Pandora Box fora ignorada.
A amazona buscava ignorar essas lembranças para ela mesma não enlouquecer. Foi quando chegou no penhasco onde conheceu Rosh.
"Não... A idéia não é má..."
A distância do topo era maior do relevo onde a antiga amazona de Vela se acidentou. Ela encarava aquele desfiladeiro sem fim, como se fosse uma bela sugestão.
Seus passos iam para a ponta, de forma lenta, como um caminhar ao altar do último ato.
Mas ela fora impedida, o pequeno corpo da guerreira fora envolvido por calorosos braços. Ela conhecia a presença daquele cosmo, típico de uma pessoa comum, mas aprendeu a conhecer naquele instante o calor do abraço de Rosh.
-Por quê me impediu de me matar se você mesma queria se matar?! -.sua voz era quase um grito, era sério e áspero em seu tom e tremulava.
-Eu matei minha mestra, mesmo que não com meus punhos mas eu a matei!
-Eu não importo com isso! Você é forte, você protege a todos no lugar dela. — seus braços a apertavam mais, seu corpo dizendo o quão aquilo era desesperador. — Não teriam dado esse dever a você se fosse má e culpada! Se Atena é justa como nas lendas que li, se fosse má, ela não ia permitir que você virasse uma guerreira.
Casty relaxou o corpo, estava mole e sem conter seu choro.
-Eu vou ficar do seu lado, Casty, não vou te deixar morrer, não vou permitir que morra.
-Também não vou deixar que morra...

Matheus de Escorpião e Rosh já estavam consideravelmente longe.

-Como vocês conseguem agir assim?! Simplesmente abandonar um colega?! — bradou o italiano, sua face visivelmente alterada pela raiva.

-Sabe por que ela prefiriu ficar? Não apenas pelo estilo de luta dela, mas por que sem saber que tipo de inimigo é o líder, ela confiou a mim sua guarda. Aqueles rasos é fichinha para ela, mas se o inimigo for de nível ao meu, a luta poderia ser inútil. — por sua vez, o cavaleiro dourado estava com uma expressão dura. — Casty foi treinada pela minha mãe e é durona como guerreira. Nós cavaleiros confiamos uns nos outros nossas vidas.

Rosh esmurrou com a lateral das maos uma parede, mas sendo um mero humano, tudo que conseguiu foi esfolar sua mão.

-Se eu não fosse tão inútil, não iria deixa-la lá sozinha!

-Você sabia que mesmo sob tutela de mamãe ela tentou por fim a si mesma outras vezes? Que depois que ela trouxe você da Itália ela se tornou menos dura e ríspida? — o cavaleiro encarava o jovem com dureza. — Você a esteve salvando todos os dias desde que vocês se esbarraram.

Matheus então percebeu a presença de uma pessoa, revelou ser a mulher que Chaffin havia salvado.

-Você...?

A moça andava cambaleando em direção ao cavaleiro de ouro.

-Onde está o cavaleiro que te salvou? Você está bem?

Ela enfim chegou e, com as duas mãos, tocou o rosto do dourado, ficando na pontas dos pés. O objetivo dela era bem claro: ela queria beijar Matheus. Ia bem devagar, deixando o cavaleiro em choque e sem reação pela atitude e pela beleza daquela mulher.

Quando seus lábios iam se tocar, Matheus ouviu uma voz gritar:

-NÃO DEIXE QUE ELA TE BEIJE!

No mesmo instante, o dourado sentiu um calor horrível no peito e percebeu que ele emanava das mãos da mulher. Ele conhecia aquele golpe e se esquivou, protegendo Rosh.

-Essa é... A Coroa do Sol do Chaffin.... Mas como? — se indagava o cavaleiro de Escorpião.

Foi quando seus olhos se focaram numa sombra cambaleante atrás: Chaffin de Carina.

A mulher sorria de forma extremamente maliciosa, enquanto rasgava seu próprio vestido ficando nua, fato que não durou muito até uma armadura cobrir seu corpo, de um vermelho paixão ardente.

-Que pena, seria divertido absorver seu cosmo, cavaleiro de ouro. Vocês homens são tão simplórios! Não resistem a um par de peitos a sua frente.

-Quem é você? Uma deva? — indagou o cavaleiro de ouro.

-Eu sou a Samraajni Ragajana, que controla o amor e a lúxuria e converte em poder! Poder como esse!

Ela lançou o golpe ardente do cavaleiro de Bronze, mas parecia ainda mais forte que o normal.

Chaffin não estava ferido, mas o beijo maligno da deva deixara seu poder de combate desestabilizado, ele mal conseguia se mover.

-Chuta a bunda dessa deva, Matheus!

A deva e o cavaleiro de ouro iniciaram uma batalha furiosa, uma sequencia mortal de golpes especiais e ataque físicos. Ela era uma inimiga fenomenal apesar de sua aparência sexy e inofensiva como guerreira.

Foi quando o jogo de equilibrado ficou outro, ao Ragajana conseguir desestabilizar, fazendo-o cair no chão e abrir uma cratera.

Ele seria um alvo fácil se uma tempestade de vento não o protegesse. Os ventos rechaçaram o golpe da deva, os anulando.

Matheus conhecia quem podia fazer isso e se virou para trás, mas o que ele viu o surpreendeu. Era Rosh, que estranhamente conseguira queimar seu cosmo.

-Como...? — disse o Escorpião.

-Não sei... Eu realmente não sei...

Ragajana estava furiosa e ia investir com poder maior do que a barreira que o italiano construira.

-Como ousa se aproveitar da minha aura para ficar forte, seu verme!?

Mas antes de conseguir alcançar, uma figura passou e bloqueou o golpe, rachando a armadura. Era Casty.

-Não toque nele, sua vaca peituda!

E o vento fez a deva voar, mas antes de cair no chão. Era um cosmo muito perigoso que todos sentiram.

-Samraat Setsuna de Shiva? — surpreendeu-se a deva.

Setsuna olhou a companheira com frieza e sumiu nas profundezas da noite.

-Ela disse... "Shiva"? — sussurrou a amazona. — Esse é o Shiva?

-Que cosmo terrível! — sussurrou o cavaleiro de Escorpião.