Saint Seiya - Extinção
1 Capítulo 1 - Prólogo: A queda do Pégaso
Seiya estava completamente inconsciente. No entanto, mesmo assim ainda lutava contra a maldição que, pouco a pouco, drenava sua vitalidade ao passo que a espada invisível de Hades se aproximava de seu coração. Por isso mesmo nem em seus pesadelos mais profundos poderia imaginar que diante dele estava o maior dos deuses do Olimpo, Zeus potente. Seiya, enquanto estava completamente indefeso em uma cadeira de rodas experimentando o pior sofrimento que um humano poderia passar, tinha sua morte desejada pelo terrível deus supremo que o faria sem escrúpulo algum.
_Seiya... O Cavaleiro de Atena que a salvou e se sacrificou no processo. De certa forma sou grato por isso, mas você representa um perigo enorme para a existência dos deuses desde quando conseguiu acertar um golpe tão avassalador contra Hades. – Zeus declarava a Seiya, mesmo este não podendo ouvir e responder a qualquer palavra que fosse proferida. – Chegou a hora. Irei livrar você deste sofrimento matando-o de uma vez por todas e desintegrando sua alma para que não haja nenhuma chance de renascimento.
_Você não fará nada contra Seiya. – Disse uma voz ao longe. Zeus observou ao seu redor, mas não pôde ver quem era o responsável por desafiá-lo.
_Quem ousa me desafiar? – Zeus questionou.
_A Ave Fênix (Hōyoku Ten Shō, no original) – Ikki saiu das sombras conjurando sua mais poderosa técnica em resposta a pergunta de Zeus, no entanto, o deus supremo do Olimpo se quer se mexeu e o golpe fora completamente absorvido.
_Oras! Se não é o tolo Fênix, aquele que pensa ser imortal. – Zeus provocou. – Este mísero golpe nunca me acertaria.
_Eu imaginei que isso não fosse funcionar, mas continuarei até acertá-lo. Não deixarei que mate Seiya. – Ikki declarou sem temer qualquer reação do deus.
_Basta! – Um grito ecoou pelo lugar. Mais uma pessoa se juntara ao que estava acontecendo. – Eu não posso acreditar que meu pai está aqui para tirar a vida de Pégaso. – A voz revelou-se ser de Atena que demonstrou sua profunda indignação.
_Não se intrometa, Atena. – Zeus ordenou. – Você sabe de todos os pecados deste homem e eu irei puni-lo por cada transgressão com a morte. – Zeus declarou.
_Punir por quais pecados, meu pai? Pelo pecado de proteger a humanidade? Ou por confrontar os interesses malignos e egoístas dos deuses que atacaram a Terra? – Atena perguntava em tom de ironia enquanto se colocava entre Seiya e Zeus.
_Basta! – Zeus gritou em sua ira – Não permitirei que esta ameaça aos deuses passe impune. – Zeus declarou ao mesmo tempo em que levantou uma de suas mãos de onde saiu vários feixes de luz que cegaram a Atena e Ikki. A luz tomou forma e revelou-se ser algum material luminoso e muito resistente que atara as mãos, os braços e os pés de Atena. Ikki avançou contra o deus, mas fora repelido com uma simples elevação do cosmo de Zeus.
_Eu não posso acreditar... Isso só pode ser algum pesadelo. – Ikki lamentava. – Achávamos que tínhamos perdido Seiya na batalha contra Hades e quando pudemos ter esperanças... – Mesmo não sendo do feitio de Ikki, tudo que ele podia fazer era lamentar.
Atena observava o semblante desesperado de Ikki que não pudera se quer permanecer de pé contra Zeus. Logo percebeu que a pressão exercida pelo poder absoluto de seu pai era tão grande que estava começando a ficar difícil até mesmo respirar. Quando ela já estava perdendo as esperanças, Shun e Hyoga apareceram atacando ao deus supremo.
_Mas será que estes vermes não irão parar de surgir – Zeus resmungou.
_Ainda há mais um com quem você deve se preocupar, Zeus. – Shiryu declarara enquanto aterrissava depois de um pulo e a execução de um golpe de energia cósmica.
_Já chega! – Zeus exclamou. Então uma onda de choque se formou após a elevação do cosmo de Zeus que derrubou a todos depois de lançá-los para longe repelindo também a seus golpes. – Irei tirar a vida daquele que mais representa perigo e não haverá nenhuma alma que poderá me impedir. – Neste momento levantou seu braço direito e trespassou o peito de Seiya que, mesmo inconsciente, agonizou e cuspiu sangue.
Os olhos do Pégaso, mesmo que já não refletisse a luz da esperança que um dia tivera, tornaram-se ainda mais escuros e, os resquícios do cosmo de Seiya, se fora completamente desta vez.
Seus amigos se horrorizaram com a cena, enquanto Zeus retirava seu braço manchado de sangue que pingava em abundância tingindo o gramado, antes verde. Em uníssono, os amigos de Seiya gritaram pelo seu nome, que já não poderia atender ao chamado. Atena apenas se entregou as lágrimas e ao desespero de ver seu mais amado cavaleiro partindo pela segunda vez, mas agora, em definitivo.
_Está consumado. – Zeus declarou.
Fênix foi o primeiro a levantar para tentar mais um ataque, porém agora consumido pelo ódio e pela dor de ter perdido seu amigo. Sua armadura mais uma vez se transformou na armadura divina que o ajudou a canalizar ainda melhor seu poderoso cosmo e, assim, o empregou numa investida feroz contra Zeus. Desta vez, o deus supremo levantou uma das mãos para se defender, no entanto, o golpe praticamente não surtiu efeito. Hyoga, Shun e Shiryu também investiram contra o deus logo em seguida quando suas armaduras divinas também surgiram e forçou Zeus a usar as duas mãos desta vez, mas nenhum sucesso foi obtido.
Zeus abaixando a cabeça e com suas mãos ainda estendidas conjurou um golpe de energia cósmica que atingiu em cheio aos cavaleiros. Todos caíram desorientados e praticamente derrotados por completo. Contra Zeus, mesmo o grande nível de cosmo obtido pelos cavaleiros parecia ser absolutamente nada.
_Chega! – Atena exclamou. – Peço clemência. Por favor, poupe a vida de meus cavaleiros. Você já tomou a vida de Seiya, não há razão para mais derramamento de sangue. – Atena suplicou em meio às lágrimas e sem poder fazer absolutamente nada contra seu pai.
_Não posso perdoar àqueles que me desafiaram, Atena. – Zeus declarou de forma impiedosa.
_Eu faço o que for necessário, meu pai. Eu me entrego a seu julgamento, mas poupe-os. – Atena implorou. Zeus ao ver tal entrega e tanto amor por parte de Atena, não pode deixar de considerar o pedido da filha. Então, se silenciou por um momento para pensar. Os cavaleiros só puderam ficar na expectativa enquanto ainda derrubavam lágrimas inconsoláveis pela morte definitiva de seu amigo.
_Eu irei levá-la comigo e irei julgá-la por suas transgressões. Irei decidir em uma Assembleia Olímpica qual será sua punição, assim como o destino de seus cavaleiros, da humanidade, e da Terra. Até lá, deixarei seus cavaleiros vivos. – Zeus decidiu depois de pensar um pouco sobre quão desestabilizada estava sua filha. Ele esperava convencê-la largar seu amor pelos humanos por considerar tal sentimento uma fraqueza, mas considerou que fosse pior matar mais de seus amados cavaleiros naquele momento. Até porque, o verdadeiro e único alvo era Seiya, que misteriosamente representava muito perigo aos deuses.
Zeus preparava sua partida entrando no que parecia ser uma bolha projetada pelo poderoso cosmo do deus, algo que Atena fizera quando estivera em Elíseos. No entanto, Atena já livre de seus grilhões de luz, se aproximou de Shiryu para lhe passar uma última ordem.
_Shiryu! – Atena chamou a atenção de seu cavaleiro.
_Atena!
_Shiryu, preciso que confie em mim. – Disse Atena olhando nos olhos de seu defensor. – Quero que seja meu representante na Terra. – Atena confessou.
_Mas Atena, eu não poderia... – Shiryu começou, mas fora interrompido.
_Eu estou certa de sua sabedoria e integridade, Shiryu. Sei que será um grande mestre, e sei que terá a ajuda de seus amigos nesta missão. Ausentarei-me por alguns anos, pois a Assembleia Olímpica é uma reunião incomum, onde muitos tópicos são discutidos e acabam levando décadas para que termine. No entanto, tenho convicção de que conseguirei voltar. – Atena declarou.
_Tudo bem, Atena. Se for de sua vontade irei empregar todas as minhas energias para atender as suas expectativas. – Shiryu prometeu enquanto secava suas lágrimas e tentava se levantar para se prostrar diante de sua deusa.
_Não se esforce, Shiryu. Apenas prometa para mim que tomará conta de tudo em minha ausência. – Disse a gentil Atena.
_Eu prometo, Saori. Digo, Atena. Eu prometo que irei dar o meu melhor. – Shiryu prometeu de modo firme e convicto.
_Ótimo. Eu irei guiá-lo sempre que você ir ao Monte das Estrelas. – Atena prometeu. – Quanto a vocês, Ikki, Hyoga e Shun, espero que deem o seu melhor para ajudar Shiryu, irei dar mais instruções com o tempo, mas saibam que conto com vocês. – Atena declarou.
_Sim, Atena. – Os quatro disseram em uníssono.
Antes de partir, Atena observou o corpo de Seiya na cadeira, se aproximou, e o beijou. Logo após entrou em uma das bolhas de Zeus derrubando mais lágrimas, enquanto olhava para seus cavaleiros caídos no chão. Era uma despedida muito triste para que a humilde Saori Kido pudesse suportar, mas sua determinação de deusa a faria seguir em frente para que pudesse enfrentar os males que conspiravam por detrás das cortinas. Mas primeiro teria de bater de frente com seu próprio pai.
Shiryu, Ikki, Shun e Hyoga ainda derrubavam lágrimas enquanto via Atena e Zeus se afastarem cada vez mais, no entanto, se levantaram para que finalmente pudessem ir até o corpo de Seiya jogado na cadeira de rodas, pegá-lo e enterrá-lo com todas as honras que o cavaleiro merecia.
Shiryu, já exercendo sua função como Grande Mestre, foi o responsável por divulgar a mórbida e melancólica notícia. A tristeza inconsolável dos poucos servos de Atena que sobreviveram às guerras fora tudo que sobrou ao final do dia.
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