Saint Seiya - Dio Axia
5 Quatro Sombras
Notas iniciais
26 de Agosto
Nordeste do Mar Egeu, próximo a Ilha de Lemnos.
A tarde, uma grande Caravela chegava a Ilha, a medida que se aproximava viam-se que grande parte da ilheta era de natureza montanhosa e vulcânica.
De urnas nas costas, Sirrah, Wittels e Yugo desembarcaram na cidade de Kastro através do porto situado numa grande baía na região central de Lemnos.
De modo a facilitar a missão, Mestre Kourion entregou a Vélos Physis (βέλος Physis) ou Seta de Physis, um artefato que identificava outros objetos sagrados próximos a ele. A Seta de Physis consiste num pequeno talismã banhado em prata e bronze com pequenos entalhes escritos em grego antigo, ao centro possui uma escura pedra lapidada de material desconhecido. Nas antigas lendas diziam que podia-se olhar o universo de dentro da mesma. O seu poder é ativado juntamente com o cosmo de um Cavaleiro mostrando-lhe o caminho a ser seguido. Por ser de pequeno porte, Sirrah o levou consigo envolvendo-o numa espécie de colar.
Percorrendo as vilas não encontraram pistas ou caminhos alternativos que poderiam ajudar-lhes, fazer perguntas a alguém estava fora de cogitação, uma vez que deveriam ser o mais discretos possíveis em relação a missão, não pondo assim pessoas em risco, conselho do próprio Yugo, Cavaleiro de Escudo.
Com isso restaram apenas entretenimento.
Havia muitas atividades na Ilha Lemnos, desde pequenos festivais à áreas de livre comércio, como pesca, pinturas, vestuário, cerâmica e até venda de escravos, algo que o jovem Wittels abominava.
Eis que um pequeno fio cintilante se pôs a visão de Sirrah, era a Seta de Physis apontando para um tortuoso monte ao norte, acima das montanhas.
Próximo ao monte, os três tiveram que contornar o local para desviar olhares de curiosos e da milícia local, rapidamente escalaram a pequena montanha e chegaram no local iluminado pelo talismã.
Para quem se localiza do alto do monte, pode vislumbrar parte da cidade de Kastro, também chamada de Mirina. Mas quem visualiza debaixo, não conseguia ter uma visão da grande estátua de uma Guerreira Amazona situada neste topo, tampouco de um sucinto arvoredo, algumas colunas tombadas e um pequeno lugar sacro em ruína.
— Bem, onde esse talismã esta apontando agora? — disse Wittels à sua amiga Sirrah.
— Não sei, ele não demonstrou qualquer reação desde que chegamos aqui.
— Nesse caso o artefato de nossa missão está aqui, suponho. Venham, vamos procurar. — finalizou Yugo.
Pesquisaram os quatro cantos da colina, sem exito. O Cavaleiro de Cães de Caça, Wittels, suspeitava algo de estranho naquele pequeno lugar em ruína.
—Pois apesar de não possuir entradas, pelo seu comprimento indicava cômodos ocultos talvez?! — Pensou Wittels, compartilhando sua ideia com os outros dois.
— Hum, talvez isto fostes um templo de alguma divindade! Os antigos diziam que templos assim haviam artefatos sagrados guardados em câmaras secretas. — disse Sirrah.
— Já ouvi algo parecido, os arquitetos gregos construíam salas ocultas no interior dos templos para esconder relíquias e tesouros. — completou Yugo.
— Sim, está correto, lembrei-me o nome que dão a isso, é Opistódomo, que significa Quarto atrás! — concluiu Wittels.
Sem delongas, Sirrah e Wittels entraram por uma pequena abertura entre os pilares derrubados na entrada. Do lado de fora o Cavaleiro de Escudo, Yugo ficara de guarda para eventuais problemas.
—__________//_________________
No templo;
A poeira era total, visível pela iluminação natural do Sol, mas não havia muito a que observar a não ser apenas um local com degraus e pisos destruídos, nele uma espécie de máscara com traços de um homem com a boca aberta, de um material feito de pedra e bronze estava ligado a um pequeno conjunto de pilares, construídos em cima de um pedestal. Nada mais ali, nenhuma espada, chave, amuleto ou qualquer objeto de cunho sagrado.
— Não seria a própria máscara este artefato? — indagou Wittels.
— Se for, teremos que arrancar-la da parede — disse Sirrah.
Um constrangimento aconteceu por parte de Wittels, um Santo de Atena nível de Prata sequer movia a máscara do lugar, provocando algumas risadas de Sirrah. De fato, aquilo era um objeto sagrado. Sirrah resolveu usar suas correntes, as Correntes de Andrômeda, mas o inverso aconteceu e ela foi puxada em direção a máscara, era certa a colisão.
no entanto...
A máscara reagiu ao contato da Seta de Physis e se materializou para um tamanho muito inferior, agora cabia na palma de uma mão. Wittels só então percebeu que toda aquela estrutura, pilares, a máscara, o pedestal era o artefato sagrado, tudo era parte de um objeto só...
Do lado de fora, Yugo um pouco menos agitado do que seus dois companheiros, admirava a beleza da estátua da Guerreira Amazônica, parecia estar viva.
Saindo do templo em ruínas, Wittels e Sirrah mostraram o artefato à Yugo, que por sua vez não teve qualquer reação surpresa.
— Bem, vamos retornar a cidade, teremos que passar a noite na ilha pois haverá uma embarcação para Atenas somente amanhã.
— Droga, não falaram isso com agente. — disse Wittels
— Calma, já que estamos aqui vamos aproveitar. — A propósito que bela estátua essa não?! — disse Sirrah.
— Sim, parecia ser um mulher imponente. — disse Yugo caminhando próximo a Sirrah.
Por um momento a Amazona de Andrômeda ficara deslumbrada com a visão da estátua, hipnotizada até, deixando o artefato cair de suas mãos.
Yugo ao apanhar o objeto, foi tomado por uma intensa luz que o fizera ser arremessado ao Templo.
Wittels sem entender observou a cena, onde Sirrah sequer se movia!
Uma voz ecoou...
— "Apenas uma virgem de sangue nobre poderia tirar-me de meu repouso, necessito de um corpo, necessito de poder, necessito de minhas guerreiras, sou Talestris!"
— Você diz Talestris a Rainha das Amazonas? — disse Wittels.
— Jovem que dirige sua voz a mim, faremos um acordo!
— O...o que ? — Indagou Wittels.
— Vejo que estais em posse do "Palanque Real", um artefato concebido desde épocas imemoriais aos Reis e Imperadores.
— Então este é o nome deste artefato — pensava o Cavaleiro de Cães de Caça.
- Ao líder, é concedido o poder da persuasão, elevando a moral e a força humana para seu exército. Alexandre, o Grande, que foi um dos meus amantes, seus homens diziam que ele utilizou o Palanque Real na Batalha de Isso, na vitória contra Dario III, Rei da Pérsia.
— Desejo apenas a troca, o objeto pelo corpo imaculado desta jovem! Nossa era de domínio e conquistas sobre a Grécia chegará, não mais Líderes e Reis a nossa frente, mas um reinado de Amazonas terá seu início, abrindo um novo capítulo na história do Mundo.
— Você só pode estar brincando, ela assim como eu é um Cavaleiro de Atena, não permitiremos que uma simples estátua faça o que bem entender. — Proferiu Yugo, se reerguendo dos escombros em que fora arremessado.
Eis que um raio de coloração esverdeada paira sobre a estátua:
— Homem que se dirige a mim, sentirá a fúria das Amazonas.
Em instantes, um incontável grupo de Guerreiras se formavam do chão, com lanças e espadas afiadas indo em direção aos Cavaleiros de Prata. Yugo e Witells começaram um embate contra as quase duzentas Amazonas furiosas, no entanto golpes sônicos bastaram para derrota-las, técnicas especiais foram desnecessárias.
Sirrah por sua vez, ainda estava postada a frente da estátua, hipnotizada pelo olhos esmeraldas de brilho intenso saindo de Talestris. Wittels com um grande salto na tentativa de destruir a cabeça da estátua com um chute foi atingido por um intenso raio esverdeado, mas girando no ar, conseguiu aterrizar sem problemas e sem gravidade, mas...
— Servos de Atena, desapareçam, tornem-se sacrifícios para este solo. — proferiu Talestris antes de disparar inúmeros raios em direção aos Cavaleiros de Prata.
Avançando, mas em linha reta, Yugo se posicionava com seu grandioso escudo defendo dos incontáveis feixes de luzes que disparavam-se numa velocidade constante. Usando a lógica, Witells deveria ser a linha de frente enquanto Yugo seria o apoio. Mas a jogada era outra, enquanto Wittels se resguardava atrás de seu parceiro para se aproximar o máximo da estátua, o escudo de Yugo continha um poder de absorver uma certa quantidade de cosmo proveniente de ataques, ativando este poder, sua forma que era horizontal se fechava num molde circular, nesse caso, Wittels tirou Sirrah da linha de visão do Cavaleiro de Escudo, enquanto os próprios plasmas de Talestris se voltaram contra ela saindo do escudo de Yugo em forma de uma grande rajada, pulverizando a bela e mortal escultura.
A estátua parecia ser dotada de um encantamento, as Amazonas derrotadas se desfaziam no chão, formando um amontoado de barro e galhos.
— É a segunda vez que utilizo o "Blason Reverse". disse Yugo.
— Blason? — Perguntara Wittels com Sirrah em seus braços.
— Blason significa brasão em francês — completa o Cavaleiro de Escudo.
—_____________//__________________
Mais tarde...
Mesmo em meio a vários oponentes, para os Cavaleiros de Prata não era de espantar pela facilidade em que tudo terminara. Já era noite quando uma densa névoa púrpura pairava no caminho de volta a cidade portuária.
As correntes de Sirrah reagiram a uma presença no local, Yugo e Wittels também estavam em alerta e se preparavam para um investida. A Amazona de Andrômeda sem titubear lançou as correntes em meio a dois vultos que surgiram entre a neblina.
Quando uma outra voz grita:
— É uma armadilha!!!
Desde o caminho para Ilha Lenmos havia outro Cavaleiro de Atena, este ficara nas redondezas, não se aproximando dos outros três.
Aparentava ser muito forte, mas totalmente inexperiente com estratégias. Jano de Centauro que não acatou as ordens de permanecerem no Santuário, estava uma colina acima, observando os dois vultos, mas não sabia que os três Cavaleiros lá em baixo já estavam prontos para um contra-ataque. Seu aviso inesperado, soou como amadorismo, e instintivamente os três olharam em sua direção, ficando surpresos pela sua aparição.
Neste instante, os dois vultos se mostraram como homens de turbantes com máscaras cobrindo o nariz e a boca, carregando espadas e adagas árabes, rapidamente se aproximaram dos Cavaleiros. O mais a frente, abriu uma das mãos assoprando um pó rosado em direção aos rosto dos Cavaleiros.
— Wittels com as mão nos olhos: O que é isto, um tipo de magia?!
— Yugo: Droga, meu rosto esta para..lisado!
— Sirrah: N..Não consigo levantar meus braços, não escuto nada!
A Amazona de Andrômeda percebeu seu colar com a Seta de Physis ser arrancado de seu pescoço, assim como o Palanque Real ser roubado pelo outro mascarado.
Nada podiam fazer.
E com apenas um estalo com as mãos, ambos fugiram ainda na densa névoa que parecia ser criada pelos dois.
O Cavaleiro de Centauro já não estava no local.
Quem eram eles?
—____//___________
Cerca de 20 minutos depois;
Com os artefatos em mãos, os dois vultos que na verdade eram habilidosos espiões se locomoveram rapidamente para o lado oposto do porto, onde uma balsa se encontrava escondida próximo ao mar.
— Fizemos um bom trabalho, não Talib?!
— Sim Sabbah, nosso Grão-Mestre ficará satisfeito.
— Você disse Grão-Mestre?
Na praia, iluminada apenas pela luz da lua, duas figuras surgiram próximo a uma fogueira, ao que parece foi montada como um sinal para os espiões. Um deles, o que parecia ser mais baixo, novamente repetira a pergunta:
— Acho que ouvi Grão-Mestre, hi khi khi!
Alertas, os espiões sacaram suas adagas rodeando os dois homens.
— Quem são vocês? — dissera Sabbah.
— Bem, foi a mesma pergunta que fiz a este aqui! — respondeu agora o mais alto, segurando uma cabeça, o que parecia ser do barqueiro que iriam levar os dois espiões para fora da ilha.
— Essa não, pegaram Arafah. — disse Talib.
— Sim e vamos pegar vocês se não nos derem este objeto! — exclamou o mais alto.
— Veremos! — proferiu Talib em disparada contra os dois, lançando sua espada em direção ao mais baixo, que facilmente se esquivou com um leve balanço da cabeça. No entanto não esperava o sopro de um pó mágico diretamente em seus olhos.
— Em minha terra chamamos isso de toque de Ifrit — respondeu Talib, convicto que seu pó púrpura funcionaria.
Uma pequena risada:
— Hi khi khi, árabe, talvez obtivesse o efeito desejado contra o meu parceiro aqui, MAS COMIGO, ESSA MERDA NÃO FAZ EFEITO ALGUM HIIIII KHI KHI!!!
— Não pode ser! — dizia Talib.
De repente, algo começou a se mover pela areia, deixando grandes buracos por onde passava e indo em direção a Talib.
O que é isto? Parece estar sendo cavado por dentro! — mencionou o já assutado Talib.
— Hey, veja! — Exclamou o homem mais alto jogando a cabeça do barqueiro em um desses buracos.
No primeiro momento ouvia-se um estalo, e em seguida uma grande quantidade de sangue jorrava em meio a partes humanas e areia.
— NÃO SÃO HUMANOS, V...VOCÊS N..NÃO SÃO HUMANOS, AAARRHH! Exclamava Talib, agora correndo em direção oposta.
— Espere Talib! — disse Sabbah.
— Tarde demais! — Finalizou o homem de menor estatura, assistindo a cena de Talib ser tragado por um tipo de sucção, desaparecendo pelo buraco recém escavado.
O então Sabbah, desesperado com a situação mas não covarde a ponto de fugir, correu em direção aos dois, lançou quatro adagas simultaneamente que foram destruídas por apenas um dedo, do homem mais alto.
Em seguida retirou de sua roupagem duas pequenas bolas revestidas de couro e arremessou diretamente contra a fogueira, um grande estouro foi ouvido até mesmo por Yugo e Wittels que estavam a uma distancia considerável.
Um pequeno amontoado de chamas se formou em volta dos dois.
— Aaaah, adoro este cheiro, pólvora! — disse o mais baixo.
— M..mas c..como?! — Pensou Sabbah.
Os dois homens estavam imóveis após a explosão, pela claridade, agora era possível ver a aparência dos mesmos;
Ambos utilizavam vestimentas feitas de pele animal, botas de couro, trajavam uma espécie de lã de ovelha em volta do pescoço que desciam pelas costas. O mais alto era branco, cabelos longos e castanhos escuros, mas a parte da frente era raspada, usava uma máscara semi transparente cobrindo a boca, parecia ter bigode ou cavanhaque. O mais baixo tinha uma pele um pouco mais descorada, longos cabelos e negros com grossas tranças amarradas na parte da frente, parecia ter pupilas dilatadas e esbranquiçadas.
Sabbah já sem esperanças, sacou seu facão árabe desferindo a lâmina no ombro do homem mais baixo que nem ao menos se moveu, e disse
— Não sei o que são vocês, mas o que fizeram com Talib? Respondam seus demônios!
— Vai nos dizer quem são vocês? — questionou o mais alto.
Sabbah hesitou, mas respondeu em seguida:
— Viemos da Cordilheira Elbruz, nosso Grão-Mestre Mohamed III nos deu esta missão de capturar este artefato, somos mercenários e vivemos em Alamut, somos Hashashins.
— Pelo visto, não somos os únicos forasteiros a irem atrás destes objetos gregos. — mencionou o mais alto, olhando para seu companheiro mais baixo.
— P..pronto, agora digam, onde vocês esconderam Talib? — Exclamou Sabbah.
— Ora, esta logo ali — disse calmamente o mais baixo, apontando para um buraco próximo a sua direita.
Um dos vários buracos escavados na praia revelou Talib com a cabeça e braços para fora, Sabbah correu em sua direção.
— Talib! O que você esta sentindo? consegue se apoiar em mim?! Vamos, levante!
— S...Sab..bah!
— Sim meu amigo.
— Não entregue o...o arte..fato a eles!
— O..o que você esta dizendo Tali...
Nesse momento Sabbah percebeu, ao puxar Talib, apenas metade de seu corpo estava no buraco, entranhas caíam da cintura para baixo!
Sabbah caiu de joelhos, estava em choque, jamais imaginaria seu amigo morrer assim. Com o estado emocional abalado, começou a falar sobre os modos que os Hashashins agiam, mas eles utilizavam métodos alternativos para cumprirem suas missões, pois não gostavam de matar. E para ele, ver esta cena foi demais.
— Hihihi Khi khi! — Vá Setsen, pegue o artefato que esta com ele! — dissera o homem mais baixo, revelando o nome de seu companheiro.
Setsen, não tivera problema algum em roubar o artefato preso a cintura de Sabbah, uma vez que ele estava em choque por seu amigo, não demonstrou qualquer reação.
— Bem, então vamos — disse Setsen.
— Onde pensam que vão! Ladrões roubando de outros ladrões, pff que piada! — uma voz familiar surgia.
— Há mais outro desses árabes? — questionou o mais baixo
— Não! Veja, aquele ali sentado na balsa esta usado uma armadura. — disse Setsen.
— Ora, um Santo de Atena?! Veio pegar isto Cavaleiro ou isto aqui? — disse o mais baixo segurando a Seta de Physis em uma mão e o Palanque Real na outra.
— Isso mesmo, e é melhor me entregar, não gosto de ferir alguém que não esteja usando uma proteção. Sou Jano de Centauro Cavaleiro de Prata!
— Muito bem Centauro, estarei ali na beira do mar sentado esperando você toma-las de mim, Hiii khi khi khi. — disse o mais baixo, andando calmamente para o ponto onde indicou.
— Não precisa dizer duas vezes! — Disparou Jano com os punhos cerrados em direção do mesmo. Porém Setsen igualou a sua velocidade e com uma das mãos no ombros de Jano, o puxou para trás com uma força tremenda.
O Cavaleiro de Centauro tinha total controle sobre seu corpo, a investida não foi problema para ele.
— Sabia que aqueles dois não eram normais, mas igualar ao poder de um Cavaleiro de Prata sem ao menos possuir uma proteção, é possível isso?! — Pensava Jano.
— Heh, irá continuar com essa brincadeira? — indagou Setsen.
— Hum, sim, pelo visto surtiu algum efeito em você — respondeu Jano.
Setsen olhou para sua mão esquerda que estava queimada; — Grrrl, maldito!
No mesmo instante, montes de areia se levantavam onde Setsen permanecia, ou melhor, não estava mais. Numa velocidade sônica se deslocou atrás de Jano aplicando sequências de joelhadas, socos e cotoveladas no mesmo ritmo.
A maioria dos golpes foram defendidos pelo Cavaleiro de Centauro, que aplicou um forte chute no peito de Setsen, sendo um ataque como esse para um simples humano, não sobreviveria. Sabendo que sem uma proteção Setsen não duraria muito em batalha, se resguardou, ficou próximo ao seu companheiro que estava tranquilamente sentado na beira do mar, porém não pensava em fugir da batalha. Ergueu seu braço direito e fixou na direção de Jano, com a palma da mão levantada para cima, uma corrente de ar de cor vermelho escuro/marrom se dirigia ao Cavaleiro de Prata.
Jano dera um grande salto sobre a técnica, e em pleno ar arremessou duas esferas de fogo com as mãos, atingindo em cheio Setsen. Mas anteriormente seu golpe funcionou, Setsen não foi tocado pelas chamas mas sua técnica acertou a parte das pernas da Armadura de Jano, e isso era o bastante.
— Tenho certeza que meu ataque foi deslocado alguns centímetros a mais, obra dele ou do carinha sentado ali?! — pensava Jano.
— Urgh! O que é isso, algo esta crescendo para fora da minha Armadura, pa...parecem galhos?!
— N...não, são chifres!! E estão saindo de meus joelhos e pernas, minha locomoção esta ficando pesada, dro..gaaaa!
— Hii khi khi, não vamos mais perder tempo aqui Setsen, dê uma bora surra nele. — disse o companheiro de Setsen, se levantando da areia.
— Heh, hahaha, hahaha, estou indo Santo de Atena!!! — respondeu Setsen, correndo em linha reta na direção de Jano desferindo uma sequência impressionante de golpes acima do pescoço, que era a parte mais frágil de qualquer Armadura.
— Mer..da, meus braços também não funcionam, porque, porqueeee? — exclamou Jano.
— Essa é por minha mão queimada! — disse Setsen antes de aplicar uma forte cabeçada na testa de Jano, que já não tinha mais proteção de seu Elmo, caído no chão.
— AFASTE-SE SETSEN, salte para trás! — alertou seu companheiro.
— O..o que? Está bem.
Em questão de milímetros do salto de Setsen, uma grande rajada de tom alaranjado/marrom atingiu em cheio Jano, o impacto foi forte suficiente para arrancar os chifres da técnica de Setsen que estavam enraizados na armadura e no chão.
— Venha Setsen, foi o suficiente para não nos incomodar mais hii khi khi!
— Es..pe..re! Você baixinho, que..ro saber o seu n..nome. — dizia Jano, caído de bruços no chão com sérias feridas na cabeça.
O companheiro de Setsen olhou por um momento para Jano e disse:
— Hu, não subestime os vermes garoto! Sábio é aquele que não o confronta. — respondeu de forma enigmática o companheiro de Setsen.
Um portal a quase cem metros do mar surgia inexplicavelmente, Setsen levara os dedos a boca fazendo uma espécie de assobio. Segundos depois dois grandes Cavalos apareceram, subiram nos mesmos e seguiram cavalgando em direção ao mar, como se fosse um grande corredor invisível. O parceiro de Setsen que estava logo a frente foi surpreendido por uma corrente que interceptou o amuleto Seta de Physis no momento em que iria entrega-lo ao mesmo. Eram as correntes de Andrômeda de Sirrah. No entanto, dessa vez a dupla não parou e seguiu em frente.
— Droga, havia outros Cavaleiros por aqui!
— Não se preocupe Setsen, o que nós queríamos esta aqui. — disse o parceiro de Setsen mostrando o Palanque Real em sua mão.
Ambos desapareceram pelo portal. Para eles, missão cumprida, aos Cavaleiros de Atena, uma falha imperdoável.
Continua...
Fale com o autor