Saori está dormindo em seu aposento no Santuário. Seu sono é inquieto, perturbado por terríveis pesadelos. Ela se acorda assustada, confusa com os sonhos horríveis que atormentavam seu sono. Mii entra no aposento e pergunta:

— Senhorita Saori, você está bem? Por que você parece tão perturbada?

— Eu não sei, Mii. Meu espírito está inquieto. Não consigo dormir direito. Sempre que eu tento dormir, vários pesadelos terríveis começam a me atormentar.

— O que você acha que isto significa? Será que é algum tipo de pressentimento?

— Eu não tenho dúvida, Mii. Algo de muito ruim está para acontecer. Eu nunca senti algo assim antes. Eu só não sei o que vai ocorrer, quem será o próximo inimigo.

Saori se levanta e vai até o jardim para meditar, acompanhada de Mii. Miro, o cavaleiro de Ouro de Escorpião, se aproxima.

— Eu peço perdão, Atena, por minha audácia e impertinência. Sei que não deveria estar aqui, mas preciso perguntar-lhe: está acontecendo algo? Você parece preocupada...

— Tudo bem, Miro, não está sendo inconveniente. Realmente eu estou muito perturbada. Mas eu não sei o que está acontecendo. Parece uma espécie de mau presságio. Algo terrível está para acontecer.

— Neste caso é preciso que o Santuário esteja em alerta. Prrecisamos estar preparados para qualquer ameaça que possa aparecer.

— Sim, Miro. Não há nenhuma evidência de que realmente haja uma ameaça, mas nós precisamos estar sempre preparados para qualquer coisa. MIro, por favor, avise aos outros cavaleiros para que fiquem em alerta, prontos para a possibilidade de um ataque.

Miro se retirou e Saori permaneceu no jardim por toda a noite. A estrela Sírius, da constelação de Cão Maior, brilhou de modo mais intenso que o normal. Saori se lembrou que nas culturas do Oriente a estrela Sírius sempre indicava mau presságio. Seu espírito se perturbou ainda mais.

O dia amanheceu nublado, cinzento, escuro. Os cavaleiros de ouro sobreviventes ficaram em alerta, prontos para impedir que qualquer inimigo penetrasse o Santuário. Mu, o cavaleiro de Áries, criou uma forte barreira em torno do palácio de Atena com a sua Parede de Cristal. Aiolia, Shaka e Miro se uniram para defender o palácio, caso alguém conseguisse de algum modo transpor a parede.

— Onde está Aldebaran de Touro? — Perguntou Saori.

— Eu não sei, ele não foi encontrado em lugar algum do Santuário — Respondeu Mii.

— Ele não poderia ter saído do Santuário. Ele tinha o dever de permanecer na Casa de Touro. Continuem a procurá-lo.

Um dos soldados do Santuário se aproxima e diz:

— Atena, eu quero informá-la com muito pesar que encontramos Aldebaran nas proximidades do Santuário, mas ele estava... morto.

Saori fica perplexa.

— Morto? Como assim? Quem o matou?

— Nós não sabemos. Não parece ter sido morto em combate. O corpo estava caído, sem nenhum sinal de confronto, nenhum ferimento. É como se tivesse sido acometido por alguma peste.

— O Mal já está aqui. Temos que nos preparar para enfrentá-lo.

Mii se aproxima de Saori e lhe dirige a palavra:

— Senhorita, e quanto aos cavaleiros de bronze, o que devemos fazer?

— Eles não podem vir para o Santuário. Esse inimigo parece ser mais forte e perigoso que qualquer outro que já possamos ter enfrentado. Não posso colocar os cavaleiros de bronze em perigo. Enviem um mensageiro para lhes levar a ordem para não vir ao Santuário.

Mii se retirou e Saori ficou sozinha em seu aposento. Ela permaneceu sentada, meditando e orando. Após alguns minutos, ela abriu os olhos. Ao fazer isso, ela se deparou com a imagem de uma mulher bem na sua frente.

— Como você entrou aqui? — Exclamou Saori.

— Atena, você achou que esses seus moleques iriam me impedir de chegar até aqui?

— Quem é você?

Com voz suave, mas assustadora, a entidade disse:

— Não me reconhece, minha querida? Não se lembra do meu rosto? Eu sou Éris! Está feliz em me ver, minha querida?

— Éris! O que você está fazendo aqui? O que quer?

— Atena, eu decidi me unir a outros deuses: Ares, seu irmão, o deus da Guerra, e Lóki, o deus nórdico da mentira. Temos interesses em comum, portanto chegamos à conclusão de que, unindo nossas forças, teríamos um poder tal que ninguém seria capaz de nos impedir de dominar esta Terra, nem mesmo você, Atena, nem mesmo o próprio Zeus.

Saori ficou sem palavras. Uma luz cor de violeta brilhou no palácio de Atena. Aiolia, Shaka e Miro correram para ver o que estava acontecendo. Ao chegarem ao aposento, viram que Atena desaparecera. Ficaram atônitos.

Nesse mesmo momento, uma força imobiliza Mu e o suspende no ar. Ao chegar à altura de cerca de dois metros do chão, vê-se a imagem do ser que o suspendia, uma figura humana enorme, vestida com uma túnica violeta escura e usando um elmo vermelho púrpura muito brilhante. Com uma descarga de energia muito intensa, ele destrói a armadura de Áries como se fosse feita de papel e arremessou o corpo de Mu contra as rochas. Mu caiu por terra totalmente sem vida.

— Eu sou Ares, o Deus da Guerra. Este Santuário agora está sob o meu poder. Vocês três agora são meus prisioneiros.

Aiolia, Shaka e Miro tentaram atacar Ares, mas foram imobilizados por seu poder.

— Eu disse que vocês agora são meus prisioneiros! Eu sou o Senhor deste Santuário agora!