Saint Seiya: A Fúria do Sol
3 Uma sombra de fogo
Notas iniciais

Alemanha
Era fim de tarde e o comércio começava a fechar, os adultos voltavam de seus trabalhos e as crianças de suas escolas e por isso as ruas estavam cheias. O local era calmo e tranquilo assim como qualquer cidadezinha pequena do interior, com alguns poucos pontos turísticos a se visitar mas com um ar livre de grandes impurezas. Pelas ruas se poderia encontrar todo tipo de gente, pobres e ricos, felizes e estressados, pessoas de bem e outras má encaradas, afinal, o que torna a humanidade interessante é a sua diversificação.
Por entre tais pessoas caminhava uma jovem alta e esbelta que trajava roupas típicas do local. Com o vento um pouco mais forte, seus longos cabelos loiros esvoaçavam conforme as correntes de ar. Isso não a incomodava, no entanto. Já estava cansada, havia caminhado pela cidade o dia todo, entrando em bares, restaurantes e qualquer tipo de estabelecimento onde boatos e histórias poderiam ser ouvidas. No fim sua busca não lhe trouxe mais informações do que ela já tinha.
Com o sol se pondo, ela agora caminhava pela estrada, tendo saído da cidade já há algum tempo. Em seu interior desejava as camas macias das estalagens que havia encontrado, mas não havia o que ser feito. Após algum tempo de caminhada seus olhos encontram um rapaz sentado em baixo de uma grande árvore no pequeno princípio de floresta que existia ao lado do asfalto, ao seu lado se encontravam duas grandes caixas sendo uma delas dourada e a outra cinza. A jovem se dirigiu até ele, notando algo raro.
— Você está meditando? – Questionou ao se aproximar do rapaz em posição de lótus. Ela raramente teve a “sorte” de vê-lo fazendo isso.
O rapaz abriu seus olhos e fitou a mulher com um sorriso meigo enquanto descruzava suas pernas e as esticava pela grama, apoiando-se com os braços no chão.
— Queria saber a opinião dele, mas tem algo estranho... – Seu olhar agora se dirigia as estrelas com uma seriedade pairando sobre seu rosto.
— O que houve, Shun?
— Ele não me responde. Parece que tem algo interferindo.
— Alguma vez ele deixou de responder?
— Não...
— Acha que pode ter alguma relação com este local? Afinal... Da última vez que um cavaleiro de ouro esteve aqui...
— Não creio que os acontecimentos passados estejam interferindo. É algo novo e poderoso. – Suspirou – Este é definitivamente o lugar certo.
Ele se levantou, batendo em suas roupas para tirar a sujeira e poeira. Novamente fitou a garota demonstrando o sorriso usual. Estava trajando uma camiseta lilás, calçava tênis e possuía uma pulseira de flores em seu braço esquerdo.
— Eu realmente amo te ver sem sua máscara, June.
O rosto branco da loira ficara corado e esta desviou o olhar, tentando manter sua postura como a amazona que era e caminhando alguns passos para frente.
— Esse não é o momento, Shun. – Apesar das palavras, ela não parecia ter se aborrecido. Pelo contrário.
O jovem de cabelos verdes caminhou até o lado de sua companheira, fitando o horizonte na direção oeste. Ele sabia o que havia por ali, afinal, já esteve lá uma vez. Não havia sobrado muita coisa pelo que se lembra, mas não tinha erro, tudo estava os levando até ali.
— Quando iremos até lá? – A loira o fitou com seus expressivos olhos azuis parecendo preocupada.
— Hoje. – Ele possuía o mesmo olhar – Eu consegui rastrear todos aqueles cosmos que sentimos desde o oriente médio. Um deles foi em direção a Poseidon, mas eu não tenho certeza. O que eu sei é que todos, sem exceção, passaram por aqui antes de seguirem novos destinos. Quem quer que esteja formando este “exército” certamente está usando o antigo castelo de Hades.
— Ele não havia ficado em ruínas?
— Sim, mas existia uma passagem para o inferno lá. Isso certamente era uma poderosa fonte de energia. Alguém pode estar usando-a para colher esse poder, ou mesmo se aproveitando-se da forte energia emanada naquele local graças as batalhas. Provavelmente os dois.
— Não deveríamos avisar Athena ou chamar reforço primeiro?
— Esse seria o ideal, mas... Já estamos aqui há um mês e finalmente se passaram 2 dias sem nenhum cosmo estranho aparecer por aqui. Não sei quando teremos outra chance de dar uma olhada. Vamos apenas para investigar e tentar descobrir do que se trata. Retornaremos ao santuário em seguida. Creio que Athena ainda não saiba o que vem acontecendo pelo mundo. Uma verdadeira guerra está chegando.
— Certo. – June procurou palavras, mas a verdade é que não tinha muito o que ser dito naquele momento. Ela apenas esperava que não tivessem problemas.
~°~°~
Os dois caminhavam lado a lado trajando suas armaduras. Shun com sua armadura dourada de Virgem e June, agora usando sua máscara com detalhes vermelhos e verticais nos olhos, com sua armadura de Camaleão que fora reforjada graças a Kiki, protegendo seu corpo com muito mais segurança do que a versão anterior. Logo se encontravam frente há enormes ruínas do que um dia já fora um castelo mas que hoje não passava de entulho. A cosmo energia emanada daquele local era incrível, qualquer usuário de cosmo se sentiria mais poderoso naquele local uma vez que a barreira de Hades não existia mais. Um truque sujo, de fato, aumentar tanto o poder de seus espectros mas diminuir drasticamente a dos oponentes criando tal barreira. Shun conhecia a história de quando Radamanthys sozinho derrotou Mu, Aiolia e Milo neste castelo ao utilizar deste benefício.
Eles desceram a grande cratera que abraçava a maioria dos escombro, procurando algum resquício da passagem para o inferno ou de algo que lhes desse uma pista sobre quem estava causando tanto alvoroço no mundo. Após alguns minutos, Shun já percorrera todo o caminho que acreditava poder ser a localização da passagem e para sua felicidade nada encontrou. June, por outro lado se encontrava em uma espécie de “clareira” entre os escombros, cercada por alguns pilares e paredes de marcas estranhas porém familiares.
— Shun! Aqui! – Ela chamou.
Em pouco tempo o virginiano chega ao local. A amazona aponta as marcas e os dois começam a analisa-las, decifrando-as e traduzindo até chegar a um consenso. O rosto de Shun demonstrava o quão pior era a situação comparado ao que ele imaginava. Suas sobrancelhas franzidas e seu olhar apreensivo eram os mesmos de June por baixo de sua máscara.
— Apolo, o Deus do Fogo. – June disse com a voz baixa.
— Eu esperava que fosse um Deus do olimpo, mas não esperava que fosse O Deus do Olimpo. O seu poder é temido até mesmo entre os maiores Deuses. – Suspirou – O que ele faz aqui? Por que agora?
— Shun, o qu...
Antes que June pudesse completar um enorme clarão surgia do meio da clareira de escombros, forte o suficiente para cega-los completamente por alguns instantes. Shun sentiu o cosmo absurdo surgir a sua frente, sua armadura ressoava como nunca, como se estivesse com medo. A mesma armadura que fora estraçalhada por Thanatos nos Campos Elíseos. Ele nunca havia visto nenhuma armadura reagir daquela forma, mas ele entendia, ele também sentiu medo.
Quando conseguiram abrir seus olhos se depararam com uma imponente sombra de fogo os encarando. Era feito de cosmo puro e concentrado, um verdadeiro humanoide flamejante sem olhos ou boca. O fogo era tão quente que mesmo estando a uma distância teoricamente segura, June se sentia como se estivesse a centímetros de um grande incêndio.
O humanoide de fogo deu dois na direção do casal e virou o que seria sua cabeça em direção de Shun. Um sorriso emergiu das chamas como se o próprio fogo se abrisse para formar a boca fazendo o virginiano ter calafrios e passar a emanar seu cosmo de forma intensa.
— Você é Apollo? O que você quer aqui?! – Elevou sua mão direita na direção da criatura.
— Eu... Quero... Você.
— CORRENTES!
Correntes de cosmo começaram a materializar a partir do antebraço de Shun em uma velocidade espantosa, avançando contra o humanoide com uma intenção assassina que espantou até mesmo June que não sabia o que estava acontecendo, afinal, ela não havia ouvido nada vindo das chamas. A voz estava dentro da cabeça de Shun.
Assim que as correntes tocaram o inimigo elas foram se desfazendo como se realmente fossem metal derretido até chegar novamente ao braço do cavaleiro de ouro que instantaneamente teve todo o seu membro abaixo do cotovelo incinerado com um fogo tão quente que nem mesmo a própria armadura conseguia suportar.
— AAAAAAAAAAH! – O grito agonizante de Shun poderia ser ouvido de longe.
— SHUN! – O desespero tomou conta da amazona.
Em poucos segundos o antebraço de Shun havia se tornado cinzas e sua armadura pingava após entrar em estado líquido. Tudo de seu cotovelo para baixo não existia mais, nada além do cheiro de carne queimada e de metal derretido. Mas isso não era o fim do sofrimento do cavaleiro.
— Agora... Me deixe... Entrar. – Novamente as voz grossa e amedrontadora dentro de sua cabeça.
Algo de fato entrou e causou uma dor de cabeça tão forte no virginiano que o fizera esquecer de seu braço. Sua mente passou a reviver todas as suas piores memórias e todas as batalhas que tivera. Sentia como se alguém tivesse enfiado a mão em seu cérebro e estivesse o revirando como se faz uma caixa velha de documentos. Seus gritos continuaram por alguns minutos. June estava paralisada graças a um poder misterioso, mas mesmo se não fosse o caso dificilmente teria condições de se mover após o choque.
— Shun! Acorde! Não desista! – A voz era familiar e também vinha de sua cabeça, mas diferente da anterior, esta lhe causava conforto, como se anestesiasse a anterior.
— Sh...? – Tentou balbuciar alguma coisa, mas fora inútil. Shun perdeu a consciência e desabou no chão.
Então um novo clarão surgiu entre o casal e o humanoide trazendo consigo uma figura bastante conhecida pelos dois e livrando June da paralização, trazendo também conforto a sua mente.
— Pegue Shun e saia daqui! – A voz falava diretamente com o seu cosmo.
— S-sim!
June se apressou e agarrou Shun, concentrando todo o cosmo em seus pés e utilizando da usual velocidade sônica dos cavaleiros de prata para em poucos segundos estar há quilômetros de distância do local onde estavam. Apesar de ser uma amazona de bronze, seu poder havia crescido bastante nos últimos anos. Sua fuga apenas fora possível graças a ele, e ela tinha total consciência disso. Estariam completamente perdidos se não fosse sua presença.
Nas ruínas ambos se encaravam. O ser flamejante com uma postura corporal diferente de antes se mostrava intrigado.
— Você... Me... Bloqueou? – O cosmo do humanoide agora conversava diretamente com o aquele a sua frente. – Isso... Não faz... Diferença.
— Você não voltará a fazer mal aos dois. Desapareça! – A figura juntou a palma de suas mãos e em seguida liberou um poder cósmico absurdo aos separa-las, fazendo a sombra de fogo se dissipar e desaparecer.
Assim como o inimigo, seu corpo também era feito de puro cosmo. Apenas fora capaz de enfrenta-lo graças a isso, no entanto ainda podia sentir a mão de Athena tocar seus ombros, assim como resquícios de seu cosmo. Ele havia sido guiado.
O homem fitou o horizonte na direção onde fora June e desapareceu, retornando para o lugar de onde viera.
~°~°~
Grécia, dias depois.
Um soco envolto de cosmo acertava a boca do estômago da garota, mandando-a para longe e fazendo toda a arena vibrar mais do que nunca. O combate já acontecia há alguns minutos e este fora o primeiro golpe que realmente entrou, para a felicidade do aspirante de cabelos negros que levantava seus braços para cima comemorando prematuramente sua vitória e clamando mais pela torcida.
A jovem, no entanto, se encontrava ajoelhada no chão após ter sido arremessada em uma pilastra. Tentou se acalmar e analisar a situação de seu corpo, procurando por fraturas ou algo mais grave, mas para sua sorte não encontrou nada. Levantou seu rosto e sob a máscara observou enojada a comemoração de seu adversário. Socou o chão e levantou-se rapidamente, assumindo mais uma vez a postura de luta. Loras ao vê-la também o fez.
Mais uma vez os dois aceleraram em direção um do outro e começaram a trocar golpes de todos os tipos, a maioria destes era defendida ou evitada enquanto alguns poucos acertavam, não tendo nenhum grande efeito no entanto.
Na beirada da arena Kiki observava seus pupilos disputarem, torcendo em seu interior por cada golpe e por cada defesa em um misto de sentimentos que ele mesmo preferiu não questionar. Não tinha favoritos, mas queria que ambos vencessem. Ele riu de si mesmo e lembrou-se de seu mestre, Mu de Áries e de seu treinamento que infelizmente fora encerrado mais cedo do que deveria por culpa da Guerra Santa. Agora era ele no papel de mestre, se sentia abençoado por poder passar adiante os ensinamentos de seu guardião.
Enquanto isso, a batalha continuava e desta vez era a garota que levava vantagem, se mostrando mais rápida e habilidosa que seu oponente que utilizava mais da força e resistência de seu corpo. Aproveitando-se disso, a garota se esquivou de um poderoso soco e se moveu para próximo da lateral do torso de Loras, acertando-o com tudo e o fazendo retroceder.
“Ele sentiu!” – Ela pensou.
Avançou novamente enquanto o rapaz se recuperava e acertou-lhe um chute em seu queixo, mandando-o para longe tal qual fora mandada anteriormente. Finalmente havia devolvido a pancada.
Kiki sorriu, mas ele já esperava por isso. Por mais que seus sentimentos pelos dois fossem verdadeiros e que ele queria do fundo de seu coração que ambos fossem vitoriosos ele reconhecia a superioridade de sua pupila. Sua velocidade e habilidade eram acima dos normais e para Loras que lutava de uma forma mais bruta isso não era bom. Mas esse não era o motivo pelo qual o ariano esperava uma vitória da jovem. Ela tinha algo mais.
Enquanto o garoto se levantava ainda cambaleante, a moça abandonava sua postura, fitando-o de uma maneira arrogante. Ela levantou seus braço e apontou seu pálido dedo indicador na direção do oponente que não entendeu no começo e apenas demonstrou sua raiva perante a situação, afinal, ele já tinha contado com a vitória no primeiro golpe. Isso tinha sido um erro. Então um cosmo negro e poderoso passa a envolver o indicador da aprendiz, obrigando Loras a assumir uma posição defensiva.
— Chamado da morte. – Uma voz calma e fria anunciava sua técnica especial.
Da ponta de seu dedo surgiram ondas vermelhas com uma aura negra as cobrindo sendo disparadas na direção de seu oponente e o atingindo em cheio. Diferente do que ele pensava, aquilo não o causou nenhum mal, o surpreendendo e rapidamente o fazendo abandonar a postura defensiva. Um erro.
Sentiu algo tocando seus pés e rapidamente procurou saber o que era. Um grito assustado retratava exatamente o que ele e alguns espectadores sentiram ao observar aquilo. Era como um cadáver feito de cosmo de aparência asquerosa que saia do chão e tentava escala-lo. O rapaz tentou se livrar, mas fora em vão. Kiki fechou os olhos e começou a caminhar em direção ao local onde a urna dourada da armadura de Câncer estava exposta. Ele já sabia o resultado.
— Ei, palhaço. – A garota chamou, trazendo para si o olhar assustado de seu adversário. – É o seu fim.
Dito isso ela desapareceu por um instante, reaparecendo instantaneamente há centímetros do rapaz. Além de suas habilidades acima do normal na manipulação de seu cosmo, ela também herdara as técnicas de telecinese de Kiki assim como várias outras. Ela então se posicionou e concentrou seu cosmo em seu punho direito, fazendo-o brilhar intensamente. Ela sorriu sob a máscara e então o socou no meio de seu rosto, mandando-o para trás com o impacto mas fazendo-o voltar graças ao cadáver que o segurava, transformando-o em uma espécie de joão bobo. Ela o socou novamente e depois de novo, até ter certeza de que ele estava inconsciente, dando assim as costas e liberando-o de sua técnica, fazendo aquele ser desaparecer e o deixando cair no chão finalmente. Ela ergueu seu braço e a torcida voltava a gritar e vibrar tão alto que anunciava para todo o santuário que a batalha havia chegado ao final. O sangue de Loras pingava de seu punho erguido enquanto o mesmo já estava sendo socorrido.
— Evangeline! – O braço levantado de Kiki fizera o público se silenciar para que pudesse chamar pela vencedora.
— Eva... – Ela balbuciou irritada para si própria enquanto caminhava na direção de seu mestre.
Ele sabia que ela odiava ser chamada pelo nome inteiro mas aquela era uma situação “diplomática” que necessitava desta bobagem então limitou-se a rir, tendo a certeza que a jovem não havia gostado.
— No dia de hoje você foi posta em um desafio que poderia custar sua vida! – Ele dizia não apenas para sua pupila e sim para todo o coliseu. – No entanto Athena reconheceu seu valor e a abençoou com seu poder. Câncer a aceitou como uma verdadeira amazona de ouro! – Ele tocou a urna dourada ao seu lado. – E a prova disso é o quanto esta armadura está ressonando desde que você venceu o combate! – Kiki ergueu ambos seus braços. – Agora, Evangeline de Câncer, receba a sua sagrada armadura de ouro!
Um clarão surgiu da urna que se abria e revelava a armadura de ouro de Câncer em seu formato original. Eva a encarava e era encarada de volta até subitamente as partes da armadura se separarem e se lançarem em direção ao seu corpo, cobrindo-a totalmente. Seu cosmo automaticamente se expandiu e uma aura dourada cobria o seu corpo. A mascara prateada por baixo do elmo refletia a luz da armadura enquanto a jovem admirava a si mesma enquanto testava seus movimentos com sua nova veste.
— Evangeline... Eva. – Ela parou o que fazia para se ajoelhar perante seu mestre. – Você jura defender Athena acima de tudo, atender os seus chamados e nunca utilizar a sua sagrada armadura para atingir seus interesses pessoais? – A voz de Kiki era séria e severa.
— Eu juro, meu mestre. – A seriedade no tom da garota também pudera ser ouvida.
— Então a partir de agora você é oficialmente a nova detentora da armadura de ouro de câncer e protetora da quarta casa zodiacal. Parabéns.
— Obrigada.
Um novo grito coletivo explodiu das arquibancadas. A escolha de um novo cavaleiro de ouro era algo extremamente raro de se ver, ainda mais daquela forma. Normalmente os cavaleiros eram escolhidos de uma forma mais calma e sem chamar muita atenção, mas este era um caso a parte. Loras era de fato apto para vestir a armadura e por isso houve a disputa, mas o poder de Evangeline o superava expectativas.
~°~°~
Seiya estava de pé sobre o parapeito de uma das sacadas do templo de Athena, assistindo a luta de longe. Trajava suas roupas casuais e tinha um semblante nostálgico mas ao mesmo tempo triste de alguma forma. Lembrou-se do dia em que se sagrou cavaleiro de Pégaso em uma batalha semelhante. A memória de ver Cassius, seu concorrente, morrendo tempos depois por sua culpa ainda o assombrava e apesar de ser algo imutável de seu passado, provavelmente sempre pesaria em sua consciência assim como todas as mortes que causara.
— Saori. – Disse a ele, voltando a cabeça para o interior do local após notar sua aproximação.
— Seiya... – Ela sorriu — A nossa força acaba de aumentar. Espero que Kiki tenha feito a escolha certa.
— Ele fez. – O cavaleiro sorria para sua Deusa enquanto descia para encontra-la. – O que me incomoda agora é... – Ele pegou as mãos da moça de forma gentil.
— Sim, eu sei. Eu também senti. – Ela o abraçou forte. – Aquele cosmo... Seiya...
— Não se preocupe, nós conseguiremos. Nós sempre conseguimos. Eu nunca te abandonarei, Saori. – Ele levou sua mão até o doce rosto de sua Deusa e a fitou por alguns segundos até finalmente aproximar seus lábios aos dela e beija-la, envolvendo-a em seus braços de uma forma carinhosa como se estivesse a protegendo ali mesmo.
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