Saint Seiya - A Cruz de Prata
12 Capítulo 12 – Aquele que domina o fogo
Capítulo 12 – Aquele que domina o fogo
Saindo do templo anterior, os cavaleiros seguiram por uma pequena floresta que cobria a trilha que dava acesso ao templo seguinte: Chesed, a morada do fogo de Deus.
— Argh... – Johnson caiu no chão, ainda enfraquecido pelo combate que travou com Gabriel.
— Você está bem Johnson?! – Perguntou Dwayne ao tentar levantar seu irmão mais velho.
— Só um pouco cansado meu irmão. Acho que só agora estou sentindo os efeitos da batalha. – Respondeu o Taurino.
— É melhor que sente e descanse um pouco então. – Falou Arthur de Capricórnio ao se aproximar do colega. – Fique aqui um tempo e se recupere.
— Mas e se surgir algum inimigo? – Questionou Dwayne.
— Duvido que apareça alguém. – Rebateu Scarlet. – Afinal já cruzamos três dos quatro templos então não há arcanjos por aqui. E por mais ferido que esteja sei que o Johnson pode lidar com algum oponente mais fraco que venha a aparecer.
— Scarlet tem razão. – Falou Johnson se encostando a uma árvore. – Além disso, a missão principal é de salvar Atena e devemos cumpri-la de qualquer maneira. Sigam adiante e depois eu os alcançarei.
— Entendi meu irmão. Vamos indo então. – Dwayne despediu-se de ser irmão e junto aos demais cavaleiros seguiu em direção ao quarto templo.
Caminharam por aproximadamente meia hora até que finalmente puderam avistar seu objetivo.
O templo de Chesed era diferente dos anteriores. Sua estrutura era composta de colunas negras e suas paredes pareciam rochas vulcânicas recém-endurecidas. Ao aproximar-se do templo os cavaleiros notaram o aumento súbito da temperatura e por brechas nas rochas viam diversos gêiseres de vapores disparando para o exterior.
— Que lugar assustador. – Comentou Rafael. – Quem diria que havia um lugar assim no jardim do Éden.
— Sem dúvida o próximo oponente é alguém de cabeça quente. – Falou Dwayne em tom até humorado, embora ainda preocupado com seu irmão.
— Seja como for fiquem atentos. – Falou Arthur. – Não sabemos quem será o próximo inimigo ou do que ele é capaz.
Os cavaleiros adentraram o templo. Seu interior possuía as mesmas características de seu exterior, com o diferencial de ser ainda mais quente por se tratar de um ambiente fechado. Não tiveram que andar muito e logo vislumbraram por entre a cortina de vapor a silhueta de uma pessoa.
Por trás dos vapores que encobriam parcialmente a visão dos cavaleiros eis que surge o protetor de Cheset. Sua vestimenta era prateada e parecia refletir o vermelho do piso e das paredes do templo. Seus olhos eram intensos de uma cor próxima ao verde, sua pele clara e seus cabelos cor escura. O arcanjo fez uma breve reverência e então se apresentou:
— Saudações cavaleiros. Eu sou Uriel, o arcanjo do fogo divino.
— Então você é nosso próximo inimigo. – Disse Amell. – Pois bem, prefere lutar contra todos nós, ou enfrentar um cada vez?
— Cavaleiro de Peixes. É verdade que estamos em lados opostos da batalha, mas não temos de ser inimigos. Afinal, ambos queremos o que seja melhor para a humanidade, não é mesmo? – Falou o Arcanjo enquanto caminhava de um lado a outro diante dos cavaleiros.
— Não. Não temos o mesmo objetivo. – Falou Arthur. – Enquanto nós queremos salvar Atena e a humanidade, vocês e o seu deus querem destruir este mundo.
— Diga-me Capricórnio. – Falou Uriel parando de caminhar e permanecendo virado em direção a Arthur. — Acha mesmo que farão bem pela humanidade se deixarem o mundo como está? Todos os dias milhares morrem assassinados, milhares optam por tirarem a própria vida por não aguentarem os sofrimentos terrenos, outros que não têm coragem de se matar vão se entregando aos vícios mundanos e morrendo um pouco a cada dia. Não seria mais misericordioso acabar com o sofrimento de todos e assim permitir que enfim encontrem a paz?
Arthur ficou calado. Nenhum dos outros cavaleiros também pareceu discordar das palavras de Uriel. No fundo, todos sabiam que tais dizeres eram verdadeiros e que por mais que Atena se esforçasse para manter a paz na Terra, ela não era capaz de manter a humanidade a salva de si mesma.
— Ainda assim. Isso não dá direito de vocês Arcanjos, ou do deus que dizem representar tirarem a vida de ninguém! – Falou Rafael rompendo o súbito silêncio. – Nem todas as pessoas deste mundo são ruins, muitas dedicam suas vidas a ajudar o próximo e tentam fazer da Terra um lugar melhor para se viver. É por isso que nós devemos lutar. Devemos lutar para salvar estas pessoas e assim no futuro todos poderão conhecer o verdadeiro paraíso, sem guerras nem sofrimento.
— Vejo que continua impetuoso Rafael. – Disse Uriel encarando o santo de prata. – Sua valentia é equiparável ao poder que você demonstrou nos embates pelos quais passou até aqui. Mas responda-me uma coisa. Acredita mesmo que Atena ou que mesmo você é capaz de manter a paz neste mundo?
Todos os cavaleiros focaram seus olhares em Rafael, esperando qual seria a resposta do cavaleiro de Cruzeiro do Sul. Mas no fundo, todos estavam com dúvidas devido às palavras que Uriel estava dizendo. Por mais que lutassem por Atena e pela justiça que ela representava, nenhum deles tinha certeza de que este era o caminho correto.
— Sim. Eu acredito em Atena. – Falou Rafael com a voz em um tom mais sereno do que o usado anteriormente. – Eu sei que ela será capaz de proteger a todos neste mundo e é por esta certeza que estou disposto a arriscar a minha vida.
Os olhos de Uriel brilharam e lentamente o arcanjo caminhou em direção ao cavaleiro de prata. Os demais cavaleiros permaneceram em alerta esperando que uma investida partisse por parte do inimigo a qualquer momento.
Uriel ficou a menos de um metro de distância de Rafael e encarando nos olhos o cavaleiro de prata ele disse: — Humanos são mesmo interessantes, não acha?
Uriel expressou um breve sorriso e seus olhos percorreram toda a face de Rafael. Era como se o arcanjo soubesse de algo que os demais ali não sabiam. Em seguida recuou e permaneceu em pé a cerca de três metros de seus oponentes.
— Sua fidelidade para com sua deusa é mesmo admirável cavaleiro de prata. Mas se você e seus companheiros estão mesmo dispostos a combater a justiça de nosso senhor Jeová não tenho outra escolha há não ser eliminar sua mísera existência deste mundo. – Falou Uriel enquanto concentrava seu cosmo.
— Se acha que é capaz pode vir. – Retrucou Rafael assumindo sua postura de luta.
Os cosmos dos dois guerreiros começaram a se elevar, mas antes que um embate tivesse início uma mão colocou-se sobre o ombro de Rafael e uma voz firmemente falou:
— Espere Rafael. Eu lutarei contra este anjo.
— Senhor Arthur? – Rafael virou-se vendo o santo de Capricórnio parado ao seu lado com o olhar fixo em Uriel. – Mas por quê?
— Este anjo falou tanto em fidelidade e justiça que simplesmente me vejo obrigado a testar com minhas próprias mãos se tudo o que ele diz é verdade. Esta é a minha obrigação como o cavaleiro que herdou o senso de justiça do Grande Mestre Shiryu de Libra junto de sua sagrada espada Excalibur, o símbolo da fidelidade junto à Atena.
— Arthur... — sussurrou Scarlet.
— Entendo. Então deixarei esta luta com o senhor. – Disse Rafael.
— Obrigado Rafael. Quanto a vocês. – Disse Arthur virando-se em direção aos seus companheiros. – Sigam adiante. Não quero ser atrapalhado nesta luta.
— Acredita que poderemos seguir assim tão fácil Arthur? – Questionou Amell olhando para Uriel.
— Humpf. Pode seguir adiante cavaleiro de Peixes. – Disse o arcanjo. – Sei como vocês cavaleiros fazem questão de resolver suas batalhas no homem a homem. Além do mais Samuel os espera no templo seguinte então duvido que consigam seguir muito além.
Os cavaleiros pareceram hesitar por um momento, mas logo viram que não adiantaria permanecer ali parados e seguiram adiante deixando Arthur para trás e passando direto pelo Arcanjo do Fogo.
Longe dali, no templo de Malkuth, Atena assistia todos os acontecimentos através do globo que Jeová havia colocado diante dela. Embora estivesse exausta e de certa maneira sentindo-se impotente naquele momento, sua postura era confiante e firme. Ela acreditava que não importava o que acontecesse, pois seus cavaleiros iriam chegar até ela.
— Parece bem confiante Atena. Você tem mesmo muita fé em seus cavaleiros. – Falou uma voz feminina aproximando-se da deusa.
— Você... Quem é você? – Perguntou Atena surpresa ao notar a presença de tal pessoa.
— Me chamo Jofiel. Sou o Arcanjo da beleza divina. – Respondeu a mulher recém-chegada. — Jofiel era um arcanjo feminino. Sua aparência era a de uma bela mulher de pele branca levemente marcada pelo Sol, olhos castanhos escuros e cabelos negros cujo comprimento ia até metade de suas costas. Possuía aproximadamente um metro e setenta de altura e trajava uma armadura de coloração verde esmeralda.
— Jofiel. Então é uma das servas de Jeová. – Disse Atena.
— Sim, sou a responsável por guardar o templo de Tipareth. E anteriormente fui enviada para a Turquia, onde seus cavaleiros obtiveram um de nossos artefatos, porém dei a má sorte de chegar tarde demais e tudo que pude fazer foi eliminar um traidor tagarela.
— Um traidor? Quer dizer que foi você quem matou Bartholomeu? – Indagou Atena de maneira surpresa.
— Sim fui eu. – Respondeu Jofiel. – Embora a ordem tenha partido de nosso senhor fui eu quem ceifou a vida daquele velho e não nosso senhor como seus cavaleiros puderam pensar.
— Mas então por que não tentou impedi-los de levar uma das chaves quando esteve lá? Presumo que seria isso que você deveria ter feito. – Falou Atena de maneira mais séria recobrando sua postura de deusa.
— Minha missão era de apenas averiguar a situação. Se matei o velhote foi por que nosso senhor Jeová ordenou e naquele momento não era necessário tirar a vida de seus cavaleiros, então permaneci nas sombras, oculta.
— Entendo. – Falou Atena secamente. – Mas o que veio fazer aqui? Afinal não creio que seu interesse tenha sido me trazer um relatório de suas missões.
— Vejo que é bem perspicaz Atena. – Jofiel falou em desdém. – De fato não vim aqui para lhe falar sobre o que fiz ou deixei de fazer. Vim apenas escoltar uma pessoa que queria te conhecer.
— Uma pessoa?! – Questionou Atena. E então pro trás de Jofiel surgiu outra mulher que até então Atena nem havia notado.
Tal mulher possuía a pele morena e olhos castanhos. Seus cabelos encontravam-se cobertos por um véu, mas pela cor de suas sobrancelhas era possível ver que possuíam cor escura. Seu corpo era recoberto por um manto azul escuro com pequenos detalhes em dourado. Nas mãos desta mulher repousava um rosário com sessenta contas e uma cruz em sua ponta.
Sua aura não era divina como a de Atena ou Jeová, nem celeste como a dos arcanjos. Era uma aura que emanava paz e tranquilidade. Uma aura capaz de acalmar o mais agitado dos corações e capaz de trazer a paz àqueles que estivessem em desespero. Era uma aura verdadeiramente santa.
A mulher caminhou lentamente em direção à Atena. Tocou-lhe o rosto com sua mão direita e serenamente falou:
— É um prazer te conhecer Atena. Ou posso chamar-te de Saori?
— Quem é você? – Perguntou a deusa.
— Minha querida. Tem certeza de que não sabe quem eu sou? – Falou a misteriosa mulher. – Sou aquela que os homens buscam quando estão em sofrimento ou quando estão no limiar da vida como você. Sou a mãe das mães que deu a vida de seu filho pelo bem da humanidade.
— Não pode ser! Você é... Maria?! – Indagou Atena.
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