Saint Seiya - A Cruz de Prata

3 Capítulo 3: Aquele que é o Alfa e o Ômega


Capítulo 3 – Aquele que é o Alfa e o Ômega

Após a partida dos anjos os cavaleiros ficaram inquietos, não sabiam o que fazer agora que Atena foi raptada por seres tão poderosos que foram capazes de liquidar com cinco cavaleiros de ouro.

A situação era preocupante, mas Kiki de Áries, o restaurador de armaduras e grande amigo de Shiryu tomou a frente da situação:

— Quietos! — gritou Kiki ordenando que todos fizessem silêncio — É verdade que fomos pegos de surpresa, porém é inaceitável que os cavaleiros de Atena se comportem assim como crianças assustadas. Vou lhes dizer o que faremos nesta situação.

Todos permaneceram calados prestando atenção.

— Primeiramente, temos que localizar o local para onde levaram Atena. – Falou o ariano.

— Isso será um pouco difícil. — falou Seth de Gêmeos — Aqueles anjos são seres presentes nas crenças cristãs, judaicas e muçulmanas. Eles podem estar em qualquer lugar narrado como santo nos livros sagrados.

— Esqueceu-se de um detalhe Seth. — falou Arthur de capricórnio. — A postura do anjo diante da forma que Hyoga o abordou. Para mim não há dúvidas de que este ataque teve origem no Deus do cristianismo.

— Tem razão. — concordou Seth. — Ainda assim será difícil rastrear aqueles anjos. O cristianismo é dividido entre católicos romanos, ortodoxos e protestantes. Sugiro investigarmos nos lugares cuja presença dessas crenças teve origem ou se faz mais presente.

— Sendo assim tenho uma sugestão – colocou-se Johnson de Touro – Vamos nos dividir em grupos, cada grupo averigua a situação em pontos importantes para tais crenças e assim cobriremos maior área rapidamente.

— Mas e o santuário? O deixaremos sozinho? – indagou Scarlet de Escorpião.

— Scarlet tem razão. Não podemos deixar o Santuário desprotegido. É fato que Atena foi raptada, mas temos que manter o controle da situação e estarmos preparados caso soframos um segundo ataque.

— Tenho uma sugestão então. – Falou Seth encarando seus companheiros e virando levemente o rosto em direção aos cavaleiros de prata. – Arthur, Myuki e Johson; sigam para a missão acompanhados de alguns cavaleiros de prata ou bronze para buscar pistas de para onde Atena pode ter sido levada. Kiki, Scarlet e Amell ficarão aqui no Santuário montando guarda.

— E quanto a você Seth? – Perguntou Arthur de Capricórnio.

— Pode me deixar fora deste grupo. – Falou Seth. – Irei para outro local.

— Para onde vai então Seth? – Perguntou Kiki.

— Irei para Jerusalém, a terra santa de meu povo, dos judeus e dos cristãos. Se há um templo deste Deus, que une estas três religiões, certamente estará lá.

— Mas você irá sozinho? – Perguntou Amell de Peixes.

— Sinceramente eu sozinho seria mais que o suficiente, mas levarei comigo meu irmão Há’as. Esta viagem pode lhe servir de experiência. – Virando-se em direção aos cavaleiros de prata Seth convocou seu irmão. – Está pronto Há’as?!

O cavaleiro de Perseu aproximou-se do degrau onde seu irmão estava e prestando reverência assentiu:

— Quando quiser meu irmão.

— Muito bem então. E quem serão os demais cavaleiros que vocês levarão nesta missão? – Kiki perguntou olhando os demais jovens.

— Permita que nós os acompanhemos. – Rafael falou aproximando-se dos cavaleiros de ouro junto de Dwayne e Virgílio.

Por um momento os cavaleiros de ouro observaram Rafael. Certamente estavam curiosos em saber o motivo pelo qual um cavaleiro de prata conseguiu se mover e atacar um arcanjo quando nem mesmo os cavaleiros de ouro haviam conseguido.

Johnson deu um leve sorriso. Aproximou-se de seu irmão Dwayne e puxando-o para um abraço meio desengonçado falou animado: — Acho que vamos viajar então maninho. Que tal a Turquia? Lá é o berço do catolicismo ortodoxo.

— Hahaha vai ser ótimo. – Respondeu o cavaleiro de Auriga.

— Virgílio e eu seguiremos para Roma. Vamos visitar o Vaticano e saber o que a igreja apostólica tem a revelar – Falou Myuki olhando para seu aprendiz que unicamente assentiu com a cabeça.

— Eu seguirei para a Alemanha então. – Falou Arthur de Capricórnio. – Embora o protestantismo tenha seu auge em minha terra natal tenho ciência de que neste país há uma cidade que séculos atrás se tornou protestante, além de ter influências católicas e judaicas. Levarei comigo o aprendiz do Shun. Seu nome é Rafael, certo?

— Sim! – Exclamou o jovem cavaleiro de Cruzeiro do Sul.

—Está decidido. Partam imediatamente e encontrem o paradeiro de Atena. Enquanto isso investigaremos se nos registros do Santuário há alguma informação e enviaremos ajuda aos feridos e desabrigados pelo mundo. – Completou Kiki pondo um fim à reunião.

Em um longínquo local. Cruzando-se dimensões, atravessando toda a plenitude do bem e do mal, chega-se até o local considerado mais sagrado por Deus, o verdadeiro paraíso entregue aos homens e que um dia lhes foi tirado, o Jardim do Éden.

O Jardim do Éden era imenso, composto por inúmeras plantas, árvores dos mais variados tipos e habitado por dezenas de animais em sua máxima plenitude. Em seu centro havia um enorme templo, todo erguido em mármore branco com adornos dourados. Diversos anjos menores voavam ao redor desta morada e interagiam com todos os animais do reino.

No interior do templo, cruzando um enorme portão de ouro, havia um salão cuja finalidade parecia ser guardar toda a imensidão do universo. Era amplo, não parecia ter fim e totalmente branco. Em seu centro estava colocado um trono de veludo vermelho com adornos de ouro e diamante, diante dele havia sete tronos menores, quase tão luxuosos quanto este principal, cada ornamentado com o nome de um dos sete arcanjos celestiais.

No trono principal repousava um homem. Ele emanava uma aura de intensa paz, serenidade e força. Vestia uma túnica branca deixando a mostra parte de seu peitoral esculpido. Seu rosto lembrava o de um senhor de idade, com barbas e cabelos brancos, olhos claros e a pele levemente bronzeada. Seu olhar era intenso e aparentava estar vendo tudo o que se passava em todos os lugares.

O portão diante de tal ser magnânimo se abriu. Por ele entraram Gabriel e Uriel trazendo junto deles uma jovem mulher, de corpo humano e alma de deusa, Saori Kido.

Ao chegar diante do ser os dois anjos se curvaram, empurrando Atena ao chão para que ela se curvasse também.

— Meu senhor; finalmente lhe trouxemos aquela que é chamada de deusa Atena. – Falou Uriel.

O homem se ergueu de seu trono, neste momento mostrando toda sua imponência. Ao se aproximar de Saori ela não conseguiu esconder de seu rosto uma expressão de admiração e medo diante daquele ser cujo cosmo parecia supremo.

— Então esta é Atena. – Falou o homem com uma voz grave como um trovão.

— Q... Quem é você?! – Perguntou Atena claramente assustada.

— Atena. – Falou o homem – Para uma criatura que se diz ser a deusa da sabedoria você está se mostrando incrivelmente tola.

Gabriel neste momento esboçou um leve riso pelo canto da boca, feliz pela forma como seu senhor havia debochado de Atena.

— Eu já tive muitos nomes ao longo das eras. – Continuou o senhor. – Javé, Jeová, Deus Pai, Alfa e Ômega. Sou aquele que criou os céus e a terra, aquele que é presente do começo ao final de tudo; onipotente, onipresente e onisciente pai de Cristo. Eu, Atena, sou Deus.

— Mas, eu não entendo. Se você é mesmo o deus que os cristãos veneram deveria ser um deus justo e bondoso, por que está causando tantas desgraças ao redor do mundo?

— A resposta Atena, é que este mundo está condenado. Eu o purifiquei uma vez quando enviei o dilúvio que poupou apenas a família de Noé, depois tentei dar o exemplo com Sodoma e Gomorra, mas os homens nunca aprendem. Era após era seguiram se matando, se ferindo, se odiando. Chegou o momento em que começaram a usar meu nome em suas ditas guerras santas. Assim sendo percebi que chegou o momento de por um fim neste caos e iniciar tudo de novo. Chegou o momento Atena, da era do Apocalipse.

— Isso é terrível! – Exclamou Saori – Embora os seres humanos tenham errado diversas vezes e venham a cometer vários pecados eu sei que eles são bons de coração e que sempre merecem uma segunda chance, por que então castigar de tal forma toda a humanidade?

— Atena, você acha que penso diferente de você? Eu que permiti seu renascimento neste mundo a cada duzentos anos compartilho de seu modo de pensar.

— Mas então por quê?

— Por que mesmo amando incondicionalmente este mundo, vejo que nos corações dos homens cada vez mais está brotando apenas o ódio, a carnificina e a ira. Vejo que chegou um momento em que apenas alguns poucos merecem herdar a terra prometida, devastando os pecadores e abençoando os que são chamados verdadeiramente de meus filhos.

— Ainda assim, isto é horrível. Pense em quantas vidas serão tiradas. Acha mesmo que valeria a pena matar todas estas pessoas?

— Atena, você não compreende as ações de nosso senhor. – Falou Uriel – Aqueles que têm suas vidas ceifadas pela nossa causa poderão ter uma nova oportunidade de vida ao lado do criador, isto é claro, se estiverem prontos para renascer.

— Ainda assim é um sacrilégio que uma divindade queira dizimar milhões de vidas humanas, apenas por considerar que os humanos estão agindo de forma errada.
Enquanto eu for Atena, não permitirei que nenhum deus ameace a paz na Terra, não importa quem seja. Lutarei, mesmo que isto me custe a vida.

— Enquanto você for Atena? – desdenhou Deus – Acaso se esquece de uma coisa? Você pode ter alma de deusa, mas de uma deusa fraca, perdida nos confins das eras humanas, cujos seguidores a muito não existem. Somado a isso há em seu peito um coração humano e enquanto você for carne da minha carne e sangue do meu sangue, você não poderá me impedir.

— Talvez eu não possa, mas meus cavaleiros poderão!

— Seus cavaleiros?! – Questionou Gabriel caindo em gargalhadas – Seus cavaleiros não podem nos alcançar jovem Atena. Com meu poder retirei da existência aqueles que eram considerados os cavaleiros lendários. Com minha força fui capaz de derrotar de uma vez por todas o Pégaso lendário que derrotou Poseidon, Thanatos e Hades. Se este cavaleiro foi vencido por um único arcanjo, o que te faz pensar que seus cavaleiros poderiam fazer contra todos nós, e ainda por cima contra nosso senhor?

— A verdade Atena. – Falou Uriel – É que já sabemos que em algum momento seus cavaleiros tentarão vir te salvar, mas mesmo que eles cheguem neste Jardim do Éden, nada poderão fazer diante da força dos Arcanjos Celestiais.

— Arcanjos Celestiais?! – Perguntou Atena.

— Sim. – respondeu Deus – Neste paraíso, aqueles que me servem diretamente são os anjos de Deus, os Arcanjos Celestiais. Zadquiel da justiça; Jofiel da beleza; Samuel do amor; Uriel do fogo; Gabriel do poder e Miguel da Verdade.

Enquanto ouvia a explicação Atena virou-se por um momento e pôde notar os sete tronos diante do trono maior onde Deus estava sentado anteriormente. Ela então percebeu que havia sete, mas que Deus só havia mencionado seis anjos.

— Aquele que ele não mencionou... – Pensou a deusa. – Estaria morto, ou... – Atena teve um breve lampejo e lembrou-se da forma como Rafael conseguiu se mover diante do ataque de Gabriel. – Será possível?

— Separados – Deus continuou a falar. — Eles são mais poderosos que aqueles que você chama de cavaleiros de ouro e juntos, são infinitamente superiores a você deusa Atena. E tenho certeza que em breve seus cavaleiros testemunharão o poder soberano de meus filhos.

— Meu senhor. O que deseja que façamos com Atena? – perguntou Uriel.

— Levem-na para o final do jardim, junto daquela árvore. – respondeu Deus.

— Como quiser senhor. – respondeu Uriel enquanto retirava-se do local junto de Gabriel e Atena.

Os anjos então levaram a deusa grega para os confins do Éden, um local isolado onde repousava a árvore do bem e do mal, aquela cujo fruto mostrou os pecados para Eva e Adão através da intervenção da serpente.

— Isso não acabará como vocês esperam! – Exclamou Atena ao ser acorrentada junto á árvore.

— É o que veremos Atena. – Retrucou Gabriel.

Longe dali as equipes de cavaleiros aos poucos chegavam até seus destinos.

Europa Central, Alemanha.

Região da Bavária.

No sul da Alemanha há uma antiga cidade, de arquitetura gótica, fundada séculos atrás para abrigar uma coorte do exército romano. Neste local, que embora seja um bispado católico, se firmou o protestantismo em 1542 diante dos ensinamentos de Lutero e tantos outros.

Tal cidade, com diversos encantos abriga uma das chaves para a localização do templo de Deus e é conhecida como Ratisbona.

— Então Arthur. – Começou a falar Rafael – Por que exatamente estamos aqui?

— No passado da idade média as fronteiras da Europa eram diferentes. – Explicou Arthur – Havia nesta região um império cuja capital nunca foi definida, embora tenha sido considerado que Ratisbona era uma de suas principais cidades.

— Certo, e por onde começamos a investigar meu caro colega historiador? – Falou Rafael de forma animada tentando disfarçar um pouco a pressão que sentia por estar em missão com um cavaleiro de ouro.

—Nosso destino será a Catedral de São Pedro. É o principal ponto religioso da cidade, sem dúvidas deve abrigar textos antigos que venham a nos ajudar.

— Vamos então.

Arthur e Rafael seguiram pelas ruas da cidade buscando informações de como chegar até a catedral. Ambos trajavam roupas casuais, nada muito sofisticados, permitindo que se disfarçassem perfeitamente entre os inúmeros turistas que passeavam por aquelas ruas.

Após alguns minutos de caminhada eles enfim chegam ao seu destino, a Catedral de São Pedro.

A catedral de 32 metros de altura situava-se nas margens do rio Danúbio. Ao aproximarem-se os cavaleiros puderam vislumbrar como era bela a arquitetura do local e como se mostravam imponentes as duas torres maiores da construção.

O interior da catedral era tão luxuoso quanto seu exterior, com arcos ornamentando os corredores por onde diversos turistas e religiosos transitavam.

Uma vez dentro do local, Arthur foi ao encontro de um padre que havia acabado de celebrar a missa. Arthur identificou-se como um teólogo historiador vindo do Reino Unido e solicitou conversar com o bispo da diocese, Don. Rudolf Volderhozer.

O padre gentilmente conseguiu uma audiência junto ao bispo para que Arthur e Rafael pudessem lhe falar. Chegado o momento Arthur se apresentou diante do homem de idade aparente, batina preta e olhar sério como da maioria dos alemães, sentado diante de uma mesa na biblioteca da catedral:

— Vossa excelência, obrigado por nos receber. Nós somos...

Arthur parou de falar quando o bispo se levantou e caminhou em direção a ele seu companheiro de viagem.

— Vocês são. – Falou o Bispo – Os cavaleiros de Atena. Estou certo?

—Como sabe?! – Perguntou Rafael surpreso.

— Meu jovem, vocês podem enganar aos padres inexperientes deste recinto sagrado, mas a mim não enganam. Percebi seus cosmos desde o momento em que chegaram e as placas em suas posses deixa mais do que claro as constelações que os protegem.

— Nossos cosmos?! – Indagou Arthur – O senhor pode sentir nossos cosmos?!

— Sim jovem de Capricórnio. Há tempos que o papa de Roma e o papa do Santuário mantém certa cordialidade um com o outro, sendo assim é natural que alguns de nossos membros tenham atributos semelhantes aos de vocês.

— Entendo. Neste caso será mais fácil para nós. Diga-nos excelência, o que sabe sobre o templo de Deus? – questionou Arthur.

— Creio que deva ser mais preciso meu caro. Afinal vocês já estão no templo de Deus, ou ao menos em um deles. – respondeu o Bispo.

— Não banque o esperto! – falou Rafael de forma ríspida.

— Calma Rafael! – interveio Arthur.

—Impetuoso o jovem rapaz não? – Comentou o religioso num misto de sarcasmo e deboche.

— Don. Rudolf, nós nos referimos ao legítimo templo de Deus, onde ele está neste momento. Sei que o senhor deve ter lido a respeito, seja em escrituras católicas ou protestantes. – continuou Arhur.

— Ah sim. Logicamente que sim, mas por que pensaram que justamente nesta igreja, teriam as respostas? Nunca ouviram falar que a morada do senhor está em todos os lugares? – o bispo deu certa risada em tom de deboche.

Ambos os cavaleiros pareciam irritados com a postura do bispo e com o fato de não estarem conseguindo informações que contribuíssem com sua missão. Cada pergunta que faziam o bispo respondia de forma esguia e até mesmo grosseira, fazendo com que cada vez mais Rafael e Arhur se irritassem.

— Já chega! – gritou o santo de prata – Você vai nos contar o que sabe de uma forma ou de outra!

— Ora, ora, ora. Essa é a educação dos cavaleiros de Atena? – Falou um homem recém-chegado entrando na biblioteca.

Os cavaleiros viraram-se abruptamente ao notarem a presença daquele ser. Assim como Gabriel ele emanava uma aura divina, possuía traços delicados, porém firmes. Cabelos longos e pretos até a cintura, olhos cor de âmbar e uma vestimenta prateada recobrindo seu corpo atlético.

*Desde quando este homem está aqui?* — Pensou Arthur.

— Esse cosmo... Será que ele é...? – questionou Rafael.

— Perdoe-me pela intromissão vossa excelência, mas creio que seja inadmissível que seres tão agressivos venham desrespeitar a morada de nosso senhor desta maneira. – Falou o homem.

— Está tudo bem senhor Zadquiel.

— Zadquiel??!!!! – Exclamaram Arhur e Scarlet.

— Sim, eu sou Zadquiel, o arcanjo celestial da Justiça de Deus. Fui enviado por nosso senhor para colocar um fim nas ações destes dois cavaleiros.

O cosmo de Zadquiel mostrava-se intenso, limpo e puro, de fato transmitindo uma sensação de justiça plena, mas os dois cavaleiros sabiam que não poderiam hesitar diante do adversário já que outro oponente igual a ele havia posto fim as vidas de Seiya, Shun, Hyoga, Shiryu e Ikki.

— Pretende nos enfrentar então? – Indagou Rafael.

— Obviamente, mas não neste templo sagrado. Seria uma afronta contra meu senhor sujar de sangue impuro a sua morada. Para isto será necessário mudarmos o ambiente.

Zadquiel fechou seus olhos concentrando seu cosmo enquanto erguia sua mão direita em direção aos dois oponentes. Em seguida, disparou contra eles um raio de luz que fez com que seus corpos desaparecessem instantaneamente.

Arhur e Rafael ressurgiram em um tipo de salão oval incrivelmente iluminado e decorado com mosaicos representando a via crucies. Diante deles havia uma sarça ardente cujas chamas ardiam infinitamente.

— O quê é isto? – Questionou Rafael fitando a sarça.

— Esta é a representação do poder de meu senhor. O fogo nesta sarça é igual ao seu poder, infinito. – Respondeu Zadquiel.

— Argh! E que lugar é este seu anjo maldito?! – Perguntou Arthur claramente irritado.

— Vocês estão em um local oculto, nos subterrâneos da Catedral de São Pedro de Ratisbona. E esta sarça diante de vocês é uma das três chaves que abre o portal para o paraíso de meu criador, o Jardim do Éden.

— Vejo que se mostrou mais informativo que o bispo lá em cima. – Comentou Rafael – Acaso resolveu cooperar conosco?

— Não seja tolo. Apenas lhes digo isso por que é impossível saírem daqui com vida, mas se por um acaso conseguirem me derrotar saibam que só isto não bastará. A chave só se abrirá se conseguirem apagar o fogo que queima naquela sarça, mas isto, claro, é impossível.

— Matar um anjo e depois apagar uma chama que queima infinitamente. Isso parece simples não é Arthur? – Falou o cavaleiro de Cruzeiro do Sul com um leve sarcasmo.

— Verdade. Acho que não adianta mais manter a calma e a frieza diante deste sujeito. Vou mostrar a ele o porquê sou conhecido como assassino do Santuário. – Os olhos até então frios e sem vida de Arthur brilharam intensamente e em seu reflexo pairava a imagem de um dragão. Era esse o poder que ele havia recebido de seu mestre, Shiryu de Libra.

— Muito bem, enfim revelam suas verdadeiras naturezas. Mostrem-me do que são capazes cavaleiros de Atena!

As asas de Zadquiel se abrem emitindo uma luz violeta intensa ao mesmo momento em que as dogtags dos cavaleiros são lançadas ao chão. Diante do anjo surge uma espada de formato triangular com pratos de balança em seu guarda-mão e diante dos cavaleiros surgem duas estatuetas representando suas constelações de capricórnio e cruzeiro do sul.

— Armadura de Capricórnio!

— Armadura de Crux!

Ao ouvir o chamado dos dois cavaleiros as estatuetas se desmontam e recobrem os corpos de seus usuários. Arthur assume a armadura de Capricórnio e Rafael a armadura de Cruzeiro do Sul.

Zadquiel empunha o espada que apareceu diante de si, com isso sua armadura, que anteriormente mostrava-se prateada, passa a emitir um brilho violeta assim como suas asas.

— Eu sou o guardião da espada da Justiça. Aqueles que confrontarem esta espada, apenas encontrarão a derrota. A mesma derrota que se abate sobre todos os opressores.

— Agora que vestimos nossas armaduras mostraremos a verdadeira força dos cavaleiros de Atena. – Falou Arthur.

— É o que espero. Humano. – Os olhos de Zadquiel brilhavam intensamente.

— Experimente a lâmina sagrada que corta tudo! — O punho direito de Arthur brilhava como ouro, ele ergueu seu braço e ao movê-lo rapidamente para baixo abriu uma fenda no ar em direção ao arcanjo. Em seguida impulsionou nesta fenda uma rajada de cosmo tão afiada quanto uma lâmina de espada. – Excalibur!!

Nas mãos de Rafael surgiu um brilho luminoso também de cor dourado, mas levemente mais fraco que o cosmo de Arthur. Era a técnica que ele havia usado contra Ikki ao final de seu treinamento:

— Punho de Acrux!!

Zodkiel manteve-se imóvel diante das investidas dos dois cavaleiros, recebendo em cheio os seus ataques.

Continua...