Saint Seiya: A Batalha do Céu
1 Prólogo
Na Grécia.
Uma garotinha, com cerca de sete anos, com o corpo tão sujo quanto suas vestes rasgadas, caminhava com dificuldade num estreito corredor cercado de rochas enormes, que mais lembravam pilares tombados. Talvez ali, num passado longínquo, fosse um templo ou um santuário, contudo, naquela tarde a garota não dava a mínima importância para aqueles detalhes. Estava com vários cortes pelo corpo, principalmente nas costas, estes escondidos por seus longos e lisos cabelos ruivos.
– Por favor... Alguém me ajuda! – suplicava com a voz tão baixa que nem mesmo alguém a dois metros dela a ouviria.
O único som que dividia o ambiente com suas palavras era o de passos, de alguém que vinha correndo, subindo por uma longa escadaria de concreto, a alguns metros atrás dela. Perseguida, ela buscava alcançar um lugar seguro no topo daquele ambiente, mas parecia impossível.
Foi então que avistou uma espécie de sala, com uma porta colossal de concreto entreaberta. Era sua chance... Se houvesse tempo! Antes de sequer pensar em se mover até lá, uma espécie de feixe de energia azulado lhe tocou as costas, fatiando fios de seus cabelos e também sua pele. Ela tombou no chão, com a visão turva de forma que aquela sala parecia um sonho muito distante de se alcançar, parecia estar a quilômetros dela.
– Você não deveria ter entrado aqui, garotinha insolente. – disse a grave voz masculina.
Pertencia a um homem, ou algo assim, uma vez que o ser escondida quase que completamente o seu corpo num manto negro, que lhe cobria da cabeça aos pés: apenas uma parte de seu rosto negro e de seus cabelos grisalhos era revelada, embora aquilo não tivesse importância para garota, que sequer conseguia olhar para trás.
– Me desculpe! – Encheu o pulmão para suplicar. – Eu só queria um pouco de comida... Disseram-me que aqui vivia um deus...
– Talvez o meu senhor lhe perdoasse, criança. – respondeu. – Mas – E ao abrir a boca outra vez, revelou um riso maléfico em meio aos dentes amarelos e podres. – eu não sou tão generoso quanto ele.
Ao terminar, ergueu o punho direito coberto por uma espécie de metal prateado, preparando-se para o golpe final. – Morra em nome de Ap...
Pensou em concluir suas palavras ao mesmo tempo em que a atingiria, para que ela pudesse ouvir o nome de seu senhor enquanto morria... Não esperava que alguém lhe impedisse, entretanto!

Foi então que uma poderosa energia, dividida em várias partes que lembravam a meteoros, o atingiu, arremessando-o para o corredor. O impacto do golpe fora tão forte que o desconhecido ainda desceu rolando pelas escadas.
– Me dê a sua mão! – Alguém, de frente para a garota, lhe estendeu a mão.
Ela teve forças para erguer sua destra e segurar a dele com firmeza, levantando-se com sua ajuda.
– Uma menina tão nova não pode andar sozinha por lugares como este. Nem mesmo nós, aspirantes a cavaleiros, vamos para lugares tão estranhos assim. – disse o rapaz, aparentemente alguns anos mais velho.
A pegou nas costas e fugiu o mais depressa que pôde. Em meio a corrida, seguiram conversando.
– Você lembra muito a minha irmã, só que ela não tem os cabelos tão lisos e bonitos quanto os seus. – Todo simpático, ele elogiou. – Qual o seu nome?
Com o rosto corado, envergonhada com o elogio e ainda incrédula – não imaginara que seria salva –, olhava para o rapaz de arrepiados cabelos castanhos com muita atenção. Ele vestia uma espécie de uniforme de treinamento, de calça amarela e camiseta de mesma cor, assim como sua faixa na testa; por cima, tinha uma ombreira de cor verde no ombro esquerdo, amarrada numa faixa que descia pelo corpo em diagonal, passando pelo peitoral e fazendo a volta pelas costas, encaixando-se do outro lado da mesma proteção. Agora ela o tinha como herói!
– Luna. Meu nome é Luna! – respondeu um tanto assustada. – E obrigada... Er... E qual o seu nome? – indagou, com os olhos verdes arregalados, bastante curiosa.
– Bonito nome, Luna. – ele disse. – Meu nome é Seiya!
Enquanto isso, em meio às ruínas, o homem se ergueu, sem ferida alguma. Apenas o seu manto havia se rompido, revelando parte da armadura prateada e com detalhes em dourado que ele vestia.
– Ainda nos veremos, garotinha. – falou com seriedade. – Em nome de meu senhor, juro que pagará por ter invadido este santuário.
Aquele era realmente um santuário, no entanto, perdido na Grécia, em meio às montanhas e a uma densa neblina.
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