Notas iniciais
Os Lúcios do Abismo permanecem de pé. O caos ainda consome o castelo. Marin, Shaina, Orfeu e Mayura enfrentam seus inimigos finais. Nix observa, convicta de que o caos vencerá.

O chão tremia. As paredes do castelo pareciam vivas, distorcendo-se a cada passo dos Lúcios.

Sonia de Escorpião Reverso avançou, o veneno escorrendo das presas e a armadura viva soltando ruídos quase humanos.

— Vou rasgar cada fibra de vocês!

Shaina ergueu o cosmo, eletricidade percorrendo as Garras do Trovão.

— Você fala demais, escorpião. Vamos ver se acompanha minhas garras!

A amazona de Ofiúco partiu para cima, desviando das investidas animalescas de Sonia. As duas trocavam golpes em alta velocidade, veneno contra eletricidade, até que um choque mais forte fez Sonia recuar.

Do outro lado, Izo do Lamento de Capricórnio arrancava partes de si, ossos se transformando em lâminas afiadas.

— Orfeu, a música é para quem sente dor. Quero ver você gritar no tom certo!

Orfeu manteve a serenidade, tocando o Requiem de Cordas.

— A dor não afina minha música. Ela a torna eterna.

As lâminas colidiam com as notas, faíscas surgiam. Izo sorria, mesmo sendo repelido.

Sorento de Virgem Despedaçado girava sua flauta, criando ilusões grotescas. Símbolos sagrados distorcidos e figuras blasfemas surgiam ao redor de Mayura.

— Cada oração é uma mentira que adoro retorcer…

Mayura fechou os olhos, elevando o cosmo.

— E toda mentira cai diante da verdade.

Ela disparou o Golpe das Cem Armas Sagradas, rasgando parte das ilusões, mas Sorento criava mais. A luta virou um duelo de fé e profanação.

No centro, Minos de Grifo Abissal erguia suas correntes, cercando Marin.

— A águia não voa quando está acorrentada.

Marin contra-atacou com o Meteoro da Águia, quebrando algumas correntes, mas Minos mantinha a pressão.

— Eu quebro correntes desde que vesti essa armadura — respondeu Marin, partindo para cima.

O caos crescia. Os quatro Lúcios atacavam ao mesmo tempo. Marin desviou por pouco de uma corrente e quase foi atingida por um ferrão de Sonia. Shaina recuou para proteger a amiga, recebendo um corte superficial.

— Fique firme, Marin! — disse Shaina.

— Sempre — respondeu Marin, avançando novamente.


Shaina elevou seu cosmo ao limite, envolvendo Sonia em um turbilhão elétrico.

— Suas presas não atravessam relâmpagos! Garras do Trovão!

O golpe atingiu em cheio. A armadura viva de Sonia estremeceu, o muco se evaporou, e ela caiu de joelhos.

— Agora… não estou mais sozinha? — sussurrou, antes de seu corpo se desfazer em fragmentos de luz.


Izo avançou com suas lâminas, mas Orfeu alterou a melodia, criando um som grave e contínuo.

— A música… é seu fim — disse Orfeu, tocando a última sequência do Requiem Final.

As lâminas caíram, e Izo parou, olhando para as próprias mãos.

— Será… que cumpri meu dever? — murmurou, desaparecendo como pó.


Sorento criou um último símbolo distorcido, mas Mayura avançou com velocidade, seu cosmo brilhando.

— Golpe das Cem Armas Sagradas!

O ataque atravessou as ilusões, quebrando a flauta. Sorento olhou para ela com serenidade.

— A música… nunca foi minha… — e sumiu como água que se desfaz na areia.


As correntes do Grifo tentaram envolver Marin novamente, mas ela saltou, quebrando cada elo com o Lampejo da Águia.

Minos tentou reagir, mas Marin mergulhou com força, quebrando a armadura distorcida.

O Grifo olhou para ela, quase respeitoso.

— Ordem… ou caos… não importa mais… — e desapareceu.


O salão ficou silencioso. A distorção cessou.

Do alto, Nix observava, sua expressão tranquila.

— Humanos não entendem o poder da criação… interessante.

Ela riu suavemente, subindo aos céus em uma luz pálida.

O céu sobre o castelo ficou limpo. Marin e Shaina caem totalmente exaustas. Orfeu e Mayura já não estavam mais ali. O corpo de Prometheus também desapareceu, misteriosamente.


...



Notas finais:

Longe dali, em um céu silencioso, Nix caminhava sozinha, intrigada com os humanos.

Uma presença se apossou do espaço, e se qualquer palavra, inundou a mente da deusa caída

— ...

Ela parou, o rosto empalidecendo.

— Não pode ser, então você realmente existe... Ormenos, o Silente!

O vulto vermelho se aproximou, sua presença esmagadora. Uma máscara dourada se revelou, com feição amena de um sol que quase sorri, mas ainda está sério. Equilíbrio.


— Você... quebrou o equilíbrio.

O pavor absoluto tomou conta de Nix. Sua respiração acelerou. A cena se desfez em luz vermelha, e seu grito ecoou antes de se perder no silêncio.