Saint Maria
7 Capítulo 7
Preocupei-me à toa, pois nada mudou nos dias seguintes. Quando passava por aquela mesma esquina, eles estavam ali e ele sorria como sempre, porém não sabia de sua resposta. Acreditei que a cena que fez no dia em que lhe entreguei o convite, tenha sido um não, e assim pensei até o domingo de meu aniversário.
Na sexta-feira, cheguei da escola muito alegre. Mostrei a mamãe, o bilhete que a professora mandara, pedindo autorização para levar-nos ao museu de história da cidade na próxima sexta-feira, ou melhor, dois dias antes de minha festa. Era um passeio muito importante, pois adorava esse tipo de programa. No primeiro momento ela não autorizou a minha ida, mas algo muito bom a convenceu: papai chegou em casa e nos deu a noticia mais esperada de todos os dias em que passamos ali. Ele havia conseguido um emprego bem melhor do que estava, e já havia feito o acerto para começar o trabalho na semana seguinte. Foi uma alegria em tanto e por isso mamãe acabou me deixando ir ao museu.
Nesta mesma noite, bem estrelada, fomos jantar na casa de um amigo de infância de meus pais. Foi bastante divertido, na realidade, a família era muito divertida. Lá conheci Ana e fizemos amizade. Ela era um pouco mais velha que eu, dois anos e alguns meses de diferença. Na primeira impressão, achei-a chata e mimada, mas depois brincando, nos demos muito bem. Descobri que estudávamos na mesma escola e gostávamos de muitas coisas em comum. Na escola, sempre era primeira da classe e as outras crianças preferiam brincar com os mais ativos, então sempre ficava de fora, mas mesmo assim conversava com todos.
No dia seguinte, mamãe e eu combinamos de ela somente me levar para escola, na volta eu vinha com a vizinha que também tinha filhos da mesma idade que a minha, porém não estavam na mesma classe que a minha, isso somente iria acontecer na segunda-feira. Ela já tinha conversado com a vizinha e ela havia dito que me traria junto dos filhos. Ninguém da minha família podia me buscar, meus irmãos tinham um compromisso inadiável, papai estava no trabalho e minha mãe tinha consulta no médico. O problema foi quando o sinal de ir embora tocou. Sai da sala e fui direto à sala dos meus vizinhos, mas quando cheguei lá, fiquei sabendo que a sua turma havia saído mais cedo. Fiquei aflita na hora. Obviamente sabia o caminho de casa, e também não era longe. As ruas eram bem seguras, com calçadas e não havia perigos de transito.
Na ida foi tudo bem por que mamãe levou-me. Passamos pela esquina e lá estavam aqueles garotos parados e conversando. Não tinha um só dia em que não estivessem ali. A passagem foi normal, com cumprimentos meus e de minha mãe a eles, e eles retribuíram gentilmente. Na volta tive um pequeno, ou melhor, um grande problema. Como não havia ninguém para me levar para casa, então decidi por voltar sozinha. E essa foi a pior decisão da minha vida.
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