Saint Maria
4 Capítulo 4
Depois de saber um pouco da vida dos meninos, toda vez que passava por aquela esquina, se ele me olhasse, que era sempre, eu acenava cumprimentando-o. Os outros riam sempre que via esta cena, mas nunca implicaram com a minha pessoa por causa disto, muito pelo contrario, me retribuíam com o mesmo gesto. Sem querer fiquei amiga de todos, sem ao menos trocar uma palavra se quer. Imagine só, eu com cinco anos e eles com dezoito ou vinte. Que estranho!
Com o passar dos dias, fiquei analisando cada traço do rosto de cada um deles. E fiquei surpresa ao descobrir que o meu amigo tinha um irmão idêntico a ele. Obviamente não tinha como perceber por causa da intensa maquiagem, mas pesquisando dali e daqui com algumas pessoas e observando bem, ele era gêmeo. Comecei a imaginar como seria seu nome, se Bill ou se Tom. De qualquer forma, era um desses. O mistério estava quase desvendado.
O mais interessante nisso tudo era que, depois da amizade a distancia, quase todas as noites as motos passavam devagar em frente a minha casa. Só dava para ouvi-los acelerarem depois que cruzavam por ali. De vez em quando me levantava da cama, ia até a janela, puxava a cortina bem devagar e espiava a dança das motos. Ficava encantada por mais que não gostasse de motocicletas. Corriam e parecia que a moto iria se desmontar, no entanto elas sobreviviam, e talvez fizessem questão de correr junto a seus motoqueiros. Quando passavam de carro, as musicas eram altas e até agradáveis aos meus ouvidos. Tinha uma que eu sempre gostava de ouvir, mas nunca consegui achar o cantor. Desconfiava que fosse deles, dos quatro rapazes que acabei por me envolver indiretamente.
Houve um dia em que meus pais e eu fomos jantar fora. Meu pai nos levou para comer pizza no centro da cidade. Saímos de casa quase noite. Passamos pela praça e por lá ficamos um bom tempo. Brinquei no chafariz e corri pelas árvores. Levamos uma máquina fotográfica e tiramos muitas fotos nesta praça. Quando estávamos indo para a pizzaria, buzinas de carro gritavam em meio às ruas cheias. Conheci de longe o carro de Bill. Com certeza aquele carro preto com listras brancas era dele.
Chegando mais perto, o vidro estava fechado e ainda era aqueles que não podia enxergar quem estava dentro, o nome disto era o tal do vidro fume. Mas eu tinha certeza, nenhuma duvida. Sempre via ele sentado no carro na rua das flores. Passou ele, depois passou três carros pretos. Todos muito bonitos. Eram carros que custavam caro, muito caro, mas eram lindos. Todos ficavam babando observando eles passarem.
Após a atração ir embora, fomos jantar. Caminhamos mais um pouco e chegamos ao nosso destino. Entramos e nos sentamos bem no fundo. Papai decidiu por esperar todas as pizzas ficarem prontas para começarmos a comer. Era rodízio, e era a primeira vez que eu ia a um lugar assim. Nem sabia comer daquele jeito.
Depois de uns dez minutos, papai não agüentou a fome e deixou o garçom passar em nossa mesa. Fiquei pasma com a quantidade de sabores das pizzas. Mas não foi somente isto que me tirou a atenção. No momento em que olhei para a porta de entrada, ela estava se abrindo. Entrou um dos amigos dos gêmeos, logo depois entrou o outro amigo deles. No mesmo instante, o irmão gêmeo do meu amigo colocava os pés dentro do lugar, e por último, ele. Foi uma surpresa boa diante de meus olhos. Ele estava de óculos escuros, de blazer preto, de calça preta e botas, realmente em uma moda só dele. Seu cabelo estava completamente diferente. Havia feito um corte esquisito. Rapou os lados da cabeça e deixou a parte do meio espetada. Esse estilo de cabelo era chamado de moicano.
Dirigiram-se em nossa direção, e ai minhas mãozinhas começaram a soar. Meu pai não tinha o conhecimento da tal amizade e se eles parassem em nossa mesa, com certeza quando chegássemos em casa, a guerra estaria declarada. Havia uma mesa vazia ao lado da nossa, e os garotos sentaram-se nela. Quando os quatros passaram ao nosso lado, meu pai os olhou firme, pois meu amigo não conseguia desviar seu olhar para outro lugar.
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