Completei cinco anos um pouco depois que nos mudamos, não conhecia ninguém por isso não fizemos uma festa grande, e também nem podíamos, pois meus pais estavam nos sustentando apenas com as economias guardadas.

Fui ficando mais esperta, mais comunicativa e isso fazia com que minha relação que era apenas de vista com aquele certo garoto, começasse a se aflorar. Passamos a brincar toda vez que eu passava e fazíamos caretas um para o outro, coisas de quem realmente não tinha o que fazer. Cada vez mais minha mãe ficava apavorada, pois pouca gente se dava bem com aqueles garotos.

Desconfiada, mamãe perguntou para uma vizinha mais antiga no bairro quem os garotos eram. Ela disse que todos os dias eles faziam a mesma coisa: saiam de casa pela noite e só voltavam de manhã cedo. E realmente era verdade, pois todas as noites eu acordava com o barulho das motos. Andavam pela madrugada inteira e não davam descanso para ninguém. A vizinha contou também que, dois deles eram irmãos gêmeos e viviam no final da Rua das Rosas no bairro nobre ao lado do nosso. Seus nomes eram Tom e Bill. A mãe era médica, e o pai pesquisador e também professor de História, havia falecido a alguns anos em um acidente automobilístico, que até aquele dia, as causas nunca foram descobertas. Diziam que depois da morte do pai, os meninos mudaram e ficaram daquele jeito, e nunca mais fizeram algo pela vida, a não ser sair toda noite. Mas nunca fizeram mal a ninguém e se comportavam direito, não se metiam em confusões. Sabia-se que haviam terminado o ensino médio, mas não quiseram cursar faculdade, por mais que a cidade oferecesse isso de graça. Deixaram também de cantar por causa da tragédia, tinham uma banda que fazia muito sucesso.

Por muito tempo suas músicas eram as mais tocadas por aquelas bandas, mas o compositor delas deixou escapar entre os dedos a inspiração. Foi muito de repente que tudo acabou, e depois disso que os gêmeos e seus amigos começaram a andar pelas ruas à noite. Impressionei-me ao saber que dois deles eram irmãos e gêmeos. Nenhum era parecido com nenhum, ou meus olhos que não notaram certa semelhança.

Com essas informações, até que minha mãe ficou mais aliviada, pois não eram pessoas más que aparentavam ser. E eu também fiquei feliz por ouvir aquilo, pois todo o dia os via e gostava de vê-los, isso tudo por que eram diferentes do mundo que eu vivia. Na verdade um deles era diferente do meu mundo, e talvez por isso que nossos espíritos bateram na primeira vez que nos vimos.\"\"