Saint Maria
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Imaginei cada gesto, cada palavra saindo da boca de Bill e Anie.
Boa leitura meninas...:*
- Será que eu também posso olhar essas fotos? – disse a voz.
Quando a ouvi, fiquei com medo, mas depois que olhei para frente e vi quem estava diante de mim, eu só pude sorrir. Era ele. Bill estava lá e eu nem acreditava. Uma de suas mãos estava para trás, mas não pude ver o que tinha nela. Começamos a conversar.
- Liguei para sua casa hoje, mas ninguém atendeu. – disse eu a ele.
- É que mamãe está trabalhando, meu irmão foi ver a namorada e a empregada estava de folga. – respondeu ele.
- E como você esta? Já recebeu alta do hospital? – comecei a perguntar.
- Na verdade não, ou talvez sim. – respondeu ele. – Mas não se preocupe com isso. Você não me convidou para sua festa? Aqui estou e trouxe um presente para você. Espero que goste. Feliz aniversário, palhaçinha!
Neste momento, a sua mão que estava para trás, veio a frente e nela tinha uma caixinha vermelha com um laçinho de fita branca. Ele pegou minhas duas mãos e as abriu colocando o presente nelas.
- Abra e vê se gosta. – disse ele com aquele belo sorriso que me fazia ficar feliz.
- Nossa! – exclamei. – É lindo, muito obrigada.
Dentro da caixinha vermelha tinha uma corrente de ouro com o pingente em forma de coração. Foi o presente mais lindo que havia recebido em toda minha vida, que ainda era muito curta. Ele sorriu novamente e eu o abracei forte.
- Venha, — disse eu a ele. – vamos tirar uma foto.
- Acho melhor não. – respondeu ele. – deixamos para a próxima vez.
- Por favor! – comecei a implorar com cara de pena.
- Está bem! Mas só uma. Impossível resistir essa sua carinha de quem possivelmente irá chorar. – disse Bill rindo e já se posicionando para ele mesmo nos fotografar.
A foto ficou muito bonita, pois pegou o céu estrelado ao fundo de nós dois.
- Vou buscar uma coisa para você. – avisei. – Não vá embora. Fique aqui.
- Ok. – respondeu ele. – Mas não conte para sua mãe que eu estou aqui, está bem?
- Por quê? – perguntei.
- Porque ninguém sabe que eu vim aqui. – respondeu ele erguendo as sobrancelhas. – Eu saí do hospital somente para te trazer o presente, tenho que voltar para lá depois.
- Tudo bem. – disse a ele. – Mas fique ai que eu já volto.
Corri para a cozinha e num pratinho servi o bolo e também enchi de brigadeiros. Ninguém me viu fazendo isto, e voltei correndo para a varanda. Quando cheguei lá, Bill não estava. Sentei nos degraus da área muito triste, mas logo me alegrei, pois ele não havia ido embora. Meus olhos não puderam os ver, mas de repente ele estava vindo sentar ao meu lado. Dei a ele o prato de doces. Enquanto comia, também conversávamos.
- E a o curativo que tinha em sua cabeça? – comecei.
- Ah... O curativo? – disse ele balançando a cabeça para lá e para cá. – Ele sarou.
- Hum... E sua moto? Ela ficou destruída com o acidente.
- Você é curiosa palhaçinha. Mas irei responder somente por que é seu aniversário. Bem, a minha moto realmente ficou em pedaços, mas digamos que ganhei uma nova.
- E onde ela está? Veio com ela? – saltei para ver.
- Vim sim. – respondeu ele. – Ela está ali do lado do poste.
- Nossa! – exclamei. – Me leva para dar uma volta?
- Posso até te levar em algum lugar... – disse ele dando gargalhadas. – Mas te levarei apenas quando completar dezoito anos. Você não tem idade para sair de moto por ai.
- Você nem vai ter ela quando eu tiver essa idade! – retruquei. – Vai estar velho e nem vai lembrar de mim.
- Isso é uma coisa impossível. – respondeu ele se abaixando, ficando do meu tamanho. – Impossível duas coisas: a primeira, eu ficar velho e a segunda, eu esquecer você. Mas agora você tem que entrar. Está tarde e o vento esta mudando. Eu ainda tenho que fazer algo antes de voltar para onde sai.
- Aonde você vai? – questionei.
- Como você é curiosa, palhaçinha! – falou ele sério. – Não irei te responder, mas quero que entre e não olhe para trás. É só pra você não precisar ter que pensar em voltar aqui fora.
Não queria que Bill fosse embora. Sua visita foi muito importante e nunca mais iria esquecer do dia em que um garoto estranho passou em minha casa e comeu muitos brigadeiros. No momento em que me despedi dele, senti meu coração apertar novamente. Tive medo, pensei no acidente, lembrei do quanto ele estava sofrendo caído no asfalto. Parecia uma despedida para sempre. Não me contendo, gritei para Bill na hora que ele pegou o capacete:
- Se cuida, por favor!
- Não se preocupe Anie. – disse ele. – Nunca mais vou cair da moto. Agora entre.
Ah, já ia me esquecendo, durma com os anjos.
- Você também. – respondi. – Até logo! E ah... Vou ter que pensar como fazer para revelar nossa foto sem que meus pais vejam!
- Você é muito esperta. – disse ele. – Vai saber o que fazer na hora. Mas agora entre. Tchau palhaçinha!
- Tchau Bill!
E Bill saiu raspando o asfalto com sua nova motocicleta. Ela era preta e muito bonita, diferente da outra. Essa era grande e com traços metálicos que reluziam em qualquer escuridão.
Entrei quando meus padrinhos já estavam indo embora. Minha madrinha notou que eu estava com uma caixinha de presente em mãos. Ela comentou diante de todos:
- Que embrulho lindo, minha querida! – disse ela. – Posso ver o presente de dentro?
- Claro. – respondi.
Ela abriu a caixinha e retirou a corrente de ouro.
- Que lindo! – exclamou ela, chamando a atenção de meus pais. – Você sabe que lhe deu este presente fino? Isso é de ouro puro. Cuide bem!
- Minha filha, — começou mamãe. – quem teria tanto dinheiro para dar um presente desses?
Na hora eu não sabia o que fazer. Não podia contar que Bill havia me dado, mas também não poderia mentir para meus pais. Então disse algo que ocultava Bill, mas que ao mesmo tempo era verdade.
- Pois é mãe. – comecei. – Quando sai para fora, vi que esta caixinha estava lá, então a peguei e vim para dentro.
- Deve ter ficado por lá. – comentou meu pai. – Era tanta coisa que de repente esquecemos lá fora. Sorte que Anie achou. Um presente desses é muito valioso para deixar rolando. Guarde-o filha. Acho que só vai poder usar depois que estiver grande, pois é bem perigoso expor. Mas guarde em um lugar que só você saiba e quando tiver oportunidade vai usar.
- Ta bom, pai. – respondi rindo.
Despedi-me de meus padrinhos e fui tomar uma ducha quente para depois descansar. O mesmo fez meus pais. O dia foi tão intenso que minhas pernas estavam que eu nem podia sentir. Nunca havia me divertido tanto. Ainda bem que eles não questionaram mais nada sobre quem poderia ter me dado aquele presente. Ficou em minha cabeça que eu não menti, somente ocultei algumas coisas.
Depois de tudo isto, mamãe me pos para deitar e apagou a luz. Ela sempre me dava um beijo de boa noite todos os dias, e se não fizesse isto, sentia falta. Era como se aquele gesto me desse sono e aliviava minha mente para dormir bem.
Notas finais
Bjs
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