Saint Maria

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Não aguentei ficar sem postar...Isso é um vício! *-*
CONTINUAÇÃO...
Doutora Simone revelou à Anie...

- Querida, — começou ela. – Bill é meu filho. Assim como Tom. Eu sou mãe deles. Desculpe-me por não ter dito antes. Mas eu fiquei tão nervosa que nem me dei conta que você ainda não sabia disto.

- Então você mora naquela mansão enorme? – perguntei a ela com olhos arregalados.

- É sim. Eu moro lá. – disse ela. – Mas deixa eu te contar algo. Meu filho gosta muito de você, e ele teve uma recuperação nada normal com você aqui. Você mudou a vida do meu filho surpreendentemente. Ele passou a sorrir novamente, coisa que ele não fazia desde quando seu pai morreu. Ele voltou a ser criança. Adotou um cachorrinho, começou a usar roupas brancas, pelo menos dentro de casa, voltou estar de bem com a vida. Sabes que eu vi em seu bidê, um convite de aniversario. E era seu. No dia de seu acidente, ele havia ido comprar seu presente. Muito bonito por sinal, acho que ele acertou em sua escolha. Nunca vi, em todo tempo de sua vida, ele agir assim. Nunca gostava de sair e fazer compras, ou até mesmo colher flores no jardim, e esses dias o encontraram colhendo rosas brancas. Não acha estranho? As coisas estavam começando a mudar. Bill estava sempre com disposição para tudo e isso contagiava todos nós. Não sei como você fez isso, tenho certeza que você é o anjo da guarda dele.

- Filha, — interrompeu minha mãe. – lembra do dia em que você sumiu?

- Sandra... – interrompeu novamente Simone. – Acho que ela deve esquecer este episodio ruim, não acha?

- É sim, doutora. – reconsiderou mamãe. – Esquece Anie o que eu ia te falar. Doutora me desculpe, mas precisamos ir, já está tarde, e ela deve estar muito cansada.

- Compreendo perfeitamente. – respondeu ela. – Tenha uma ótima festa querida.

- Obrigada. – respondi a ela.

Depois da conversa, Tom nos levou novamente, mas desta vez para nossa casa. Ele estava um pouco abatido, mas disfarçava o olhar diante de mim. Desci do carro e abracei-o pela primeira vez. Recebi dele um feliz aniversario adiantado e fiquei muito alegre com isso.

Quando entramos dentro de casa, papai, Nico e Preto nos esperavam com uma noticia não tão boa. O delegado da cidade havia ido até a nossa residência naquela tarde e deixou um documento importante. Nele continha muitas coisas, falava sobre meu seqüestro e também sobre os seqüestradores. Mas o mais importante não era isto e sim o que o juiz mandara meus pais fazer. Na clausula do documento, dizia que nós precisávamos sair da cidade, pois corríamos o risco de sermos atacados novamente. A quadrilha de homens que praticavam esse tipo de crime não haviam sido todos presos, e já que por minha causa dois deles foi pegos, provavelmente voltariam para se vingar. Isso tinha um lado bom e outro ruim. O bom era que nos iríamos ter proteção judicial até todos da quadrilha forem presos. E o lado ruim, que era o mais grave, era o emprego de meu pai, e para onde nos iríamos. Fazia pouco que nossa vida estava endireitando-se, e isso veio para atrapalhar tudo.

Mas vi que dentro do envelope ainda continha outro papel, que meu pai não havia visto. Entreguei-o para ele, e ele leu. Quando terminou de ler abriu um sorriso. Naquela outra carta identificava nosso novo endereço, e a transferência de meu pai. A justiça havia se encarregado de absolutamente tudo. Esse novo papel veio amenizar toda tristeza, que por algum momento tomou conta de nossos corações. A nossa mudança iria ocorrer bem no meio da semana, isso tudo para dar tempo de arrumar as coisas. O que mais me deixou triste foi que, nunca mais poderia ver Bill. Ele também iria ficar triste com minha partida, já que Simone disse-me que realmente seu sentimento por mim era verdadeiro e revigorador.

Depois pensando sozinha em meu quarto, cheguei a conclusão que a nossa segurança era mais importante, pois Bill estava se recuperando e certamente não iria mais lembrar de mim. Como costume, adormeci pensando nas coisas, minha cabeça já estava ficando pior que a de um adulto. Sempre fui muito nervosa e dona de querer concertar tudo que estava errado, mas não podia, pois era apenas uma criança. Acredito que essa seja a pior parte: ser criança. Elas só devem pensar em brincar e estudar, pelo menos isso é o que todo adulto fala, mas não é bem assim. Quando você é muito ligado a algo, sempre vai pensar por mais que não consiga resolver. E isso acontecia comigo.