Saint Maria
8 Capítulo 8
Quando sai do portão para fora da escola, apareceram dois homens muito mal encarados que me viram saindo sozinha. Senti medo, mas continuei a caminhar em direção de minha casa. Eles foram atrás de mim, sem ser notados por ninguém. Resolvi acelerar o passo e me juntar a umas pessoas que estavam a minha frente. Infelizmente elas entraram no carro estacionado e saíram antes que pudesse chegar até elas. Foi aí que resolvi correr.
Fiquei totalmente desesperada ao virar para trás e ver que os homens estavam correndo atrás de mim. Não conseguia gritar, minha voz tinha ficado muda e não havia ninguém na rua para que eu pudesse chamar. Chegando perto de casa, olhei para trás e não os vi. Senti um alivio imenso, mas quando me virei novamente, os dois estavam na minha frente. Cada um me pegou pelo braço e estavam me levando para dentro de uma caminhonete preta. Minha voz não me ajudava, e o que comecei a fazer foi me debater muito a fim de me largarem. Impossível. Trancaram-me dentro do carro e saíram comigo pela mesma rua que eu passava todos os dias. Os homens me ameaçaram muito, se gritasse me matariam.
De dentro do carro, observei a placa da rua em que o carro havia dobrado: Rua das Rosas. Logo mais a frente vi uma mansão muito bonita, vi também nesta mesma casa, duas motos estacionadas. Naquele momento, minha garganta recuperou a voz e abri o vidro de trás para pedir socorro. Gritei desesperada para aquela casa, no momento em que o carro passou. Ninguém me conhecia naquele bairro, a não ser o garoto motoqueiro que sorria sempre a me ver passar. A mansão estava fechada, e perdi minhas esperanças. O que uma criança de apenas seis anos poderia fazer contra dois homens enormes? As lagrimas pela primeira vez diante da situação, correram em meu rosto. Senti horror e ao mesmo tempo esperança. Esperança essa que bateu na hora em que, pelo retrovisor direito do carro, vi uma moto vindo atrás de nós. Não deu para ver quem estava a dirigindo, mas talvez aquele fosse meu herói.
Na minha visão, o motoqueiro não era nenhum dos garotos, pois usava camisa branca, mas mesmo assim sentia que aquele alguém iria me salvar. Os homens logo notaram o motoqueiro e ai começou a perseguição. Passando por uma encruzilhada, mais um motoqueiro apareceu e encurralou a caminhonete. O carro parou bruscamente e bati a cabeça no vidro. Não senti dor na hora, mas quando coloquei a mão nos cabelos, toquei em algo liquido. Fui baixando a mão devagar com os olhos fechados e quando os abri, vi sangue. Neste momento, minha cabeça doía demais e mais lágrimas correram. Jamais me cortara tão gravemente.
Enquanto os dois homens saiam do carro, o outro motoqueiro desceu de sua moto e junto de outro homem que saiu de sua casa para ajudar, começaram a brigar. O outro, de blusa branca e de capacete com o visor preto, estava ao telefone, certamente ligando para a policia. Fechou o celular e veio em minha direção. Senti meu coração disparar de medo e também de emoção. Ele abriu a porta do carro e começou a falar comigo.
- Você esta bem? – perguntou ele dando os braços para mim. – Meu Deus, você esta sangrando! Venha, vou levá-la para o hospital. Não precisa ter medo! Logo a policia estará aqui para prender estes dois delinqüentes.
Cheia de medo, minha voz novamente sumiu, e não tive coragem de falar com aquele estranho que me pegara no colo e tentava me acalmar. Os outros dois motoqueiros estavam brigando fisicamente com os dois seqüestradores e isso me deixava mais nervosa. Grudei no pescoço do rapaz que me segurava e bem lá no fundo, ouvimos o barulho da sirene da ambulância e da policia. Parecia que o pesadelo não iria acabar, e só fui me dar conta que estava salva depois que deitei na maca da ambulância.
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