Saiken - Vínculos Eternos.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Atravessei correndo a rua enquanto o semáforo ainda estava vermelho. Andei pela calçada cheia de lojinhas de conveniência até parar, por força do habito, em frente há uma loja de animais. Enganei-me, na verdade se tratava de uma clinica veterinária onde uma serie de bichinhos foram postos a venda na vitrine.
Sendo loucamente apaixonada por gatos, cachorros e qualquer que seja o animal fofo o bastante para chamar minha atenção. Parei na vitrine e admirei maravilhada os filhotinhos que pareciam ter só alguns meses de vida. Eles miaram e latiram para mim enquanto eu passava levemente o dedo sobre o vidro. Suspirei soltando um som que se parecia com um murmúrio de alegria. Eles eram tão fofos!
Talvez. Só talvez. Se eu não levasse uma vida tão corrida, eu entraria imediatamente dentro dessa loja e compraria quem sabe os três filhotes de uma só vez, mas trabalhando como contadora em duas empresas ao mesmo tempo eu mal podia me alimentar quem dirá a três animaizinhos indefesos como eles.
Parando de divagar sobre o que eu poderia ou não fazer se eu trabalhasse ou não com o que trabalho, continuei andando a passos largos ate o escritório onde teria de fazer meus primeiros registros. Entrei no grande prédio e subi direto para a parte financeira no... 20° andar. Caminhei por um corredor muito bem decorado com quadros bonitos e abstratos então bati levemente em uma porta dupla onde estava escrito: Sakura Haruno.
- Ah! Hina, eu estava só esperando você chegar. Estou louca pra ir comer aquela torta maravilhosa que comemos outro dia. Então a gente termina isso aqui correndo, tipo o mais rápido possível mesmo e vai pra la. É serio, se eu não comer minha dose diária de açúcar em pouquíssimas horas você vai ter uma amiga há menos na terra!
Enquanto ela agitava os braços espalhafatosamente e despejava, de uma vez só, aquelas palavras sobre mim, eu ri e levantei a pasta que carregava.
- Tudo bem. Se você me deixar sair respirando daqui nos vamos aonde você quiser.
Ela também riu e nós nos abraçamos. Alem de ser sua contadora eu e Sakura éramos amigas há mais ou menos três anos. E desde então eu nunca encontrara ninguém que me compreendesse melhor do que ela. Nossa afinidade era mutua e eu sabia que ela nutria o mesmo tipo de sentimento por mim.
- E então senhorita Hyuuga o que nós temos pra hoje? – ela perguntou voltando ao seu lugar atrás de uma bela mesa de madeira resistente e imponente. Sentei-me de frente pra ela abrindo a maleta para pegar os documentos necessários.
- Bem, fiz o orçamento da venda e compra de ações que você me pediu e tivemos bons resultados. De acordo com isso você vai poder fechar negocio com aqueles americanos sem ter de ficar com um rombo em sua conta bancaria.
- Perfeito – ela parecia realmente animada – Agora é só levar isso aqui para Sasuke e ele assinar pra marcarmos a reunião com os americanos e fecharmos negocio.
Uchiha Sasuke era o “marido” de Sakura. “Marido” porque eles nunca se casaram de verdade. Sasuke nunca saia da casa de campo de sua família e sempre tratava dos negócios a distancia. Quando perguntei a Sakura o motivo ela simplesmente me disse que depois que teve uma doença grave ele não quis mais sair de perto da família. Eu não achei motivos para querer maiores explicações. Acho que também ia querer ficar perto das pessoas que amo se algo ruim me acontecesse.
A Atesaki Corporation – uma das maiores companhias aéreas do Japão — era dele, ou melhor, de sua família, mas era Sakura quem comandava os negócios de frente e era ela também que aparecia em todas as reportagens relacionadas à empresa. Ele nunca aparecia. Eu nem sequer sabia como ele era. Uma vez ela o descreveu para mim, disse que ele tinha cabelos negros e olhos tão escuros quanto, pra ela ele era lindo e sim, isso tinha total empolgação de mulher apaixonada. Porem vê-lo realmente eu nunca vi.
Continuamos a resolver assuntos sobre a empresa ate que tivéssemos tudo arrumado para as próximas transações. A Haruno já estava tonta de tanto ver números e contas e disse que se não saíssemos de la imediatamente ela pularia pela janela.
Fomos em direção a doceria que ficava a dois quarteirões do escritório e la pedimos dois enormes pedaços de torta de limão.
Olhei em meu relógio de pulso enquanto conversávamos animadas sobre uma suposta liquidação e vi que já eram onze horas.
- Ah, droga! Sakura tenho que ir – avisei pegando minha bolsa.
- Mas já Hina? Mal começamos a conversar – ela disse um tanto triste.
- Tenho que entregar uma analise financeira pro Asuma antes do meio dia, to hiper atrasada!
- Argh! Eu odeio o fato de você ter dois empregos sabia?! Qual é, te pago um excelente salário você não precisa dessa correria toda não – ela retrucou fazendo birra. Realmente eu não podia me queixar. Sobreviveria muito bem e com um ótimo padrão de vida apenas com o salário da Atesaki Corporation, mas a questão não era essa.
- Você sabe muito bem que a questão não é dinheiro. Asuma e papai eram grandes amigos e como foi ele quem me ensinou praticamente tudo o que sei é justo que depois que ele se foi eu pelo menos cuide dos negócios de seu melhor amigo. Meu pai ficaria contente com isso – eu expliquei sentindo um misto de felicidade e melancolia. Meu pai ainda me fazia muita falta mesmo depois de tantos anos.
- Ta, tudo bem – ela disse se fingindo de brava mas eu sabia que ela entendia – mas só se me prometer uma coisa.
- Fale logo, preciso ir – disse apressada.
- Quero que vá ate meu apartamento amanha. É final de semana e eu juro que te esfolo viva se você me disser que vai trabalhar.
Fiz cara de culpada. Eu realmente pretendia fazer exatamente aquilo.
- Tudo bem – me dei por vencida.
- Ótimo! Te espero la as duas. Ino, aquela minha amiga de quem falei, que namora um primo de Sasuke vai estar la. Quero te apresentar a ela. Ai vai ser ótimo – Sakura estava com um tipo de empolgação que eu não entendi direito. Parecia estar aprontando algo...
- Eu espero que você não esteja aprontando nenhuma das suas Sakura – ela sorriu, cheia de segundas intenções – é serio! E agora preciso mesmo ir. Nos vemos amanha. Prometo que vou.
- É claro que vai. Se não te esfolo viva lembra?!
Soltei uma risada junto com ela.
- Claro que sim.
Sai. Corri ate o outro lado da rua e acenei para um taxi. Dei-lhe as coordenadas e rumei ate a empresa do grande amigo de meu pai.
Quando cheguei Sr. Asuma já me esperava em sua sala e sorriu abertamente quando entrei. Conversamos um pouco e tratamos logo dos negócios. Ele me contou que teria de pegar um avião para Alemanha a negócios e que pretendia me dar esse tempo em que ficasse fora de férias. Eu sabia que não podia discutir se tinha uma coisa em que Sr. Asuma não voltava atrás era em suas decisões. Mas fiz ele me prometer de que me ligaria assim que retornasse.
Sakura pularia de felicidade com a notícia.
Fui pra casa depois de correr o dia inteiro para resolver uns últimos assuntos para Asuma. Fiz questão de deixar tudo resolvido para sua viajem, assim ele poderia ir mais tranquilo e eu também me sentiria melhor. Cheguei exausta e tomei um bom banho, vesti algo confortável, comi alguma coisa e apaguei.
Acordei com a luz forte em meu rosto irritando meus olhos. Eu precisava mudar essa cortina para uma mais escura, de preferência um blecaute! Esfreguei os olhos e fitei o relógio digital na minha mesinha de cabeceira. Onze e meia... Gemi me espreguiçando. Teria que ir a casa de Sakura dali a pouca horas, mas a preguiça me consumia. Depois de enrolar mais alguns minutos me levantei e fui direto para o banheiro. Tomei um banho demorado e relaxante saindo do chuveiro – para variar – atrasada. Sequei malmente os cabelos e fui fazendo uma trança embutida enquanto enfiava uma torrada com geleia de morango na boca. Enfiei-me dentro de um vestido lilás, simples, porem bem bonito. Era de alças grossas e decote em v com um laço na lateral que demarcava bem a cintura. O comprimento ia ate um pouco acima dos joelhos. Junto coloquei sapatilhas pretas
Quando finalmente sai de casa já eram quinze para as duas. Peguei um taxi e pedi ao motorista para chegar o mais rápido possível ao endereço.
Bati a porta de Sakura exatamente as duas e dez.
- Esta atrasada senhorita – Sakura disse fingindo-se de brava.
- O que são dez minutinhos? – perguntei inocente.
- Para a senhora pontualidade, muita coisa!
Eu sorri.
- Tudo bem, eu confesso. Dormi demais. Estava morta ontem quando cheguei m casa e apaguei. Quando acordei já eram onze horas.
- E depois eu sou a chata que acha que você trabalha demais não é?!
Preparei-me para me defender, mas um grito vindo la de dentro me interrompeu.
- Sakura! Cadê aquela tua lingerie preta, bem safada em? To loca pra mostrar pro Gaara a...
Uma loira alta e bonita com um cabelo bem comprido e olhos bem azuis entrou na sala e parou de falar imediatamente corando um pouquinho quando me viu. Ela segurava uma serie de calcinhas e sutiãs de renda e outros tecidos.
- Oi... – eu disse segurando o riso. O que não adiantou muito depois que Sakura soltou uma gargalhada escandalosa seguida pela loira que também começou a rir.
Finalmente entrei no apartamento ainda dando algumas risadas.
- Bem, essa loira tarada aí, que adora minhas roupas de baixo é a Ino, minha amiga que lhe falei e... bem... Gaara é o namorado dela, primo de Sasuke.
- Ah, entendi – respondi sorrindo.
- Ino, essa é a Hinata de quem falei.
Ino abriu um sorriso radiante.
- É ela?
Não entendi direito sua empolgação toda, mas vi que Sakura lhe olhou feio.
- Ah, desculpa. É que Sakura falou tanto de você que fiquei feliz em conhecê-la – retratou-se.
- Sem problemas. É muito bom te conhecer também Ino.
- Liga não, ela é bem escandalosa assim mesmo. Vá se acostumando –Sakura disse.
- Escandalosa é a mãe, testa grande.
- Cale a boca, porca-chan.
Ok. Elas eram bem amigas. Sorri com os apelidos e Sakura me explicou a origem deles que vinham desde o colegial. Depois de mais algum tempo eu e Ino éramos praticamente amigas já. Conversamos muito e assistimos a um filme lindo onde as três se debulharam em lagrimas. A tarde toda foi maravilhosa e Sakura insistiu para que eu dormisse ali. Então como eu já tinha uma serie de coisas minhas em sua casa – incluindo escova de dente, roupa de baixo e um dos meus melhores pijamas – aceitei.
Estávamos as três na cozinha inventando algum tipo de sobremesa que Ino insistia em dizer que sabia a receita de cabeça. Tenho serias duvidas de se ela não a fabricou na hora.
- Eu vou ao banheiro meninas, volto já. E não comecem a comer sem mim, ouviu Ino? – disse um pouco mais alto a ultima frase já que estava mais afastada.
- Até você Hina? – ela fingiu-se ofendida e Sakura gargalhou.
Quando voltava do banheiro vi que elas tinham diminuído o tom da conversa. Falavam mais baixo quase aos sussurros. Sei que não devia que é algo horrível, mas desacelerei o passo e tentei andar quase sem fazer barulho. Uma súbita curiosidade de ouvir o que elas estavam cochichando me invadiu.
- Você já contou pra ela? – Essa era Ino.
- É claro que não! E você quase deu com a língua nos dentes Ino! – Sakura ralhava mesmo falando baixo.
- Desculpa, eu não sabia. Você acha que ela vai?
- Não sei... Agora que o Asuma a deixou de folga talvez...
- Posso saber aonde querem me levar? – entrei de surpresa na cozinha. Queria saber logo do que elas estavam falando. Sakura deu um pulo e elas ficaram tão pálidas por um instante que parecia que cada gota de sangue tinha saído de seu corpo e ido sabe-se la pra onde.
— Hi-hina! Quase me matou de susto mulher!
- Há quanto tempo esta aí? – perguntou Ino.
- O suficiente pra saber que estão planejando me raptar pra algum lugar.
Tive a impressão de que ela pareceram aliviadas. Sakura ate sorriu.
- Ah... Bem... É que, eu não tinha certeza se você ia querer, pensei em fazer surpresa também, mas a Ino é bem linguaruda...
- Você também tava fofocando – Ino retrucou.
- Ino! Me deixa falar.
- Ta, já entendi. Sakura você sabe que eu não gosto de segredos, então será que da pra você contar logo? – eu já estava ficando irritada. Não gostava de segredos, não mesmo. Eles raramente trazem coisas boas.
- Tudo bem, vamos sentar la na sala e eu te explico melhor – Sakura colocou o doce que fizemos na geladeira e nós três fomos pra sala. Ino se sentou uma poltrona vermelha e eu e a Haruno ocupamos o sofá de três lugares – Então. Pra começar, não é nada extraordinário – ela olhou de canto de olho para Ino rapidamente –, queríamos que você viesse pra casa de campo da família de Sasuke com a gente. Eu sei que é repentino, mas achamos que você fosse gostar. Todo ano a gente reúne nossas famílias e amigos e faz uma grande festa pra comemorar uma data festiva da família dos nossos maridos e namorados. É uma tradição deles. Nós só achamos – outra olhadela – que você pudesse ficar um pouco assustada por ser tanta gente nova e acabasse não querendo ir...
- É Hina, eu sei que a gente acabou de se conhecer, mas realmente queria você la. É uma festa pra comemorar esse tipo de coisa mesmo, família e amigos. E há quase três anos que a Sakura reclama a falta de uma das melhores amigas dela la – Ino sorriu gentilmente ao terminar de falar.
Confesso que fiquei comovida com as palavras de Ino. Só assim mesmo alguma coisa parecia não se encaixar. Parecia faltar alguma explicação, um porque a mais.
- E é só isso? Digo... Realmente me senti extremamente feliz pelas palavras de Ino – sorri-, mas você não esta me escondendo nada, não é Sakura?
Achei tê-la visto engolir em seco.
- Claro que não Hinata.
Mas ela me soou confiante.
- Bom, então... acho que não vejo problema nenhum em ir com vocês – eu disse finalmente. As duas pularam de alegria e me abraçaram.
Eu realmente não via mais problema em ir com elas, mas confesso que o que mais me motivou foi a chance de finalmente conhecer a tão misteriosa família do marido de Sakura.
Depois de um pouco mais de bagunça e comemoração Sakura ditou as “instruções” de viajem.
- Já que temos tudo certo podemos agilizar as coisas. Precisamos fazer as malas, comprar as passagens, avisar o pessoal de la que estamos indo... Ai, estou tão empolgada, viajamos amanha mesmo! – ela terminou batendo palminhas.
- Amanha? – perguntei surpresa.
- É – as duas responderam juntas.
- Não! Quer dizer, amanha não da, tenho que arrumar minhas coisas, contabilizar as finanças da empresa, avisar o Sr. Asuma, minha irmã, comprar as passagens, fazer as malas... – disparei a falar uma serie de afazeres imaginando que não seria tão fácil assim viajar sem planejamento algum...
- Ei! – gritou Sakura acima de meus pensamentos – Já esqueceu que esta de férias? E outra, o pessoal da Atesaki sabe se virar sozinho deixa isso comigo. Ino vai comprar as passagens pela internet na nossa companhia aérea mesmo e telefonar para avisar la na casa de campo. Amanha passamos na sua casa a tarde a fazemos suas malas e você liga par sua irmã. Viajamos a noite – disse ela como se fosse a coisa mais simples do mundo.
- Mas...
- Sem mas – me interrompeu -. Agora que já disse sim, você é minha Hinata Hyuuga!
Rimos mais uma vez e começamos a por em pratica todos os nossos afazeres. Como ela disse Ino comprou três passagens de avião para Hokkaido – a cidade onde ficava a casa da família de Sasuke.
- Vamos ter que fazer uma parada em Tohoku. Eu sei que é horrível fazer parada de avião, mas é o mais rápido que achei para la, assim de uma hora pra outra – Ino esclareceu.
- Por mim não tem problema – disse.
- Bom então pelo que eu to vendo vamos chagar de manhazinha la na casa. Bem, vou ligar para Sasuke assim que acordarmos amanha. Você pode ligar pra sua Irma também Hina.
- Claro – respondi sorrindo. Afinal de contas iria ser bom dar uma espairecida. Era algo meio repentino e fugia totalmente da minha rotina, mas seria legal. Eu ligaria para Hanabi amanha, diria a ela que iria passar um tempo fora e tomaria as devidas precauções.
Começamos a arrumar as coisas para dormirmos. Nessa brincadeirinha já eram onze da noite e precisávamos dormir bem para estarmos dispostas amanha. Dormimos as três no quarto de Sakura – que tinha uma daquelas camas enormes -, como se fossemos três adolescentes.
Ainda discutimos algumas coisas e as obriguei a me contarem como era a rotina na casa de campo. Depois de uma breve explicação sobre algumas coisas de la finalmente apagamos.
O despertador de Sakura fazia um barulho altíssimo e irritante. Apertei os olhos sob o pequeno feixe de luz que vinha da janela.
- Argh! Sakura desligue esse inferno de despertador pelo amor de Deus! – reclamei chutando-a de leve por debaixo das cobertas.
- Hum... – ela resmungou tateando as cegas o criado mudo ao lado da cama. Ino que ficara no meio de nos duas ainda dormia pesadamente. Sakura a empurrou sem se importar em ser delicada – Acorda porca-chan! Hora de levantar.
- Hum... Vai se ferrar Gaara.
- Acredite se eu fosse o Gaara já estaria em cima de você se isso te ajudasse a acordar.
Soltei uma gargalhada alta com o tom rouco e –frustrantemente – sensual de voz que Sakura usou para falar ao pé do ouvido com Ino. A loira acordou sobressaltada sem saber bem onde estava.
- Nós parecemos três adolescentes em vez de três mulheres adultas nos tratando desse jeito – falei.
- O que esta dizendo? Sinto-me uma jovem com os meus belos vinte e cinco aninhos ok?!
- Concordo com a Sakura – murmurou Ino com a cabeça enfiada nos travesseiros.
- Bom, sou um ano mais nova que vocês duas e não me sinto tão “jovem” assim... – respondi.
- Isso é porque você trabalha demais! Agora vamos levantar tomar um banho gostoso e nos prepararmos para nossa viajem.
Era incrível como a Haruno tinha tanta disposição logo de manha. Levantei ainda meio grogue de sono enquanto Sakura saia toda alegre em direção à cozinha. Ino continuava deitada e pude ouvir a rosada gritar antes de fechar a porta do banheiro e ligar a ducha:
- Ino sua porca loira de farmácia levanta antes que eu faça toicinho de você!
Soltei uma risada baixa e tomei um banho bem demorado. Peguei algumas lingeries minhas que estava na casa de Sakura e as vesti. Escolhi um short jeans e uma blusinha básica sem mangas com a mesma sapatilha de ontem. Isso seria só para resolvermos as coisas mais urgentes quando chegasse a hora de viajarmos eu passaria em casa e me arrumaria.
Sai do banho já vestida e prendi os cabelo em um coque alto e mal feito depois de seca-los. Ino e Sakura já haviam tomado banho nos outros banheiros da casa e já estavam prontas conversando na mesa posta da cozinha para tomarmos café.
- Ate que em fim Hina, achei que tivesse tido um treco embaixo do chuveiro.
Ino dizia enquanto enchia um copo com vitamina de maça e banana.
- Não foi dessa vez – brinquei – To morrendo de fome...
- Então se apresse porque a gente tem um milhão de coisas pra fazer ate a noite.
- Sim senhora Sakura Haruno! – respondi batendo continência e nós rimos – Falando nisso, quando é que você vai deixar de ser Sra. Haruno e vai passar a ser Sra. Uchiha? – por um momento achei que Ino havia ficado tensa com a minha pergunta, mas acho que foi só impressão... Ao contrario das outras vezes em que perguntei para ela quando trocaria de nome Sakura não ficou triste ou chateada ela abriu um sorriso radiante.
- Se tudo sair como planejamos – ela fez uma breve pausa e suspirou sonhadora – pretendemos... oficializar tudo no ano que vem – ela deu novamente aquela olhada discreta de canto para Ino, mas eu percebi, a única diferença agora era que era um olhar feliz. Ino sorriu tanto que achei que seus lábios não iriam suportar.
- Oh, meu Deus! E como é que você não me contou isso antes? – ela levantou de sua carreira e abrasou a Haruno com força – fico tão feliz por vocês.
- Obrigada – Sakura agradeceu emocionada.
Parecia, pelo menos aos meus olhos, que tudo relacionado à família do Uchiha era suspeito. Eles se escondiam, nunca eram vistos e muito pouco falados, mas assim mesmo fizeram uma fortuna tão grande quanto à de qualquer outro empresário de capa da capital do Japão.
Tratei de tirar essa desconfiança da cabeça e me levantei para dar um abraço em Sakura.
- Isso me deixa muito feliz. Eu sei que é tudo o que você sempre sonhou.
- É sim – ela respondeu com lagrimas de alegria nos olhos.
Terminamos o café planejando avidamente como poderia ser seu futuro casamento e ela surpreendeu — pelo menos a mim, já que Ino disse já saber que isso ia acontecer – me chamando junto a loira para sermos suas madrinhas. Comemoramos outra vez.
Depois de mais ou menos uma hora imaginando uma centena de coisas para o matrimonio da rosada – incluindo uma cascata de flores de sakuras – decidimos que já era hora de começar a preparar as coisas.
O relógio já marcava dez da manha então saímos do apartamento no carro da Haruno e rumamos em direção à empresa da mesma. La as coisas foram rápidas. Fechamos alguns orçamentos e deixamos todas as planilhas esquematizadas para os empregados que ficariam encarregados de cuidar de tudo em quanto estivéssemos fora – o que segundo as meninas seria mais ou menos o período de um mês. Fizemos tudo o mais rápido possível já que Ino não parava de reclamar que aquele trabalho todo era chato e nada, nada sexy! Segundo as palavras da mesma. Saímos de la direto almoçar.
- Deuses! Como vocês aguentam aquilo la todo dia? – a loira reclamou.
Eu sorri e respondi:
- Não é tão ruim quanto você pensa e alem do mais eu gosto de contas. Mas mudando de assunto, você não deveria dizer “Deus” ao invés de “Deuses”? – perguntei. Foi a vez dela sorrir.
- Bom, digamos que eu acredito em mais algumas coisas alem do todo poderoso – outro olhar cúmplice a Sakura.
- Seja la o que for que vocês estejam escondendo de mim com esses olhares furtivos uma para a outra é melhor pararem!
Elas riram.
- É... Uma longa historia Hina. Qualquer dia te conto – Sakura piscou para mim.
- É bom contar mesmo – ri.
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