Saia dessa!

1 Capítulo Único - Snap Out Of It


Notas iniciais
Adoro essa música :3

Estava sentado em uma cadeira, de frente para uma mesa. Do outro lado da mesa, uma linda mulher.

Não era difícil perceber que eu era louco por ela. Louco mesmo. Quando não estava perto dela eu não conseguia agir direito. Ficava triste, com vontade de vê-la. Mesmo tentando esconder, isso se tornou algo natural a um ponto de eu só conseguir sorrir de verdade quando estivesse junto com ela.

Mas às vezes a vida é malvada demais.

A vida não deixava que ela gostasse de mim. Eu a via todos os dias ir a várias baladas, festas, namorar vários caras, viver uma "vida boa". A riqueza a deixava cega. Algumas vezes ela até parecia que gostava de mim. Outras vezes, chegava a me tratar como uma criança. Eu me perguntava se um dia ela seria minha.

Algumas vezes eu tenho vontade de agarrar os ombros dela e sacudi-la dizendo "Saia dessa!".

Esperava os dias, silencioso. Tinha visto muitas vezes ela voltando pra casa chorando. Ela já tinha me ligado falando sobre seus devaneios, e sobre todas as desgraças emocionais que tinha. Eu a aconselhava, a guiava por um bom caminho, mas ela sempre o rejeitava depois.

Eu queria dizer a ela a verdade. Dizer logo tudo de uma vez, mesmo sabendo que ela demoraria um pouco a absorver.
Para ela, o "pra sempre" não era válido. Era algo relativo. Isso me deixava triste. Não soava como ela é.
Mas eu não saio do lugar. Espero a oportunidade certa para dizer isso, mesmo que demore. Mesmo que ela prefira ouvir músicas tristes que a 'consolem' e a mandem fazer a mesma coisa que fez antes.

Naquele dia, eu estava disposto a fazer aquilo. Ela estava mais uma vez decepcionada, mas aberta a ouvir o que eu tinha a dizer, e saberia que ela estaria preparada para aquilo.

Eu achava que aquilo poderia ser tarde demais, mas eu simplesmente não me importava. Cada louco tem direito de fazer as loucuras que quiser.

Me levantei da cadeira, agarrei os ombros dela e disse "Saia dessa vida, criatura!". Ela me olhou com uma cara estranha e respondeu "Quem é você pra me dizer isso?" Ela parecia hipnotizada pela magia que a paixão fazia. Isso não era dela. Eu tinha a certeza que tudo aquilo era influência. Ela era bem volúvel nesse aspecto.
Soltei os ombros dela e disse sem nenhum temor: "Sou o único que realmente ama você. Tento te tirar do seu transe pela magia de suas paixões efêmeras, mas você ainda prefere continuar." Então comecei a me retirar daquele lugar, e antes de fechar a porta disse "Mesmo assim, continuarei esperando pacientemente até você se resolver. Adeus."

E assim saí daquela mansão. Estava decidido. Iria esperar. Como sempre fiz.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!