Sagira

25 Capítulo 25 - Usar o pior para salvar o melhor


Notas iniciais
Oi, olá, boa madrugada! Fiz mais um capítulo e Tanatos está bem abalado sentimentalmente, tanto que começa a se conformar com seus sentimentos. Se tiver algum erro, por favor, me digam! Espero que gostem, beijoxxx!

Ignoro os avisos de meu irmão que sabe o que pretendo fazer.

Não há nada que possa me parar, nem mesmo Zeus.

Nunca senti medo em toda a minha vida.

Não até ver Sagira ser levada com os olhos amedrontados e os braços estirados em minha direção.

Pude ver seus lábios formularem meu nome, mas nenhum som saiu.

E agora me odeio por não tê-la protegido.

E me odeio ainda mais por notar que precisei perdê-la de vista (e talvez pra sempre, caso eu morra concluindo meu objetivo de resgatá-la) pra me conformar sobre meus sentimentos pela híbrida sarcástica, insolente e ao mesmo tempo, tão inocente.

Pouso na praia e sinto meus pés serem aos poucos soterrados pela areia fina da praia, mas eu não estava ali pra apreciar nada.

Fecho minhas asas e caminho até o máximo que posso.

A barreira que contém aqui impede que intrusos entrem, ainda que não sejam mal intencionados.

Sei que Chloe está aqui, pois ordenei que viesse assim que Sagira e eu partíssemos de sua casa.

Claro, não imaginei que seria dessa forma.

A semideusa surge amarrando os cabelos que insistem em voar com o vento e atrás dela mais cinco seguem.

Não sei como cumprimentar Chloe.

Já tive muitos filhos em toda a minha existência, mas quando Sagira está por perto me sinto envergonhado.

Chloe me lembra Sagira e isso me constrange.

Como é possível eu ter me deitado com tantas mulheres sem nada sentir além de prazer?

É curioso quando se descobre que é possível sentir algo a mais.

Já estive com muitas outras depois de ter conhecido Sagira, mas nunca mais foi prazeroso.

Tinha medo de que ela descobrisse, mesmo que a mesma não fosse se importar nem um pouco.

Bom, eu não gostei de descobrir seu namoro (e agora, noivado) com Eros.

Ele é, de longe, quem eu gostaria de ver ao lado da garota para sempre.

Balanço a cabeça para afastar os pensamentos que agora não terão utilidade e fito minha filha, voltando ao presente.

Fico satisfeito — e um tanto orgulhoso — quando ela devolve o olhar firme.

— Onde está Sagira? — pergunta, resignada.

Sinto-me ofendido e ao mesmo tempo inútil ao lhe responder:

— Foi levada.

Chloe nada diz.

Apenas estreita os olhos felinos e chama os outros com um aceno de mão.

— Quem são esses? — pergunto, franzindo o cenho.

Analiso cada semideus.

Hefesto, Afrodite, Perséfone e Eros são seus pais e isso é óbvio.

Faz sentido, considerando que os únicos que poderiam estar a procura da híbrida são os mesmos.

Eles me fitam como todo mortal costuma me fitar (exceto meus filhos): com olhos arregalados e apreensivos.

Mas logo se recuperam, o que me surpreende.

Encaro o filho de Ero e me pergunto o quanto ele sabe.

O sorriso presunçoso que me lança indica que sabe até demais.

Abro e fecho as asas, irritado.

— Me encontraram aqui — Chloe franze o cenho — disseram que foram enviados por seus pais pra um tipo de missão suicida pelo que concluí.

— Essa missão também é sua — digo, colocando a mão em seu ombro.

Chloe revira os olhos e estoura uma bolha de chiclete, achando graça.

Mas quando nota que estou falando sério, cospe o chiclete na areia e cruza os braços, batendo o pé direito de forma nervosa na areia.

— Sagira foi sequestrada por Cronos — digo finalmente — ela não quer que a encontremos, então nossa ligação não será muito útil…

— Ligação? — o casal de gêmeos de Hefesto se entreolha e segura uma risada.

Ignoro a piada interna da qual já sei do que se trata e continuo fitando Chloe, que está pensativa.

— Não vejo o que posso fazer, sou mortal e não tenho poderes que serviriam — ela balbucia.

Penso em lhe dizer prontamente que a tornarei imortal se isso a fizer colaborar.

Mas eu estaria sendo precipitado. Penso também que os outros semideuses não gostariam da diferença, além disso, Zeus ficaria furioso com uma transformação sem seu consentimento.

Sinto Sagira em nossa ligação.

Não sei onde ela se encontra, mas posso sentir que está assustada e deprimida.

— Eu farei tudo que posso — Chloe diz e tira minha mão de seu ombro — sei o que Sagira passou, previ certa parte do que passará e embora eu não possa dizer se tudo vai ficar bem eu posso ao menos tentar.

Assinto, agradecido.

Não é do meu feitio pedir favores.

A Morte apenas pega e leva, mas Sagira odiaria tal coisa.

Tiro uma corrente com um pingente de asas negras do bolso da calça e o estendo para Chloe, que o pega com cuidado.

— Sempre que correr perigo, use — digo, depositando o objeto em suas mãos — apenas em ultimo caso.

Chloe assente e coloca o colar sem esforço algum.

Me despeço da garota com um aceno de cabeça e alço voo.

Agora preciso fazer a minha parte.

Não sei o que exatamente os semideuses farão pra salvar o mundo dessa vez.

Eu nunca deleguei nada a ninguém, muito menos distribui missões.

O trabalho da Morte sempre foi feito sozinho.

Sagira me acompanhou quando me conformei com tal tabu e olha só o que lhe aconteceu.

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Estou voando já fazem horas e tudo o que vejo são ondas e raios de sol capazes de fritar miolos.

Não entendo como Sagira pode ser tão pálida tendo ficado tanto tempo no Egito.

Me lembro de que a mesma ficara o tempo todo no Duat, que não deveria ser tão ensolarado quanto o plano terrestre.

Sei pouca coisa sobre os egípcios além de seus métodos de combate, mas de repente sinto curioso por mais.

Por Sagira.

Sinto enjoo, mas ignoro a sensação incômoda e continuo voando.

Sei que ela está em algum lugar por aqui, mas também sei que alguma magia me impede de encontrá-la.

Semicerro os olhos e penso em parar para descansar quando finalmente vejo um ponto branco em meio ao Mar Vermelho.

O que me levou até aqui foi a intuição.

Hades, Perséfone e Afrodite me chamaram de louco quando lhes contei que pretendia procurar por Sagira em território egípcio.

Eros ficara calado na frente dos mais velhos, mas me chamou a sós e pareceu sério quando disse apoiar minha decisão.

Bufo e reviro os olhos (uma mania de Sagira se manifestando).

Se ele realmente a deseja deveria procurá-la também.

Paro de pensar a respeito de desejos, pois sei que não tenho o direito.

O ponto na verdade é um navio pirata um tanto antigo pra estar em meio ao mundo atual, mas pintado de branco e protegido por poderes divinos.

Me pergunto se Anúbis, irmão de Sagira, já tem notícias sobre seu sequestro.

Ou Hórus.

Resisto ao desejo insano de voar até lá e chamar por ela.

Seria suicídio com Cronos de volta.

Trinco o maxilar e viro as costas sem olhar para trás, procurando terra firme.

Não demoro encontrar.

Pouso sem cerimônia alguma, espantando vários íbis e levantando terra com os pés.

Minhas asas se arrastam no chão areento e molhado enquanto caminho pensando em como me comunicar com alguém do Duat.

Alguém que goste de Sagira, especialmente.

Sinto uma presença agressiva atrás de mim e me viro.

Um deus.

É certo que serei atacado por uma forte magia egípcia, pois vejo hieróglifos no ar e a pressão ao meu redor aumenta.

Encaro o deus e me surpreendo ao me deparar com olhos bicolores.

Hórus.

Quase reviro os olhos a mim mesmo.

Queria alguém que gostasse de Sagira para ajudá-la, mas não que gostasse TANTO.

— Péssimo dia pra tentar algo por aqui, grego — ele grunhe e semicerra os olhos — eu tenho estado de mau humor.

— Sagira corre perigo — digo, sem delongas antes que ele faça algo.

A pressão some imediatamente, assim como a carranca do rosto do egípcio.

Ele saca sua kopesh e se aproxima de mim, desconfiado.

Seu físico indica que poderia vencer de mim sem sequer tentar.

Ele é um deus guerreiro afinal.

— Um navio pirata veleja no Mar Vermelho agora — digo, parecendo calmo — Sagira está dentro dele aprisionada.

Hórus franze o cenho, confuso e preocupado.

— E por que a mesma não sai? Sagira é deveras boa em fugir — resmunga, segurando a kopesh mais firmemente.

Gosto de ouvir a mágoa em sua voz e de constar a fala antiquada.

É quase música para os meus ouvidos, pois sei que Sagira odeia isso.

Mas devo deixar de lado as intrigas com os pretendentes da deusa híbrida e conseguir o máximo de ajuda possível.

— Peço permissão para transitar em território egípcio — digo, fazendo uma reverência.

Hórus parece gostar do sinal de respeito, o que confirma minhas dúvidas sobre ele ser desprovido de raciocínio lógico.

Ele passa a mão no queixo e olha na direção do mar.

Seus olhos brilham de forma perigosa e ele volta a me encarar.

— De fato há um navio no Mar Vermelho, mas não consigo encontrar Sagira nele — ele confirma — como posso confiar em você cegamente, grego?

Sorrio e não ignoro o tom de deboche na palavra “grego”.

— Você não me parece nada cego, embora quase tenha ficado — solto a zombaria, me referindo a cicatriz em seu olho.

Ele fecha o semblante e me arrependo imediatamente.

Sagira precisa de ajuda e eu estou sendo egoísta como sempre.

Subitamente me irrito.

Comigo mesmo e com toda a situação.

Se eu soubesse que isso aconteceria, não teria afastado a loira de mim ou me zangado com ela por bobagens.

Teria dito o quão atraído me sinto por ela?

Não.

É mais que atração.

É algo que não pode ser retribuído, dada a maldição que a impede de se apaixonar.

Ela apenas se culparia.

— Meu nome é Tanatos — me apresento, perdendo a postura gentil e permitindo que meus olhos transmitam ameaça e a determinação que sinto no momento — e eu farei de tudo pra resgatá-la, permitindo você a minha passagem ou não.

Hórus me encara e assovia, admirado.

— Se vossa força de vontade é grande o suficiente pra cruzar mares, então eu devo ouvir o que tens a contar, grego— ele sorri de lado e guarda a kopesh, olhando em meus olhos desafiadoramente.

Sei que estão prateados agora.

Sagira os odeia assim.

Mas é necessário despertar o que há de pior em mim para salvar o melhor que descobri existir.

Notas finais
O QUE ACHAM DESSA IMAGEM PRA EU FAZER UMA CAPA?? https://scontent-mia1-1.xx.fbcdn.net/hphotos-xpt1/v/t1.0-9/12993548_955252571258536_7663713532878509845_n.jpg?oh=80972afd56875d230d4fe20a5626b67a&oe=57BCE18E ~INSIRA AQUI UM SELO ANTI VÁCUO~