Saga o Destino - Um - o Olho de Hórus
1 Assassinato à Luz do Dia
Notas iniciais
O homem andava por Londres com um temor no coração. A pasta preta que carregava em sua mão direita parecia estranhamente mais pesada. Ele sabia que não poderia falhar. A Sociedade do Destino estava de olho nele há meses e ele sabia disso. Se infiltrar nela era extremamente difícil, mas permanecer nela era pior ainda. Em todas as reuniões, eles esquadrinhavam a mente de seus membros. Se tivessem intenções contra a Sociedade do Destino, eram imediatamente levados para a Sala das Sombras, onde seriam torturados e mortos pelos espíritos malignos das trevas.
Mais uma vez o homem suspirou. Desceu para a estação de King's Cross e antes que embarcasse no trem, ele viu o homem de sobretudo vermelho, estampado no peito com o Olho de Hórus, vindo em sua direção. Em seu rosto estava uma expressão mista de fúria, determinação e selvageria. O rosto de um frio e calculista assassino
Atônito, o homem saiu da estação e correu até um ônibus e embarcou. Talvez ele ainda não tenha se teleportado pelas Portas, pensou ele. Quando olhou para trás, viu o outro sentado há oito poltronas de distância.
-Pare o ônibus! -gritou ele para o motorista.
O motorista parou, abriu as portas e gritou:
-Tá maluco, cara?
O homem nem respondeu e desceu correndo. Viu que o outro corria também atrás dele. O homem da pasta negra se virou e gritou, com a mão estendida para ele:
-Distraciono-te!
O de sobretudo vermelho girou no ar, envolto por um redemoinho vindo do nada.
O homem correu, grudou uma inscrição na pasta e a colocou na caixa de correio. Depois correu, até parar em uma praça lotada de pessoas.
Logo, o homem de sobretudo vermelho apareceu diante dele e indagou:
-Onde está a pasta? Onde estão os documentos?
-Eu nunca direi! -respondeu o homem da pasta.
-Porque traiu a Sociedade, Shaw? Porque? -indagou o de vermelho.
-Vocês são a doença que corrompe nosso mundo. Trazer o Eudanayeh à Terra? Ele irá destruir tudo!
-Ele é nosso senhor. Você jurou no Altar dos 13 Pilares. Bebeu do Sangue Sagrado. Obteve o poder do Destino! Como ousa agora desafiar nosso poder?
-Nunca pensei que tal mal pudesse existir. Sua Sociedade me enoja.
-Eu era seu amigo, Shaw. Defendi-o do Conselho Macabro. O livrei da Sala das Sombras. É assim que me retribui?
-Não queria ofendê-lo. Por favor junte-se a mim! Vamos livrar o mundo dessa ferida purulenta!
-Não posso. A Sociedade do Destino é implacável. Além disso, nada mais pode ser feito.
Um machado surgiu na mão do homem de vermelho. Horrorizado, o outro falou:
-Não! Malditos sejam, não!
O homem o encarou, com olhos negros e uma pele pálida.
-Sou um Executor. E, como autoridade na Sociedade do Destino, eu condeno você, Edward Shaw, à morte, por traição.
O homem lançou o machado que, num golpe seco, cortou Edward Shaw ao meio.
A população horrorizada viu o corpo cair, como um cometa. O sol incindiu sobre o cadáver partido, onde, na pele, runas de sangue se formavam ao redor do corpo, e ele evaporava.
O homem de sobretudo vermelho foi rápido. Atravessou a ensolarada praça e sumiu entre as sombras da manhã.
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