Saga do Olimpo - A batalha do Céu
1 Capítulo 01 – A casa do lago
Notas iniciais
Capítulo 01 – A casa do lago
Seis meses haviam se passado desde a Guerra Santa entre Atena e Ares. O planeta foi restaurado, mas a sangrenta batalha deixou uma sensível cicatriz no mundo e no Santuário.
Os mortais acreditavam que a guerra havia sido travada por grandes países interessados em riquezas, petróleo e território. Os civis passaram semanas de luto enterrando seus entes queridos que foram envolvidos pelo genocídio do deus da guerra. Mas havia um grupo de pessoas que estavam ciente dos fatos que ocorreu e estão dispostos a revelar a verdade para a sociedade.
Enquanto isso, o Santuário de Atena se erguia das cinzas. Apesar dos esforços do Grande Mestre em manipular a guerra para dar a vitória à Atena e ter o menor número de baixas possível, muitos cavaleiros e soldados perderam a vida. Atlântida e Asgard também sofreram.
Casa do lago da família Kido – Japão (Maio de 2002)
O dia estava bastante claro, com o sol brilhando em um céu de poucas nuvens. Os pássaros cantavam na floresta que rodeava a luxuosa casa localizada na beira de um extenso lago. A casa era feita de madeira no piso e no teto, mas ao invés de paredes havia vidro circundando a parte externa da casa. Podendo avistar o interior da residência.
— O céu está lindo, não acha, Seiya? — perguntou uma jovem de cabelos curtos castanho. Ela usava um vestido branco florido.
Ela estava em pé na varanda ao lado de Seiya, que estava sentado em uma cadeira com uma expressão quase vazia. Ele usava uma camisa vermelha, calça jeans clara e sapatos brancos. Havia faixas médicas em seus braços e pescoço.
— Está sim. — disse ele, com um tom de voz que parecia triste. Seiya moveu os dedos das mãos, mas ainda tinha dificuldades para controlar os movimentos.
— Não fique assim. Logo você estará recuperado. O Cavaleiro de Taça disse que você está evoluindo bem no tratamento.
— Já se passaram dois anos... — havia tristeza em sua voz. — Seika... A Marin esteve aqui ontem à noite, não foi?! Eu senti a presença dela.
— Ela veio fazer uma ronda e ver como você está. — disse a irmã mais velha de Seiya. — Como você estava deitado, ela não quis interromper seu descanso. Foi uma ordem do Santuário.
— Do Santuário?! Alguma notícia?
— Nada demais. O novo Grande Mestre estabeleceu estado de alerta no Santuário desde o fim da guerra. O Santuário está se erguendo aos poucos, mas estão vigiando o céu. Tivemos muitas baixas. — disse Seika apertando as mãos. — Marim me contou que o Grande Mestre solicitou um relatório sobre a sua recuperação. Eu acho que eles querem o Guardião da Casa de Sagitário de volta. — disse tentando ser animadora. Ela sabia o quanto Seiya se importava com os deveres de ser um Cavaleiro de Atena.
De repente o colar de Seika, que trazia um guizo dourado pendurado, se rompeu e caiu no chão.
— Meu colar quebrou-se... Não é um bom sinal. — Seika se abaixou para pegar o adereço e o colocou envolta do punho de Seiya, transformando em uma pulseira. — Dizem que os guizos podem afastar energias ruins. Sinceramente, gostaria que não acontecesse mais nada de mal. Você, Ikki e os outros protegeram a Terra nos últimos anos. Merecem descansar. Dessa vez eu vou proteger você.
— Não posso descansar enquanto a sombra de uma nova ameaça se aproxima da Terra. — disse Seiya, se levantando da cadeira com um pouco de dificuldade. Ele se segurou no parapeito que cerca o terraço. — Cada dia que passa aumenta uma angústia no meu peito. Alguém tem que lutar por aqueles que não podem se proteger.
Houve um forte deslocamento de ar no céu e o vento soprou agitando a superfície do lago, criando ondulações.
Seiya sentiu que havia algo estranho nos arredores. Era uma sensação ameaçadora se espreitando.
— Seiya... — disse Seika, se aproximando dele.
O vento soprou forte novamente, dessa vez agitando o guizo.
— Seika, afaste-se! — gritou o Cavaleiro de Ouro.
Sem ter muito controle dos membros, Seiya empurrou Seika desajeitado no exato momento em que dezenas de lanças douradas foram disparadas dentre as árvores contra eles.
— Seiya! — gritou Seika, preocupada, indo até o irmão que estava caído em meio as lanças manchadas de sangue.
Seika parou no momento em que dois homens pousaram suavemente no terraço. Um deles tinha pele morena, cabelos roxos arrepiados e olhos castanhos. O outro tinha pele clara, cabelos curtos ruivo e olhos azuis. Ambos estavam trajando uma armadura prateada com detalhes brancos chamada de “Gloria”. Acima de suas cabeça brilhava uma aureola dourada e de suas costas pendia um par de asas brancas feitas de cosmo.
— Asas?! Por acaso são anjos?! — pensou Seika. — Quem são vocês?
— Seiya desrespeitou os deuses e se rebelou contra eles. Teve que pagar com a própria vida pelos pecados que cometeu. — disse o anjo de cabelos roxos. — Meu nome é Odisseu. Eu sou um anjo.
Ao olhar com mais atenção para Seiya ainda caído, o anjo constatou que as lanças haviam o acertado de raspão e que os ferimentos eram superficiais.
— Ele conseguiu se desviar do nosso ataque?! — questionou o anjo.
— Seiya?! — pensou Seika, preocupada. Seu corpo estava paralisado de medo e pela presença dos guerreiros angelicais.
— Creio que não. — disse o outro anjo, caminhando até a lança mais próxima. — As lanças...
O anjo removeu do chão uma das lanças e a arremessou com força na varanda, mas ao invés da arma fazer uma trajetória reta, ela desviou o percurso e acertou um dos vidros que dá acesso a sala da residência. Destruindo a vidraça e espalhando pedaços de vidro por todos os lados.
Em meio aos destroços surgiu uma mulher de longos cabelos roxos e vestido branco. Ela estava acompanhada por outra mulher de longos cabelos ruivos, olhos vermelhos como rubi e trajava a armadura de ouro de Capricórnio.
— Uma guerreira sem máscara?! Uma saintia de Ouro! — pensou Odisseu.
— Foi o seu poder, não foi? — perguntou o anjo de cabelos ruivos. — Atena!
Odisseu deu um passo a frente contra Atena, mas seu corpo foi paralisado pela presença da deusa. Na medida em que Atena caminhava, as lanças eram destruídas se desfazendo em cosmo.
— Afaste-se de Seiya, Atena. — disse o anjo ruivo. — Por favor.
— Nós viemos aqui para levar Seiya ao Olimpo. Os deuses o querem no Tribunal de Nêmesis. — disse Odisseu. — E vamos cumprir com a nossa missão.
— Não me afastarei. — disse a deusa, se aproximando de Seiya e curando os ferimentos.
— Esse humano não merece a sua proteção, Atena. — disse o outro anjo.
A presença de Atena libertou Seika da paralisação e a irmã mais velha de Seiya pôde se aproximar para ajudar o irmão.
— Quem é você? E quem foi que deu a ordem para que vocês viessem aqui?
— Eu sou um guerreiro da Coroa do Sol. Meu nome é Tohma de Ícaro, um anjo da Casta da Luz. E foi a sua irmã quem nos enviou. Ela está preocupada com a senhora. — disse o anjo de cabelos ruivos.
Atena olhou para Seiya, agora sentado na cadeira recebendo os cuidados de Seika.
— O golpe de lança me pareceu mortal demais para alguém que diz apenas querer levar Seiya para o julgamento dos deuses. — disse a deusa. — Foi a minha irmã quem mandou vocês matarem um humano?! Desde quando os guerreiros da Coroa do Sol são subordinados a deusa da lua?!
— Esse humano desrespeitou os deuses e deve ser punido! — disse Tohma, ignorando os questionamentos da deusa.
O ar ao redor de Atena se tornou pesado e seus cabelos se agitaram.
— Eu não vou permitir que façam mal a ele!!
O anjo deu um passo para trás temeroso.
— Como a senhora sabe, o Tribunal de Nêmesis foi convocado e os deuses decidiram que Seiya deve ser levado para a prisão do Céu para aguardar o julgamento dos deuses. Mas é certo que a punição será a morte. Não fará diferença se tirarmos a vida dele aqui e agora.
Os olhos de Atena brilharam e os anjos caíram de joelhos.
— Avisem aos deuses que Seiya comparecerá quando estiver recuperado. Não vou permitir que levem ele! Voltem para o Olimpo imediatamente!
A superfície do lago voltou a formar ondulações e filetes de águas começaram a ser atraídos em direção ao céu. O dia escureceu repentinamente. Era como se o tempo tivesse sido acelerado para que o sol desaparecesse no horizonte dando lugar à Lua. O satélite natural da Terra parecia mais próximo. Tão próximo que era possível observar o relevo da Lua.
— A lua apareceu de repente e transformou o mundo em noite. — pensou a deusa. — Apenas um ente tem esse poder. A deusa da lua que controla a sombra profunda. A lua resplandece mais intensamente do que o próprio sol. Sua luz brilha somente para iluminar sua deusa.
Um cosmo poderoso se aproximou e materializou uma mulher de longos cabelos e olhos verdes. Havia o símbolo dourado de uma lua crescente em sua testa. Ela trajava um vestido branco longo e trazia em sua mão uma lança dourada com forma de lua crescente.
— Atena... Minha irmãzinha...
— Artêmis! Minha irmã...
— Atena, deusa caída. Seu estado é uma desgraça para os deuses, os quais tem o dever de guiar e punir os humanos.
— Guiar e punir?! Não seria guiar e proteger? — questionou a deusa.
— Essa sua visão distorcida de como tratar os humanos fez com que eles tivessem coragem de se rebelar contra a vontade dos deuses. Esse humano... — disse a deusa da lua olhando para Seiya. — É um pecador e deve ser levado à julgamento para responder pelos crimes que cometeu. Atena... O Olimpo está sendo paciente. Não permita que a ira dos deuses caia sobre a Terra.
—...—
Templo do Grande Mestre – Santuário de Atena, Grécia
As portas do grande salão se abriram e um homem trajando uma armadura de ouro adentrou no salão. Shalom de Virgem.
— O senhor me chamou, Grande Mestre? — perguntou o jovem cavaleiro se ajoelhando diante no trono.
Sentado no trono estava o novo Grande Mestre. Um homem de pele clara e cabelos laranja. Seu rosto estava ocultado pelo elmo dourado e pela máscara.
— Sim, tenho uma missão para você.
—...—
Referências:
* O início da Saga do Olimpo terá o filme Prólogo do Céu como referência. Algo que já estava sendo trabalhado na Saga de Ares.
* O diálogo inicial entre Seiya e Seika foi baseado no capítulo único do Prólogo do Céu lançado pelo Mestre Kurumada antes do lançamento do filme.
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