Saga: Herança de Ódio Livro 2: O Acorde Rebelde
9 Capítulo 9: Reação em Cadeia
Maya Thorne não era do tipo que se retirava para um canto para chorar. Se Lorenzo queria jogar o jogo das aparências e dos impérios, ela iria mostrar-lhe que uma cientista sabe exatamente como causar uma reação em cadeia.
A festa de noivado de Lorenzo e Bianca era o evento mais exclusivo da temporada. O salão de baile do Hotel Blackstone estava decorado com orquídeas brancas e cristais, refletindo a opulência fria dos D’Avilla e dos Vancamp.
Lorenzo circulava com Bianca ao seu lado, o braço dela entrelaçado no dele como uma joia cara. Ele estava impecável, mas os seus olhos não paravam de vigiar a entrada. Ele esperava que Maya não aparecesse; ao mesmo tempo, ele morria de medo de que ela realmente não viesse.
Até que as portas duplas se abriram.
O Acompanhante Surpresa
Maya entrou, e o burburinho no salão baixou um tom. Ela não estava de óculos. Usava um vestido de seda esmeralda, de costas abertas, que realçava cada curva que Lorenzo conhecia tão bem. Mas o choque não foi o vestido; foi o homem ao lado dela.
Julian Ricci Jr. — o filho do homem que traiu os Moretti anos atrás. Julian Jr. tinha passado anos a limpar o nome da família e era agora um dos arquitetos mais cobiçados da Europa. Ele era alto, charmoso e olhava para Maya com uma adoração que fez o sangue de Lorenzo ferver.
Lorenzo sentiu a mandíbula travar. Dante, que observava de longe, trocou um olhar cúmplice com Aria. Eles sabiam que Maya tinha acabado de lançar uma ogiva nuclear no meio da festa.
A Dança da Discórdia
No meio da noite, a orquestra começou uma valsa lenta. Julian Jr. guiou Maya para a pista, as mãos dele pousadas com possessividade na cintura dela. Lorenzo, incapaz de se conter, arrastou Bianca para a pista também, manobrando até ficar frente a frente com o outro casal.
— Julian — disse Lorenzo, a voz como um rosnado sob a música. — Não sabia que tinhas voltado para Chicago para recolher restos.
Julian Jr. sorriu, calmo.
— Eu não vejo restos aqui, Lorenzo. Vejo a mulher mais brilhante que já conheci. Diferente de ti, eu sei valorizar o que é raro.
Maya manteve o olhar fixo em Lorenzo. Ela via a veia no pescoço dele pulsar. A máscara de homem de negócios estava prestes a rachar.
— Bianca, importas-te? — Lorenzo perguntou, sem tirar os olhos de Maya. Antes que a noiva pudesse responder, ele "roubou" Maya dos braços de Julian num movimento brusco de troca de pares.
O Confronto no Terraço (Novamente)
Ele não a levou para dançar. Ele arrastou-a para fora, para o mesmo terraço onde, anos antes, ela o desafiara.
— Tu perdeste o juízo? — Lorenzo explodiu, soltando o braço dela. — O filho do Ricci? A sério, Maya? Tu sabes o que a família dele fez à tua!
— Eu sei o que ele fez por mim em Londres quando eu estava sozinha, Lorenzo! — retrucou ela, aproximando-se dele até que os seus peitos se tocassem. — Ele foi o meu amigo enquanto tu estavas aqui a assinar contratos de casamento. Ele não me vê como uma "vizinha". Ele vê-me como a Maya.
— Tu vieste aqui para me torturar? — Ele encurralou-a contra o parapeito, a respiração errática. — Conseguiste. Eu odeio ver as mãos dele em ti. Eu odeio este terno, odeio este noivado e odeio o facto de que, não importa quanto dinheiro eu ganhe, eu continuo a ser o mesmo idiota apaixonado pela vizinha CDF!
— Então prova-o — sussurrou Maya, desafiando-o. — Deixa a Bianca. Cancela esta farsa.
Lorenzo fechou os olhos, a testa encostada na dela.
— Eu não posso, Maya. Se eu cancelar este contrato, os D'Avilla retiram o investimento na clínica onde a tua mãe está em Londres. Eu não te contei... mas o teu pai parou de pagar as contas. Eu assumi tudo. O noivado com a Bianca é o preço para manter a tua mãe viva.
O mundo de Maya parou. O "vilão" não era Lorenzo; ele era o mártir que se tinha sacrificado para salvar a única coisa que lhe restava de família.
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