Saga: Herança de Ódio Livro 2: O Acorde Rebelde
3 Capítulo 3: A Teoria do Caos
A notícia caiu como uma bomba no café da manhã de Lorenzo. Aria, elegante em seu robe de seda, deslizou um convite de papel de algodão com bordas douradas sobre a mesa.
— Convidei os Thorne para o jantar de gala da Fundação amanhã à noite — disse ela, calmamente, tomando um gole de seu chá. — A mãe de Maya, Sarah, é uma enfermeira brilhante e a fundação está interessada no projeto comunitário que ela gerencia.
Lorenzo quase engasgou com a torrada.
— Você fez o quê? Mãe, ela me odeia! Ela acha que eu sou um troglodita com conta bancária.
Dante, atrás do seu jornal, deu um sorriso de lado que Lorenzo reconheceu bem.
— Então prove que ela está errada, Lorenzo. Ou será que o herdeiro dos Vancamp-Moretti foi finalmente derrotado por uma garota com um livro de astrofísica?
A Chegada dos Thorne
Na noite seguinte, a mansão estava deslumbrante. Lustres de cristal, o som de um quarteto de cordas (que Aria insistia em manter como tradição) e a elite de Chicago circulando.
Lorenzo estava encostado a uma pilastra, vestindo um terno sob medida, mas com os cabelos levemente bagunçados e o olhar entediado. Até que a porta se abriu.
Maya não usava um vestido de baile bufante. Ela estava em um vestido preto simples, de corte reto, que realçava sua pele clara e o contraste com os cabelos escuros. Os óculos de grau haviam sido substituídos por lentes, revelando olhos castanhos afiados que escaneavam o salão como se estivessem analisando um experimento de laboratório.
— Feche a boca, Vancamp. Entra mosca — disse ela, passando por ele sem parar.
O Confronto no Terraço
O jantar foi um suplício para Lorenzo. Ele teve que assistir Maya conversar animadamente com Aria sobre música clássica e com Dante sobre investimentos em tecnologia espacial. Ela era brilhante, e o pior: ela não estava nem um pouco impressionada com o brilho do ouro ao seu redor.
No meio da noite, ele a seguiu até o terraço. O ar estava frio e o céu limpo.
— Veio conferir se o telescópio que eu te dei consegue ver o seu ego daqui? — provocou ele, parando ao lado dela.
Maya suspirou, apoiando os cotovelos no parapeito de pedra.
— Sabe o que é engraçado, Lorenzo? Seus pais são lendas. Eles construíram um império sobre as cinzas de uma guerra. E você... você parece estar tentando desesperadamente transformar tudo em cinzas de novo só para ver se alguém te nota.
Lorenzo sentiu o golpe. Foi direto no ponto que ele tentava esconder com as corridas e as brigas.
— Você não sabe nada sobre mim, Maya.
— Eu sei o suficiente. Sei que você toca guitarra escondido na garagem quando acha que ninguém está ouvindo. E sei que você toca com a mesma raiva que sua mãe tocava violoncelo antes de encontrar a paz. — Ela se virou para ele, a luz da lua batendo em seu rosto. — Mas enquanto você for apenas o "filho rebelde", você vai ser a parte menos interessante desta família.
Lorenzo deu um passo à frente, invadindo o espaço dela. A tensão elétrica era quase física.
— E o que eu teria que fazer para ser "interessante" para você, Maya? Resolver uma equação de segundo grau? Me tornar um CDF?
Maya sorriu pela primeira vez. Não foi um sorriso de deboche, mas um desafio puro.
— Você teria que ser você mesmo. Sem o sobrenome, sem a moto, sem o dinheiro. Mas acho que você tem medo demais de descobrir quem esse cara é.
Ela se afastou, deixando o cheiro de limão e canela no ar. Lorenzo ficou sozinho no escuro, o coração martelando contra as costelas. Ele queria gritar de raiva, mas, pela primeira vez na vida, ele queria algo muito mais difícil: ele queria que Maya Thorne o olhasse e visse Lorenzo, não o herdeiro.
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